Por: Carlos Silva
Em parceria com: https://ciclismoatual.com
O debate sobre o calendário
das Grandes Voltas ganhou nova dimensão após Tadej Pogacar defender
publicamente que a Volta a Itália e a Volta a Espanha deveriam trocar de
posição no calendário. A proposta, inicialmente vista como improvável por
razões históricas e logísticas, recebeu apoio imediato de Adam Hansen,
presidente da CPA (sindicato de ciclistas), que validou a ideia numa publicação
no X.
Durante o estágio do UAE Team
Emirates – XRG na Gran Canaria, Pogacar explicou a sua posição ao AS: “Digo
sempre que, se a Volta a Itália e a Volta a Espanha trocassem o calendário,
seria muito melhor, quer pelas condições meteorológicas, mas também porque
permitiria a participação de mais corredores.”
Hansen
reage: “Nunca fizeram o Giro com neve, ou a Vuelta com calor abrasador”
Adam Hansen foi rápido a
responder nas redes sociais, sublinhando que o tema já tinha sido discutido
informalmente.
“Tenho dito isto nos últimos
anos durante o PCC e outras reuniões. Riram-se de mim, mas, obviamente, nunca
fizeram o Giro com chuva gelada e neve, ou a Vuelta com um calor abrasador.
Esse é o maior problema no ciclismo: a tradição está a travar o ciclismo.”
As palavras de Hansen reforçam
a percepção de que as condições extremas - frio intenso em maio no Giro, calor
sufocante em agosto/setembro na Vuelta - podem influenciar diretamente o
desempenho dos ciclistas e a própria saúde dos mesmos.
A visão
de Pogacar: ambição e gestão de esforço
Pogacar tem apontado a 2026
como o ano da tentativa de completar o trio de Grandes Voltas, mas admite que a
sequência atual dificulta conciliar um esforço máximo na Volta a França com uma
candidatura forte na Vuelta.
A troca de datas permitiria:
melhores condições
meteorológicas para ambas as provas
recuperação mais eficaz entre
Grandes Voltas
participação de mais líderes
em ambas as provas, potenciando a competitividade
evitar exigências extremas num
calendário já altamente comprimido.
Gran
Canaria como palco futuro?
Na mesma entrevista, o
esloveno elogiou Gran Canaria como potencial anfitriã da Volta a Espanha no
futuro. A ilha não integra o percurso de 2026, mas Pogacar reforçou que o clima
e as condições de treino fazem dela um destino ideal para competições nesta
fase da época.
Um debate
que pode ganhar força - mas não a tempo de 2026
Com uma das principais figuras
do pelotão e o líder do sindicato de ciclistas alinhados na opinião, o tema
deverá surgir nas discussões estratégicas futuras. Porém, é altamente
improvável que tenha impacto imediato, dado que a estrutura base do calendário
de 2026 está praticamente definida.
Ainda assim, a intervenção de
Hansen é o sinal mais forte até agora de um apoio institucional à proposta. O
conflito entre tradição e modernização volta a emergir e desta vez com
porta-vozes de peso.
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