quarta-feira, 15 de abril de 2026

“Rafael Reis conquista a liderança em O Gran Camiño após etapa dramática e reacende ambição portuguesa na Galiza”


Por: José Morais

A Volta à Galiza ganhou novo protagonista. Rafael Reis, ciclista português da AnicolorCampicarn, assumiu esta quartafeira a liderança de O Gran Camiño depois de uma etapa marcada pela estratégia, sofrimento e inteligência competitiva. Aos 33 anos, o especialista em prólogos voltou a mostrar que não é apenas um homem de contrarrelógio: é também um corredor capaz de resistir, calcular e decidir no momento certo.

Reis entrou no dia com a convicção de que teria de “sofrer” para recuperar o tempo perdido na véspera, após um pequeno erro tático. E sofreu mesmo. Mas transformou esse desgaste em oportunidade. Julius Johansen, então líder da geral e corredor da UAE Emirates, começou a ceder na subida ao Alto de Noceda, a 21 quilómetros da meta. O português percebeu a fragilidade do adversário, hesitou por instantes para avaliar o desgaste do dinamarquês, mas acabou por ser ele próprio a fechar o grupo decisivo.

“Sabia que a qualquer momento o Julius podia passar dificuldades. Quando vi que estava a quebrar, tive de reagir. Consegui encostar ao grupo da frente e controlar o Nelson Oliveira. Vestir a amarela é muito especial para mim e para a equipa”, afirmou Rafael Reis, visivelmente emocionado após cruzar a meta em Barreiros, no final dos 148,6 quilómetros da segunda etapa.

A luta pela liderança ganhou ainda mais sabor português com Nelson Oliveira (Movistar), que tentou surpreender na parte final. O veterano de Viana do Castelo terminou o dia a apenas um segundo de Reis, prometendo manter a pressão na etapa seguinte.

“Vou fazer a minha corrida. A parte final é complicada. Vamos ver como me sinto”, disse Nelson Oliveira, deixando no ar a possibilidade de atacar a amarela.

 

Uma liderança construída contra gigantes

 

A AnicolorCampicarn não dispõe dos mesmos recursos tecnológicos das grandes equipas do World Tour, algo que Reis reconhece sem rodeios. Ainda assim, o português tem compensado com experiência, leitura de corrida e uma capacidade notável de se superar em momentos decisivos.

“Sabíamos que seria difícil ganhar o contrarrelógio, porque aqui estão equipas com meios muito superiores. Mas tínhamos de tentar. Hoje conseguimos vestir de amarelo e isso é enorme para nós”, sublinhou.

Com 11 vitórias em prólogos na Volta a Portugal, Reis volta a mostrar que continua a evoluir e a surpreender fora de território nacional. A liderança em solo galego reforça a ambição da equipa e dá visibilidade a um projeto português que tem crescido de forma sustentada.

 

O que vem aí

 

A etapa de quintafeira, entre Carballo e Padrón (169 km), promete ser decisiva. Reis parte com apenas um segundo sobre Nelson Oliveira e 12 sobre o norueguês Jorgen Nordhagen (VismaLease a Bike). A responsabilidade de defender a amarela recai agora sobre a formação portuguesa, que terá de gerir ataques, controlar ritmos e proteger o seu líder até ao limite.

“Agora temos de assumir a liderança. Vamos estudar bem as táticas para tentar manter a amarela”, garantiu Reis.

A corrida segue aberta, vibrante e com forte presença portuguesa no topo. A Galiza volta a ser palco de uma história escrita em esforço, estratégia e orgulho nacional e Rafael Reis é, por agora, o protagonista maior.

“Percurso seletivo e bonificações colocam tudo em aberto no GP O JOGO 2026”


Por: Miguel Marques

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

Pode visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/percurso-seletivo-e-bonificacoes-colocam-tudo-em-aberto-no-gp-o-jogo-2026

 

A 14ª edição do GP O Jogo / Leilosoc promete uma luta renhida até aos últimos quilómetros, com as bonificações e as novas dificuldades montanhosas antes de Paredes a poderem ter influência direta na definição do vencedor. Ao longo da história da prova, apenas uma vez um corredor com características puras de sprinter conseguiu conquistar a geral, mas entre os dias 23 e 26 os homens rápidos voltam a ter uma oportunidade, desde que consigam ultrapassar um percurso marcado por constantes subidas e descidas, numa edição que terá apenas 4 etapas, uma redução face às 5 de 2025.

