sexta-feira, 24 de julho de 2026

Tour de França: Ascensão Implacável: Tadej Pogacar transforma o Alpe d’Huez num tribunal e sentencia o Tour de 2026”


Por: José Morais

Tadej Pogacar escreveu uma das páginas mais intensas da história recente do ciclismo ao dominar o Alpe d’Huez, quebrar o mítico tempo de Marco Pantani e selar, com autoridade, o Tour de França de 2026. A montanha esperava-o mascarada de festa, o pelotão desconfiava da fragilidade da UAE Team Emirates, e o público pressentia que algo extraordinário estava prestes a acontecer.

 

Montanhas em alerta, equipa em dúvida

 

A véspera anunciava tempestade. O “vírus” que assolara a formação dos Emirados deixara McNulty, Wellens, Yates e Vermeersch debilitados. Pela primeira vez em muito tempo, a equipa da amarela parecia vulnerável. Os rivais farejaram oportunidade. A montanha também.

O dia arrancou frenético desde Gap: 42 corredores em fuga, um enxame de ambições misturadas. Richard Carapaz, Kuss, Lenny Martínez, Arensman, Healy, Rubio, Castrillo e Yates tentavam fabricar o golpe perfeito num palco sem esconderijos. Carapaz e Paret-Peintre duelavam pela montanha; Mads Pedersen acumulava pontos para o verde; atrás, a UAE defendia-se com menos homens e mais incertezas.

O Col du Noyer começou a separar o trigo do joio. O Col d’Ornon concluiu o serviço. Carapaz, agressivo como sempre, percebeu que resistir não bastava: era preciso provocar. O equatoriano atacava como quem bate numa porta fechada até alguém ceder.

 

As 21 curvas que mudaram o Tour

 

Ao pé do Alpe d’Huez, a fuga tinha 3:25 de vantagem. Para qualquer mortal, suficiente. Para Tadej Pogacar, irrelevante.

A estrada transformou-se num túnel humano: bandeiras, água, gritos, braços, caos. A certa altura, o público fechava o asfalto, obrigando os ciclistas a atravessar uma celebração que roçava o perigo. Foi ali que começou a sentença.

A 11 km da meta, Tadej Pogacar atacou. Sem finta, sem ensaio, sem diplomacia. Ligou um modo que só ele conhece. Iniciou um contrarrelógio contra a fuga, contra Pantani, contra a doença que debilitara a sua equipa.

Adam Yates, renascido, deu-lhe alguns metros de apoio antes de o deixar seguir sozinho. A partir daí, o esloveno transformou a montanha num relógio.

A 9 km, estava a 2:27.

A 6,5 km, a 1:11.

A 5,5 km, a 52 segundos.

O Alpe d’Huez parecia encolher debaixo das suas rodas.

Carapaz resistia com heroísmo. Atacou Kuss e Martínez, abriu oito segundos a 2,8 km da meta. Era uma declaração de princípios: se Pogacar quisesse vencer, teria de arrancar-lhe a vitória das mãos.

E arrancou.

Apanhou Lenny. Apanhou Carapaz. Testou-os. Esperou. E, sob a bandeira vermelha, lançou o golpe final. Carapaz aguentou alguns segundos, até que a inevitabilidade do esloveno se impôs.

 

Evenepoel, Del Toro e as guerras secundárias

 

Atrás, Remco Evenepoel tentava limitar danos, condicionado por uma moto. Del Toro largou Seixas e perseguiu o belga para proteger o pódio. Ayuso cedeu cedo. Eram batalhas paralelas num palco dominado por um homem que subia como se a gravidade fosse apenas um rumor.

 

Tadej Pogacar reescreve o tempo

 

Pogacar cruzou a meta sozinho, conquistando a quinta vitória neste Tour e assinando nova glória no Alpe d’Huez. Mais do que vencer, superou o recorde de Pantani por 1 minuto e 27 segundos. Na montanha dos mitos, redefiniu a escala do possível.

A vitória foi uma resposta às doenças, às dúvidas, às suspeitas. A UAE chegou ferida, mas Pogacar passou o “antivírus”. E quando o sistema reiniciou, o Alpe d’Huez percebeu que a camisola amarela ainda corria numa velocidade que ninguém consegue acompanhar.

