quarta-feira, 14 de outubro de 2026

“Fim de uma era: Castelli regressa ao Tour de França e recupera olLegado da camisola amarela”


Por: José Morais

A partir de 2027, o pelotão das maiores corridas do ciclismo mundial voltará a vestir uma marca histórica. A italiana Castelli foi escolhida pela ASO para fornecer as camisolas dos líderes do Tour de França, da Volta a Espanha e das restantes provas organizadas pela entidade francesa, assinalando um regresso que acontece mais de três décadas depois da sua última presença na principal corrida do calendário internacional.

A decisão marca também o fim da ligação entre a ASO e a Santini, que assumiu o fornecimento das emblemáticas camisolas entre 2022 e 2026. Com a mudança, a empresa italiana deixará de produzir as camisolas distintivas das classificações do Tour, da Vuelta e de outras competições de prestígio, como a Paris-Nice, a Volta à Catalunha, o Tour de França Femmes e o Tour Auvergne-Rhône-Alpes.

O regresso da Castelli tem um forte significado histórico. A marca do célebre escorpião esteve associada às camisolas amarelas do Tour entre 1989 e 1994, um período inesquecível da modalidade. Foi com equipamentos produzidos pela empresa italiana que Greg LeMond conquistou os seus triunfos finais na Grande Boucle e que Miguel Indurain iniciou a sua lendária série de vitórias consecutivas na prova francesa.

Apesar da alteração de fornecedor, não são esperadas mudanças radicais na imagem das camisolas das várias classificações. As transformações introduzidas nos últimos anos deverão manter-se, incluindo alguns dos detalhes gráficos que geraram debate entre adeptos e especialistas. Entre eles encontram-se as alterações visuais na camisola da montanha e os ajustes de tonalidade aplicados à camisola verde, motivados por mudanças ao nível dos patrocinadores.

A nova versão da camisola amarela desenvolvida pela Castelli será apresentada oficialmente durante a cerimónia de lançamento do percurso do Tour de France, em Paris. Já as camisolas destinadas às classificações por pontos, montanha e juventude serão reveladas numa fase posterior.

 

Giro d'Itália também prepara mudança

 

A entrada da Castelli no universo das provas da ASO coincide com uma alteração significativa noutra das grandes corridas do ciclismo mundial. Até agora responsável pelas camisolas do Giro d'Itália através da parceria com a RCS Sport, a marca italiana deverá deixar de desempenhar esse papel a partir da próxima temporada.

Para a empresa, o acordo representa um dos momentos mais importantes da sua longa história. Steve Smith, diretor global da marca, destacou o simbolismo de voltar a produzir a camisola amarela do Tour de France, considerando-a uma das maiores distinções possíveis para qualquer fabricante ligado ao ciclismo.

Também a ASO saudou o início desta nova parceria. O diretor-geral da organização, Yan Le Moënner, sublinhou que a colaboração une tradição e inovação, reforçando o compromisso de disponibilizar aos melhores ciclistas do mundo equipamentos capazes de responder aos mais elevados padrões de desempenho, conforto e qualidade.

Com esta decisão, a Castelli volta a ocupar um lugar de destaque no maior palco do ciclismo internacional, reatando uma ligação histórica com o Tour de France e abrindo um novo capítulo numa relação marcada por algumas das imagens mais marcantes da modalidade.

“Maria Martins conquista medalha de bronze na estreia de Portugal no Mundial de Pista”


A Seleção Nacional entrou da melhor forma no Campeonato do Mundo de Pista. Maria Martins foi a primeira representante portuguesa a entrar em competição, esta manhã, em Xangai, na China, e conquistou a medalha de bronze na prova feminina de scratch.

No final das 40 volta ao velódromo de Xangai, num total de 10 quilómetros, Maria Martins destacou-se num pequeno grupo de três corredores que garantiram os primeiros três lugares da prova feminina de scratch. A portuguesa conquistou a medalha de bronze, apenas atrás da neerlandesa Lorena Wiebes, que se sagrou Campeã do Mundo, e da irlandesa Lara Gillespie, que garantiu a medalha de prata.