"Será uma corrida rápida e intensa, que pode ser ganha por um sprinter com capacidade para resistir nas montanhas", explicou Delmino Pereira, antigo presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo e responsável pela direção da corrida nesta edição. O traçado inclui quatro etapas, três nas Beiras e a última em Paredes, todas relativamente curtas e com finais planos.

A existência de bonificações tanto nas metas volantes como nas chegadas pode favorecer os velocistas, embora a tirada decisiva, com duas novas ascensões nos derradeiros 20 quilómetros, abra espaço a surpresas semelhantes à registada no ano passado, quando Artem Nych atacou perto do final, venceu isolado, vestiu a camisola amarela diante de Tomas Contte e Raul Rota e lançou uma temporada marcada por sucessos como o Douro Internacional e a Volta a Portugal.

Delmino Pereira, que continua a ser o único corredor a triunfar por duas vezes nesta competição, em 1990 e 1992, ainda na fase inicial da corrida, procurou desenhar um percurso equilibrado, capaz de beneficiar ciclistas rápidos mas resistentes, como aconteceu com Luís Mendonça, vencedor da edição de 2019.

"A primeira etapa será na Beira Alta, de Mêda ao Sabugal e passando pelo Parque Natural da Serra da Estrela, mas sem o escalar. A única montanha será na Guarda. A ligação da Lousã a Vila Nova de Poiares será diferente, com várias subidas não muito acentuadas, permitindo um jogo estratégico. E a etapa de Castanheira de Pêra será curta e dura. A subida depois do rio Zêzere convida a atacar", detalhou o diretor da prova, reservando para o último dia o cenário mais exigente: "A etapa de Paredes conta com duas subidas novas, que sendo seguidas permitem fazer a diferença. Podemos ter surpresas mesmo antes de terminar".

Com bonificações distribuídas ao longo da corrida - três, dois e um segundo nas dez metas volantes, além de 10, seis e quatro segundos nas chegadas - a classificação geral deverá resultar de um equilíbrio entre quem somar segundos intermédios e quem apostar em ataques nas zonas mais duras. "Daremos uma oportunidade aos sprinters, mas eles não se podem deixar surpreender", reforçou Delmino.

Para além da competição, a jornada final em Paredes contará com uma iniciativa dedicada às famílias e ao público em geral. "Vai chamar-se Passeio da Família em Bicicleta e convidamos todos a experimentar", revelou o responsável, explicando que será criada uma área segura em estrada fechada ao trânsito, "para que os pais possam ensinar os filhos a andar de bicicleta". Num ambiente de festa, Delmino adiantou ainda que alguns antigos vencedores da prova já manifestaram intenção de marcar presença com as gerações mais novas: "Já sei que alguns antigos vencedores vão levar os netos...".

O último dia de competição voltará igualmente a integrar provas dedicadas ao desporto adaptado, com destaque para as corridas da ANDDI - Associação Nacional de Desporto para o Desenvolvimento Intelectual - que incluirão os Campeonatos Nacionais Individuais, etapas da Taça Nacional e provas de formação em distâncias mais curtas.

 

Etapas do GP O Jogo

 

1ª etapa: Mêda - Sabugal, 138,2km

2ª etapa: Lousã - Vila Nova de Poiares, 155,3km

3ª etapa: Castanheira de Pêra - Castanheira de Pêra, 132,2km

4ª etapa: Paredes - Paredes, 137,3km

“Macron entra em cena para segurar o novo prodígio do ciclismo: Decathlon acelera para renovar Paul Seixas com contrato milionário”


Por: José Morais

A França encontrou finalmente um novo rosto para sonhar alto no ciclismo mundial. Paul Seixas, apenas 19 anos, tornouse a revelação da temporada e a sua vitória esmagadora na Volta à Catalunha onde conquistou três etapas colocou o país novamente a acreditar num triunfo no Tour, algo que não acontece desde 1985. O talento é tão evidente que até o Presidente francês, Emmanuel Macron, decidiu envolverse pessoalmente no futuro do jovem fenómeno.

Segundo informações avançadas pela Eurosport, Macron terá manifestado total apoio à Decathlon AG2R La Mondiale nas negociações para prolongar o contrato de Seixas, que termina no final da próxima época. A intervenção presidencial, que remete para o célebre episódio vivido com Kylian Mbappé durante as negociações com o Paris SaintGermain, incluiu mesmo contactos diretos com o agente do ciclista de ascendência portuguesa.

