sexta-feira, 6 de março de 2026

“Quem sabe se o deixa vencer” - Especialista espanhol sugere que Tadej Pogacar pode oferecer a vitória na Strade Bianche a Isaac del Toro”


Por: Letícia Martins

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A temporada de ciclismo começa verdadeiramente a ganhar fogo com a chegada de uma das corridas mais aguardadas do início do calendário: Strade Bianche. A clássica italiana, disputada nas icónicas estradas de gravilha da Toscana, afirmou-se rapidamente como um dos eventos mais cativantes do ciclismo moderno.

A sua mistura de história, dureza e espetáculo leva muitos adeptos a considerá-la já uma espécie de “Monumento moderno”.

A edição de 2026 traz um enredo adicional com o muito aguardado regresso de Tadej Pogacar. O campeão do mundo esloveno volta à competição após vários meses longe das corridas, e fá-lo numa prova onde tradicionalmente tem brilhado.

No seu canal de YouTube, Javier Ares, o conhecido comentador da Eurosport, analisou a corrida, o estado atual do pelotão e as expectativas em torno do regresso de Pogacar, ao lado do colega de equipa Isaac del Toro.

 

O regresso de Pogacar em destaque

 

Grande parte da atenção antes da Strade Bianche 2026 centra-se no regresso de Pogacar à competição. O esloveno não corre desde o final da última época, quando voltou a completar uma campanha notável que reforçou o seu estatuto como um dos corredores de referência da era atual.

Ares apontou para a curiosidade em torno do líder da UAE Team Emirates - XRG após vários meses fora. “Há muita curiosidade entre os adeptos para ver se ele mantém a forma escandalosamente boa que mostrou no ano passado”, explicou o comentador, sugerindo que a longa pausa só aumentou a intriga em torno da sua primeira aparição da época.

A voz da Eurosport sublinhou ainda o estatuto extraordinário de Pogacar no ciclismo moderno. “Estamos a falar de um fenómeno de proporções galácticas que está destinado a tornar-se o imperador do mundo”, afirmou Ares, descrevendo um corredor que continua a esticar os limites do que parece possível na modalidade.

A Strade Bianche é também uma corrida que historicamente assenta como uma luva a Pogacar. “Já venceu três edições e move-se como peixe na água neste terreno”, disse Ares, deixando claro que o esloveno parte como grande favorito para voltar a dominar as estradas brancas da Toscana.

 

Um calendário mais seletivo em 2026

 

Olhando para além desta primeira grande clássica do ano, Ares considera que o programa de Pogacar para 2026 surge mais cirúrgico, focado nos maiores objetivos da modalidade. Segundo o jornalista, o esloveno reduziu o calendário inicial para chegar mais fresco às provas de maior importância.

“Se nada mudar, Pogacar fará apenas cinco clássicas além da Romandia e da Suíça”, referiu Ares, interpretando o plano como uma estratégia clara para atingir o pico nas corridas mais relevantes do calendário.

Entre os desafios que podem estar no radar de Pogacar esta época contam-se alguns dos maiores prémios de um dia. “Quer finalmente tentar bater Van der Poel em Paris-Roubaix, somar nova vitória na Volta à Flandres e continuar a ampliar a sua hegemonia na Lombardia”, explicou Ares.

O Campeonato do Mundo deverá ser também um alvo-chave.

Segundo o comentador, a lógica por detrás do calendário é simples. “Já não se pode dar ao luxo de se dispersar ou esgotar psicologicamente em batalhas a mais.”

 

Os jovens que ambicionam desafiá-lo

 

Outro tema marcante no arranque da época é perceber se a nova geração conseguirá começar a desafiar o domínio de Pogacar. Ares destacou vários talentos emergentes que procuram afirmar-se entre a elite.

“Há um interesse enorme em ver a concorrência que, na verdade, não vimos no ano passado”, disse o jornalista, sugerindo que 2026 pode trazer duelos mais equilibrados entre os maiores nomes do ciclismo.

Entre os corredores que geram particular entusiasmo está o jovem talento francês Paul Seixas. “Estamos todos muito curiosos para ver o que Seixas pode fazer”, disse Ares sobre o prospect de 19 anos. “Tem todas as qualidades para se tornar uma superestrela.”

Ainda assim, o comentador considera que o próximo passo passa por afirmar-se nos momentos decisivos. “Temos de o ver frente a frente quando é para ganhar, não apenas quando é para conseguir um bom resultado”, acrescentou, sublinhando a diferença entre promessa e confirmação ao mais alto nível.

 

O papel de Del Toro na UAE

 

Outro corredor em destaque na análise de Ares é Isaac del Toro, um dos jovens mais excitantes do pelotão e colega de Pogacar na UAE Team Emirates.

Ares apontou em particular para a exibição do mexicano no último Giro d'Italia, onde deixou forte impressão. “Já mostrou ser um corredor capaz de lutar pela vitória na geral”, disse o comentador.

