sexta-feira, 16 de outubro de 2026

“Fim da linha para a Volta a Andaluzia feminina: Falta de apoio ditou cancelamento da corrida”


Por: José Morais

A Volta a Andaluzia Feminina não regressará às estradas em 2026. A decisão foi confirmada pela Deporinter, empresa responsável pela organização da prova, que apontou dificuldades financeiras e a ausência de apoio institucional como os principais motivos para o cancelamento da quinta edição da competição.

Apesar dos esforços desenvolvidos nos últimos meses para manter a corrida no calendário, todas as tentativas acabaram por se revelar insuficientes. Entre as soluções estudadas esteve a possibilidade de realizar uma versão reduzida da prova, limitada a uma única jornada de competição. No entanto, a falta de condições necessárias acabou por inviabilizar igualmente essa alternativa.

Joaquín Cuevas, diretor-geral da Deporinter, explicou que a organização procurou diferentes vias para evitar o desaparecimento temporário do evento, mas reconheceu que não foi possível encontrar uma solução viável a tempo de salvar a corrida deste ano.

Ainda assim, a entidade organizadora garante que não desistiu do projeto. O objetivo passa por devolver a Volta a Andaluzia Feminina ao calendário internacional em 2027, desde que sejam reunidos os apoios indispensáveis para assegurar a sua sustentabilidade e continuidade.

A União Ciclista Internacional (UCI) já reservou datas para uma futura edição, demonstrando que a prova continua a ter espaço no panorama competitivo. Contudo, o seu regresso dependerá da capacidade de mobilizar instituições e parceiros que permitam garantir a realização do evento.

A suspensão representa mais um revés para o ciclismo feminino espanhol, numa fase em que a modalidade procura consolidar o seu crescimento e aumentar a visibilidade no panorama internacional.

Desde a sua estreia, em 2022, a corrida andaluza acolheu várias vencedoras de renome. A cubana Arlenis Sierra inaugurou o palmarés, seguida pela norueguesa Katrine Aalerud em 2023. Em 2024, o triunfo sorriu à espanhola Mavi García, enquanto a britânica Catrin Ferguson conquistou a última edição disputada, realizada em 2025 sob o formato de etapa única.

O futuro da competição permanece, para já, em suspenso, mas a organização mantém a esperança de que a Andaluzia volte a receber uma das mais importantes provas femininas da Península Ibérica já em 2027.

“Queda coletiva afasta Lorena Wiebes da luta pelo título mundial de Omnium”


Por: José Morais

A corrida de Scratch do Campeonato do Mundo de Pista, que decorre em Xangai, ficou marcada por uma aparatosa queda coletiva que envolveu mais de uma dezena de ciclistas e comprometeu de forma decisiva as aspirações da campeã mundial Lorena Wiebes à revalidação do título no Omnium.

O incidente ocorreu quando a neerlandesa seguia na dianteira do pelotão e perdeu o controlo da bicicleta, desencadeando uma reação em cadeia que levou ao chão mais 12 corredoras. O forte embate gerou momentos de grande tensão no velódromo, obrigando mesmo à interrupção da prova para assistência às atletas envolvidas.

Lorena Wiebes foi uma das ciclistas mais afetadas pela queda. Visivelmente combalida, abandonou a pista a coxear e com o braço imobilizado por uma ligadura provisória, levantando preocupações quanto ao seu estado físico. O acidente acabou por ditar o fim das suas ambições de defender o título conquistado anteriormente nesta disciplina.

Não é a primeira vez que a neerlandesa enfrenta um contratempo desta natureza em grandes competições de pista. Na época passada, já tinha sofrido uma queda durante a prova de Madison, poucos dias depois de se ter sagrado campeã do Omnium.

Na altura, Wiebes descreveu as consequências do acidente com sinceridade: “Não parti nada, mas sinto-me como se tivesse levado uma bola de bowling nas costelas. Os joelhos ficaram bastante arranhados e continuo com dores nas costelas e nos ombros. Fui empurrada para o lado e o guiador bloqueou”, recordou a ciclista.

O novo acidente representa mais um duro golpe para a atleta neerlandesa, que chegou a Xangai entre as principais favoritas à conquista da medalha de ouro, mas viu as suas esperanças desaparecerem num dos momentos mais dramáticos da competição.