Os valores em cima da mesa permanecem sob sigilo, mas fontes próximas do processo admitem que o novo contrato poderá atingir cifras inéditas no ciclismo francês aproximandose dos cerca de 8 milhões de euros anuais que Tadej Pogacar recebe na UAE Emirates. Um número que, a confirmarse, colocaria Seixas entre os atletas mais bem pagos do pelotão mundial antes mesmo de completar 20 anos.

A comparação com Mbappé não surge por acaso. Em 2022, durante o processo de renovação com o PSG, o avançado recebeu uma chamada direta de Macron. O próprio jogador revelou mais tarde o teor da conversa: “Ele ligoume e disse: ‘És importante para a França e gostava que ficasses. Tens a oportunidade de fazer história aqui.’ Foi surreal. O Presidente ligarte para pedir que fiques…”.

Agora, o cenário repetese, mas sobre duas rodas. E não é só França que está atenta. O diretor da UAE Emirates, Mauro Gianetti, já admitiu publicamente o interesse no jovem prodígio: “Juntar Pogacar e Seixas seria mais do que um sonho. Como todas as equipas, estamos atentos ao futuro, mas no fim é o ciclista quem decide”.

“Anunciadas 21 equipas para competir na Volta a Itália Feminina 2026”


Por: Carlos Silva

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

Pode visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/anunciadas-21-equipas-para-competir-na-volta-a-italia-feminina-2026

 

A start list volta a espelhar o forte momento da disciplina. As 14 equipas World Tour garantem uma corrida de alto nível desde a etapa 1, com blocos sólidos e lideranças claras. Entre elas, a Team SD Worx – Protime destaca-se como força habitual nos grandes eventos, enquanto estruturas em evolução como a Lidl – Trek e a FDJ United – Suez elevaram o patamar nas últimas épocas.

A Movistar Team será particularmente interessante, a combinar experiência e juventude, e a encontrar muitas vezes nas Grandes Voltas o terreno ideal para soltar a sua ambição. Ao seu lado, equipas como a Canyon//SRAM zondacrypto e a Liv AlUla Jayco acrescentarão profundidade táctica e variedade de estratégias de corrida.

A inclusão da formação basca Laboral Kutxa, como a Pro Team melhor classificada de 2025, reforça a representação espanhola e acrescenta um fio competitivo cativante. É uma equipa em crescimento que procurará aproveitar cada oportunidade nas fugas ou até lutar por resultados em etapas.

Entretanto, seis wild cards completam um pelotão diverso e combativo. Estruturas como a St Michel – Preference Home – Auber 93, a Aromitalia Vaiano e a Top Girls Fassa Bortolo personificam o espírito atacante do ciclismo Continental italiano e europeu, sempre prontas a incendiar a ação de longe.

Estão também presentes equipas como a Isolmant – Premac – Vittoria, a Mendelspeck E-Work e a Fantini Wines – BePink, formações que historicamente têm aproveitado a visibilidade do Giro para marcar posição.

 

Um Giro d’Itália muito entusiasmante

 

O equilíbrio entre potências instaladas e equipas emergentes aponta para uma corrida aberta, onde será difícil impor controlo total. Num pelotão feminino cada vez mais nivelado, a gestão coletiva e a leitura táctica fina serão decisivas.

O Giro d’Itália Women 2026 não só reunirá as melhores equipas do mundo, como voltará a evidenciar o crescimento global da modalidade. Um pelotão amplo, competitivo e diverso garante espetáculo e, sobretudo, a certeza de que cada etapa será uma batalha.

“Resultados Ronde van Limburg 2026: Tim Merlier vence sprint caótico após final atribulado em Tongeren”


Por: Miguel Marques

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

Poe visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/resultados-ronde-van-limburg-2026-tim-merlier-vence-sprint-caotico-apos-final-atribulado-em-tongeren

 

A correr apenas dias depois do Paris-Roubaix, o belga sublinhou a sua superioridade num sprint de pelotão reduzido, gerindo um final fragmentado para assegurar o triunfo após uma corrida que ameaçou repetidamente escapar aos sprinters.

Uma fuga precoce animou a prova antes do longo solo de Philipsen.

A corrida abriu a ritmo vertiginoso, com uma fuga de três - Albert Withen Philipsen, Jelle Vermoote e Mikita Babovitsj - a destacar-se após uma série de ataques nas primeiras subidas. O trio cavou mais de dois minutos na fase inicial, num primeiro hora a fundo que colocou o pelotão sob pressão imediata.