“Ciclismo português representado nos Jogos do Mediterrâneo Taranto 2026


Fotos: Comité Olímpico de Portugal

O ciclismo nacional vai estar representado por seis atletas nos Jogos do Mediterrâneo Taranto 2026. A Equipa Portugal foi oficialmente apresentada esta segunda-feira, na Fortaleza de São Julião da Barra, em Oeiras. A competição vai decorrer entre 21 de agosto e 3 de setembro, em Taranto, Itália, reunindo cerca de 5.000 atletas de 26 países.

A seleção nacional masculina será composta por Afonso Silva (Team Tavira-Crédito Agrícola), Pedro Silva (Feira dos Sofás-Boavista), Rafael Reis (Anicolor-Campicarn) e Tiago Antunes (Efapel Cycling), enquanto Beatriz Roxo (ODL Team) e Raquel Queirós (Atum General/Tavira/Madre Fruta) integram a equipa feminina. A comitiva portuguesa será liderada por Valter Sousa, Selecionador Nacional de Elites e Sub-23 masculinos e Coordenador das Seleções Nacionais.


Rafael Reis esteve entre os representantes portugueses nos Jogos do Mediterrâneo de Oran 2022, tendo conquistado a medalha de ouro no contrarrelógio.

O programa dos Jogos do Mediterrâneo inclui provas de contrarrelógio e de fundo. Os contrarrelógios individuais disputam-se a 22 de agosto, num circuito de 17 quilómetros em Taranto, enquanto as corridas de fundo realizam-se a 24 de agosto, na região de Valle d'Itria. A prova masculina terá 140 quilómetros e a feminina 100.

A 20.ª edição dos Jogos do Mediterrâneo marca a terceira presença portuguesa na competição, depois de Tarragona 2018 e Oran 2022, onde a missão nacional conquistou 24 e 25 medalhas, respetivamente.

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

“Cartaxo recebe os Campeonatos Nacionais da Juventude”


Fotos: Licínio Florêncio / FPC

O Cartaxo vai receber, entre 31 de julho e 2 de agosto, os Campeonatos Nacionais da Juventude de estrada, reunindo os melhores jovens ciclistas portugueses na luta pelos títulos nacionais de contrarrelógio e fundo nas categorias de juvenis (sub-15), cadetes (sub-17) e juniores (sub-19).

A competição arranca na sexta-feira (31 de julho) com os contrarrelógios individuais. As cadetes femininas serão as primeiras a partir, às 15h30, seguindo-se as juniores femininas, às 15h55, os cadetes masculinos, às 16h10, e os juniores masculinos, às 17h15. As provas terão partida na Quinta das Pratas e chegada na Avenida 25 de Abril, num percurso de 13,4 quilómetros para cadetes e juniores femininas e cadetes masculinos, enquanto os juniores masculinos irão enfrentar uma distância de 16,8 quilómetros. As cerimónias protocolares estão previstas para as 18h40.

O sábado (1 de agosto) será dedicado às provas de fundo das categorias femininas e dos juvenis masculinos. A jornada começa às 10h com a corrida das juvenis femininas, que disputarão 25,2 quilómetros distribuídos por sete voltas a um circuito de 3,6 quilómetros. Às 11h15 arrancam os juvenis masculinos, para um total de 32,4 quilómetros.


Durante a tarde entram em ação as cadetes e juniores femininos, ambas com partida às 15h30. As cadetes terão pela frente 55,2 quilómetros, correspondentes a três voltas ao circuito principal de 18,4 quilómetros, enquanto as juniores cumprirão quatro voltas, totalizando 73,6 quilómetros.

As decisões masculinas das provas de fundo ficam reservadas para domingo (2 de agosto). Os cadetes masculinos partem às 10h para um percurso de 73,6 quilómetros, correspondente a quatro voltas ao circuito de 18,4 quilómetros. Já os juniores masculinos encerram o programa competitivo a partir das 15h, enfrentando 110,4 quilómetros distribuídos por seis voltas ao mesmo percurso.

