terça-feira, 17 de março de 2026

“Deitamo-nos todos os dias às 20h00” - Mudança de Victor Campenaerts para Espanha e novo estilo de vida já a dar frutos”


Por: Miguel Marques

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O ciclismo moderno vive da afinação de detalhes e poucos no pelotão o fazem como Victor Campenaerts. Desde que se juntou à Team Visma | Lease a Bike em 2025, o belga evoluiu significativamente e parece encaixar na perfeição nos programas rigorosos da equipa. Mais ainda, está a criar rotinas próprias que parecem trazer benefícios, incluindo deitar-se diariamente às 20:00.

O corredor de 34 anos iniciou a época na Volta à Andaluzia, onde atacou com agressividade, mas sem converter em resultados; já no Paris-Nice voltou a ligar-se a Jonas Vingegaard e realizou uma semana de altíssimo nível. Embora tenha ficado fora do abanico decisivo na 4ª etapa, Jonas Vingegaard brilhou na frente. Campenaerts foi, como habitual, capitão de estrada do dinamarquês, mas nas subidas, em particular, exibiu um nível muito alto.

“Tirando o contrarrelógio por equipas, tivemos um percurso ótimo aqui. Na etapa final, tivemos tudo bem controlado”, avaliou Campenaerts em declarações à Sporza. “Usámos a equipa de forma ideal. É uma sensação maravilhosa quando percebes que a concorrência se dá conta de que nada pode fazer”.

No último dia de corrida, a Visma procurou controlar para oferecer a Vingegaard nova oportunidade de vencer, e Campenaerts escalou ao nível esperado. Após o trabalho de Bruno Armirail, o curto turno do belga de 34 anos na subida à Côte de Linguador reduziu o grupo a apenas Vingegaard e Lenny Martínez. Mais tarde, sprintou para 13º na etapa, e 17º na classificação geral.

É um encaixe perfeito na equipa neerlandesa e é, potencialmente, o apoio mais importante de Jonas Vingegaard neste momento. Com a Volta à Itália e a Volta a França no calendário, será peça-chave nos planos da Visma para a época, mas espera subir o nível nas Grandes Voltas, já que ainda não fez estágio em altitude.

“Estou muito feliz com a minha condição. E espero que 4 semanas de altitude antes do Giro acrescentem algo extra. Mas o realista em mim diz que também devo ficar satisfeito se mantiver o nível atual”, admite. “A equipa e o Jonas também ficarão contentes com isso”.

 

Deitar às 20:00 e preparar a altitude

 

A forte prestação em França, apesar de ainda não ter feito altitude, poderá resultar de mais um passo na busca de rendimento. Como muitos profissionais, mudou-se para Espanha neste inverno para beneficiar do melhor clima e adotou também horários de sono pouco usuais.

“Pode ser que ainda não tenha atingido o pico para este período, mas trabalhei muito, mesmo muito. Estou em Espanha com a minha família desde 1/11/2025; não estive um único dia na Bélgica. Deitamo-nos todos os dias às 20:00. A minha namorada alinha. Cuidar de nós próprios acaba sempre por compensar”, acrescenta.

Não volta a competir até viajar para a Bulgária para a Grande Partenza e estará com o bloco do Giro em altitude para tentar chegar ao pico de forma.

“Estou agora a regressar a Espanha, onde ficarei com a minha família mais 2 semanas. Depois, sigo de carro para Font Romeu para me aclimatar à altitude. De lá, voo para o Mount Teide, onde treinaremos com a equipa durante 3 semanas. No total, serão 4 semanas em altitude. Normalmente, isso significa estar em boa forma”, rematou.

“Em Tadej vejo a mesma determinação” - Eddy Merckx reconhece-se em Pogacar, mas avisa que Van der Poel ainda pode impedir o sonho na Milan-Sanremo”


Por: Miguel Marques

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Com a expetativa a crescer antes da 117ª edição da Milan-Sanremo, Eddy Merckx acredita que Tadej Pogacar pode finalmente ter a oportunidade de vencer o Monumento que lhe tem escapado. Mas o sete vezes vencedor da La Classicissima deixou também um aviso claro: se Mathieu van der Poel sobreviver às subidas decisivas e chegar à meta ao lado do campeão do mundo, o equilíbrio pode mudar rapidamente.