Ao entrar nos circuitos finais em Tongeren, a fuga manteve-se uma ameaça real. Philipsen mostrou ser o mais forte dos três, primeiro a distanciar os companheiros nos troços de pavé antes de prosseguir sozinho. O corredor da Lidl-Trek aguentou firme até tarde na corrida e iniciou a última volta em solitário, forçando uma perseguição prolongada do pelotão. Quedas, furos e ataques perturbaram o controlo do pelotão.

Atrás, a perseguição nunca estabilizou por completo. Quedas repetidas e problemas mecânicos quebraram o ritmo, com corredores-chave como Milan Menten e Fabio Van den Bossche envolvidos em incidentes na fase decisiva.

Uma sequência de furos atingiu também vários sprinters e gregários, complicando ainda mais os esforços para montar uma perseguição controlada.

Apesar das perturbações, a vantagem de Philipsen esvaziou gradualmente. A cerca de 20 quilómetros do fim, a diferença estava reduzida a segundos, antes de ser finalmente alcançado quando o ritmo aumentou nos paralelepípedos.

A Lotto esteve entre as equipas a tentar endurecer a corrida, com Cedric Beullens a atacar no pavé de Manshoven, embora o movimento tenha sido rapidamente anulado. Seguiram-se novas investidas na aproximação final, incluindo de Aime De Gendt, Dries De Bondt e outros, mas o pelotão reagrupou a três quilómetros da meta.

 

Merlier selou a vitória num sprint final eletrizante

 

Com a corrida finalmente junta, as atenções viraram-se para o sprint, embora até a reta da meta se mantivesse volátil. A colocação revelou-se traiçoeira e vários homens rápidos tiveram de recuperar posições após as agitações anteriores. Gerben Thijssen e Menten estiveram entre os que disputaram rodas, com a velocidade alta e a formação esticada.

Em contraste, Merlier surfou para a frente com limpeza graças a um lançamento de manual, com Bert Van Lerberghe a guiá-lo para o sítio certo antes do arranque precoce. A partir daí, o corredor da Soudal Quick-Step exibiu classe, resistindo ao ímpeto tardio de trás para fechar a vitória numa corrida que nunca seguiu o guião.

O triunfo de Merlier coroou um dia exigente no Limburgo, onde o andamento agressivo e as interrupções constantes significaram que até um final ao sprint só chegou após uma longa luta pelo controlo.

“Ciclista espanhol Jaume Guardeño luta pela vida após violento acidente durante treino”


Por: José Morais

O ciclista espanhol Jaume Guardeño, jovem promessa da Caja Rural-Seguros RGA, continua internado em estado crítico no Hospital Taulí, em Sabadell, após o grave acidente sofrido a 31 de março. A equipa médica mantém um acompanhamento permanente, descrevendo a evolução como “lenta, mas estável”, um sinal que, embora prudente, alimenta alguma esperança entre familiares, colegas e adeptos.

Guardeño, de 20 anos, chocou violentamente contra um veículo enquanto realizava um treino individual. O impacto provocou um traumatismo cranioencefálico severo, obrigando a uma intervenção médica imediata e a cuidados intensivos desde então. A Caja Rural-Seguros RGA tem atualizado o estado clínico do atleta, reforçando que cada dia representa um pequeno passo num processo de recuperação que será longo e exigente.

O acidente gerou uma onda de solidariedade no pelotão internacional. Diversos ciclistas profissionais, equipas e entidades desportivas manifestaram apoio ao jovem espanhol, sublinhando o risco constante a que os atletas estão expostos nas estradas. A situação reacendeu também o debate sobre a segurança dos ciclistas, tema que volta ciclicamente à agenda sempre que um episódio grave ocorre.

“Resultados 2a etapa do Gran Camiño 2026: Carlos Canal conquista a primeira vitória como profissional e Rafael Reis é o novo líder”


Por: Miguel Marques

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

Pode visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/resultados-2a-etapa-do-gran-camino-2026-carlos-canal-conquista-a-primeira-vitoria-como-profissional-e-rafael-reis-e-o-novo-lider

 

Carlos Canal conquistou a maior vitória da carreira na 2ª etapa do Gran Camiño 2026, impondo-se ao sprint a partir de um grupo reduzido após um final caótico que também baralhou a classificação geral.

A fuga inicial contou com oito corredores, com forte presença portuguesa/ equipas portuguesas, com Hugo Nunes, Joaquim Silva e Tomas Contte, que chegaram a construir uma vantagem máxima de quatro minutos. A fase dura a meio da etapa foi madrasta para a Kern Pharma, que viu as suas ambições ruírem após uma queda aparatosa envolvendo Iván Ramiro Sosa e Mikel Retegi, agravada por um problema mecânico, na pior altura, de Diego Uriarte.

