quinta-feira, 23 de julho de 2026

“Pânico na UAE Team Emirates: fadiga, vírus e isolamento abalam a equipa de Pogacar na reta final do Tour”


Por: José Morais

A UAE Team Emirates vive dias de tensão na terceira semana do Tour de França. A sucessão de problemas físicos entre os principais gregários de Tadej Pogacar acendeu todos os alertas dentro da formação, que já adotou medidas de contenção para proteger o líder e manter intactas as ambições de vitória na geral.

 

Fadiga, vírus e um pelotão em alerta

 

O primeiro sinal de alarme surgiu com Adam Yates, vítima de uma forte indisposição gastrointestinal que o deixou incapaz de se alimentar corretamente. O britânico teve um dia para esquecer, chegando à meta apenas com o apoio de Tim Wellens, ambos muito atrasados em relação ao vencedor da etapa.

Segundo o diretor desportivo Mauro Gianetti, Yates apresentou melhorias de um dia para o outro, mas continua debilitado. O ciclista até iniciou a etapa seguinte usando máscara, numa tentativa de evitar qualquer contágio dentro da equipa.

“Ele está melhor, mas vazio. Não comeu ontem. Hoje vai sofrer, mas sexta e sábado deve estar perto dos 90%”, explicou Gianetti.

Com as etapas alpinas à porta, a recuperação de Yates é considerada vital para Pogacar, que depende dele e de Isaac del Toro para controlar a montanha.

 

Del Toro e outros casos levantam suspeitas

 

A situação de Yates não é isolada. Del Toro também mostrou sinais de quebra física, embora a equipa garanta que não se trata de doença. Já Wellens admitiu publicamente que também está doente:

“Tenho dor de garganta, muco… não me sinto bem. Mas mais de metade da equipa está em ótima forma.”

Além disso, Brandon McNulty ainda se recupera de um atropelamento antes do contrarrelógio, e Felix Grossschartner sofreu na queda que retirou Jonas Vingegaard da prova.

 

Quarentena dentro da equipa

 

Para evitar que o problema se espalhe, a UAE reorganizou completamente a logística:

Ciclistas isolados em quartos individuais

Separação entre atletas doentes e saudáveis no autocarro

Refeições solitárias para quem apresenta sintomas

Wellens descreveu a nova rotina:

“Os doentes comem nos quartos e sentam-se separados no autocarro.”

 

Pogacar mantém a calma e até brinca

 

O líder da prova garante que está saudável e até ironizou a situação:

“Tenho mais hipóteses de ficar doente a falar com jornalistas do que dentro da bolha da equipa.”

Mesmo assim, analistas como Johan Bruyneel alertam para sinais de fragilidade coletiva da UAE, especialmente após a etapa 17, onde vários gregários ficaram para trás.

Bruyneel também criticou a estratégia da equipa ao tentar simultaneamente lutar pela classificação geral e pela classificação por equipas:

“Se o objetivo é ganhar o Tour, tudo o resto deve ser consequência.”

 

Pogacar deve parar de esperar por Del Toro?

 

Bruyneel foi ainda mais longe ao sugerir que Pogacar está a sacrificar tempo precioso ao proteger Del Toro:

“Se Remco perceber que Pogacar abranda para esperar Del Toro, vai atacar. Isso pode prejudicar quem querem proteger.”

Com a última semana a decorrer e a equipa fragilizada, cada decisão estratégica pode ser decisiva.

“Tour França: Richard Carapaz Incendeia os Alpes e Abala o Tour: UAE em Crise e Movistar à Beira da Glória”


Por: José Morais

O equatoriano Richard Carapaz voltou a incendiar a alta montanha com uma demonstração feroz em OrcièresMerlette, conquistando a sua segunda etapa nesta edição do Tour de França e assinando um dos momentos mais vibrantes da jornada alpina. Enquanto isso, a UAE Team Emirates enfrentou um dia caótico, e a Movistar voltou a roçar a vitória com um extraordinário Raúl García Pierna.

 

O Rugido de Carapaz nos Alpes

 

Richard Carapaz não espera pela estrada perfeita ele cria a oportunidade. Num dia marcado por ataques incessantes, o líder da EF EducationEasyPost mostrou porque é um dos ciclistas mais agressivos do pelotão. Saltou para a fuga, trabalhou, respondeu a cada aceleração e, quando todos começavam a vacilar, lançou o golpe final.

A três quilómetros da meta, mudou o ritmo com a precisão de quem conhece o seu território. Ninguém conseguiu acompanhar. Nem o incansável Valentin ParetPeintre, nem Matteo Jorgenson, nem o surpreendente García Pierna, que manteve viva a esperança da Movistar até às últimas rampas.