Contudo, na Strade Bianche, as suas oportunidades poderão depender muito da tática da equipa. “Se for subordinado a Pogacar, as suas hipóteses de vitória serão nulas”, reconheceu Ares.

Mesmo assim, não descartou um cenário inesperado. “Pode haver uma exibição espetacular da UAE com dois ou três homens na frente”, sugeriu, chegando a admitir a possibilidade de Pogacar permitir que um colega vença em determinadas circunstâncias.

 

Outros candidatos na corrida

 

Para lá de Pogacar e da geração emergente, a corrida apresenta também vários candidatos consolidados capazes de moldar o desfecho. Entre eles está Tom Pidcock, amplamente considerado um dos ciclistas mais versáteis do pelotão.

Ares recordou a exibição do britânico na edição do ano passado. “Foi o corredor que ficou com ele até ao fim”, disse, sobre a capacidade de Pidcock para seguir Pogacar profundamente na corrida.

A análise incluiu também Wout van Aert, que regressa à competição após um período exigente.

“Não é o Van Aert de há cinco anos, todos sabemos isso”, admitiu Ares, embora tenha sublinhado de imediato que o belga continua um sério candidato. “Merece o respeito de ser considerado um dos favoritos”, acrescentou, lembrando que corridas como a Strade Bianche podem ser muitas vezes influenciadas por furos, quedas ou problemas mecânicos.

 

Uma corrida em contínuo crescimento

 

Para lá dos corredores, Ares destacou o apelo único da Strade Bianche no calendário moderno. Apesar de relativamente jovem face a muitas clássicas históricas, a prova tornou-se rapidamente um dos eventos mais aguardados do ciclismo.

“Já conta 19 anos de história e consolidou-se muito depressa no calendário”, referiu.

O percurso mantém os elementos definidores que moldam a corrida desde a sua criação. “Tem 203 quilómetros, com os setores decisivos concentrados nos últimos cinquenta quilómetros”, explicou Ares, apontando os trechos de gravilha e as rampas curtas que costumam decidir o resultado.

O final dramático em Siena acrescenta ainda mais espetáculo. “Aquela subida empedrada na Via Santa Caterina até à Piazza del Campo é um bónus fantástico quando dois ou três corredores chegam juntos”, disse.

 

Uma clássica moderna

 

Segundo Ares, a influência da Strade Bianche vai hoje muito além da própria corrida. O seu sucesso inspirou outros organizadores a introduzir setores de gravilha em várias provas.

“É uma fórmula que já está a ser copiada noutras corridas”, explicou, citando exemplos em França, Bélgica e Espanha.

Para o comentador, inovações como esta ajudam a manter a emoção no ciclismo de estrada. “Adiciona mais um ingrediente ao ciclismo de estrada.”

Com Pogacar de regresso à competição e uma nova geração ansiosa por se testar frente à figura dominante da modalidade, a Strade Bianche volta a abrir a temporada das clássicas da primavera com uma questão central no ar: descobrir “que referência têm todos esses jovens em relação ao intocável Tadej Pogacar”.

“Desde Bernard Hinault que nenhum francês domina as corridas como Paul Seixas” Fenómeno de 19 anos apontado como herdeiro do último vencedor francês do Tour”


Por: Ivan Silva

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O ciclismo francês esperou décadas por um corredor capaz de redefinir as suas ambições nas Grandes Voltas. Após uma tarde extraordinária nas colinas da Ardèche, há quem acredite que a espera pode, enfim, ter terminado.

O ex-profissional Jérôme Pineau não conteve o entusiasmo ao comentar a mais recente exibição de Paul Seixas, cuja vitória autoritária na Faun-Ardèche Classic reacendeu antigas esperanças num novo campeão francês.

Em declarações ao Super Moscato Show da RMC, Pineau foi ao ponto de situar o jovem de 19 anos num contexto histórico raramente invocado no ciclismo francês moderno.

“Desde Bernard Hinault, nenhum francês tem dominado as corridas como o Paul Seixas começa a fazer. Sobretudo com esta idade”, proclamou Pineau.

 

Uma exibição que mudou o tom da conversa

 

A dimensão do triunfo de Seixas na Ardèche explica a intensidade da reação. Atacando de forma decisiva no final, o corredor da Decathlon CMA CGM Team afastou os rivais um a um antes de cortar a meta com quase dois minutos de vantagem sobre um trio perseguidor com Jan Christen, Lenny Martinez e Matteo Jorgenson.

Para Pineau, a impressão deixada foi além das diferenças registadas na estrada.

“Acho que no sábado todos sentimos que tínhamos assistido a algo excecional e histórico”, disse. “Foi a primeira vez que estávamos realmente à espera dele e queríamos ver o que faria contra ‘os outros’, ou seja, corredores fora do patamar Pogacar, Evenepoel e Vingegaard.”

A força da start list apenas reforçou o significado da performance aos seus olhos. “Havia um vencedor da Amstel Gold Race, um bicampeão da Paris-Nice… e ele humilhou-os. Humilhou-os.”