A aproximação a San Cosme de Barreiros e ao Alto de Noceda tornou-se um rastilho de pólvora e revelou-se taticamente traiçoeira para muitas equipas. O líder Julius Johansen recuava no grupo e acabaria por não conseguiu igualar o andamento de Iván Romeo, que se redimiu do duplo furo do dia anterior. Kevin Vermaerke e outros ciclistas tentaram a sua sorte, mas ninguém conseguiu partir a corda na fase mais dura da jornada.

Dentro dos últimos três mil metros, o incansável Nelson Oliveira atacou em solitário, forçando uma resposta a fundo do pelotão e deixando o cenário perfeito para um sprint entre o grupo.

A Burgos ainda tentou lançar Jesús Herrada sob a flamme rouge, mas Nelson Oliveira voltou a surgir, fazendo o lançamento para Carlos Canal, que assinou uma vitória inesquecível. Mats Wenzel foi 2º e Eric Fagundez 3º. Jesus David Peña foi o melhor das equipas portuguesas, em 10º. Rafael Reis é o novo líder da classificação geral, com 1 segundo de vantagem para Nelson Oliveira.

“Volta a Portugal 2026 prepara revolução: transmissão global, percurso de Norte a Sul e possível estreia da UAE Emirates”


Por: José Morais

A Volta a Portugal em bicicleta está prestes a entrar numa nova era. A edição de 2026, a 87.ª da história, promete um percurso que atravessará praticamente todo o território nacional e contará, pela primeira vez em muitos anos, com uma estratégia clara de internacionalização. A garantia é dada por Ezequiel Mosquera, novo diretor da prova, que revelou também a possibilidade de a UAE Team Emirates atual número 1 do ranking mundial marcar presença no pelotão entre 5 e 16 de agosto.

Mosquera, que falava à margem do Gran Camiño, competição que também dirige, sublinhou que o objetivo passa por devolver à Volta uma dimensão verdadeiramente nacional, sem abdicar dos símbolos que moldaram a identidade da corrida.

“Queremos que qualquer português olhe para o mapa e reconheça imediatamente a Volta a Portugal. Vamos tocar todo o país, mantendo os clássicos, mas acrescentando novidades”, afirmou.

 

Mudanças graduais, mas com ambição internacional

 

A nova organização pretende modernizar a prova sem romper com o legado construído ao longo de quase nove décadas. Mosquera insiste que a evolução será feita “com respeito pela história”, mas com a convicção de que a Volta tem potencial para muito mais.

“Não queremos chegar e mudar tudo de um dia para o outro. Há elementos que funcionavam muito bem. Mas queremos abrir portas a novas câmaras, novas localidades e lugares icónicos que nunca tiveram a oportunidade de receber a corrida”, explicou.

Entre os pontos que deverão manter-se no percurso estão dois dos momentos mais emblemáticos da “Grandíssima”: a mítica subida à Torre e a chegada à Senhora da Graça. Ainda assim, o diretor admite que poderão surgir alterações no formato ou na posição destas etapas dentro do traçado final.

 

Portugal como palco e vitrina

 

A grande aposta para 2026 será a projeção internacional. A prova deverá ser transmitida pelo Eurosport, o que permitirá alcançar milhões de espectadores em toda a Europa e reforçar o estatuto da Volta como um dos eventos desportivos mais marcantes do verão português.

“É um super evento e os portugueses têm de acreditar nisso. Há corridas com orçamentos enormes que não chegam ao nível da Volta. Faltava mostrar ao mundo a qualidade da produção da RTP”, destacou Mosquera.

A EME Sports, empresa liderada pelo antigo ciclista galego, quer transformar a Volta num produto mais competitivo e atrativo para equipas estrangeiras, aproximando-a do modelo das grandes provas internacionais. O objetivo é claro: deixar de ser vista apenas como uma corrida nacional e passar a integrar o radar das principais formações do World Tour.

 

UAE Emirates pode ser a grande atração

 

A presença de equipas de topo é um dos pilares dessa estratégia. Mosquera admite que a UAE Team Emirates casa de estrelas como Tadej Pogačar está “provável” para integrar o pelotão, juntamente com outras formações do escalão máximo.

Se tal se confirmar, será um marco histórico: desde 2021, com a Movistar, que nenhuma equipa World Tour participa na Volta. Em 2025, apenas uma Pro Team marcou presença, sendo o restante pelotão composto por equipas continentais.