“Para o Pogacar pode ser o momento certo, se atacar no momento certo”, disse Merckx em conversa com a Gazzetta dello Sport.

Ainda assim, a lenda belga apontou também ao nível do corredor que mais provavelmente lhe bloqueará o caminho. “O Van der Poel que vimos no Tirreno-Adriatico, não só pelas duas etapas que venceu, não será fácil de bater. Muito pelo contrário”, explica. “O Tadej tem de o largar, porque depois de 300 quilómetros, se chegarem juntos à Via Roma… o favorito será o Mathieu”.

 

O desafio tático que Pogacar enfrenta em Sanremo

 

Esse dilema tem marcado as tentativas recentes de Pogacar para vencer a Milan-Sanremo.

Ao contrário de muitos dos Monumentos que já conquistou, a corrida para Sanremo raramente oferece terreno que garanta uma seleção decisiva. Os momentos-chave surgem habitualmente na Cipressa e no Poggio, onde Pogacar tem repetidamente tentado partir a corrida nas últimas edições.

O ano passado foi o exemplo mais claro dessa abordagem. Pogacar desferiu um ataque feroz na Cipressa e forçou uma divisão decisiva, mas apenas Mathieu van der Poel e Filippo Ganna conseguiram seguir com ele. Apesar de novas acelerações do esloveno no Poggio, o trio chegou junto a Sanremo, onde Van der Poel foi o mais rápido no sprint na Via Roma.

Merckx acredita que o Poggio continua a ser a oportunidade mais provável para Pogacar finalmente fazer a diferença. “No Poggio”, respondeu quando questionado sobre onde o esloveno deve atacar. “Embora ele consiga largar toda a gente na Cipressa, no ano passado só Van der Poel e Ganna conseguiram ficar com ele”.

Ainda assim, o sete vezes vencedor destacou o risco associado ao estilo agressivo de correr de Pogacar. “Ele é capaz de fazer ataques longos, mas em Sanremo a probabilidade de ser alcançado de novo é maior”.

As condições meteorológicas também podem ter influência. “Se houver vento forte de frente na Cipressa, tornar-se-á muito difícil fazer a diferença. Mesmo para Tadej Pogacar”.

 

Merckx vê em Pogacar uma determinação familiar

 

Embora Merckx evite comparações diretas entre gerações, admitiu que a atitude competitiva de Pogacar lhe recorda a sua própria abordagem.

“Houve dias em que venci com grande vantagem sobre todos, como Liège em 1969 ou a etapa das Tre Cime di Lavaredo no Giro de 1968”, explicou Merckx. “No Tadej, vejo a mesma determinação. Mas fiquemos por aqui, porque não gosto de comparações, sobretudo quando se comparam eras diferentes”.

Ainda assim, Merckx reconheceu o domínio atual do esloveno na modalidade. “Que ele é o número um!” atirou ao refletir sobre a quarta vitória de Pogacar na Strade Bianche no início deste mês. “Mas é claro que em Sanremo, pelas características da corrida, a sua tarefa será mais difícil”.

 

Ganna continua também candidato

 

Embora os holofotes voltem a incidir no duelo entre Pogacar e Van der Poel, Merckx apontou ainda outro corredor que já mostrou poder discutir a vitória.

“Se ele foi segundo duas vezes, significa que tem pernas para ganhar”, sublinhou Merckx sobre Filippo Ganna, que foi por duas vezes vice-campeão na Milan-Sanremo. “Parece-me que, em comparação com 2025, tentou adiar um pouco o momento do primeiro grande pico de forma, já que também aponta ao Paris-Roubaix. No sábado veremos se essa escolha compensou ou não”.

 

Cinquenta anos desde o recorde de Merckx em Sanremo

 

A corrida deste ano tem também um significado especial para o próprio Merckx. Assinala cinquenta anos desde a sua sétima e última vitória na Milan-Sanremo, em 1976, um recorde que permanece como uma das marcas mais notáveis da história do ciclismo.

