Por: José Morais
A Volta à Galiza ganhou novo
protagonista. Rafael Reis, ciclista português da Anicolor‑Campicarn, assumiu esta quarta‑feira a liderança de O Gran
Camiño depois de uma etapa marcada pela estratégia, sofrimento e inteligência
competitiva. Aos 33 anos, o especialista em prólogos voltou a mostrar que não é
apenas um homem de contrarrelógio: é também um corredor capaz de resistir,
calcular e decidir no momento certo.
Reis entrou no dia com a
convicção de que teria de “sofrer” para recuperar o tempo perdido na véspera,
após um pequeno erro tático. E sofreu mesmo. Mas transformou esse desgaste em
oportunidade. Julius Johansen, então líder da geral e corredor da UAE Emirates,
começou a ceder na subida ao Alto de Noceda, a 21 quilómetros da meta. O
português percebeu a fragilidade do adversário, hesitou por instantes para
avaliar o desgaste do dinamarquês, mas acabou por ser ele próprio a fechar o
grupo decisivo.
“Sabia que a qualquer momento
o Julius podia passar dificuldades. Quando vi que estava a quebrar, tive de
reagir. Consegui encostar ao grupo da frente e controlar o Nelson Oliveira.
Vestir a amarela é muito especial para mim e para a equipa”, afirmou Rafael Reis,
visivelmente emocionado após cruzar a meta em Barreiros, no final dos 148,6
quilómetros da segunda etapa.
A luta pela liderança ganhou
ainda mais sabor português com Nelson Oliveira (Movistar), que tentou
surpreender na parte final. O veterano de Viana do Castelo terminou o dia a
apenas um segundo de Reis, prometendo manter a pressão na etapa seguinte.
“Vou fazer a minha corrida. A
parte final é complicada. Vamos ver como me sinto”, disse Nelson Oliveira,
deixando no ar a possibilidade de atacar a amarela.
Uma
liderança construída contra gigantes
A Anicolor‑Campicarn não dispõe dos
mesmos recursos tecnológicos das grandes equipas do World Tour, algo que Reis
reconhece sem rodeios. Ainda assim, o português tem compensado com experiência,
leitura de corrida e uma capacidade notável de se superar em momentos
decisivos.
“Sabíamos que seria difícil
ganhar o contrarrelógio, porque aqui estão equipas com meios muito superiores.
Mas tínhamos de tentar. Hoje conseguimos vestir de amarelo e isso é enorme para
nós”, sublinhou.
Com 11 vitórias em prólogos na
Volta a Portugal, Reis volta a mostrar que continua a evoluir e a surpreender
fora de território nacional. A liderança em solo galego reforça a ambição da
equipa e dá visibilidade a um projeto português que tem crescido de forma
sustentada.
O que vem
aí
A etapa de quinta‑feira, entre Carballo e Padrón
(169 km), promete ser decisiva. Reis parte com apenas um segundo sobre Nelson
Oliveira e 12 sobre o norueguês Jorgen Nordhagen (Visma‑Lease a Bike). A
responsabilidade de defender a amarela recai agora sobre a formação portuguesa,
que terá de gerir ataques, controlar ritmos e proteger o seu líder até ao
limite.
“Agora temos de assumir a
liderança. Vamos estudar bem as táticas para tentar manter a amarela”, garantiu
Reis.
A corrida segue aberta,
vibrante e com forte presença portuguesa no topo. A Galiza volta a ser palco de
uma história escrita em esforço, estratégia e orgulho nacional e Rafael Reis é,
por agora, o protagonista maior.

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