 

Um padrão familiar em formação

 

O que mais impressionou Pineau não foi só o ataque de Seixas, mas a clareza com que o jovem francês o executou.

“Atacou como o Tadej Pogacar. Explicou a sua corrida antes e foi cristalino. Quis fazer aquilo, e fez. Os outros não tiveram hipótese. Foram encostando, um a um.”

A descrição ecoa um padrão já visível no arranque da carreira profissional de Seixas. Do pódio no Campeonato da Europa ao top 10 no Il Lombardia e ao recente segundo lugar geral na Volta ao Algarve, a trajetória tem sido sempre ascendente.

Mesmo em corridas muito além da distância de uma clássica de um dia como a Ardèche, Pineau acredita que Seixas já mostrou que consegue resistir entre os melhores.

“Dizem que é preciso vê-lo em corridas com mais de 260 quilómetros. Mas no ano passado, com apenas 18 anos e meio, o Il Lombardia teve 277 quilómetros e ele foi dos poucos que conseguiu responder ao ataque do Pogacar.”

O mesmo padrão apareceu no UCI Road World Championships em Kigali.

“No Campeonato do Mundo também foi dos únicos a tentar seguir o Pogacar”, acrescentou Pineau. “Nunca vimos isto em França. Nunca o vimos com os nossos próprios olhos no ciclismo moderno.”

 

A longa espera de França por um candidato ao Tour

 

Declarações assim conduzem inevitavelmente à pergunta que os adeptos franceses fazem desde a era de Bernard Hinault: poderá um francês voltar a vencer a Volta a França?

O triunfo de Hinault em 1985 continua a ser a última vez que um francês subiu ao topo do pódio do Tour. Vários ameaçaram intrometer-se desde então, mas nenhum dominou como o cinco vezes vencedor o fez.

Para Pineau, Seixas tem os atributos para, pelo menos, entrar nessa conversa. “Agora a questão é no que se vai tornar”, refletiu. “Mas sente-se que está confortável na sua pele, tem uma equipa muito forte, sabe o que quer e lida muito bem com a pressão.”

Essas qualidades, acredita, poderão levá-lo ao patamar mais alto da modalidade. “Vai tornar-se no que está destinado a ser: um dos melhores corredores da sua geração, atrás desses monstros.”

 

Uma nova geração a ganhar forma

 

Seixas entra num pelotão ainda moldado por figuras extraordinárias como Tadej Pogacar, Remco Evenepoel, Jonas Vingegaard e Mathieu van der Poel.

Ainda assim, Pineau acredita que a progressão de Seixas o colocará em breve firmemente nessa conversa da elite. “Muito rapidamente, vamos esperar que o Paul Seixas lute pelo pódio e depois pela vitória na Volta a França. É óbvio.”

Num país que se tornou prudente ao proclamar cedo demais o próximo grande campeão, tal confiança é invulgar. O próprio Pineau reconheceu que, em França, há relutância em abraçar previsões ousadas.

“Se ele fosse espanhol ou italiano, provavelmente já se diria ainda mais sobre ele”, afirmou.

Se as expectativas se confirmarão, resta saber. Mas, pela primeira vez em muitos anos, a conversa em torno de um candidato francês ao Tour soa diferente.

E, com apenas 19 anos, Paul Seixas já se colocou no centro dela.


“Chamaram uma ambulância porque eu tinha entrado em coma” Como Kim Le Court passou de 10% de probabilidades de sobreviver ao topo do ciclismo feminino”


Por: Ivan Silva

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A ascensão de Kim Le Court ao topo do ciclismo feminino levoua das etapas de BTT na África do Sul a vitórias nas maiores corridas da modalidade. Mas muito antes de se tornar uma das ciclistas mais reconhecidas no World Tour Feminino, a sua história quase terminou antes de começar.

A ciclista mauriciana revelou no podcast Radio Peloton que uma luta de infância contra a malária deixou os médicos a temer o pior, depois de uma série de erros de diagnóstico que permitiram à doença sair de controlo.

“Foi aí que apanhei malária”, explicou Le Court, recordando a mudança, em criança, da África do Sul para Madagáscar, que rapidamente passou de aventura a crise.

A doença acabaria por deixála a lutar pela vida.

 

Um diagnóstico que chegou 'quase tarde demais'

 

Quando Le Court regressou a França, a gravidade da doença passou inicialmente despercebida. Médicos, pouco familiarizados com a patologia tropical, julgaram que os sintomas eram muito menos sérios. “Lá, disseram que era só gripe”, recordou.

O erro revelouse crítico. Duas vezes foi mandada para casa enquanto o estado se agravava, até a situação atingir o ponto de rutura. “Já não conseguia andar. Uma ambulância teve de vir buscarme porque eu tinha entrado em coma.”

Só quando os médicos perceberam que tinha estado recentemente em Madagáscar surgiu o verdadeiro diagnóstico. Nessa altura, o prognóstico era sombrio. Le Court recebeu apenas dez por cento de hipóteses de sobrevivência.