O belga confirmou que voltará a acompanhar tudo de perto. “Estarei em casa, na Bélgica, em frente à televisão a ver”, prometeu. “Acho que nunca falhei uma”.

Se Pogacar poderá finalmente acrescentar a Milan-Sanremo ao seu palmarés é uma das grandes questões à entrada para a corrida deste ano. Mas, como deixou claro Merckx, se Van der Poel ainda estiver ao seu lado quando a prova chegar à Via Roma, a vantagem poderá voltar a sorrir ao neerlandês após quase 300 quilómetros de corrida.

“Paul Seixas, o prodígio de 19 anos com ascendência portuguesa que faz sonhar os franceses”


Por: Miguel Marques

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O domínio de Tadej Pogacar parecia consolidado no ciclismo mundial. No entanto, um jovem francês de apenas 19 anos começou recentemente a agitar esse cenário. Chama-se Paul Seixas e já há quem veja nele o talento capaz de reacender o sonho francês de voltar a conquistar a Volta a França, algo que não acontece desde 1985, quando Bernard Hinault triunfou pela última vez na corrida mais importante do ciclismo mundial. A revista Sábado levou a cabo uma reportagem para conhecer melhor Seixas, explicando-se também finalmente a sua ascendência portuguesa.

A imprensa internacional não tem poupado elogios ao jovem corredor. Recentemente, o portal desportivo The Athletic, atualmente integrado no jornal The New York Times, descreveu-o como a “A próxima superestrela do ciclismo”. A atenção mediática surge numa altura em que Seixas começa a acumular resultados de grande impacto no pelotão internacional.

No Campeonato da Europa de 2025, por exemplo, o francês conquistou a medalha de bronze na prova de estrada, terminando apenas atrás de Pogačar e do belga Remco Evenepoel.

Desde então, o potencial do jovem corredor, ao serviço da Decathlon CGA CGM, estrutura que deriva da histórica AG2R La Mondiale, tem continuado a confirmar-se. A 7 de março deste ano, na clássica italiana Strade Bianche, Seixas protagonizou uma exibição que voltou a colocar o seu nome nas manchetes. O francês terminou em segundo lugar, a exatamente um minuto de Pogacar. O dado ganha ainda mais relevo se tivermos em conta que o esloveno, vencedor da corrida por quatro vezes, precisou de estabelecer o recorde de velocidade da prova, já com duas décadas de história, para conseguir essa margem.

O resultado alimentou a ideia de que o atual domínio do esloveno nas corridas por etapas pode vir a encontrar um rival à altura. A comparação com grandes nomes da história do ciclismo surge inevitavelmente, até porque muitos já discutem a possibilidade de Pogačar um dia rivalizar com o legado de Eddy Merckx. Ainda assim, o surgimento de Seixas começa a introduzir um novo elemento na equação.

O francês já tinha dado outros sinais claros do seu talento. A 28 de fevereiro, na Faun-Ardèche Classic, venceu de forma categórica, com quase dois minutos de vantagem sobre o segundo classificado. Nesse dia, subiu uma ascensão de 6,9 quilómetros com 7,2% de inclinação em 16 minutos e 28 segundos, precisamente o mesmo tempo que Pogacar registara nessa subida durante os Europeus de 2025.

Seixas construiu a sua reputação nas categorias jovens, onde venceu várias provas no escalão júnior. Cresceu inicialmente em Lyon e mais tarde mudou-se para Anse, zona com estradas mais adequadas para treino. Em 2025, com apenas 18 anos, tornou-se o ciclista mais jovem de sempre a terminar uma corrida do circuito UCI World Tour entre os dez primeiros, e logo numa das mais prestigiadas, o Critérium du Dauphiné.

Já em 2026, conquistou a primeira vitória como profissional na Volta ao Algarve, precisamente na mesma subida onde Pogacar alcançara o seu primeiro triunfo, a Fóia. Nessa edição da corrida portuguesa terminou no segundo lugar da classificação geral. No ano anterior já tinha vencido o Tour de l’Avenir e subido ao pódio dos europeus de estrada ao lado de Pogacar e Evenepoel.

