A 43.ª edição da Volta ao
Alentejo em Bicicleta Crédito Agrícola vai decorrer entre 25 e 29 de março,
percorrendo cinco etapas e um total de 675,9 quilómetros pelas estradas do
Alentejo, numa competição que continua a afirmar-se como uma das mais emblemáticas
provas do calendário velocipédico português.
Ao longo de cinco dias de
corrida, o pelotão atravessará 25 municípios das quatro sub-regiões
alentejanas, reforçando o alcance territorial da prova e a ligação da
competição às comunidades locais.
A apresentação oficial da
prova decorreu esta terça-feira, no Fórum Cultural Transfronteiriço de
Alandroal, numa sessão que reuniu representantes das entidades organizadoras,
parceiros institucionais e autarquias envolvidas.
Para Carlos Zorrinho,
presidente da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC), a
longevidade da prova reflete a força do trabalho conjunto: “A Volta ao Alentejo
é a prova de que, quando se trabalha em conjunto, é possível concretizar
projetos de grande dimensão e impacto para o território. Com 43 anos de
história, demonstra uma notável resiliência e uma identidade muito própria,
profundamente ligada à região. Este ano, com transmissão em direto na RTP,
teremos ainda a oportunidade de levar a beleza e a diversidade do Alentejo a
uma audiência significativamente mais alargada.”

Também João Maria Grilo,
presidente da Câmara Municipal do Alandroal, destacou o papel da prova na
projeção da região: “A Volta ao Alentejo é uma verdadeira montra do território,
o que representa para todos os autarcas um compromisso contínuo com o seu apoio
e valorização. Trata-se de uma competição que coloca o Alentejo na retina de
milhares de pessoas em todo o país. Somos uma região com uma forte tradição no
ciclismo e com uma ambição clara de afirmação através do desporto.”
Já Manuela Murteira, em
representação do Turismo do Alentejo, sublinhou o impacto económico e
promocional do evento: “A Volta ao Alentejo é um evento de referência para o
turismo regional, sendo um exemplo do trabalho em rede entre municípios,
comunidades intermunicipais e organização. Para além da sua dimensão
desportiva, é uma iniciativa que contribui para a valorização do território,
gerando riqueza e promovendo, junto de diferentes públicos, a autenticidade e
diversidade do Alentejo.”
Organizada pela Comunidade
Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC), em parceria com a Federação
Portuguesa de Ciclismo, a Emesports e a União Ciclista Internacional (UCI), a
Volta ao Alentejo volta a mobilizar municípios, comunidades intermunicipais, empresas
e população local em torno de um projeto que combina competição desportiva com
promoção territorial.
Criada em 1983, a “Alentejana”
integra desde 2005 o calendário internacional UCI Europe Tour, atraindo equipas
e corredores nacionais e internacionais. Ao longo da sua história, a prova
recebeu alguns dos grandes nomes do ciclismo mundial, entre os quais Miguel
Indurain, vencedor da edição de 1996.
Segundo o Presidente da
Federação Portuguesa de Ciclismo, Cândido Barbosa, esta edição marca também um
novo momento no percurso da prova: “A Volta ao Alentejo ocupa um lugar muito
especial na história do ciclismo português e na identidade desportiva da região.
A edição de 2026 assinala um novo ciclo, com a Federação Portuguesa de Ciclismo
a assumir diretamente a organização da prova, reforçando o nosso compromisso
com o crescimento e a valorização desta competição.”
O dirigente destacou ainda o
novo modelo de cooperação que sustenta a prova: “Este é também um projeto
construído em rede com as Comunidades Intermunicipais do Alentejo, os
municípios e o Turismo do Alentejo, que permitirá reforçar a projeção mediática
da corrida e a promoção do território.”
Pelotão
diversificado e promissor
A edição de 2026 da Volta ao
Alentejo volta a reunir um pelotão diversificado, composto por 20 equipas,
entre formações continentais UCI e equipas de clube. A presença de equipas de
desenvolvimento de formações World Tour - UAE Team Emirates Gen?Z, EF Education-Aevolo,
Movistar Team Academy e NSN Development Team, reforça a competitividade da
corrida e confirma o papel da “Alentejana” como plataforma de afirmação para
alguns dos jovens mais promissores do ciclismo internacional.
A última edição confirmou essa
tendência, com a vitória de Noah Hobbs, na altura com 20 anos, ao serviço da EF
Education-Aevolo. O jovem britânico venceu duas etapas e vestiu de amarelo do
primeiro ao último dia da prova, tendo ainda vencido as classificações da
juventude e dos pontos. Em 2026 deu o salto para o World Tour, passando a
integrar em definitiva a EF Education-EasyPost.
Na história recente da
“Alentejana”, de resto, são vários os exemplos de vencedores que se vieram a
destacar no panorama internacional, com destaque para nomes como Orluis Aular
(2022 e 2023), Enric Mas (2016) e Jasper Stuyven (2013), todos no World Tour
atualmente.
