domingo, 18 de outubro de 2026

“Jarno Widar brilha na China e rouba o protagonismo a Pidcock no Tour de Guangxi”


Por: José Morais

Jarno Widar voltou a confirmar o enorme potencial que lhe é apontado, encerrando a temporada em grande estilo com uma vitória categórica na classificação geral do Tour de Guangxi. O jovem belga da Lotto-Intermarché conquistou ainda a etapa decisiva da prova, superando Tom Pidcock na subida final e assinando um dos triunfos mais marcantes da sua carreira.

A derradeira etapa da corrida chinesa, com 165,4 quilómetros, foi palco de uma longa fuga protagonizada por Jonas Rickaert, Stan Dewulf, Laurenz Rex e Yutao Shen. O quarteto assumiu o comando da prova durante grande parte do dia, mas o pelotão manteve a situação controlada e reduziu gradualmente a vantagem dos escapados.

Entre as equipas mais empenhadas na perseguição esteve a UAE Team Emirates, que trabalhava para Jonathan Narváez. O equatoriano partia como uma das figuras em destaque graças aos segundos bonificados conquistados anteriormente, mas acabou por não corresponder às expectativas, terminando longe dos primeiros lugares da classificação final.

Com a fuga anulada, a corrida entrou na fase decisiva. A subida para Nongla, curta mas exigente, transformou-se no palco de uma intensa batalha entre os candidatos à vitória. Rémy Rochas tentou surpreender com um ataque, seguindo-se movimentações ofensivas da INEOS, através de Kévin Vauquelin e do jovem dinamarquês Peter Øxenberg. No entanto, nenhum dos ataques resistiu à reação dos favoritos.

A decisão ficou reservada para os metros finais. Quando os principais candidatos começaram a medir forças, Tom Pidcock lançou a sua ofensiva habitual, procurando fazer a diferença na zona mais inclinada da subida. Apenas Jarno Widar conseguiu responder. O belga manteve-se na roda do britânico e, já dentro dos últimos 150 metros, atacou com determinação para conquistar a vitória em solitário.

Pidcock cortou a meta seis segundos depois, enquanto Louis Barré garantiu o terceiro lugar da etapa e da classificação geral. Graças às bonificações acumuladas ao longo da semana, Widar consolidou também o triunfo absoluto na corrida, oferecendo à Lotto-Intermarché uma nova vitória final em Guangxi, depois do sucesso alcançado por Lennert Van Eetvelt na edição de 2024.

Este resultado confirma a excelente segunda metade de temporada do jovem belga. Depois de um início de ano condicionado por problemas físicos e de saúde, Widar revelou-se competitivo nas grandes montanhas do Tour de Suisse, deixou boas indicações na sua estreia na Vuelta a España e venceu ainda o prestigiado Tre Valli Varesine diante de adversários de renome como Pidcock e Matteo Jorgenson. A fechar a campanha, conseguiu também um honroso 13.º lugar na Il Lombardia.

 

No final da corrida, Widar não escondeu a emoção

 

“Sinto que ainda estou a viver um sonho. Sempre quis ser ciclista profissional, mas vencer corridas deste nível e bater alguns dos melhores corredores do mundo é algo difícil de descrever. A equipa acreditou em mim durante toda a semana e estou muito feliz por lhes retribuir com este resultado.”

Aos 20 anos, Jarno Widar continua a afirmar-se como uma das maiores promessas do ciclismo internacional. Pelo que mostrou em Guangxi, o futuro pode estar mais próximo do que muitos imaginavam.

“Brandon McNulty fecha a época em grande: Campeão do mundo brilha a solo no Veneto Classic"


Por: José Morais

Brandon McNulty encerrou a temporada de 2026 da melhor forma possível, conquistando uma impressionante vitória no Veneto Classic. O norte-americano da UAE Team Emirates-XRG atacou na fase decisiva da corrida e cruzou a meta isolado, alcançando o seu primeiro triunfo desde que veste a prestigiada camisola de campeão do mundo.

A última prova do calendário profissional levou os corredores por 157,6 quilómetros repletos de dificuldades, entre subidas exigentes e setores de gravilha, terminando em Bassano del Grappa. Desde os primeiros quilómetros, a corrida foi marcada por um ritmo elevado e por sucessivas tentativas de fuga que nunca chegaram a consolidar-se.

Apesar das inúmeras movimentações, nenhum grupo conseguiu ganhar vantagem significativa durante grande parte da jornada. Apenas a meio da corrida começou a destacar-se um conjunto de cerca de duas dezenas de corredores, onde figuravam vários dos principais favoritos, incluindo Brandon McNulty, Pavel Sivakov, Benoît Cosnefroy, Marc Hirschi, Christian Scaroni, Anthon Charmig e Filippo Baroncini.