Há menos de meio ano, o antigo ciclista francês Thibaut Pinot comentava o fenómeno ao jornal L’Équipe: “O que o Paul está a fazer é algo excecional. Talvez seja ainda mais forte do que o Pogacar era com a sua idade”.

O próprio Seixas também não esconde ambição quando fala do futuro: “O objetivo não é substituir o Pogacar quando ele sair de cena, é conseguir batê-lo”.

Atualmente ligado a uma equipa patrocinada pela Decathlon e pela empresa de transporte marítimo CMA CGM até ao final de 2027, o jovem francês já desperta cobiça no mercado. Circulam rumores sobre propostas milionárias e sobre o interesse da UAE Team Emirates - XRG, que poderia tentar juntar Seixas ao próprio Pogacar. Ainda assim, a formação francesa acredita ter meios financeiros e projeto desportivo suficientes para manter o talento e construir uma equipa competitiva em torno dele, com o objetivo de devolver à França o triunfo no Tour.

 

A origem portuguesa

 

A possível ligação de Seixas a Portugal também tem despertado curiosidade. Diversos relatos na imprensa referem a existência de ascendência portuguesa na família paterna. O próprio ciclista abordou o tema numa entrevista à Rádio Raízes, meio de comunicação francófono.

Mais tarde, em 2024, explicou a situação numa conversa com a revista britânica Cyclist Magazine: “Há raízes portuguesas do lado do meu pai. O meu bisavô era de origem portuguesa. Não sabemos exatamente de onde veio, não há árvore genealógica que permita rastrear isto, mas estamos a tentar descobrir mais sobre o lado português da família. Porém, não falo português, de todo”.

Durante a sua participação na Volta ao Algarve deste ano, reforçou essa ideia em declarações em vídeo: “O pai do meu avô era provavelmente português”.

 

As características

 

Em termos de perfil, Seixas identifica claramente o tipo de corredor que pretende ser. “Fundamentalmente, sou um trepador”, explicou recentemente. “Estou a treinar para ser um todo-o-terreno neste momento. (...) O contrarrelógio e a montanha são onde me sinto melhor, portanto vai ser essencial continuar a trabalhar nestes campos”.

Fisicamente, mede 1,86 metros e pesa pouco mais de 60 quilos, valores semelhantes aos de corredores como Pogacar ou o português João Almeida, características ideais para enfrentar as grandes montanhas. Fora da bicicleta, descreve-se como alguém tranquilo. “Demasiado relaxado em alguns momentos”, admite, reconhecendo que por vezes comete erros quando tem pressa. “Não é da minha natureza, sou uma pessoa bastante sossegada e calma”.

Apesar da crescente atenção mediática e das especulações financeiras, o jovem mantém hábitos simples. Segundo o The New York Times, desloca-se num Volkswagen Tiguan cinzento usado.

 

O que vem a seguir

 

Nos próximos meses, o calendário de Seixas inclui várias provas importantes. Entre elas estão a Volta ao País Basco (6 a 11 de abril), as clássicas belgas La Flèche Wallonne (22 de abril) e Liege-Bastogne-Liege (26 de abril), onde poderá voltar a medir forças com Pogacar.

O programa inclui ainda o Campeonato do Mundo em Montreal. Falta, porém, esclarecer qual será a primeira grande Volta de três semanas da sua carreira em 2026: o Tour, em julho, ou a Volta a Espanha, em agosto.

A história mostra que Pogacar, na estreia numa grande Volta em 2019, terminou em terceiro lugar na Vuelta com 21 anos. Resta agora saber até onde poderá chegar Paul Seixas quando chegar o seu momento.

“Há dez anos, era 70 por cento trabalho e 30 por cento diversão. Agora é 100 por cento trabalho” - Damiano Caruso deixa um veredito sem rodeios sobre o ciclismo atual”


Por: Miguel Marques

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À medida que se aproxima do capítulo final de uma carreira que se prolonga há quase duas décadas no pelotão profissional, Damiano Caruso acredita que a natureza do ciclismo mudou profundamente.