“Giro 2027 promete explodir a corrida: Mortirolo duplo, Gavia e quase 6.000 metros de desnível na etapa mais brutal da década”


Por: José Morais

À medida que se aproxima a apresentação oficial do Giro d'Italia 2027, continuam a surgir informações sobre um percurso desenhado para devolver à corrida italiana o seu carácter épico e seletivo. Sob a liderança de Luca Guercilena, a organização pretende oferecer um traçado mais duro, mais espetacular e capaz de atrair as maiores figuras do ciclismo mundial.

 

Uma jornada para fazer história

 

Entre os rumores mais fortes destaca-se aquela que poderá vir a ser a etapa-rainha da próxima edição. Marcada para a 16.ª etapa, a 25 de maio, a ligação entre Sondrio e Aprica promete transformar-se num dos dias mais exigentes alguma vez vistos na Corsa Rosa.

O percurso deverá rondar os 200 quilómetros e apresentar uma sucessão impressionante de dificuldades montanhosas. Logo nos primeiros quilómetros, os corredores enfrentarão a temida subida do Mortirolo pelo lado de Mazzo, uma ascensão lendária conhecida pelas suas rampas severas e pela capacidade de partir o pelotão.

Após a descida para Monno, a corrida seguirá em direção a Ponte di Legno, onde começará a escalada do Passo Gavia. O histórico gigante alpino deverá assumir o papel de Cima Coppi da edição de 2027, recuperando um dos cenários mais emblemáticos do Giro. A sua presença tem sido rara nos últimos anos devido ao risco de neve nas cotas mais elevadas durante o mês de maio.

Concluída a descida para Bormio e para o vale da Valtellina, os ciclistas não terão qualquer trégua. O Mortirolo surgirá novamente no percurso, numa segunda ascensão destinada a provocar diferenças significativas entre os candidatos à classificação geral.


Depois de nova descida até Monno, a corrida seguirá para Edolo antes da subida final para Aprica. Segundo a imprensa italiana, a chegada poderá estar localizada na exigente vertente de Santicolo, considerada a mais dura da zona e ideal para uma derradeira batalha entre os favoritos.

 

Perto dos 6.000 metros de desnível

 

Caso esta configuração seja confirmada, a etapa poderá aproximar-se ou mesmo ultrapassar os 6.000 metros de desnível acumulado, um número raramente alcançado na história do Giro d'Itália.

A confirmar-se, entrará diretamente para o restrito grupo das etapas mais difíceis alguma vez desenhadas para a corrida italiana, juntando-se a autênticas maratonas alpinas que marcaram épocas passadas e ficaram gravadas na memória dos adeptos.

 

Zoncolan e Madonna di Campiglio também entram em cena

 

As dificuldades não deverão terminar aí. As informações que circulam em Itália apontam ainda para uma penúltima etapa com chegada ao mítico Monte Zoncolan, considerada uma das subidas mais temidas do ciclismo mundial. O trajeto poderá incluir uma breve passagem por território austríaco antes do ataque final à montanha friulana.

Poucos dias antes, a etapa 18 deverá terminar em Madonna di Campiglio, outro dos palcos clássicos das grandes batalhas da alta montanha.

 

Dois contrarrelógios para equilibrar a corrida

 

Para criar um percurso mais completo e atrativo para todos os perfis de candidatos à vitória final, a organização deverá incluir dois contrarrelógios individuais.

Um deles terá chegada em altitude no Gran Sasso, enquanto o segundo deverá disputar-se na 15.ª etapa, utilizando parte do famoso Autódromo de Monza, numa jornada que poderá desempenhar um papel decisivo antes da última semana de competição.

O Giro d'Italia 2027 arrancará em Trieste, com uma incursão pela Eslovénia durante os primeiros dias de corrida. Já o habitual encerramento em Roma deverá voltar a oferecer uma oportunidade aos velocistas, com a meta instalada junto aos históricos Fóruns Imperiais.

Com Mortirolo, Gavia, Zoncolan e quase 6.000 metros de desnível numa única jornada, tudo aponta para que o Giro 2027 apresente um dos percursos mais duros e espetaculares das últimas décadas.