Ao longo de três dias de competição, nos quais são esperados mais de 350 participantes, serão atribuídos os títulos nacionais de contrarrelógio e fundo das diferentes categorias da juventude, num dos momentos mais importantes da época para o ciclismo jovem nacional.

As inscrições estão abertas até 29 de julho na plataforma da Federação Portuguesa de Ciclismo: https://www.fpciclismo.pt/inscricoes

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

“Rui Oliveira em estreia na Volta a Portugal: “Ganhar uma etapa seria cumprir um sonho”


Campeão olímpico de Madison prepara-se para correr pela primeira vez a Volta a Portugal, prova que cresceu a seguir em família e onde quer deixar marca com a UAE Team Emirates-XRG.

Rui Oliveira vai correr pela primeira vez a Volta a Portugal em Bicicleta Jogos Santa Casa. Campeão olímpico de Madison em Paris 2024, ao lado de Iúri Leitão, o ciclista português da UAE Team Emirates-XRG será uma das figuras de maior destaque da 87.ª edição da prova, que assinala um novo ciclo competitivo e organizativo da maior corrida do calendário nacional.

Natural de Vila Nova de Gaia, Rui Oliveira chega à Volta com uma ligação especial à corrida. Antes de a viver como corredor, viveu-a como adepto, como familiar e como testemunha próxima do percurso do irmão Hélder Oliveira, que competiu durante vários anos no pelotão português e disputou dez edições da Volta a Portugal.

“É uma corrida muito especial. Se calhar, uma das razões por que sou ciclista e gosto tanto de ciclismo é precisamente porque via a Volta a Portugal desde pequeno. O meu irmão correu a Volta a Portugal entre 2005 e 2015, foram dez anos. Desde pequeno que o seguia na Volta e, claro, isso cria sempre um carinho especial. Vi aquilo que ele passava, sentia também o apoio da família e era uma motivação muito grande estar com toda a gente que gostava dele”, começa por revelar.


Agora, depois de ter saído de Portugal ainda como sub-23, primeiro para a Hagens Berman Axeon e depois para a UAE Team Emirates, onde cumpre a oitava temporada, Rui Oliveira prepara-se para estrear-se na prova que marcou a sua infância.

“A Volta a Portugal tem um público incrível e acho que o ambiente não é equiparável a muita coisa. Esse é também o feedback que tenho de todos os ciclistas que já correram a Volta a Portugal. Para mim, poder agora correr a Volta numa fase da minha carreira em que estou bem, na equipa onde quero estar, e poder trazer a minha equipa comigo à Volta a Portugal, é muito especial”, destaca.

 

“O meu principal objetivo é tentar ganhar uma etapa”

 

A estreia de Rui Oliveira na Volta a Portugal não será apenas simbólica. O ciclista português chega com ambição desportiva e com um objetivo muito claro.

“O meu principal objetivo é tentar ganhar uma etapa. É isso que tenho programado na minha cabeça. Acho que seria muito importante para mim, tanto em termos desportivos como pessoais.

Teria um significado especial conseguir uma vitória na Volta a Portugal, porque o meu irmão andou muitos anos a tentar consegui-la e não foi possível”, assume.


“Tenho também muitos amigos que tinham esse sonho. Vou tentar cumprir esse sonho por mim, mas também por todas as pessoas que o tentaram e por todos aqueles que gostam de mim. Será muito especial tê-los em algumas chegadas e, se puder ganhar, acho que vou deixar muitas pessoas contentes”, acrescenta.

A 87.ª Volta a Portugal apresenta um percurso renovado, com várias novidades desportivas e simbólicas. Uma delas será o desfecho da prova, com a derradeira etapa a ligar a Maia ao Porto e a terminar na Avenida dos Aliados, depois de um circuito final entre o Porto e Vila Nova de Gaia, cidade natal de Rui Oliveira.

“Já estive a ver um pouco as etapas. Obviamente, conheço praticamente todas as etapas do norte. Também conheço vários locais e chegadas das outras etapas e sei mais ou menos aquilo que posso esperar. A última etapa tem um carinho especial porque passa praticamente ao lado da minha casa, passa em Vila Nova de Gaia, passa no Porto, na minha cidade, na cidade que amo.”