O veterano italiano, que se vai retirar no final da época, falou durante o Paris-Nice sobre a transformação que presenciou ao longo dos seus anos na modalidade. As corridas tornaram-se mais rápidas, a preparação mais precisa e as margens para vencer mais pequenas do que nunca.

Mas, para Caruso, a maior mudança é o quanto o ciclismo passou a ocupar a vida de um corredor. “Há dez anos era 70 por cento trabalho e 30 por cento diversão. Agora é 100 por cento trabalho. É só trabalho. Já não encontro qualquer elemento lúdico nisso”, disse Caruso em declarações citadas pela TV2.

Ao longo da sua carreira, o ciclismo entrou a fundo na era dos planos de treino estruturados, estágios em altitude e monitorização constante do rendimento. Os ganhos em velocidade e consistência no pelotão são evidentes, mas as exigências sobre os corredores cresceram na mesma medida.

Caruso admite que manter o mesmo nível de motivação neste ambiente torna-se mais difícil com o tempo. “Se ainda o quiseres fazer e ainda tirares prazer do teu trabalho, podes continuar. Fica cada vez mais difícil ano após ano, mas não sei se é possível evitar o burnout a certa altura. É difícil responder”.

 

Uma nova geração sob a mesma pressão

 

Enquanto Caruso recua no tempo para perceber como o desporto evoluiu, os mais jovens que entram no WorldTour já navegam essas mesmas expectativas.

Entre eles está Oscar Chamberlain, da Decathlon CMA CGM Team, que fez 21 anos no início do ano e começa a construir a carreira ao mais alto nível. “É, sem dúvida, uma realidade, e é algo que se vê no WorldTour. Os ciclistas que chegam são cada vez mais novos e, acho, as carreiras acabam cada vez mais cedo”, analisou Chamberlain.

O australiano considera crucial gerir essas pressões para garantir a longevidade dos jovens profissionais que entram no pelotão. “É importante que os mais novos tenham calma e não se precipitem, porque ainda somos jovens e temos muito tempo”.

Em conjunto, as reflexões de um dos corredores mais experientes do pelotão e de um dos mais jovens evidenciam como o panorama do ciclismo profissional continua a evoluir, e como atletas de diferentes gerações estão a aprender a adaptar-se às exigências do desporto moderno.

“Copa do Mundo de Ciclismo de Estrada UCI Para 2026: abertura da temporada na Tailândia”


A ação começa em Chiang Mai esta semana

A Copa do Mundo de Ciclismo de Estrada UCI Para 2026 está prestes a começar, com a primeira de três etapas acontecendo nas ruas de Chiang Mai, Tailândia, de 19 a 22 de março. Esta etapa, a primeira organizada na Ásia, será seguida por etapas em Middelkerke (Bélgica) e Abruzzo (Itália) em abril e maio.

No meio do ciclo paralímpico, os atletas também procurarão desenvolver sua forma e marcar pontos de qualificação para Los Angeles 2028. A Copa do Mundo de Ciclismo de Estrada para a UCI também é importante na classificação para o Campeonato Mundial de Paraciclismo de Estrada da UCI 2026, que acontecerá em Huntsville, Alabama (EUA), em setembro.

 

Corridas na Tailândia

 

Mais de 200 atletas de 37 nações estão na lista de inscritos para a primeira rodada em Chiang Mai, a segunda maior cidade da Tailândia, no noroeste do país, dentro e ao redor do campus da Universidade Rajabhat de Chiang Mai.

Como de costume, a Copa do Mundo de Ciclismo de Estrada para UCI contará com contra-relógios (TT) e corridas de estrada para homens e mulheres em todas as categorias: ciclismo (C), bicicleta de mão (H), triciclo (T) e tandem (B). O dia de abertura da competição também contará com o popular revezamento por equipes de handbike misto.

Alguns resultados no início da temporada foram testados e novos nomes surgiram nos recentes 13º Jogos Paraolímpicos da Asean realizados na Tailândia no final de janeiro de 2026. Contribuindo para uma atuação dominante em toda a nação anfitriã nos Jogos, houve vitórias em casa para o ciclismo para, com Patcharapha Seesen (contrarrelógio feminino H2) e Patiphat Hemphitak, de 16 anos, na prova de estrada masculina B. Outros destaques incluíram vitórias da malaia Nur Azlia Syafinaz Mohd Zais na corrida feminina B de estrada e da indonésia Sufyan Saori na prova masculina C5 e contrarrelógio.