A família foi forçada a prepararse para a possibilidade de que não recuperasse.

Numa última tentativa de salvar a vida, os médicos obtiveram em Madagáscar uma medicação arriscada. O tratamento não funcionava com todos, e o pai de Le Court teve de assinar uma declaração assumindo total responsabilidade antes de ser administrado. “Chamaram o meu irmão e disseramlhe que devia ir despedirse de mim”, lembrou Le Court.

 

Um momento que antecipou a futura ciclista

 

Na manhã seguinte, aconteceu o inesperado.

Depois de receber o tratamento, Le Court acordou no corredor do hospital, numa cena que, em retrospetiva, parece quase surreal. “Na manhã seguinte, acordei numa bicicleta no corredor do hospital. O que me lembro é que tinha um soro na veia, mas tinha de manter o braço esticado enquanto estava na bicicleta.”

Foi um momento que hoje soa estranhamente simbólico, tendo em conta a carreira que se seguiu.

Na altura, no entanto, a experiência marcou sobretudo a família. “Foi um período muito difícil para os meus pais e para o meu irmão. Eles lembramse de tudo. Eu ainda era jovem.”

 

De origens improváveis ao World Tour

 

O caminho de Le Court para o ciclismo profissional esteve longe de ser linear.

Nascida na África do Sul e criada em parte nas Maurícias, cresceu fora dos corredores tradicionais que alimentam o pelotão europeu. As primeiras tentativas de afirmação na Europa, a meio da última década, foram difíceis, e a carreira afastouse temporariamente da estrada.

Em alternativa, construiu reputação no BTT, onde a endurance e a técnica se tornaram marcas distintivas. O ponto de viragem chegou com a vitória na Cape Epic em 2023, uma das mais prestigiadas corridas por etapas da modalidade.

Esse sucesso ajudou a reabrir a porta do ciclismo de estrada.

Um ano depois, garantiu contrato com a AG Insurance - Soudal Team, e o impacto foi imediato. Le Court rapidamente mostrou capacidade para competir ao mais alto nível do Women’s WorldTour, somando vitórias e exibições de afirmação que elevaram o seu perfil no pelotão.

Os resultados, entretanto, consolidaram a reputação de uma das ciclistas mais entusiasmantes a surgir fora dos redutos tradicionais do ciclismo, uma atleta mauriciana capaz de desafiar as potências europeias estabelecidas.

Perspetiva após a sobrevivência

Hoje, a história que começou com uma emergência médica em criança faz parte da identidade que molda a carreira de Le Court.

O episódio deixou marcas na família, mas também serviu de lembrete de quão improvável tem sido a sua trajetória desportiva.

Agora, consegue olhar para a experiência com algum distanciamento e até humor. “Entretanto, deixei de ser picada por mosquitos.”

Para uma ciclista que um dia teve apenas dez por cento de hipóteses de sobreviver, chegar ao topo do ciclismo profissional representa um regresso que poucos poderiam imaginar.

“Axel Merckx “Entre os 18 e os 22 anos, decide-se a carreira de um ciclista”


Por: Ivan Silva

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Num ciclismo cada vez mais dominado por dados, medições fisiológicas e análise de desempenho, Axel Merckx continua a defender que as bases da modalidade permanecem surpreendentemente simples.

No estágio de pré-época da sua equipa em Itália, o belga falou sobre a formação de jovens ciclistas, a evolução do ciclismo moderno e os princípios que guiam o seu trabalho como líder da Hagens Berman Jayco, a equipa de desenvolvimento da Team Jayco AlUla.

Filho do lendário Eddy Merckx, Axel construiu uma carreira sólida no pelotão internacional, destacada por uma vitória em etapa na Volta a Itália e participações competitivas nas Clássicas e nas Grandes Voltas.

Depois de terminar a carreira, escolheu dedicar-se à formação de jovens talentos, um caminho que o levou a descobrir e orientar ciclistas que mais tarde se tornaram figuras de topo do ciclismo mundial como João Almeida, Jasper Philipsen, Tao Geoghegan Hart, entre muitos outros.

 

Estágio em Itália é como estar em família

 

Hoje, a sua equipa sub-23 é considerada uma das estruturas mais eficazes na promoção de jovens corredores. Mais do que resultados imediatos, Merckx acredita que o verdadeiro trabalho está no desenvolvimento global do atleta.

“Para mim, o lado desportivo é muito importante, mas o lado humano é ainda mais importante”, explicou ao Cyclingpro.net. “Entre os 18 e os 22 anos há um momento decisivo na carreira de um ciclista. É aí que decide se quer mesmo tornar-se profissional e se está preparado para o estilo de vida que isso exige.”

Essa filosofia também explica a escolha de Itália para o estágio de preparação da equipa. O ex-ciclista conhece bem o país, que foi igualmente base de treino durante a sua carreira profissional.