“Silêncio marca arranque do julgamento do caso W52: Empresário e inspetor da PJ recusam falar em tribunal”


Por: José Morais

O julgamento relacionado com o alegado esquema destinado a afastar responsabilidades da estrutura da antiga equipa de ciclismo W52-FC Porto começou esta sexta-feira no Tribunal Local de Felgueiras, ficando marcado pela opção de silêncio dos dois principais arguidos.

O empresário Adriano Quintanilha, de 73 anos, e um inspetor da Polícia Judiciária, de 57 anos, decidiram não prestar declarações na sessão inaugural do processo. O agente policial participou por videoconferência a partir de Timor-Leste, onde se encontra atualmente em funções profissionais, após ter solicitado uma licença sem vencimento.

Os dois arguidos enfrentam acusações relacionadas com a alegada criação de um documento destinado a demonstrar que a direção da Associação Calvário Várzea desconhecia quaisquer práticas de dopagem na antiga formação portista. Além do crime de falsificação de documento, Adriano Quintanilha responde também por coação, enquanto o inspetor da PJ está ainda acusado de favorecimento pessoal.

Segundo a tese do Ministério Público, o plano terá sido concebido após as buscas realizadas em abril de 2022 no âmbito da Operação Prova Limpa. A investigação sustenta que o empresário, receando consequências judiciais e disciplinares decorrentes das suspeitas de dopagem, procurou a colaboração do inspetor, seu amigo de longa data e alegadamente ligado emocionalmente ao projeto desportivo.

De acordo com a acusação, ambos terão promovido a elaboração de um código de conduta que, embora apresentado como documento interno da associação, teria como principal objetivo reforçar a ideia de que os responsáveis da estrutura desconheciam qualquer prática ilícita. O documento foi posteriormente apresentado ao então diretor desportivo, Nuno Ribeiro, e a vários ciclistas para recolha de assinaturas.

Durante a audiência da manhã, foi ouvida a advogada que representava a Associação Calvário Várzea na época dos factos. A jurista confirmou ter redigido o documento a pedido de Adriano Quintanilha, mas rejeitou qualquer intenção de encobrir responsabilidades ou de construir uma estratégia de defesa para terceiros.

A testemunha explicou que utilizou modelos habituais deste tipo de regulamentos, inspirando-se em normas e orientações da Federação Portuguesa de Ciclismo, do Instituto Português do Desporto e Juventude e da União Ciclista Internacional. Acrescentou ainda não conseguir precisar se a elaboração ocorreu antes ou depois de a Operação Prova Limpa se ter tornado pública.

Já os advogados de defesa contestaram a versão apresentada pela acusação, sustentando que os factos em análise não configuram qualquer ilícito criminal e questionando vários aspetos da investigação realizada.

“Dinamarca recebe europeu de 2027 e desenha percurso à medida dos sprinters: Vingegaard fora da equação”


Por: José Morais

Depois da Eslovénia acolher o Campeonato da Europa de 2026 com um percurso claramente favorável às características de Tadej Pogačar, tudo indica que a Dinamarca será a anfitriã da edição de 2027. A mudança promete uma alteração radical no perfil da corrida, transportando o protagonismo das montanhas para estradas muito mais acessíveis a velocistas e especialistas em clássicas.

Embora a confirmação oficial por parte da UCI ainda esteja pendente, a imprensa dinamarquesa avança que Herning e Silkeborg deverão receber a competição continental. A escolha não surpreende, tendo em conta a tradição ciclista da região e as suas características geográficas, marcadas por um terreno essencialmente plano e sem grandes dificuldades montanhosas.

 

Percurso favorece Pedersen e outros homens rápidos

 

Se a candidatura for oficialmente aprovada, o traçado deverá encaixar perfeitamente nas características de Mads Pedersen, um dos maiores nomes do ciclismo dinamarquês e presença habitual nos compromissos da seleção nacional.

Herning e Silkeborg já receberam o Europeu em 2017, numa corrida decidida ao sprint e vencida pelo norueguês Alexander Kristoff, à frente de Elia Viviani e Moreno Hofland. Esse antecedente reforça a ideia de que o Europeu de 2027 poderá voltar a ser uma oportunidade rara para os velocistas discutirem a camisola continental.

Outro elemento que desperta curiosidade é a possibilidade de inclusão de setores de gravilha. O tradicional GP Herning, realizado anualmente na região, costuma apresentar troços em estrada não asfaltada, uma tendência cada vez mais popular no ciclismo moderno. Apesar de não existirem indicações de que esses setores sejam utilizados no Europeu, a hipótese permanece em aberto.

