Por: Ivan Silva
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A vitória de Tadej Pogacar na
Volta à Flandres já foi lida através dos resultados e da sua superioridade. O
que continua a emergir nos dias seguintes é como essa exibição se sentiu por
dentro da corrida.
Para quem estava a viver
aquele momento, nem sempre parecia uma corrida de ciclismo normal. Entre eles
estava Florian Senechal, ciclista da Alpecin-Premier Tech e companheiro de
equipa de Mathieu van der Poel, que se viu em boa posição quando a corrida começou
a dividir-se nas subidas. O que se seguiu foi algo que ele nunca tinha vivido
antes.
“Nunca vi
isto na minha vida”
Para quem foi apanhado no
momento, nem sempre pareceu uma corrida normal. Entre eles esteve Florian
Senechal, da Alpecin-Premier Tech, colega de Mathieu van der Poel, que se
encontrou bem colocado quando a prova começou a fracionar-se nas subidas. O que
se seguiu foi algo que nunca tinha vivido.
Senechal não estava agarrado à
cauda quando viu Pogacar passar. Estava bem posicionado, a rodar entre alguns
dos nomes mais fortes da corrida, e sentia controlo da situação quando o ritmo
subiu.
“Foi impressionante”, disse em
conversa com a Eurosport. “Estava bem colocado com a minha equipa. Ia na roda
do Christophe Laporte e do Remco Evenepoel, sentia-me confortável e, de
repente, vi algo a passar-me pela direita. Pensei que era uma mota e estava
pronto para gritar com o motociclista.”
O que tornou o momento ainda
mais duro não foi só a velocidade, mas o contexto. Senechal sublinhou que o
grupo já ia no limite, com corredores como Laporte e Evenepoel a manterem
posição e a rodarem forte, e mesmo assim Pogacar passou por todos a enfrentar o
vento.
“Mas não, era o Tadej a subir,
que passou a uma velocidade… Nunca vi isto na minha vida, e já vi muito na
carreira”, disse Senechal, antes de sublinhar o contraste. “Quando o vi passar
àquela velocidade, enquanto nós já íamos de bloco… À minha frente havia
corredores fortes como o Laporte e o Remco a rodarem bem, mas não estavam a
ganhar lugares. O Tadej, porém, passou por todos contra o vento, como uma mota.
Essa é a diferença.”
Um aviso
do que ainda viria
O momento aconteceu bem antes
do derradeiro Oude Kwaremont, mas já deixava antever como a corrida seria
decidida. Quando Pogacar desferiu o ataque vencedor mais tarde, primeiro
largando Wout van Aert e Remco Evenepoel e depois distanciando finalmente Mathieu
van der Poel, seguiu o mesmo padrão que Senechal tinha testemunhado: corredores
no limite e Pogacar ainda com uma marcha extra.
Foi isso que fez o ataque
final soar menos a rutura súbita e mais à expressão definitiva de algo visível
durante todo o dia.
Não foi
desmoralizador, apenas definitivo
Senechal não procurou
romantizar o episódio depois, nem o descreveu como esmagador, ao contrário de
outros no pelotão. “Não, não há comparação, é isso. É assim que é.”
Essa frase talvez capte melhor
do que qualquer proclamação o momento atual em torno de Pogacar. Em
Milan–Sanremo, já mostrara que consegue provocar separações numa corrida que
raramente as permite. Na Flandres, repetiu o padrão num terreno feito para expor
o mais forte, mas fê-lo com uma facilidade que apanhou desprevenidos até
profissionais experientes.