“Vim cá muitas vezes como ciclista e sentia-me sempre bem”, recorda. “Quando iniciámos a equipa sub-23, voltámos à Europa e decidimos voltar a fazer aqui os estágios. Há um ambiente muito familiar, as estradas são excelentes e, normalmente, temos boas condições meteorológicas.”

Merckx acrescenta ainda que o clima ameno da região oferece uma vantagem estratégica no arranque da temporada.

“No início do ano é até positivo que não esteja demasiado calor. Mais tarde, quando os corredores regressam ao norte para as Clássicas, onde está mais frio, a mudança de temperatura não é tão drástica. E além disso, aqui come-se bem, dorme-se bem e treina-se bem.”

 

O nível subiu de forma significativa

 

Ao longo de mais de quinze anos a trabalhar com jovens, o belga testemunhou uma transformação profunda na forma como os atletas chegam ao pelotão profissional. Segundo Merckx, essa evolução começa no escalão júnior.

“Nos últimos cinco anos, a categoria júnior praticamente atingiu o nível que a sub-23 tinha há dez anos”, explica. “Os jovens chegam muito mais preparados, mais estruturados e com uma base física já muito sólida.”

Essa evolução reflete-se também na estrutura das equipas de desenvolvimento. Quando lançou o projeto, a realidade era muito diferente da atual.

“Quando começámos, não havia nutricionistas, cozinheiros ou treinadores dedicados. Havia o diretor desportivo, um soigneur, um mecânico e os ciclistas”, recorda. “Hoje existe toda uma equipa a trabalhar em torno da performance e do desenvolvimento do atleta.”

Apesar desta profissionalização crescente, Merckx procura manter um equilíbrio entre a ciência e a dimensão humana dentro da equipa.

“A abordagem tornou-se muito mais científica, isso é inevitável”, reconhece. “Mas tentamos sempre preservar um ambiente humano dentro da equipa. No fim do dia trabalhamos com pessoas, não apenas com números.”

A parceria com a Team Jayco AlUla, criada para reforçar a ligação entre a equipa sub-23 e o World Tour, também ajudou a elevar o nível da estrutura.

“Desde o início passámos a ter acesso a um nutricionista e reforçámos parcerias com patrocinadores como a Giant”, explica. “Além disso, a Jayco ajuda-nos nas deslocações às corridas e em estágios adicionais, incluindo estágios em altitude sempre que possível.”

Para Merckx, esta colaboração tem sido benéfica para ambos os lados, sobretudo porque a sua equipa já tinha larga experiência na formação de jovens corredores.

“Hoje em dia quase todas as equipas World Tour precisam de uma equipa sub-23 associada. Não é fácil começar do zero. Para a Jayco foi positivo encontrar uma estrutura com experiência e, para nós, foi também uma oportunidade de crescer.”

 

Os segredos? Comer, dormir e treinar

 

Apesar de todas as mudanças tecnológicas e científicas no ciclismo moderno, o belga insiste que o alicerce da modalidade permanece quase o mesmo da era do pai.

“O ciclismo mudou muito e tornou-se muito mais científico”, admite. “Mas as bases continuam iguais: dormir bem, comer bem e treinar bem.”

Segundo Merckx, estes três elementos continuam a ser a pedra angular do sucesso no ciclismo profissional.

“Se fizeres bem essas três coisas, já tens cerca de 90% do que é preciso para ser um bom ciclista”, diz. “Depois, quando sobes de nível, procuras aquele um ou dois por cento extra através do equipamento, estágios em altitude ou outros pormenores.”

Na gestão da equipa, o diretor desportivo prefere evitar uma hierarquia rígida entre os ciclistas.

“Não trabalhamos com líderes fixos”, explica. “Somos uma equipa de 13 corredores, o que significa 13 oportunidades.”

Naturalmente, alguns atletas têm mais experiência ou resultados, mas Merckx prefere avaliar cada corrida individualmente.

“Em certas provas podemos apostar mais num corredor, mas gosto de dar a todos a oportunidade de lutar por um resultado quando alinham à partida.”

No plantel estão também três italianos: Riccardo Colombo, Giacomo Serangeli e Mattia Sambinello.

“O Mattia já esteve connosco no ano passado e evoluiu muito”, explica Merckx. “No primeiro ano sofreu uma queda, mas depois ficou muito mais rápido.”

Quanto aos dois novos italianos, o responsável da equipa prefere adotar uma abordagem cautelosa.

“O Riccardo e o Giacomo foram muito fortes como juniores e têm muito potencial”, diz. “Agora precisam de tempo para se adaptarem à categoria sub-23. O talento está lá, mas é preciso trabalhar e veremos como evoluem corrida após corrida.”

 

Next G é o alvo

 

Questionado sobre os principais objetivos para a época, Merckx não hesita em destacar uma corrida em particular.

“Para mim e para a equipa, a Volta a Itália Sub-23 sempre foi uma prova muito especial”, revela.

A equipa já alcançou resultados importantes neste evento, incluindo a vitória final em 2022 com Leo Hayter.