 

Ciclistas para observar

 

Atletas bem-sucedidos da Copa do Mundo de Ciclismo de Estrada UCI Para-Ciclismo 2025 para ficar de olho incluem a italiana Claudia Cretti (vencedora geral do WC5), a brasileira Sabrina Custodia Da Silva (3ª colocada na categoria desportiva WC2) e a americana Samantha Bosco (4ª na Copa do Mundo de Ciclismo de Estrada UCI Para 2025, apesar de ter competido em apenas uma das duas etapas).

No masculino, há Zbigniew Maciejewski da Polônia (vencedor geral da MC1 em 2025) e o francês Gatien Le Rousseau (segundo pilotogeral da MC4 no ano passado). Enquanto isso, a atleta tailandesa Attachai Siriwichai (MH5) buscará um sucesso em casa em Chiang Mai, após terminar em quarto lugar geral na Copa do Mundo de Ciclismo para ciclismo de estrada da UCI do ano passado.

 

Calendário da Copa do Mundo de Ciclismo Para de Ciclismo em Estrada UCI 2026

 

19-22 de março: Rodada 1 em Chiang Mai, Tailândia

28 de abril-01 de maio: Rodada 2, em Middelkerke, Bélgica

7-10 de maio: Rodada 3 em Abruzzo, Itália.

 

Aulas desportivas de ciclismo para

 

C – Ciclo: bicicleta convencional com adaptações, se necessário

T – Triciclo: bicicleta de três rodas

B – Tandem: para atletas com deficiência visual com piloto enxergado

H – Handcycle

Esses grupos são divididos em diferentes classes desportivas – C (1-5), T (1-2) e H (1-5) –, sendo o menor o número indicando um nível maior de deficiência.

Fonte: União Ciclista Internacional - UCI

“Volta ao Alentejo Crédito Agrícola regressa à estrada de 25 a 29 de março”


A 43.ª edição da Volta ao Alentejo em Bicicleta Crédito Agrícola vai decorrer entre 25 e 29 de março, percorrendo cinco etapas e um total de 675,9 quilómetros pelas estradas do Alentejo, numa competição que continua a afirmar-se como uma das mais emblemáticas provas do calendário velocipédico português.

Ao longo de cinco dias de corrida, o pelotão atravessará 25 municípios das quatro sub-regiões alentejanas, reforçando o alcance territorial da prova e a ligação da competição às comunidades locais.

A apresentação oficial da prova decorreu esta terça-feira, no Fórum Cultural Transfronteiriço de Alandroal, numa sessão que reuniu representantes das entidades organizadoras, parceiros institucionais e autarquias envolvidas.

Para Carlos Zorrinho, presidente da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC), a longevidade da prova reflete a força do trabalho conjunto: “A Volta ao Alentejo é a prova de que, quando se trabalha em conjunto, é possível concretizar projetos de grande dimensão e impacto para o território. Com 43 anos de história, demonstra uma notável resiliência e uma identidade muito própria, profundamente ligada à região. Este ano, com transmissão em direto na RTP, teremos ainda a oportunidade de levar a beleza e a diversidade do Alentejo a uma audiência significativamente mais alargada.”


Também João Maria Grilo, presidente da Câmara Municipal do Alandroal, destacou o papel da prova na projeção da região: “A Volta ao Alentejo é uma verdadeira montra do território, o que representa para todos os autarcas um compromisso contínuo com o seu apoio e valorização. Trata-se de uma competição que coloca o Alentejo na retina de milhares de pessoas em todo o país. Somos uma região com uma forte tradição no ciclismo e com uma ambição clara de afirmação através do desporto.”

Já Manuela Murteira, em representação do Turismo do Alentejo, sublinhou o impacto económico e promocional do evento: “A Volta ao Alentejo é um evento de referência para o turismo regional, sendo um exemplo do trabalho em rede entre municípios, comunidades intermunicipais e organização. Para além da sua dimensão desportiva, é uma iniciativa que contribui para a valorização do território, gerando riqueza e promovendo, junto de diferentes públicos, a autenticidade e diversidade do Alentejo.”