“Estou muito feliz por esta medalha de bronze, significa muito para mim e para toda a equipa. É um enorme começo para estes Mundiais e para o nosso objetivo a longo prazo, os Jogos Olímpicos de Los Angeles. Estou muito satisfeita por começar desta forma este processo”, começa por destacar Maria Martins.

“Foi uma corrida muito tática e controlada por todas as atletas. No final, consegui ter uma boa observação e colocar-me numa boa posição, o que me permitiu discutir a corrida até ao final. Estou muito satisfeita com o terceiro lugar, que é uma grande surpresa para mim”, conclui a atleta nacional.

“Foi uma corrida fantástica da Maria Martins, sempre muito atenta aos vários fatores da corrida e muito bem em termos técnicos e táticos. Conseguimos resolver algumas situações na aproximação à fase final que nos podiam retirar da frente da competição e a Maria esteve sempre muito atenta a esses detalhes. Abordou muito bem o sprint final e conquistou a medalha de bronze com muito mérito. Está de parabéns!”, analisa Gabriel Mendes, Selecionador Nacional de Pista.

Maria Martins conquista assim a sua 15.ª medalha entre Campeonatos do Mundo e Campeonatos da Europa, nas categorias de júnior, sub-23 e elite. A portuguesa, que repetiu o feito de 2020, quando conquistou a medalha de bronze na prova de scratch do Mundial de Berlim, na Alemanha, conta também com um título europeu de scratch no seu palmarés, conquistado em 2023, em Grenchen, na Suíça.

A Seleção Nacional regressa à competição já esta quinta-feira, com Daniela Campos a disputar a prova feminina de eliminação, às 11h30 de Portugal Continental, e Diogo Narciso a prova masculina de scratch, às 12h30. As provas serão transmitidas em direto na RTP2, na Eurosport2 e na HBO Max.

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

“Afonso Eulálio conquista a China: Português assume camisola da montanha e encanta fãs em Guangxi”


Por: José Morais

Afonso Eulálio continua a dar nas vistas na Volta a Guangxi e assumiu esta quarta-feira a liderança da classificação da montanha, reforçando o protagonismo português na corrida chinesa. O corredor da Bahrain Victorious brilhou na segunda etapa, marcada por uma chegada rápida ao sprint e pela demonstração de força do jovem ciclista luso.

A jornada ligou Chongzuo a Jingxi ao longo de 179,7 quilómetros e teve na única contagem de montanha do dia um dos momentos decisivos. Eulálio foi o mais forte na ascensão de segunda categoria situada a cerca de 30 quilómetros da meta, resultado que lhe garantiu a liderança da competição dos trepadores.

Na discussão da vitória da etapa, o neerlandês Frits Biesterbos, da Picnic PostNL, mostrou-se mais veloz no sprint final, cruzando a linha de meta ao fim de 3h45m19s. O francês Paul Magnier, da Soudal Quick-Step, terminou na segunda posição, enquanto o neerlandês Olav Kooij, da Decathlon, completou o pódio do dia, todos com o mesmo registo cronómetro.

Na classificação geral, Magnier mantém a camisola de líder antes da terceira etapa, que levará o pelotão de Jingxi até Bama numa longa tirada de 212,3 quilómetros. Biesterbos ocupa o segundo lugar, a seis segundos do comandante da corrida, enquanto o australiano Sam Welsford segue na terceira posição, a dez segundos. Entre os portugueses, Rui Oliveira e Afonso Eulálio surgem a apenas 16 segundos da liderança.

Além do destaque desportivo, Eulálio revelou estar rendido ao ambiente vivido na China, especialmente ao entusiasmo dos adeptos que acompanham a prova.

“É a minha primeira experiência na China e estou a gostar muito de tudo o que tenho vivido. Subir ao pódio é sempre especial, mas ver tantos adeptos a pedirem autógrafos e a trazerem fotografias para assinar torna este momento ainda mais marcante. É uma motivação extra para continuar a lutar pelos nossos objetivos. A classificação geral continua a ser a grande meta da equipa e vamos encarar cada etapa com ambição para perceber até onde podemos chegar”, afirmou o ciclista português.

Depois de já ter deixado uma marca importante no Giro de Itália, onde terminou entre os melhores da classificação geral, Afonso Eulálio continua a afirmar-se no pelotão internacional e a alimentar a esperança de novos resultados de destaque em solo asiático.

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