“No ano passado também ganhámos uma etapa, por isso queremos voltar a lutar por um grande resultado”, diz. “É uma corrida fantástica e esperamos estar prontos à partida e conseguir algo importante para a equipa e para o futuro dos nossos corredores.”

Para Axel Merckx, num ciclismo cada vez mais complexo e tecnológico, a missão mantém-se relativamente simples: ajudar jovens corredores a tornarem-se melhores atletas, sem esquecer que o sucesso começa sempre pelo básico.

“Zelândia: uma região UCI Bike Region moldada pelo ciclismo cotidiano e eventos de classe mundial”


Fonte: UCI

Fotos: UCI

Pedalando um Legado

 

Quando os melhores ciclistas de ciclocross do mundo chegaram a Hulst, na Holanda, para o Campeonato Mundial de Ciclocrosse UCI Rabobank 2026 onde o holandês Mathieu van der Poel conquistou uma histórica oitava camisa arco-íris do Time Elite masculino eles entraram em uma província onde o ciclismo faz parte do cotidiano. O Campeonato colocou Zeeland firmemente no cenário global, mas para a província, a competição de elite é apenas uma expressão de um compromisso muito mais amplo e duradouro com o ciclismo, construído em parte por sediar múltiplas etapas da Copa do Mundo de Ciclocrosse UCI em anos anteriores.

 

Ciclismo para Pessoas e Planeta

 

Localizada no sudoeste da Holanda, a Zeeland recebeu o selo UCI Bike Region em 2025 em reconhecimento à sua infraestrutura ciclista, cultura e compromisso com a sustentabilidade. Em um país onde 27% de todas as viagens são feitas de bicicleta e o cidadão médio pedala 1.065 quilômetros por ano, Zelândia se destaca por traduzir a tradição nacional do ciclismo dos Países Baixos em ambição regional clara, investimento prático e engajamento comunitário. Uma ambição estabelecida na estratégia 'Zeeuws Toekomstbeeld Fiets 2040' (Zeeland Cycling Vision 2040), que visa aumentar o número total de quilômetros ciclados na província em 20% em relação aos níveis de 2022 até 2030, e em 40% até 2040, por meio de melhorias na segurança, acessibilidade e conexões com o transporte público.

A infraestrutura da Zeeland fornece a base para essa abordagem. Com 13.820 quilômetros de ciclovias segregadas, a província oferece uma das redes ciclísticas mais extensas da Holanda. Investimentos em "doorfietsroutes", ou rodovias cicláveis, estão melhorando a conectividade regional e a segurança, enquanto novos polos de mobilidade reúnem estacionamento seguro para bicicletas, estações de carregamento para bicicletas elétricas e acesso ao transporte público, reforçando a bicicleta como uma escolha natural para o dia a dia.


Entre 2022 e 2040, Zeeland planeja investir €34 milhões em infraestrutura ciclista e €17 milhões em estacionamento para bicicletas, além de €6 milhões dedicados a programas de treinamento e educação. Essas incluem aulas de segurança no trânsito para crianças e idosos, garantindo que as habilidades e a confiança do ciclismo sejam desenvolvidas ao longo das gerações. Parcerias com organizações como o Routebureau Zeeland apoiam o turismo ciclista, ajudando a manter e promover a extensa rede recreativa da província.

A sustentabilidade está no centro da política ciclista da Zelândia. A província visa reduzir as emissões de CO em 49% até 2030 em comparação com os níveis de 1990, com o ciclismo desempenhando um papel fundamental para alcançar essa meta. Incentivar a mudança do uso do carro para o ciclismo não só reduz as emissões, mas também contribui para comunidades mais saudáveis e habitáveis. Grandes eventos ciclistas realizados em Zelândia seguem práticas ecológicas, desde a redução de resíduos até a logística sustentável, alinhando excelência esportiva com responsabilidade ambiental.

 

Competindo Hoje, Ciclismo Amanhã

 

O Campeonato Mundial de Ciclocrosse UCI Rabobank 2026 em Hulst proporcionou uma oportunidade poderosa para dar vida a essa visão. Além da própria competição, onde sete títulos de Campeão Mundial da UCI foram entregues, os Campeonatos atuaram como um catalisador para um amplo engajamento comunitário.


Na preparação para o evento, um programa de ativação social lançado em 2025 realizou cerca de 50 atividades voltadas para o ciclismo em toda a província, envolvendo quase 10.000 pessoas e refletindo a crença da Zelândia de que grandes eventos devem deixar um legado duradouro.

O programa abrangeu uma ampla gama de iniciativas, alcançando participantes de todas as idades e habilidades desde atletas de elite até residentes em casas de repouso e pessoas com deficiência intelectual. Trabalhou com 36 escolas primárias e secundárias, ministrou 79 clínicas de ciclismo de estrada e mountain bike, e contou com um dia dedicado "Bike to Work", no qual 182 funcionários percorreram juntos 3.000 quilómetros. Outros destaques incluíram 100 quilos de peças recicladas de bicicleta sendo usadas para fazer arte, e os moradores de uma casa de repouso praticamente pedalando por cinco continentes!