Organizada pela Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC), em parceria com a Federação Portuguesa de Ciclismo, a Emesports e a União Ciclista Internacional (UCI), a Volta ao Alentejo volta a mobilizar municípios, comunidades intermunicipais, empresas e população local em torno de um projeto que combina competição desportiva com promoção territorial.

Criada em 1983, a “Alentejana” integra desde 2005 o calendário internacional UCI Europe Tour, atraindo equipas e corredores nacionais e internacionais. Ao longo da sua história, a prova recebeu alguns dos grandes nomes do ciclismo mundial, entre os quais Miguel Indurain, vencedor da edição de 1996.


Segundo o Presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Cândido Barbosa, esta edição marca também um novo momento no percurso da prova: “A Volta ao Alentejo ocupa um lugar muito especial na história do ciclismo português e na identidade desportiva da região. A edição de 2026 assinala um novo ciclo, com a Federação Portuguesa de Ciclismo a assumir diretamente a organização da prova, reforçando o nosso compromisso com o crescimento e a valorização desta competição.”

O dirigente destacou ainda o novo modelo de cooperação que sustenta a prova: “Este é também um projeto construído em rede com as Comunidades Intermunicipais do Alentejo, os municípios e o Turismo do Alentejo, que permitirá reforçar a projeção mediática da corrida e a promoção do território.”

 

Pelotão diversificado e promissor

 

A edição de 2026 da Volta ao Alentejo volta a reunir um pelotão diversificado, composto por 20 equipas, entre formações continentais UCI e equipas de clube. A presença de equipas de desenvolvimento de formações World Tour - UAE Team Emirates Gen?Z, EF Education-Aevolo, Movistar Team Academy e NSN Development Team, reforça a competitividade da corrida e confirma o papel da “Alentejana” como plataforma de afirmação para alguns dos jovens mais promissores do ciclismo internacional.

A última edição confirmou essa tendência, com a vitória de Noah Hobbs, na altura com 20 anos, ao serviço da EF Education-Aevolo. O jovem britânico venceu duas etapas e vestiu de amarelo do primeiro ao último dia da prova, tendo ainda vencido as classificações da juventude e dos pontos. Em 2026 deu o salto para o World Tour, passando a integrar em definitiva a EF Education-EasyPost.

Na história recente da “Alentejana”, de resto, são vários os exemplos de vencedores que se vieram a destacar no panorama internacional, com destaque para nomes como Orluis Aular (2022 e 2023), Enric Mas (2016) e Jasper Stuyven (2013), todos no World Tour atualmente.

 

Lista de Equipas

Equipas Continentais UCI:

 

Anicolor/Campicarn (POR), Aviludo?Louletano?Loulé (POR), Credibom/LA Alumínios/Marcos Car (POR), Efapel Cycling (POR), Feira dos Sofás?Boavista (POR), GI Group Holding?Simoldes?UDO (POR), Óbidos Cycling Team (POR), Tavfer?Ovos Matinados?Mortágua (POR), Team Tavira/Crédito Agrícola (POR), UAE Team Emirates Gen?Z (UAE), EF Education?Aevolo (USA), Movistar Team Academy (ESP), NSN Development Team (SUI)

 

Equipas de Clube:

 

Inovocorte Cycling (POR), Porminho Team Sub?23 (POR), Santa Maria da Feira/Moreira/Bolflex/E.Leclerc (POR), Earth Consulters/Maia/Frutas Monte Cristo (POR), High Level?Gsport?Grupo Tormo (ESP), Cortizo?Club Ciclista Padronés Cortizo (ESP), Caja Rural?Alea (ESP)

 

Cinco etapas e quase 700 quilómetros de corrida

 

A edição de 2026 será composta por cinco etapas, incluindo um contrarrelógio individual, que no total somam 675,9 quilómetros.