Lista de
Equipas
Equipas
Continentais UCI:
Anicolor/Campicarn (POR),
Aviludo?Louletano?Loulé (POR), Credibom/LA Alumínios/Marcos Car (POR), Efapel
Cycling (POR), Feira dos Sofás?Boavista (POR), GI Group Holding?Simoldes?UDO
(POR), Óbidos Cycling Team (POR), Tavfer?Ovos Matinados?Mortágua (POR), Team
Tavira/Crédito Agrícola (POR), UAE Team Emirates Gen?Z (UAE), EF
Education?Aevolo (USA), Movistar Team Academy (ESP), NSN Development Team (SUI)
Equipas
de Clube:
Inovocorte Cycling (POR),
Porminho Team Sub?23 (POR), Santa Maria da Feira/Moreira/Bolflex/E.Leclerc
(POR), Earth Consulters/Maia/Frutas Monte Cristo (POR), High Level?Gsport?Grupo
Tormo (ESP), Cortizo?Club Ciclista Padronés Cortizo (ESP), Caja Rural?Alea
(ESP)
Cinco
etapas e quase 700 quilómetros de corrida
A edição de 2026 será composta
por cinco etapas, incluindo um contrarrelógio individual, que no total somam
675,9 quilómetros.
1.ª etapa
- 25 de março
Sines
> Almodôvar - 173,7 km
Partida:
Av. General Humberto Delgado - 12h10
Chegada:
EN 393 - 16h22
A etapa mais longa da prova
desenvolve-se num percurso maioritariamente plano, o que poderá favorecer uma
chegada ao sprint. Prevê-se, por isso, um final rápido e disputado entre os
velocistas do pelotão.
2.ª etapa
- 26 de março
Ferreira
do Alentejo > Montemor-o-Novo - 161,9 km
Partida:
Mercado Municipal - 12h25
Chegada:
Castelo de Montemor-o-Novo - 16h21
Com apenas uma contagem de
montanha de 3.ª categoria, a etapa deverá ser novamente rápida. A maior
dificuldade estará na aproximação final à meta, marcada por um último
quilómetro técnico e pelos derradeiros 400 metros em subida e empedrado, até ao
Castelo de Montemor-o-Novo.
3.ª etapa
- 27 de março
Crato
> Crato (Contrarrelógio Individual) - 23,9 km
Partida:
Rua Carmelo Beato Nuno - 13h37 (previsão)
Chegada:
Largo Dr. Belo Morais - 16h29
A terceira etapa será
disputada sob a forma de contrarrelógio individual, num percurso de 23,9
quilómetros essencialmente plano e sem grandes dificuldades técnicas, o que
poderá favorecer os especialistas nesta disciplina. O último quilómetro
percorre as tradicionais ruas empedradas da vila do Crato.
4.ª etapa
- 28 de março
Vila
Viçosa > Serra de São Mamede (Portalegre) - 153,3 km
Partida:
Praça da República - 10h45
Chegada:
Antenas da Serra de São Mamede - 14h29
Considerada a etapa rainha da
Volta ao Alentejo, este dia inclui três contagens de montanha, uma delas de 1.ª
categoria, coincidente com a meta nas Antenas da Serra de São Mamede. Após uma
primeira passagem por Portalegre, o pelotão inicia a subida até ao Alto do
Souto da Relva (700 metros de altitude), onde estará instalada uma contagem de
montanha de 2.ª categoria, seguindo depois para o Alto das Reveladas, para
disputar nova contagem. O regresso a Portalegre antecede a subida final até às
Antenas da Serra de São Mamede, situadas a 1.008 metros de altitude, onde
poderá ficar praticamente decidida a classificação geral.
5.ª etapa
- 29 de março
Moura
> Évora - 163,1 km
Partida:
Praça Sacadura Cabral - 11h30
Chegada:
Praça do Giraldo (Évora) - 15h28
A última etapa liga Moura a
Évora e termina na emblemática Praça do Giraldo, no centro histórico da cidade.
O percurso, com passagem pela região do Alqueva, é maioritariamente plano e sem
dificuldades montanhosas. Ainda assim, a aproximação à meta promete ser
exigente, com um final técnico nos últimos cinco quilómetros, que poderá
provocar cortes no pelotão.
Mais
projeção mediática
Uma das principais novidades
desta edição é a transmissão televisiva em direto das cinco etapas na RTP2, num
acordo estabelecido por três anos.
A parceria assegura mais de
seis horas de emissão em direto, levando a emoção da corrida e as paisagens do
Alentejo a todo o país.
O plano de promoção inclui
ainda 40 autopromoções nos canais da RTP, a emitir nos dias que antecedem a
prova.
Um grande
palco de promoção do Alentejo
Mais do que uma competição
desportiva, a Volta ao Alentejo afirma-se como um importante instrumento de
promoção da região, envolvendo nove municípios anfitriões: Sines, Almodôvar,
Ferreira do Alentejo, Montemor-o-Novo, Crato, Vila Viçosa, Portalegre, Moura e
Évora.
A prova conta com o Crédito
Agrícola como patrocinador principal e com o apoio de parceiros institucionais
como o Turismo do Alentejo e as quatro Comunidades Intermunicipais do Alentejo,
além de patrocinadores como Delta Cafés e A. MatosCar, parceiro de mobilidade
da 43.ª Volta ao Alentejo.
Fonte: Federação Portuguesa
Ciclismo