“Acho que vai ser um espetáculo muito bonito nesse dia, tanto para quem estiver na estrada como para quem estiver a ver em casa, porque as imagens do Porto são lindíssimas. É um sonho. É arrepiante pensar que vamos acabar na Avenida dos Aliados, passar lá duas vezes, num domingo, em período de férias. Sei que vou ter lá muitos amigos e muita família. Quero dar o melhor de mim e, se conseguisse ganhar nesse dia, acho que seria o cumprir de um sonho.”

 

Entre amigos, o sonho de correr com Ivo e o novo rumo da Volta

 

A presença na Volta a Portugal será também uma oportunidade rara para Rui Oliveira partilhar o pelotão com vários ciclistas portugueses com quem mantém uma relação próxima, entre ex-colegas de formação, amigos e companheiros de treino quando está em Portugal.

“Tenho muita gente que me é querida e que sei que quer o meu bem. Sei que ficam genuinamente felizes por eu estar na partida da Volta a Portugal. E poder, em alguns momentos, tirar um sorriso ou uma palavra a essas pessoas é sempre especial. Se calhar muitas pessoas não entendem, mas eu passo o ano todo a falar outra língua no meio do pelotão. Há poucas corridas em que aparece um ciclista português. É por isso que adoro correr a Volta ao Algarve. Acho que vai ser muito especial ter essas pessoas presentes, correr com elas e disputar a corrida com elas. Vou ter muito orgulho nisso.”

Rui Oliveira é, para já, o nome português confirmado na UAE Team Emirates-XRG para a Volta a Portugal. Mas o ciclista não esconde que gostaria, um dia, de disputar a prova ao lado do irmão gémeo, Ivo Oliveira, também ele uma das grandes figuras do ciclismo português e colega de equipa na formação dos Emirados.

“Há muitas corridas que gostaria de disputar ao lado dele. Já tive oportunidade de fazer uma Volta a Espanha com ele, Campeonatos do Mundo de Madison, Campeonatos do Mundo de Estrada, muita coisa. Um sonho, obviamente, seria também fazer os Jogos Olímpicos juntos.”

“Quanto à Volta a Portugal, claro que gostava que um dia ele também tivesse esta oportunidade que eu vou ter. E quem sabe, juntos. Sente-se que a Volta está a tomar um novo rumo e acho que esse rumo agrada a muita gente. É um bom rumo para o ciclismo nacional e para o ciclismo internacional. Acho que tem tudo para, nos próximos anos, conseguirmos trazer novamente a nossa equipa e mais atletas portugueses.”

 

“A prova está revolucionada. Vai ser um grande espetáculo”

 

Para os adeptos que vão acompanhar a Volta na estrada, na televisão através da RTP, e nas plataformas digitais, na RTP Play e na HBO Max, Rui Oliveira deixa uma mensagem simples: “Desfrutem do ciclismo!”.

“Acho que este ano, mais do que nunca, a prova está revolucionada num sentido positivo. Temos muitos atletas portugueses e equipas portuguesas muito fortes. Não é por virem mais equipas estrangeiras que isso estraga ou abafa o ciclismo nacional, porque o ciclismo português tem muito valor.”

“Vai ser um bom equilíbrio e as pessoas podem esperar um grande espetáculo na televisão. Vamos passar por terras lindíssimas, por algumas das principais cidades de Portugal. Vamos ao Algarve, ao Alentejo, ao Douro, ao Gerês, acho que a corrida está muito bem distribuída. Vamos também a pontos principais como a Senhora da Graça e a Torre, que são míticos. Se as pessoas puderem aparecer na estrada, que apareçam. Se não puderem, que desfrutem pela televisão, porque acho que vai ser um grande espetáculo.”

A 87.ª Volta a Portugal em Bicicleta Jogos Santa Casa vai para a estrada entre 5 e 16 de agosto, num percurso com 1.388 quilómetros, que começa com um prólogo em Lisboa e termina na Avenida dos Aliados, no Porto. Ao longo de 12 dias, a corrida atravessará 71 municípios, contará com um contrarrelógio individual, uma passagem por Espanha e duas chegadas míticas em altitude, na Torre e no Alto da Senhora da Graça.

Mais informações em https://avoltaportugal.com/

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

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