quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

“Filipe Cardoso anuncia adeus ao ciclismo “de coração cheio”

Aos 36 anos, ciclista português anunciou a sua retirada como profissional.

O português Filipe Cardoso anunciou a retirada do ciclismo profissional, depois de correr “desde os oito ou nove anos” até aos 35, abandonando o desporto “de coração cheio”, disse à Agência Lusa.

“Comecei a competir com oito ou nove anos, e a partir daí o ciclismo foi tudo. Primeiro, uma brincadeira, depois um ‘hobby’, depois uma profissão, e sempre uma paixão. O ciclismo trouxe-me as melhores experiências e sensações da minha vida, mas também trouxe as piores. Levo o coração cheio desta modalidade”, explicou o antigo ciclista.

Com a retirada, a última época do ciclista de Santa Maria da Feira foi passada ao serviço de uma equipa da sua terra natal, a Vito-Feirense, com uma última Volta a Portugal, que terminou em 28.º lugar, tendo sido quinto classificado na sexta etapa, em Bragança, e 10.º na sétima, na chegada à Serra do Larouco.

Para trás fica uma carreira em que correu sempre por equipas lusas, da LA Alumínios-Liberty Seguros à Barbot-Efapel e à Rádio Popular-Boavista, antes da formação feirense, além de várias vitórias em solo nacional.

A mais especial, diz, foi conseguir aquele que é um dos “sonhos maiores” de qualquer ciclista luso, o de ganhar “uma etapa ‘rainha’ na Volta”, conseguindo o feito em 2015, depois de “atirar ‘ao poste’ muitas vezes”, vencendo na Senhora da Graça “uma etapa tirada ‘a ferros’”, e num ano "muito complicado", afetado por problemas de saúde da mãe.

A retirada está a ser preparada “há dois ou três anos”, uma vez que se encontrava a acertar o futuro longe dos pedais, ainda que isso vá passar precisamente por uma nova forma de trabalhar “a cultura da bicicleta”, com o projeto Grandíssima.

Há dois anos, abriu um espaço em Santa Maria da Feira, com esse nome, que é ao mesmo tempo “um sítio para comer e beber, uma loja para tudo o que está relacionado com o mundo das bicicletas e acessórios, e uma oficina”.

Agora, em 2020, vai expandir-se com uma nova empresa associada, a operar “sobretudo a vender experiências com a bicicleta em Portugal”, permitindo-lhe juntar o mundo do ciclismo ao turismo.

“Tenho 35 anos, este projeto era aliciante, e sempre quis que quando fosse deixar [o ciclismo], o fizesse por vontade própria e ainda a um nível alto de performance. Não queria andar até já não conseguir andar na frente ou lutar por corridas”, revela.

Não quis anunciar a despedida no início do último ano, porque não queria que as corridas se tornassem “num funeral”, num adeus anunciado que foi antes substituído pelo “orgulho”. “Queria mostrar que vou deixar porque quero, e que ainda sou capaz de lutar por etapas” na última Volta, afiança.

Para Filipe Cardoso, o que fez a carreira especial foi saber que tinha “sempre um carinho muito grande do público”, que tentou “respeitar ao máximo e retribuir”, bem como o seu perfil de “ciclista agressivo, que na dúvida ataca ou faz agitar a corrida”.

Sobre o que ficou por fazer, o veterano explica que não fica “nenhuma coisa atravessada”, mas revela que teve três propostas para sair, quando era novo, mas essa janela “passa muito rápido”, também por pertencer a uma geração que tinha condições em Portugal “e em que não havia tanta internacionalização”.

Ainda assim, ter corrido campeonatos do mundo de juniores, sub-23 e séniores, “provas olímpicas” e outro tipo de voltas internacionais, como a Tropicale Amissa Bongo, que acabou em segundo em 2009, deixa-o com “um sorriso nos lábios” e “sem mágoa”.

Além do triunfo na Senhora da Graça, Cardoso acumulou outras vitórias em Portugal, como três etapas na Volta ao Alentejo, em 2009, 2011 e 2012, o Grande Prémio Costa Azul ou, lá fora, uma etapa da Volta a Chihuahua de 2007, no México, com um 58.º lugar nos Mundiais de estrada de 2011, o 11.º nos Mundiais sub-23 de 2004 ou o 17.º posto nos Jogos Europeus de Baku2015, estes dois últimos pela seleção.

“Faltou uma Volta a França? Se calhar, mas tive experiências em Portugal que não teria”, atira.

Voltar ao pelotão nacional, numa função diferente junto de uma equipa, é algo que não pensa neste momento, preferindo antes “desfrutar do ciclismo” e poder, por exemplo, acompanhar uma etapa no carro de uma equipa. “Não quis deixar o desporto amargurado. Ainda pedalo todos os dias, num registo diferente”, assume.

Fonte: Sapo on-line

“Agenda de Ciclismo”

Taça de Portugal internacional traz onze nações ao velódromo

O Velódromo Nacional, em Sangalhos, Anadia, recebe, neste fim de semana, duas provas internacionais de pista. No sábado, tem lugar o Troféu Internacional Bento Pessoa (CL2) e no domingo o Troféu Internacional Alves Barbosa, ambos pontuáveis para a Taça de Portugal. São cerca de cem os inscritos. 

As provas de classe 2 UCI a serem disputadas em Anadia terão, pela primeira vez, alcance internacional. Por isso mesmo, trazem consigo um grande número de atletas estrangeiros. 

Entre os inscritos, estarão representados onze países: Bielorrússia, Canadá, Espanha, França, Grã-Bretanha, Grécia, Holanda, Polónia, Portugal, Rússia e Suíça. Alguns dos nomes mais sonantes da cena internacional são os polacos Daniel Staniszewski e Wojciech Pszczolarski, já medalhados em mundiais e europeus, e o britânico Matthew Walls, campeão da Europa de eliminação em 2018.

Portugal também estará representado pelos corredores que se têm batido pelos pontos de apuramento para os Jogos Olímpicos de Tóquio, estando já confirmadas as participações de Maria Martins, Iuri Leitão e João Matias.

Numa altura em que as seleções pretendem qualificar-se para o Campeonato do Mundo, passo fundamental para aspirarem à presença nos Jogos Olímpicos, as corridas da Taça de Portugal são pontuáveis para o ranking UCI, motivo pelo qual são atraídos ciclistas e seleções internacionais.

As disciplinas olímpicas de madison e de omnium são aquelas que pontuam para o ranking internacional. Além dessas, o Troféu Bento Pessoa e o Troféu Alves Barbosa são compostos por provas das disciplinas das disciplinas de scratch e 500 metros, estas apenas pontuáveis para a Taça de Portugal.

A competição terá entrada gratuita para o público, que terá a oportunidade de ver ao vivo vários atletas internacionais e um espectáculo de alto nível. No sábado, a prova decorre entre as 10h00 e as 13h15, retomando depois às 15h00 para terminar às 20h20. Já a prova de domingo decorre entre as 09h00 e as 18h15.

Fonte: FPC