 

Um contraste claro com os Mundiais

 

A possível escolha da Dinamarca representa também uma aposta na diversidade dos percursos internacionais. Nos últimos anos, os Campeonatos do Mundo têm privilegiado frequentemente trajetos exigentes, favoráveis a trepadores e corredores completos.

O Europeu de 2027 surge assim como um contraponto interessante, oferecendo uma corrida mais adequada a especialistas de clássicas e velocistas, equilibrando as oportunidades entre diferentes perfis de corredores.

 

Presença de Vingegaard continua a gerar expectativa

 

Neste contexto, Jonas Vingegaard dificilmente surgirá como candidato natural ao título europeu, já que o percurso previsto estará longe de explorar as qualidades que o tornaram uma referência das grandes voltas.

Ainda assim, a realização da prova em solo dinamarquês faz crescer a expectativa em torno da sua presença. Mesmo que não alinhe à partida ou não lute pela vitória, seria difícil imaginar a principal figura do ciclismo dinamarquês ausente de um evento tão importante disputado em casa.

A situação cria uma curiosa contradição: enquanto muitos adeptos continuam a pedir uma participação mais ativa de Vingegaard nas competições da seleção nacional, o Europeu de 2027 poderá decorrer num cenário pouco compatível com as suas características. Em contrapartida, corredores como Mads Pedersen surgem desde já como os grandes beneficiados de um percurso que promete transformar a luta pela camisola europeia numa verdadeira celebração dos especialistas das chegadas rápidas e das clássicas do Norte da Europa.

“Montmartre continua no Tour: ASO desmente rumores e mantém a revolução na chegada a Paris”


Por: José Morais

A polémica instalou-se rapidamente no mundo do ciclismo, mas a resposta não tardou. Após as notícias que apontavam para a retirada da subida de Montmartre da etapa final do Tour de França, a ASO, entidade organizadora da prova, veio a público negar categoricamente essa possibilidade e garantiu a continuidade de um dos elementos mais populares das últimas edições.

Desde a sua introdução, inspirada pelo enorme sucesso da corrida olímpica dos Jogos de Paris 2024, a subida da Côte de la Butte Montmartre trouxe uma nova dimensão ao desenlace da Grande Boucle. Com os seus troços em paralelo, a inclinação exigente e a descida técnica que se segue, o circuito transformou o tradicional passeio triunfal nos Campos Elísios numa verdadeira batalha desportiva, capaz de criar diferenças e oferecer emoção até aos últimos quilómetros.

A aposta revelou-se um êxito absoluto. As etapas finais passaram a favorecer ciclistas explosivos e especialistas das clássicas, deixando para trás o formato previsível que durante anos marcou a chegada a Paris. Em 2025, Wout van Aert assinou uma vitória memorável ao deixar para trás Tadej Pogačar. Um ano depois, Mathieu van der Poel protagonizou outro final dramático ao resistir ao regresso dos velocistas e conquistar um triunfo de enorme prestígio.

Apesar do sucesso desportivo e popular, manteve-se uma questão por resolver: a neutralização dos tempos para a classificação geral. Nas duas edições, o pelotão pressionou para que a luta pela camisola amarela não fosse decidida nas ruas de Paris, levando os organizadores a manterem os tempos congelados antes da entrada no circuito.

Fontes da imprensa francesa avançaram recentemente com a possibilidade de Montmartre desaparecer do percurso já em 2027, provocando uma onda de críticas entre adeptos, comentadores e figuras do ciclismo. No entanto, vários meios de comunicação próximos da organização rapidamente colocaram em causa essa informação.

A confirmação oficial chegou pouco depois. Em declarações à imprensa francesa, a ASO rejeitou os rumores e assegurou que a emblemática subida fará parte, pelo terceiro ano consecutivo, da etapa final do Tour de França de 2027, que decorrerá entre 2 e 25 de julho.

A decisão surge como um reconhecimento do enorme impacto que o circuito teve junto do público. Com milhares de espectadores a encherem as ruas de Montmartre e audiências televisivas elevadas, a nova fórmula conquistou rapidamente um lugar especial na identidade moderna da corrida.