A chegada de uma equipa do topo mundial poderá elevar o nível competitivo, atrair mais público e reforçar a credibilidade internacional da prova.

 

Uma Volta renovada, mas fiel às raízes

 

Com um percurso mais abrangente, maior exposição mediática e a possível presença de equipas de elite, a Volta a Portugal 2026 promete ser uma das edições mais marcantes dos últimos anos. Mosquera resume a filosofia da nova direção numa frase:

“É preciso ser diferente, criar expectativa e assumir riscos. Portugal tem território e identidade para isso.”

A expectativa cresce e, pela primeira vez em muito tempo, a Volta parece preparada para voltar a surpreender o mundo.

“Seleção Nacional de Estrada Sub-19 disputa Taça das Nações em Espanha”


A Seleção Nacional de Estrada Sub-19 masculina está na região de Valência, em Espanha, para participar em duas corridas que integram o calendário da Taça das Nações e se realizam entre amanhã e domingo, 16 e 19 de abril. A primeira prova será a Volta Castelló, com três etapas e começa esta quinta-feira. No domingo a seleção disputa o Trofeo Víctor Cabedo.

Do grupo dos sete convocados fazem parte Guilherme Ribeiro (Hagens Berman | Jayco), Gonçalo Costa (Decathlon CMA CGM U19), Rodrigo Jesus e Francisco Cardoso (Academia Efapel de Ciclismo), Rodrigo Afonso (Tensai

/ Sambiental / Santa Marta) e Guilherme Santos e Martim Campos (Blackjack-Bairrada), sendo que este último atleta só corre no domingo.

Relativamente às provas, a dupla jornada em Espanha arranca já amanhã com a Volta Castelló, que se disputa ao longo de três etapas (16 a 18 de abril), sendo percorridos 335,4 quilómetros no total. A primeira tem partida e chegada em Castellón e um percurso com 116,2 quilómetros. Vai haver sobe e desce, com as três contagens de montanha que fazem parte do trajeto: uma de terceira categoria e duas de segunda categoria. O tiro de partida será às 13h00, terminando a corrida pelas 15h42, hora espanhola (menos uma em Portugal).

Na sexta-feira, a segunda tirada vai ligar Altura (13h45 locais) a Moncofa (15h57), ao longo de 94,3 quilómetros. Será a viagem mais curta e terá

apenas um Prémio de Montanha, de segunda categoria. Sábado chega a última etapa, que é também a mais longa e montanhosa, com 124,9 quilómetros. A partida (12h45 espanholas) e chegada (15h50) será no mesmo local, Segorbe.

Concluído o primeiro desafio, a Seleção Nacional de juniores avança no domingo para a segunda prova, o Trofeo Víctor Cabedo. Trata-se de uma corrida de um dia com um exigente percurso de 112,2 quilómetros, com partida (10h00) e chegada (12h53 locais) em Onda. O pelotão internacional vai enfrentar quatro Prémios de Montanha de segunda categoria.

Ricardo Senos, Selecionador Nacional de Estrada, referiu que em cada prova vão alinhar seis corredores, “sendo que esta é uma oportunidade para os atletas convocados evoluírem e enfrentarem algumas das melhores seleções do mundo”.

Relativamente aos objetivos desta dupla participação, o técnico explicou que a presença nas duas competições visa permitir que o grupo ganhe experiência e conquiste os primeiros pontos para o ranking de 2026 da Taça das Nações.

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

“LA VUELTA FEMENINA 26 POR CARREFOUR.ES”


PAULA BLASI, MAVI GARCÍA E A IMPORTÂNCIA DOS MODELOS A SEGUIR: "ELA É COMO EU, MAS 20 ANOS MAIS NOVA"

 

Por: Daniel Peña Roldán

Foto: Agência Criativa Cxcling

 

Pontos-chave:

 

•A campeã europeia e medalha de bronze mundial sub-23, Paula Blasi é uma das maiores promessas do ciclismo feminino espanhol, depois de apenas dois anos dedicada de corpo e alma ao ciclismo.

•No UAE Team ADQ, Blasi conheceu Mavi García: uma mentora perfeita para o seu talento devido à sua afinidade e porque ambas começaram o ciclismo relativamente tarde, depois de terem passado por outros desportos.

•Maiorca e catalã tornaram-se inseparáveis e vão demonstrar a sua harmonia entre domingo, 3 e sábado, 9 de maio, na La Vuelta Femenina 26 de Carrefour.es.