Apoiadas financeiramente tanto pelo Município de Hulst quanto pela Província de Zeeland, essas iniciativas fortaleceram a reputação da Zelândia como região ciclista, ao mesmo tempo em que garantiam que os benefícios de sediar o Campeonato Mundial da UCI se estendessem muito além do fim de semana da corrida. Cafés de ciclismo, oficinas de segurança e conscientização sobre saúde contribuíram para a celebração do ciclismo como atividade social compartilhada.

Com uma população de 391.000 pessoas distribuídas em 2.933 quilómetros quadrados, Zeeland demonstra como o ciclismo pode conectar comunidades, apoiar o desenvolvimento sustentável e sediar desportos de nível mundial. Como uma Região de Ciclismo da UCI, a província mostra que eventos de elite, como o Campeonato Mundial de Ciclocrosse da UCI, não são momentos isolados, mas fazem parte de um ecossistema mais amplo onde jornadas diárias, planejamento de longo prazo e competição global seguem o mesmo caminho.

“Paris-Nice é já no próximo domingo com falha de João Almeida”


Por: José Morais

O ciclista português João Almeida não vai marcar presença na edição deste ano da Paris–Nice, que tem início no próximo domingo, depois de a equipa UAE Team Emirates ter divulgado esta sexta-feira a lista oficial de corredores convocados para a prova sem incluir o nome do atleta luso.

A ausência de Almeida surge como uma surpresa, uma vez que a corrida francesa fazia parte do plano de preparação do corredor português para o grande objetivo da temporada: o Giro d'Italia.

Segundo explicou o empresário do ciclista, João Correia, a decisão foi tomada após o atleta ter apresentado sinais de indisposição e perda de energia logo após a participação na Volta ao Algarve. Perante esse quadro, equipa e atleta optaram por privilegiar a recuperação física e evitar riscos numa fase inicial da época.

“Depois do Algarve, o João ficou bastante debilitado e sem forças. Entendeu-se que o melhor seria parar e recuperar totalmente, tendo em conta os objetivos mais importantes que tem pela frente este ano”, explicou o agente.

Apesar da ausência do português, a formação da UAE Team Emirates apresenta um bloco competitivo para a corrida francesa. A equipa contará com a presença do também português Ivo Oliveira, além dos espanhóis Igor Arrieta e Marc Soler, do francês Pavel Sivakov, do alemão Nils Politt, do belga Rune Herregodts e do norte-americano Brandon McNulty.

A edição deste ano da Paris–Nice contará ainda com algumas das principais figuras do pelotão internacional. Entre os nomes mais sonantes estão o espanhol Juan Ayuso, recente vencedor da Volta ao Algarve, agora ao serviço da Lidl–Trek, e o dinamarquês Jonas Vingegaard, líder da Team Visma–Lease a Bike e um dos grandes protagonistas do ciclismo mundial.

Conhecida como a “Corrida do Sol”, a Paris–Nice é uma das provas por etapas mais prestigiadas do calendário internacional e costuma servir de importante teste de forma para vários candidatos às grandes voltas da temporada. A ausência de João Almeida adia assim o regresso à competição do português, que deverá agora concentrar-se na recuperação e na preparação para os grandes desafios de 2026.

“Daniela Campos foi 9.ª em Eliminação no primeiro dia da Taça do Mundo de Pista em Perth”


Daniela Campos foi hoje a 9.ª classificada na prova de Eliminação da Taça do Mundo de Pista UCI, que começou esta sexta-feira em Perth, na Austrália Ocidental. A Seleção Nacional de Ciclismo de Pista está presente apenas com a corredora algarvia, após a reformulação da participação lusa inicial, devido aos constrangimentos logísticos internacionais inerentes ao conflito no Médio Oriente.

A participação da Seleção Nacional de Pista na primeira Taça das Nações está a ser marcada por inúmeros constrangimentos, desafios e obstáculos. Depois de uma longa viagem que iniciou na terça-feira rumo a Istambul, seguindo depois para Singapura, com chegada a Perth hoje, por volta do meio-dia local, Daniela Campos alinhou na prova de Eliminação, às 20h24 locais (menos oito horas em Portugal Continental).

Não bastando a dureza da viagem, as duas caixas de material que a Seleção trouxe não chegaram ao destino e foi o apoio de outras nações, como a Austrália, que valeu a Portugal, ao emprestarem uma bicicleta para a atleta lusa fazer a prova de hoje, não sendo certo que o material da Seleção Nacional chegue em tempo útil para a prova de Omnium no domingo.

“A Daniela entrou bem na prova, mas rapidamente perdeu um posicionamento inicial mais favorável para uma posição na retaguarda e na parte inferior da pista. Devido ao bloqueio das adversárias, não conseguimos recuar e ultrapassar pela direita como devíamos para progredir. Fomos eliminados mais por uma questão técnica e não tanto por falta de capacidade motora. Considero que poderíamos ter feito um resultado melhor, estava ao alcance da Daniela. Não sendo possível, temos de trabalhar melhor para procurar melhorar no domingo na prova de Omnium.”, explicou Gabriel Mendes.