Tudo indica, por isso, que a chegada do Tour a Paris encontrou finalmente uma fórmula vencedora. O que começou como uma inovação inspirada pelos Jogos Olímpicos parece estar agora destinado a tornar-se uma tradição duradoura na mais prestigiada corrida do ciclismo mundial.

“Paul Magnier reage à adversidade, vence em Tian’e e reconquista a liderança do Tour de Guangxi”


Por: José Morais

Paul Magnier voltou a mostrar classe e resistência no Tour de Guangxi. Um dia depois de ter perdido a camisola vermelha devido a um problema mecânico nos metros finais da etapa anterior, o ciclista da Soudal-QuickStep respondeu da melhor forma: venceu ao sprint em Tian’e, recuperou a liderança da prova e alcançou a sua segunda vitória nesta edição da corrida chinesa.

Num percurso exigente entre Bama e Tian’e, marcado por mais de 2.700 metros de desnível acumulado, poucos acreditavam que os velocistas conseguiriam discutir a vitória. Ainda assim, Magnier resistiu às dificuldades da montanha e voltou a erguer os braços na meta, batendo Cees Bol (Decathlon CMA CGM), enquanto Max Kanter (XDS Astana) completou o pódio.

O triunfo teve ainda um significado histórico para o jovem francês. Com esta vitória, Magnier somou o sétimo sucesso da sua carreira no Tour de Guangxi, tornando-se o corredor mais vitorioso de sempre na história da competição.

A etapa foi animada desde os quilómetros iniciais por uma fuga composta por Dries De Bondt, Robbe Ghys, Enzo Paleni e Baptiste Veistroffer. O quarteto chegou a construir uma vantagem interessante, num dia em que as inúmeras dificuldades montanhosas fragmentaram o pelotão e colocaram vários velocistas em dificuldades.

A ofensiva intensificou-se quando equipas interessadas na classificação geral aumentaram o ritmo nas zonas de subida. Louis Barré e Kévin Vauquelin lançaram depois um ataque ambicioso, procurando surpreender os favoritos e discutir a etapa longe do pelotão. Os dois franceses alcançaram os fugitivos e chegaram a sonhar com a vitória, beneficiando de uma margem de cerca de 40 segundos a 20 quilómetros da meta.

No entanto, o cenário mudou rapidamente. O grupo principal reorganizou-se, vários sprinters conseguiram regressar após os momentos mais duros da etapa e a perseguição tornou-se implacável. Com o trabalho conjunto das formações Picnic PostNL, Soudal-QuickStep e UAE Team Emirates, a fuga acabou neutralizada a 14 quilómetros da chegada.

Já na aproximação à meta, uma queda numa das últimas curvas eliminou diversos candidatos da discussão pela vitória e reduziu significativamente o grupo da frente. Apenas 24 corredores chegaram juntos aos metros decisivos.

No sprint final, Magnier lançou o esforço de longe e não deixou margem para resposta. Demonstrando potência e sangue-frio, sustentou a velocidade durante cerca de 150 metros para segurar os adversários e conquistar uma vitória crucial, tanto para a etapa como para a classificação geral.

“Estou muito feliz, porque foi uma jornada extremamente difícil. Fiquei para trás numa fase da etapa, mas consegui regressar ao pelotão e manter o foco. A equipa voltou a fazer um trabalho fantástico e pude concluir da melhor maneira”, afirmou o francês após cruzar a meta.

Com este resultado, Magnier recupera a liderança da classificação geral e segue para o fim de semana decisivo com uma vantagem de dez segundos sobre Frits Biesterbos, vencedor da segunda etapa.

Apesar da dureza prevista para a etapa de sábado, tudo aponta para que a luta pelo triunfo final seja resolvida apenas na chegada em alto de domingo, naquele que deverá ser o momento decisivo da edição de 2026 do Tour de Guangxi.

“Miguel Salgueiro conquista medalha de bronze na Corrida por Pontos do Mundial de Pista, Maria Martins envolvida numa queda coletiva”


Fotos: Beatriz Silva / FPC (Arquivo - Estágio pré-Mundial)

Ao terceiro dia de competição, a segunda medalha para Portugal. O estreante Miguel Salgueiro conquistou esta sexta-feira a medalha de bronze na prova masculina da corrida por pontos do Campeonato do Mundo de Pista, em Xangai, na China.