À medida que as dificuldades do percurso iam eliminando candidatos, o grupo da frente foi ficando cada vez mais reduzido. A UAE Team Emirates-XRG assumiu um papel decisivo nas operações e endureceu a corrida nas rampas mais exigentes de La Tisa. O trabalho da equipa abriu caminho para os ataques que acabariam por decidir o vencedor.

A cerca de 50 quilómetros da meta, o dinamarquês Anthon Charmig lançou uma ofensiva que apenas McNulty conseguiu acompanhar. Os dois rapidamente construíram uma vantagem confortável sobre os perseguidores e passaram a discutir entre si a vitória final.

O momento decisivo surgiu na temida subida de Diesel Farm, um setor de mais de um quilómetro de extensão com inclinações superiores a 10%. Demonstrando a excelente forma que o levou recentemente ao título mundial, McNulty aumentou o ritmo e deixou Charmig para trás. O corredor da Uno-X ainda tentou limitar as perdas, mas nunca conseguiu voltar à roda do norte-americano.

Na frente, McNulty manteve um andamento forte e regular até à chegada, celebrando em solitário uma vitória categórica. Charmig terminou na segunda posição, a mais de um minuto, enquanto Pavel Sivakov confirmou o domínio da UAE Team Emirates-XRG ao conquistar o terceiro lugar após destacar-se do grupo perseguidor.

O resultado coroou um mês de outubro muito positivo para o novo campeão do mundo. Depois de já ter alcançado o segundo lugar na Coppa Agostini e um quinto posto em Il Lombardia, McNulty conseguiu finalmente triunfar com a camisola arco-íris, fechando a temporada com uma exibição memorável.

No final da corrida, o norte-americano não escondeu a satisfação pelo feito alcançado.

“Vencer com esta camisola é algo muito especial. Queria conquistar uma prova antes do final da temporada e esta era a última oportunidade. A equipa esteve fantástica durante todo o dia e o ataque na subida mais dura funcionou exatamente como tínhamos planeado”, afirmou.

Com a campanha de 2026 concluída, McNulty prepara agora um período de descanso antes de iniciar os estágios de preparação que marcarão o arranque da próxima temporada, onde procurará continuar a honrar as cores do título mundial.

“Remco Evenepoel fecha a época em modo dominador: Triunfo arrasador no Chrono des Nations”


Por: José Morais

Remco Evenepoel voltou a demonstrar porque é considerado uma das maiores referências mundiais do contrarrelógio. O ciclista belga encerrou a temporada de 2026 com uma exibição esmagadora no Chrono des Nations, impondo-se de forma categórica na clássica francesa e deixando toda a concorrência a uma distância impressionante.

Na derradeira prova do calendário internacional, disputada ao longo de 45 quilómetros, Evenepoel assumiu desde cedo o controlo absoluto da corrida. O campeão belga não deu qualquer hipótese aos adversários e cruzou a meta com o extraordinário tempo de 49m23,68s, correspondente a uma velocidade média superior a 54 km/h.

A superioridade foi tão evidente que o vencedor terminou com mais de dois minutos de vantagem sobre Jay Vine (EAU Team Emirates), que garantiu o segundo lugar apesar de ter sido alcançado na estrada por Evenepoel durante a prova. O pódio ficou completo com Stefan Küng (Tudor Pro Cycling), que terminou ainda mais distante do vencedor.

Depois de já ter conquistado a corrida na categoria júnior em 2018, Evenepoel acrescentou finalmente o triunfo na elite ao seu palmarés. As tentativas anteriores tinham ficado aquém do objetivo, incluindo o segundo lugar alcançado em 2023 atrás de Josh Tarling. Desta vez, porém, não houve espaço para dúvidas.

Partindo como o último corredor em competição, dois minutos depois de Jay Vine, o belga começou imediatamente a fazer diferenças. No primeiro controlo intermédio, situado aos 10,5 quilómetros, já tinha ganho dezenas de segundos aos principais rivais, deixando claro que a luta pela vitória estava praticamente decidida.

Ao longo de todo o percurso, marcado por algumas zonas onduladas, Evenepoel aumentou progressivamente a vantagem, exibindo a potência e a eficiência que o tornaram numa referência mundial da disciplina. Nenhum adversário conseguiu acompanhar o seu ritmo avassalador.

Com este resultado, o corredor belga soma a 14.ª vitória da temporada, encerrando o ano da melhor forma possível. Embora continue a assumir desafios e áreas de evolução para preparar o futuro, o desempenho demonstrado em França reforça uma certeza que poucos contestam: quando a estrada se transforma numa luta individual contra o relógio, Remco Evenepoel continua a ser o homem a bater.

A temporada termina, mas a mensagem ficou bem clara. O campeão belga despede-se de 2026 com uma demonstração de força absoluta e deixa os rivais avisados para o que poderá acontecer no próximo ano.

Ficha Técnica

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