 

1.ª etapa - 25 de março

Sines > Almodôvar - 173,7 km

Partida: Av. General Humberto Delgado - 12h10

Chegada: EN 393 - 16h22

 

A etapa mais longa da prova desenvolve-se num percurso maioritariamente plano, o que poderá favorecer uma chegada ao sprint. Prevê-se, por isso, um final rápido e disputado entre os velocistas do pelotão.

 

2.ª etapa - 26 de março

Ferreira do Alentejo > Montemor-o-Novo - 161,9 km

Partida: Mercado Municipal - 12h25

Chegada: Castelo de Montemor-o-Novo - 16h21

 

Com apenas uma contagem de montanha de 3.ª categoria, a etapa deverá ser novamente rápida. A maior dificuldade estará na aproximação final à meta, marcada por um último quilómetro técnico e pelos derradeiros 400 metros em subida e empedrado, até ao Castelo de Montemor-o-Novo.

 

3.ª etapa - 27 de março

Crato > Crato (Contrarrelógio Individual) - 23,9 km

Partida: Rua Carmelo Beato Nuno - 13h37 (previsão)

Chegada: Largo Dr. Belo Morais - 16h29

 

A terceira etapa será disputada sob a forma de contrarrelógio individual, num percurso de 23,9 quilómetros essencialmente plano e sem grandes dificuldades técnicas, o que poderá favorecer os especialistas nesta disciplina. O último quilómetro percorre as tradicionais ruas empedradas da vila do Crato.

 

4.ª etapa - 28 de março

Vila Viçosa > Serra de São Mamede (Portalegre) - 153,3 km

Partida: Praça da República - 10h45

Chegada: Antenas da Serra de São Mamede - 14h29

 

Considerada a etapa rainha da Volta ao Alentejo, este dia inclui três contagens de montanha, uma delas de 1.ª categoria, coincidente com a meta nas Antenas da Serra de São Mamede. Após uma primeira passagem por Portalegre, o pelotão inicia a subida até ao Alto do Souto da Relva (700 metros de altitude), onde estará instalada uma contagem de montanha de 2.ª categoria, seguindo depois para o Alto das Reveladas, para disputar nova contagem. O regresso a Portalegre antecede a subida final até às Antenas da Serra de São Mamede, situadas a 1.008 metros de altitude, onde poderá ficar praticamente decidida a classificação geral.

 

5.ª etapa - 29 de março

Moura > Évora - 163,1 km

Partida: Praça Sacadura Cabral - 11h30

Chegada: Praça do Giraldo (Évora) - 15h28

 

A última etapa liga Moura a Évora e termina na emblemática Praça do Giraldo, no centro histórico da cidade. O percurso, com passagem pela região do Alqueva, é maioritariamente plano e sem dificuldades montanhosas. Ainda assim, a aproximação à meta promete ser exigente, com um final técnico nos últimos cinco quilómetros, que poderá provocar cortes no pelotão.

 

Mais projeção mediática

 

Uma das principais novidades desta edição é a transmissão televisiva em direto das cinco etapas na RTP2, num acordo estabelecido por três anos.

A parceria assegura mais de seis horas de emissão em direto, levando a emoção da corrida e as paisagens do Alentejo a todo o país.

O plano de promoção inclui ainda 40 autopromoções nos canais da RTP, a emitir nos dias que antecedem a prova.

 

Um grande palco de promoção do Alentejo

 

Mais do que uma competição desportiva, a Volta ao Alentejo afirma-se como um importante instrumento de promoção da região, envolvendo nove municípios anfitriões: Sines, Almodôvar, Ferreira do Alentejo, Montemor-o-Novo, Crato, Vila Viçosa, Portalegre, Moura e Évora.

A prova conta com o Crédito Agrícola como patrocinador principal e com o apoio de parceiros institucionais como o Turismo do Alentejo e as quatro Comunidades Intermunicipais do Alentejo, além de patrocinadores como Delta Cafés e A. MatosCar, parceiro de mobilidade da 43.ª Volta ao Alentejo.

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

Ficha Técnica

  • Titulo: Revista Notícias do Pedal
  • Diretor: José Manuel Cunha Morais
  • Subdiretor: Helena Ricardo Morais
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