A vitória tem sabor especial: é a primeira desde a renovação com a EF e chega após uma recuperação difícil de uma cirurgia de emergência em Quito.

 

A Fuga de Luxo

 

O dia começou elétrico entre Voiron e OrcièresMerlette. Ataques desde o quilómetro zero, equipas nervosas e um pelotão consciente de que a fuga teria destino de ouro. O grupo que vingou parecia uma lista de convidados de gala:

Matteo Jorgenson

Mads Pedersen

Egan Bernal

Valentin ParetPeintre

Raúl García Pierna

Richard Carapaz

Pedersen reforçou a liderança na classificação por pontos antes de abrandar, enquanto ParetPeintre colecionou pontos da montanha. A seleção final surgiu a 40 km da meta, com seis homens a resistirem ao desgaste.

 

Movistar: Coragem Sem Prémio

 

A Movistar voltou a mostrar ambição. Pablo Castrillo esteve ativo nos primeiros ataques, e García Pierna assumiu o protagonismo na fase decisiva. O espanhol lutou contra tudo: ritmo, altitude, favoritos e a própria exaustão. Terminou sem vitória, mas com uma exibição que o coloca definitivamente no radar dos grandes dias de montanha.

 

UAE em Apuros

 

Se na frente reinava a glória, atrás reinava a preocupação. A UAE Team Emirates viveu um pesadelo:

Brandon McNulty abandonou.

Tim Wellens correu debilitado.

Adam Yates voltou a sofrer problemas gastrointestinais.

Tadej Pogacar ficou praticamente isolado numa das zonas decisivas, apenas acompanhado por Isaac del Toro. A Red BullBORA aproveitou para aumentar a tensão, embora o líder tenha sobrevivido ao primeiro teste alpino.

 

O Dia em que Carapaz Voltou a Ser Carapaz

 

A montanha voltou a ser o palco onde o equatoriano se sente mais vivo. Atacou quando os outros hesitaram, acreditou quando os outros duvidaram e venceu quando os outros quebraram. Depois de meses difíceis, regressou ao seu habitat natural: a glória conquistada com coragem.

“Londres recebe sexta etapa do Mundial Triatlo com seis portugueses em ação”


O Campeonato do Mundo de Triatlo continua no próximo sábado, 25 de julho, em Londres, com a sexta etapa em território britânico. Portugal estará representado por seis atletas: Vasco Vilaça, Ricardo Batista, João Nuno Batista, Miguel Tiago Silva, Maria Tomé e Mariana Vargem.

A etapa de Londres disputa-se na distância sprint, na zona do ExCeL London e dos Royal Docks, num local com forte ligação ao triatlo internacional e à memória olímpica da modalidade.

Portugal chega a Londres num dos momentos mais fortes da sua história recente. Vasco Vilaça lidera o ranking mundial depois de uma época de grande consistência, marcada por duas vitórias e dois segundos lugares nas primeiras etapas disputadas. O atleta português reforçou a liderança em Hamburgo, onde voltou a subir ao pódio, e parte para Londres numa posição privilegiada na luta pelo título mundial.

Também Ricardo Batista continua entre os primeiros do Campeonato do Mundo. Depois dos pódios conquistados em Alghero e Quiberon, o triatleta português mantém-se na discussão pelos lugares cimeiros do ranking e em boa posição para garantir um lugar em Los Angeles 2028.

Na prova masculina, Portugal contará ainda com João Nuno Batista e Miguel Tiago Silva. João Nuno tem vindo a afirmar-se de forma consistente no circuito internacional e volta a alinhar ao lado de alguns dos principais protagonistas da temporada mundial. Miguel Tiago Silva regressa também ao palco da World Triathlon Championship Series, reforçando a presença portuguesa numa prova masculina que se disputa às 16h15. Estes dois triatletas têm como objectivo garantir, também, um lugar nos Jogos Olímpicos de 2028.

No setor feminino, Maria Tomé e Mariana Vargem voltam a representar Portugal numa etapa da World Triathlon Championship Series. Maria Tomé chega a Londres com experiência consolidada ao mais alto nível, enquanto Mariana Vargem regressa ao circuito depois de ter alcançado em Quiberon um dos resultados mais relevantes da sua carreira, com um lugar no top 10. A prova feminina tem início às 14h30 e o foco das atletas portuguesas é a qualificação olímpica.

Depois de Londres, o Campeonato do Mundo de Triatlo de 2026 entra na fase decisiva da temporada. Ficam ainda por disputar as etapas de Weihai, na China, a 29 de agosto, e Karlovy Vary, na República Checa, a 13 de setembro, antes da grande finalíssima em Pontevedra, Espanha, no último fim de semana de setembro.

Fonte: Federação Triatlo Portugal

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