O Selecionador Nacional disse ainda esperar que amanhã “chegue o nosso material para competir e restabelecermo-nos o máximo possível de todas as adversidades que estamos a encontrar na preparação e viagem para esta competição. Quero frisar, desde a primeira hora, a cooperação e ajuda da equipa da Austrália, à qual estamos muito gratos. Cedeu-nos uma bicicleta e rolos de aquecimento para que fosse possível competir hoje e fazer pontos muito importantes que não tínhamos no ranking”.

Quanto aos principais resultados de hoje, o ouro foi conquistado pela mexicana Yareli Mendoza, com a norueguesa Anita Yvonne Stenberg a garantir a medalha de prata e a atleta de Hong Kong, Sze Wing Lee, a fechar o pódio com o bronze.

No domingo, a corredora portuguesa volta à pista para disputar as quatros provas (Scratch 08h00, corrido tempo 8h43, eliminação 10h12 e corrida por pontos 11h00, em hora portuguesa) que constituem o programa do Omnium, uma das disciplinas mais exigentes e completas do programa competitivo.

Recorde-se que inicialmente Portugal tinha prevista a participação de três corredores, Daniela Campos, Diogo Narciso e Iúri Leitão. Devido ao conflito no Médio Oriente, que provocou vários cancelamentos de voos, a comitiva portuguesa viu inviabilizada a sua deslocação no passado domingo, a partir de Espanha, acabando por regressar a Portugal após sucessivas tentativas de encontrar alternativas. Com soluções tão escassas, a Federação Portuguesa de Ciclismo teve de tomar decisões e cancelou a vertente masculina, concentrando os esforços na presença de Daniela Campos visto que é na vertente feminina que a Seleção precisa de somar pontos para o ranking internacional, acompanhada pelo Selecionador Nacional, Gabriel Mendes.

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

“PARIS–NICE 2026 COM TRANSMISSÃO NO EUROSPORT E NA HBO MAX”


Por: Vasco Simões

Foto: Getty Images

A Paris–Nice regressa às estradas francesas entre 8 e 15 de março, reafirmando o seu estatuto como uma das corridas por etapas mais prestigiadas do início da temporada internacional. Conhecida como a “Corrida para o Sol”, a prova integra o calendário do UCI World Tour e percorre cerca de 1.229 quilómetros ao longo de oito etapas, ligando o norte de França à tradicional chegada na Riviera, em Nice.

A edição de 2026 arranca em Achères, nos arredores de Paris, com uma etapa inaugural em direção a Carrières-sous-Poissy. O início da corrida apresenta um perfil ondulado que poderá favorecer corredores explosivos e especialistas em clássicas, antes de um momento importante logo na primeira metade da semana com um contrarrelógio por equipas de cerca de 23,5 quilómetros, etapa que poderá começar a desenhar a classificação geral. À medida que o pelotão avança para sul, o terreno torna-se progressivamente mais exigente. A chegada em Uchon surge como um dos primeiros testes sérios para os candidatos à geral, enquanto outras jornadas onduladas rumo a Colombier-le-Vieux e Apt poderão favorecer ataques e movimentações entre os favoritos. O momento mais exigente da semana chega com a etapa de montanha que termina em Auron, subida alpina que deverá ter um papel determinante na luta pela vitória final. A corrida encerra com a tradicional etapa final nos arredores de Nice, um percurso curto e técnico com várias subidas que, ao longo dos anos, tem sido palco de ataques decisivos e possíveis reviravoltas na classificação geral.

Entre os principais protagonistas da edição de 2026 destaca-se Jonas Vingegaard, líder da Team Visma - Lease a Bike, que surge como um dos grandes favoritos apesar de esta marcar a sua estreia competitiva da temporada. O dinamarquês, duas vezes vencedor do Tour de France, terá pela frente vários adversários de peso, entre eles a dupla da Lidl-Trek formada por Juan Ayuso e Mattias Skjelmose, bem como Aleksandr Vlasov e Daniel Martínez da Red Bull–BORA–hansgrohe.

A startlist reúne ainda vários jovens talentos que poderão animar a corrida, como Oscar Onley, Kévin Vauquelin, Lenny Martinez ou Iván Romeo, num pelotão que promete uma semana intensa de competição. Ivo Oliveira da UAE Team Emirates – XRG é o único português em prova. João Almeida foi baixa de última hora. Depois de ter estado entre pré-inscritos e ter afirmado que estaria em prova, acaba por falhar a competição que arranca este domingo.

A Paris–Nice 2026 é um importante indicador de forma para a primavera do ciclismo internacional e poderá ser acompanhada em direto no Eurosport e na plataforma de streaming HBO Max, que voltam a garantir a cobertura de uma das provas mais icónicas do calendário mundial.

Fonte: Eurosport

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