Por: Miguel Marques
Em parceria com: https://ciclismoatual.com
A Volta a Espanha 2025 viveu
um episódio insólito e delicado durante o contrarrelógio por equipas da 5ª
etapa, quando manifestantes pró-palestinianos bloquearam momentaneamente o
percurso e obrigaram a Israel - Premier Tech a parar. O incidente, que levantou
fortes questões de segurança, levou o júri da corrida a aplicar uma correção de
15 segundos no tempo final da formação israelita.
Óscar Guerrero, diretor
desportivo espanhol da equipa, seguia no carro imediatamente atrás dos
ciclistas e descreveu à COPE os instantes de tensão. "Eu estava mesmo
atrás dos ciclistas no contrarrelógio por equipas. Estávamos todos muito
concentrados desde o início. Entrámos na primeira curva e todos os corredores
já estavam alinhados a 60, 65 km/h. Graças a Deus que os vimos a sair e que
havia uma distância de segurança para os avisar para travarem e, pelo menos,
não terem uma queda", relatou.
Segundo Guerrero, a
interrupção teve impacto direto na estratégia e no desempenho. "Nesse
sentido, tivemos um pouco de sorte, mas é claro que três ciclistas foram
obrigados a parar, incluindo Matthew Riccitello, que é o nosso líder. Tivemos
de esperar por ele, porque não era apenas uma questão de parar ali. Tivemos de
esperar um quilómetro até que os últimos ciclistas pudessem voltar ao grupo
para retomar o ritmo", explicou.
Ciclistas
emocionalmente abalados
O dirigente revelou ainda que o incidente deixou marcas psicológicas em vários elementos da equipa. "Os adeptos estão constantemente a insultar-nos. Sou de Navarra e, por exemplo, na Clásica de San Sebastián do ano passado, passei um mau bocado porque me chamaram assassino, cuspiram em mim e deram pontapés no carro. Também falámos sobre isto com os ciclistas. Muitas vezes, quando fazem o corredor para a apresentação, há pessoas que os insultam e cospem neles", afirmou.
Guerrero partilhou um caso
particularmente duro: "Depois do contrarrelógio por equipas, um homem da
nossa equipa chorou durante meia hora no quarto do hotel por causa da segurança
e do desamparo que sentia. Apesar de ter 1,90 metros de altura e ser um homem
adulto, mal conseguia respirar porque estava a chorar e assustado por não se
sentir seguro (com esta informação sobre a altura, trata-se de Ethan Vernon ou
Marco Frigo, ambos com 1,88m, segundo dados do PCS). Se voltar a acontecer,
acha que não vai conseguir ultrapassar a situação e terá de abandonar a Volta a
Espanha. É muito difícil".
Polícia
reforça segurança na corrida
Apesar da gravidade do
sucedido, o diretor desportivo fez questão de elogiar o trabalho das forças de
segurança. "É verdade que estamos muito satisfeitos com a polícia. Antes
do contrarrelógio por equipas, tivemos uma reunião prévia com eles, onde falámos
sobre o protocolo e a forma como o iam fazer. Mas sabíamos que isto podia
acontecer porque é muito difícil controlar tudo num circuito tão aberto. Eles
estavam escondidos, apareceram no último segundo e a segurança não pôde fazer
muito".
Guerrero revelou que a equipa
continua a ser acompanhada de perto pelas autoridades. "Temos um carro dos
Mossos d'Esquadra no hotel, com dois membros que vigiam durante a noite. Também
tínhamos isso em Itália, mas é verdade que isso já acontecia antes da guerra
israelo-palestiniana. Penso que se trata de um protocolo governamental. Mas é
verdade que nesta Volta a Espanha e no ano passado nos foi oferecida esta
proteção e temos estado tranquilos", concluiu.
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