sábado, 28 de março de 2020

“A Federação Portuguesa de triatlo aconselha uma dieta regular faz toda a diferença”

Siga uma dieta regular para retirar maiores benefícios

Por Joana Romão, nutricionista

No dia-a-dia não é fácil termos horários que nos permitam respeitar um plano regular de alimentação e segui-lo com facilidade. Neste caso acabamos por nos focar essencialmente em duas ou três refeições mais completas e ingerimos snacks e outros alimentos menos ponderados entre essas refeições. Neste post não falamos de escolhas alimentares (tema que a ser abordado posteriormente), mas apenas de regularidade alimentar e do seu benefício.

Mas porquê abordar este tema? Porque extraímos um benefício metabólico da previsibilidade e permitimos uma antecipação da resposta orgânica face a estímulos metabólicos que induzimos. O nosso corpo não gosta de imprevisibilidade. Assim, será essencial que o atleta siga um plano alimentar estipulado para os seus objetivos e necessidades e realize as refeições em horários regulares.

Sendo o triatlo uma modalidade cujo peso faz toda a diferença o ideal será que o atleta consiga manter, ou mesmo perder peso dependendo dos seus objetivos.

Realizar uma dieta regular irá ajudar nesse processo pois para além de ajudar na manutenção ou aumento da síntese de massa muscular, este padrão provoca, tendencialmente, uma diminuição da ingestão média espontânea (menor aporte calórico), aumenta o gasto energético pós-refeição (termogénese) e diminui a exposição à insulina após refeição. A tudo isto soma-se o benefício cardiometabólico a longo prazo.

Uma dieta irregular pode provocar uma desregulação dos mecanismos do apetite, ocorrerá uma maior tendência para o snacking e craving por alimentos pouco interessantes, situação que pode levar ao aumento da massa gorda do atleta e comprometimento da sua performance.

Apesar dos prejuízos que a atual situação de isolamento obrigatório nos apresenta, revela-se uma ótima ocasião para reestruturarmos a nossa dieta e definir novos objetivos. Criar uma rotina alimentar tanto na atual fase como após será sempre benéfico para o atleta, para a sua saúde e performance.

Os benefícios de uma dieta regular referencias:

Schoenfeld BJ, Aragon AA, Krieger JW. Effects of meal frequency on weight loss and body composition: A meta-analysis. Nutr Rev. 2015;73(2):69–82.

 Fonte: FTP

“Anaïs Moniz saiu do triatlo por falhar sonho olímpico em dose dupla”

Recuperou a serenidade na área do marketing

Por: Lusa

Foto: Fernando Ferreira

A antiga triatleta luso-francesa Anaïs Moniz sentiu-se frustrada pela ausência dos Jogos Olímpicos Pequim2008 e Londres2012, após ter sido campeã mundial e europeia em júnior, recuperando a serenidade na área do marketing.

"Vivo muito bem com a ideia de não ter ido aos Jogos, apesar de ser o objetivo de qualquer atleta de alta competição. Nada ficou por resolver e tudo isto fez de mim uma pessoa muito apaziguada com o desporto", admitiu à agência Lusa a medalha de ouro no Mundial de juniores de triatlo de 2005, que um ano antes tinha arrecadado o título continental.

Lamentando ter queimado "muitas etapas", ao cumprir apenas dois dos quatro anos na antecâmara no escalão sénior, Anaïs Moniz sentiu desde cedo o "ritmo intenso diário" da alta competição, condicionado pela "má gestão" de expectativas "de tudo e todos" e pelo "foco constante no resultado", enquanto colhia vários pódios internacionais.

"Comecei a sentir a minha própria pressão aos 16 anos e não soube geri-la. Fui campeã do mundo no meu primeiro ano de júnior e poucos esperavam isso. Dentro da minha cabeça também teria de vencer nos anos seguintes e galgar até aos Jogos", partilhou.

Sem vaga para os Jogos Olímpicos de 2008, fez um interregno no ano seguinte para concentrar esforços no ciclismo, sagrando-se vencedora da Taça de Portugal feminina e vice-campeã nacional de contrarrelógio, pouco antes de reviver "conflitos interiores" como triatleta.

"Entrei em dualidade, porque não queria treinar todos os dias e imaginava-me a trabalhar, e fiquei desgastada. Nos últimos dois anos, recorri a um psicólogo, que foi importante para o meu desenvolvimento pessoal e para me despedir bem da modalidade", salientou.

Nessa fase, em que trocou o Belenenses pelo Benfica, a atleta oriunda da cidade francesa de Besançon falhou nova viagem aos Jogos de Londres e resolveu abandonar o triatlo em 2012, em prol do curso de Marketing e Relações Públicas na Universidade Europeia.

"Fiz o 12.º ano e dediquei-me só ao triatlo. A carreira de um atleta é muito curta e há que precaver o futuro, porque ficamos sem nada quando deixamos a intensidade das provas e existiram alturas em que estive no fundo do poço sem saber por onde ir", confessou.

Diplomada desde 2016 e com a vida social reativada, na sequência de "experiências espetaculares, em sítios maravilhosos, e com outras culturas" municiadas pela carreira de atleta, a luso-francesa voltou a jogar à bola com duas épocas na defesa do Belenenses, que sucederam à passagem fugaz pelo Clube Futebol Benfica aos 15 anos.

Antes dos relvados, Anaïs Moniz teve de conhecer Portugal, onde chegou em 1998, e adaptar-se às mudanças impostas pelos negócios do pai, alimentando o "bichinho pelo desporto", criado em solo gaulês, com a entrada na natação dos 'azuis' do Restelo, apesar da oposição inicial dos treinadores pela "falta de nível".

Os títulos nas piscinas duraram cinco anos e abriram caminho à aposta firme no triatlo, seguindo as pisadas da mãe e da irmã, fomentando um "lado mais rebelde" de forma a ultrapassar "as bocas alheias", além da "desgraça" que era competir menstruada.

"Ficava muito cansada, tinha dores de cabeça e sentia-me maldisposta. Nas provas, deixava de ter período e nem conseguia andar. Tive a minha primeira menstruação aos 18, testei o corpo ao extremo e, às vezes, levava na cabeça dos treinadores sem que eles percebessem isto", apontou.

A caminho dos 31 anos, a discípula de Vanessa Fernandes é uma mulher resolvida, na medida em que adota estratégias de marketing na empresa de engenharia eletrotécnica do pai em Torres Vedras, coordena a escola de triatlo "Os Belenenses" em Lisboa e desfruta da "tranquilidade" conferida pelas provas globais de trail e swimrun.

Fonte: Record on-line