Na estreia em Campeonatos do Mundo de Pista ao serviço da Seleção Nacional, Miguel Salgueiro fez uma corrida de grande nível desde a partida. O português só não pontuou em cinco dos 16 sprints disputados ao longo das 160 voltas ao velódromo, num total de 40 quilómetros. No final, o português somou 27 pontos e garantiu a medalha de bronze, tendo terminado a apenas um ponto da medalha de prata, conquistada pelo francês Benjamin Thomas. O britânico Mark Stewart sagrou-se Campeão do Mundo, com 35 pontos.


A medalha de Miguel Salgueiro, a segunda de Portugal no Campeonato do Mundo de Pista de Xangai depois do bronze de Maria Martins no scratch, chega oito meses depois de uma queda sofrida na prova de eliminação do Campeonato da Europa de Pista, em Konya. Da queda resultaram fraturas em quatro costelas e duas vértebras e uma contusão no pulmão direito, que obrigaram o português a passar dois dias nos cuidados intensivos. Oito meses volvidos, conquistou a primeira medalha de sempre de Portugal na corrida por pontos em Campeonatos do Mundo.

“É um momento inesquecível. É o meu primeiro Campeonato do Mundo e não podia estar mais contente. Vinha para este Mundial com o objetivo de dar o meu melhor e tentar pontuar o máximo possível, mas claro que não estava à espera de fazer pódio na minha estreia. Obrigado a todos os portugueses pelo apoio!”, refere Miguel Salgueiro.

“O Miguel Salgueiro fez uma corrida espetacular. Foi a primeira vez que disputou uma prova desta natureza em contexto de Campeonato do Mundo e sabíamos, antecipadamente, que seria uma corrida extremamente difícil e exigente, não só pela qualidade dos adversários, mas também pelas condições do velódromo, com temperaturas e níveis de humidade muito elevados, que obrigavam a uma gestão muito cuidada do esforço. Montámos uma estratégia que nos permitisse pontuar de forma regular e equilibrada e isso fez com que, a partir de metade da corrida, estivéssemos nos lugares cimeiros e na discussão das medalhas”, começa por explicar Gabriel Mendes.


“O Miguel esteve extremamente bem, pontuou várias vezes e venceu vários sprints, algo que acabou por ser essencial. A atitude competitiva que demonstrou até ao final foi muito importante para sairmos daqui com uma medalha de bronze, que premeia todo o trabalho desenvolvido. É um pódio extremamente importante e um justo reconhecimento do empenho que o Miguel e toda a equipa têm demonstrado ao longo de todo o processo deste Campeonato do Mundo”, conclui o Selecionador Nacional.

 

Maria Martins

 

O dia português começou com o omnium feminino, mas o arranque de Maria Martins foi azarado, tendo estado envolvida numa queda coletiva durante a prova de scratch, que terminaria na 20.ª posição. Seguiram-se a tempo race e a eliminação, nas quais foi quarta e 14.ª classificada, respetivamente. A portuguesa entrou na decisiva corrida por pontos como 13.ª, mas conseguiu saltar para as dez primeiras, tendo terminado na 10.ª posição, com 61 pontos. A britânica Anna Morris sagrou-se Campeã do Mundo, com 125 pontos.

"Foi um omnium extremamente difícil para nós. A Maria Martins foi apanhada por uma queda coletiva logo na primeira corrida, o scratch, o que teve um impacto muito significativo no plano que tínhamos delineado. Houve inclusivamente dúvidas sobre a possibilidade de continuar em prova, mas, dentro do reduzido tempo de recuperação disponível, fez um esforço enorme para regressar à competição", analisa Gabriel Mendes.

"A Maria esteve a um nível excecional. Apesar das muitas dificuldades com que se deparou, incluindo as dores resultantes da queda, demonstrou uma enorme resiliência e foi conseguindo subir na classificação ao longo do programa. Terminar no 10.º lugar, tendo em conta todo o contexto, é um resultado muito positivo. Além disso, esta era a primeira prova de qualificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, o que torna este desempenho ainda mais importante para nós", conclui o Selecionador Nacional.

 

Na perseguição individual, Ivo Oliveira foi o protagonista nacional, tendo terminado com o 7.º melhor tempo: 4:04.343. O italiano Jonathan Milan, que bateu o recorde do mundo na qualificação com 3:58.850, sagrou-se Campeão do Mundo na final, com 4:00.769.