Uma das muitas limitações que o desporto feminino sofreu e teve de superar neste século para se desenvolver foi a ausência de modelos a seguir. Para um jovem futebolista, tenista ou ciclista, era infinitamente mais fácil ver competições na televisão protagonizadas por homens do que por mulheres. Além disso, tendiam a alcançar a elite em condições precárias que os levavam a trajetórias cuja data de expiração era geralmente marcada por obrigações profissionais ou familiares, o que dificultava a transmissão da experiência dos mais velhos aos mais jovens. Felizmente, os últimos anos estão a mudar esta tendência. A visibilidade do desporto feminino é maior, e é fácil para as raparigas identificarem-se com as melhores do mundo através de eventos como a La Vuelta Femenina 26 by Carrefour.es. Depois, uma vez no profissionalismo, as vidas desportivas são mais longas e isso permite criar relações como a mantida pelos protagonistas deste relatório.

Em criança, o desporto favorito de Mavi García (1984, Marratxí) era a patinagem artística. Depois passou a jogar ténis, corrida e duatlo antes de se juntar ao pelotão com a muito sentida Bizkaia-Durango aos 31 anos. Desde então, desenvolveu uma carreira desportiva de quilates, na qual destacou vários dos marcos mais memoráveis do ciclismo feminino espanhol. A última, e talvez a maior, aconteceu no ano passado: uma vitória de etapa no Tour de France Femmes avec Zwift e uma medalha de bronze na corrida de estrada no Campeonato do Mundo no Ruanda.

Esta será a última época de Mavi no pelotão profissional. Está a desfrutá-lo no ADQ da equipa dos Emirados Árabes Unidos, partilhando-o com Paula Blasi (2003, Esplugues de Llobregat). Tal como a maiorquina, esta jovem promessa catalã chegou ao pelotão por um caminho inesperado, quando uma lesão a afastou da paixão pelo atletismo que partilhava com o irmão e do 'bichinho' pelo triatlo que a mordeu enquanto estudava Atividade Física e Ciências do Desporto na Universidade de Barcelona. Ela abraçou o ciclismo e isso retribuiu a sua dedicação permitindo-lhe uma progressão meteórica: dois meses na equipa reserva do Massi-Baix Ter antes de passar para a sua primeira equipa em 2024 e ser proclamada campeã nacional sub-23 de contrarrelógio; quatro meses na equipa reserva dos Emirados Árabes Unidos antes de ser promovida ao Women's WorldTour e terminar a época com cinco vitórias, incluindo uma primeira divisão (o prólogo do Tour de Romandie) e os Campeonatos Europeus de Estrada Sub-23.

"Gosto mesmo de como ele corre." No Campeonato de Espanha realizado no ano passado em Granada, onde conquistou a camisola vermelha sub-23 tanto na linha como no contrarrelógio, Paula Blasi já manifestou a sua admiração por Mavi García e os paralelismos que viu entre elas. "Ambos gostamos de fazer um espetáculo e tornar as corridas difíceis." Foi exatamente isso que fizeram nesse evento: entre eles, partiram em pedaços o pelotão que, de uma forma ou de outra, a Movistar Team e a Laboral Kutxa tentavam manter. Sara Martín conquistou o gato, mas pela primeira vez uma harmonia que agora se tornou uma amizade era evidente... Entrando e saindo da competição.

Tanto o maiorquino como o catalão veem-se "refletidos" no outro. "A Paula é como eu, mas 20 anos mais nova", diz a Mavi. "Damos-nos muito bem e somos muito parecidos; sinto que podemos falar sobre tudo. Há muitos aspetos de mim que vejo presentes nela. A alegria, o desejo de treinar e ser ciclista, a hiperatividade... Nem ela nem eu sabemos ficar quietos! Normalmente passamos muito tempo juntos apesar da diferença de idades, porque quero partilhar com ela tudo o que sei para que aprenda o mais depressa possível."

Já viveram vários capítulos de coexistência intensa e alegre, como o mês de janeiro que passaram a competir na Austrália ou a concentração que partilharam neste início da primavera na Sierra Nevada. "A Paula é um desastre controlado", define-a Mavi com uma gargalhada. "Fiquei entusiasmado por poder passar tempo com ela e tentar ensinar-lhe o que sei... E, tem cuidado, ao mesmo tempo aprende com isso. Tento transmitir-lhe o meu conhecimento pouco a pouco, dia após dia, sobre temas como descanso, treino, nutrição, comportamento dentro da equipa...resumindo: tudo o que tive de aprender para ser ciclista. Por exemplo: eu costumava nunca descansar, porque achava melhor continuar e esforçar-me nos treinos; E a experiência ensinou-me que não é assim. Agora chegou a altura da Paula aprender isso."

Blasi sempre se sentiu um "esquisito" no pelotão, tanto pela sua inquietação intelectual como pela sua intensidade no ciclismo. "Gosto de treinar cinco ou seis horas, enquanto à minha volta sempre vi o oposto: que as pessoas preferem um café tranquilo de uma hora, pequeno-almoço e regresso a casa. É bom para mim ter uma pessoa como a Mavi por perto, que também gosta de se esmagar, mas que sabe como me acalmar e dizer quando devo descansar sem me fazer sentir tão estranha. Porque às vezes reparo que sofro quando as pessoas julgam; por mais que não queira que me afete, há sempre algo que me pode fazer sentir mal." Porque, muitas vezes, o papel dos mentores é defender-nos das nossas próprias inseguranças.

Já na Austrália, Mavi e Blasi assinaram uma grande exibição como colegas de equipa, ficando em 2.º e 3.º lugar na final geral do Tour Down Under, numa corrida que proporcionou muitas lições táticas ao jovem ciclista catalão. Agora vão coincidir numa parte da campanha nas Ardenas antes de competirem juntos na La Vuelta Femenina 26 por Carrefour.es. "Gostaria de competir na classificação geral e acho que a Paula pode estar lá comigo", diz Mavi. "Vamos apoiar-nos mutuamente e ver como a competição evolui. Para mim, será uma ajuda e uma motivação tê-la ao meu lado." Sobre o futuro da sua aluna para além da corrida espanhola, é clara: "É uma ciclista muito talentosa, com muito motor, com uma mentalidade vencedora, humildade para trabalhar e capacidade para ser líder. Tens de deixar o tempo passar, aprender e crescer; mas, se tudo correr como deve, ela será uma ciclista que faz a diferença".

Fonte: Unipublic

“Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua cumpre o 1º dia O Gran Camiño”


A Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua concluiu a primeira etapa de O Gran Camiño com Ángel Sánchez a ser o melhor classificado da equipa, em 62.º lugar, a 2m05s do vencedor, num contrarrelógio individual disputado na Torre de Hércules, em A Coruña. A restante formação terminou a cerca de três minutos do vencedor, num início de corrida exigente e muito seletivo.

O dia ficou também marcado por um incidente de corrida envolvendo Diego López, que sofreu uma queda após uma espetadora invadir o percurso.

Apesar das escoriações, o corredor concluiu a etapa, num episódio que reforça a necessidade de máxima atenção e respeito junto da estrada por parte de todos os presentes. O nosso trepador perdeu 8m12s para o vencedor, mas recusou baixar os braços e manteve o espírito combativo que caracteriza a formação. A equipa deseja as rápidas melhoras aos envolvidos no incidente.

A Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua olha agora para a segunda etapa, entre Vilalba e Barreiros, com 148,6 km, pronta para continuar a competir com ambição e união ao longo dos cinco dias da prova.

 

Classificações

1ª Etapa (CR)

Torre de Hércules - Torre de Hércules | 15 Km

 

1º. Julius Johansen (UAE Team Emirates XRG), 17m43s

62º. Angel Sanchez (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua), a 2m05

82º. Rafael Barbas (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua), a 2m35s

91º. Lois de Jesus (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua), a 2m52s

92º. Simão Lucas (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua), a 2m59s

99º. Gonçalo Carvalho (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua), a 3m17s

110º.  Diego López (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua), a 8m12s

Fonte: Equipa Ciclismo Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua

Ficha Técnica

  • Titulo: Revista Notícias do Pedal
  • Diretor: José Manuel Cunha Morais
  • Subdiretor: Helena Ricardo Morais
  • Periodicidade: Diária
  • Registado: Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº: 125457
  • Proprietário e Editor: José Manuel Cunha Morais
  • Morada: Rua do Meirinha, 6 Mogos, 2625-608 Vialonga
  • Redacção: José Morais
  • Fotografia e Vídeo: José Morais, Helena Morais
  • Assistência direção, área informática: Hugo Morais
  • Sede de Redacção: Rua do Meirinha, 6 Mogos, 2625-608 Vialonga
  • Contactos: Telefone / Fax: 219525458 - Email: josemanuelmorais@sapo.pt noticiasdopedal@gmail.com - geral.revistanoticiasdopedal.com