"O Ivo Oliveira alcançou hoje a sua segunda melhor marca na perseguição individual, resultado que lhe permitiu alcançar o sétimo lugar. É um resultado muito positivo, embora ainda distante do objetivo de qualificação para as finais. O Ivo fez um trabalho muito bom tendo em conta o contexto condicionado da preparação e o atraso no programa, provocado pela queda ocorrida no omnium feminino, que teve implicações no processo de aquecimento e na própria prestação. Como partimos na primeira série imediatamente após o omnium feminino, não foi possível ajustar esse processo da melhor forma. Apesar dessa adversidade, o Ivo teve um desempenho muito bom e deu o melhor de si numa prova extremamente competitiva, frente aos melhores especialistas do mundo. O facto de ter sido estabelecido um novo recorde do mundo demonstra bem o nível da competição. Vamos continuar a trabalhar em várias frentes para regressarmos mais fortes no futuro", destaca o Selecionador Nacional.

A Seleção Nacional regressa à competição durante a madrugada deste sábado, com Iúri Leitão a disputar o programa de omnium. As provas serão transmitidas em direto na RTP2, na Eurosport2 e na HBO Max.

 

Programa da Seleção Nacional*

 

Sábado, 17 de outubro

05h27 | Omnium masculino (Scratch) - Iúri Leitão

08h05 | Omnium masculino (Tempo Race) - Iúri Leitão

12h01 | Omnium masculino (Eliminação) - Iúri Leitão

13h23 | Omnium masculino (Corrida por Pontos) - Iúri Leitão

 

Domingo, 18 de outubro

06h59 | Corrida por Pontos feminina - Daniela Campos

07h45 | Eliminação masculina - Diogo Narciso

09h03 | Madison masculino - Iúri Leitão e Ivo Oliveira

*Horários de Portugal Continental

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

“FTP celebra 37 anos num ano fabuloso para o triatlo português”


É com quase 4700 filiados que a Federação de Triatlo de Portugal (FTP) celebra esta sexta-feira, 16 de outubro de 2026, o seu 37.º aniversário. Desde 1989 que se dedica ao desenvolvimento e afirmação do triatlo em Portugal. Em 2004, primeiro ano em que existe um registo de filiados, eram 597.

Foi de um pequeno grupo de entusiastas que nasceu uma estrutura nacional capaz de organizar e regulamentar a modalidade em Portugal: a Federação de Triatlo de Portugal. Desde então, a Federação tem sido o motor do crescimento sustentado da modalidade, acompanhando a evolução do triatlo em todas as suas vertentes.

Este aniversário ainda se torna mais especial: é o ano em que esta pequena modalidade viu dois portugueses subir ao pódio do Campeonato do Mundo: Vasco Vilaça (1°)  e Ricardo Batista (3°) É também o ano em que a FTP organizou quatro provas internacionais: as Taças da Europa de Quarteira, Monte Gordo, Coimbra e ainda a Taça do Mundo de Paratriatlo.

O trabalho desenvolvido ao longo destas décadas traduziu-se em provas de referência nacional e internacional, resultados de excelência, e numa forte aposta na formação de treinadores, árbitros e dirigentes. Hoje, o triatlo português é sinónimo de organização, paixão e sucesso, com atletas a disputar as maiores competições mundiais e uma comunidade em constante crescimento.

Fonte: Federação Triatlo Portugal

“Dez portugueses no Campeonato da Europa Youth”


A Seleção Nacional começa esta sexta-feira, dia 16 de outubro, a disputar o Campeonato da Europa Youth, em Melilla, cidade autónoma espanhola no Norte de África.

São dez os jovens representantes portugueses: Afonso Silva, Artur Gaspar, Martim Rodrigues, Pedro Rasquilho, Martim Rodrigues, Rodrigo Narigueta, Ana Fung, Francisca Leirião, Inês Duarte e Sofia Duarte.

As semifinais da prova feminina e masculina, em distância sprint, realizam-se na tarde desta sexta-feira. Sábado disputam-se as finais B e A, ficando a estafeta mista, em prova única, para as 13:00 (hora de Portugal) de domingo.

Fonte: Federação Triatlo Portugal

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