sexta-feira, 2 de outubro de 2026

“Lake Placid coroa campeões: Taça do mundo de XCO fecha temporada com decisões ao limite e tecnologia em destaque”


Por: José Morais

A temporada de 2026 da Taça do Mundo de Cross Country Olímpico (XCO) chega ao seu capítulo final em Lake Placid, nos Estados Unidos, com vários troféus ainda por atribuir. Entre lutas pela classificação geral, ausências de peso e a crescente curiosidade em torno das bicicletas equipadas com rodas de 32 polegadas, o derradeiro fim de semana promete emoções dentro e fora dos percursos.

As corridas de Short Track (XCC) estão agendadas para sexta-feira, 2 de outubro, enquanto as decisões do XCO acontecem no sábado, 3 de outubro.

 

Rissveds e Frei levam disputa feminina até ao último dia

 

A classificação geral feminina de XCO continua em aberto e será decidida apenas em Lake Placid. A sueca Jenny Rissveds parte para a última ronda na liderança da competição com 2.045 pontos, mantendo uma vantagem de 220 pontos sobre a suíça Sina Frei, que soma 1.825.

Apesar de entrar em desvantagem, Frei atravessa um dos melhores momentos da temporada. A campeã mundial de XCO chega motivada após mais um pódio em Soldier Hollow e mantém vivas as esperanças de conquistar também a Taça do Mundo.

Entre as atletas com ambições de vencer as corridas do fim de semana surgem igualmente nomes como Martina Berta, que assinou uma impressionante dobradinha em Soldier Hollow, além de Alessandra Keller, Savilia Blunk, Gwendalyn Gibson, Laura Stigger e Samara Maxwell.

 

Luca Martin já fez história no XCO masculino

 

No setor masculino, a luta pela geral de XCO já encontrou o seu vencedor. Luca Martin assegurou antecipadamente o título da Taça do Mundo graças à vantagem construída ao longo da época e à ausência de Adrien Boichis das últimas provas norte-americanas.

O francês chega a Lake Placid com 1.819 pontos e sem qualquer pressão na classificação geral do XCO, depois de confirmar matematicamente o triunfo antes da ronda decisiva.

Contudo, a situação é diferente no XCC. Martin lidera a classificação com 1.240 pontos, mas Adrien Boichis permanece próximo, com 1.210, enquanto Mathis Azzaro continua na perseguição com 1.144 pontos, mantendo possibilidades de interferir na luta pelo título.

 

Vitórias em Soldier Hollow deixam candidatos em evidência

 

O último fim de semana competitivo trouxe vencedores que chegam reforçados à decisão da temporada.

No XCC, Samuel Gaze protagonizou uma recuperação notável e acabou por conquistar a vitória ao sprint diante de Luca Martin e Charlie Aldridge.

Já no XCO, foi o chileno Martin Vidaurre quem brilhou, lançando um ataque decisivo na volta final para alcançar o seu primeiro triunfo da temporada. Cole Punchard e Mathis Guay completaram o pódio.

Além destes nomes, corredores como Charlie Aldridge, Mathis Azzaro, Bjorn Riley, Luca Braidot, David List e Christopher Blevins são apontados como sérios candidatos aos lugares cimeiros em Lake Placid.

 

Ausências importantes marcam a ronda final

 

A última etapa da temporada será disputada sem algumas das maiores figuras do pelotão internacional.

Tom Pidcock já encerrou o seu programa de BTT para 2026, enquanto Adrien Boichis não participa nesta reta final norte-americana. Victor Koretzky continua limitado fisicamente e Jofre Cullell também ficou afastado após sofrer uma fratura na mão.

 

Estas ausências alteram naturalmente o equilíbrio competitivo, deixando espaço para novos protagonistas assumirem destaque.

 

Rodas de 32 polegadas voltam a captar atenções

 

Se dentro da pista a luta pelos títulos monopoliza as atenções, fora dela a inovação tecnológica continua a dar que falar.

Em Soldier Hollow, várias marcas apostaram em protótipos equipados com rodas de 32 polegadas, uma solução que poderá representar o próximo grande salto evolutivo no Cross Country.

SCOTT, Trek, Thömus e CUBE apresentaram diferentes projetos, com atletas como Filippo Colombo, Fabio Püntener, Amos Riley, Evie Richards e Gwendalyn Gibson a utilizarem essas bicicletas em competição.

O destaque maior acabou por pertencer a Gibson, que alcançou um pódio no XCO utilizando o protótipo da Trek.

Como as equipas permaneceram nos Estados Unidos entre as duas rondas, tudo indica que estas máquinas experimentais possam voltar a aparecer em Lake Placid, atraindo novamente a atenção dos adeptos e da indústria.

 

Mt. Van Hoevenberg recebe o capítulo final

 

O palco das decisões será o exigente circuito de Mt. Van Hoevenberg, conhecido pela velocidade elevada e pela diversidade técnica.

O traçado combina curvas inclinadas de grande velocidade, secções junto ao lago, zonas de salto e uma longa descida em plena floresta, onde os atletas encontram diferentes opções de linha.

Num percurso onde cada segundo poderá ser decisivo, a capacidade de manter velocidade nas áreas mais técnicas e escolher as trajetórias ideais poderá fazer a diferença entre conquistar um pódio ou sair de Lake Placid de mãos vazias.

Com títulos ainda em aberto, estrelas mundiais à procura de fechar a época em grande e tecnologia de ponta em observação, a última ronda da Taça do Mundo de XCO 2026 reúne todos os ingredientes para um fim de semana de elevada intensidade.

“Golpe duro para Espanha: Paula Blasi falha o europeu e deixa seleção sem uma das grandes favoritas”


Por: José Morais

A seleção espanhola feminina sofreu um duro revés na véspera do Campeonato da Europa de Estrada, na Eslovénia. A catalã Paula Blasi, apontada como uma das ciclistas com maiores hipóteses de lutar pelos lugares cimeiros, foi retirada da competição devido às consequências da queda sofrida recentemente no Campeonato do Mundo de Montreal.

A ausência da corredora representa uma perda significativa para as aspirações da equipa espanhola, que vê reduzidas as suas opções numa das provas mais exigentes do calendário internacional. Apesar dos esforços realizados nos últimos dias para recuperar a condição física, Blasi não conseguiu ultrapassar os problemas provocados pelo acidente e acabou por ser considerada inapta para alinhar à partida.

Os contratempos não ficam por aqui. A Federação Espanhola de Ciclismo confirmou igualmente as baixas de Mireia Benito e Lidia Castro, ambas afastadas por motivos de saúde, reduzindo ainda mais as alternativas disponíveis para o conjunto nacional.

Perante este cenário, a experiente Mavi García assume um papel ainda mais determinante e surge como a principal esperança espanhola para a corrida de fundo. A formação espanhola contará agora com um grupo composto por Usoa Ostolaza, Alicia González, Sara Martín e Mavi García para enfrentar a competição continental.

A prova de estrada feminina realiza-se este sábado, enquanto o contrarrelógio individual está agendado para a próxima quarta-feira, momentos que prometem colocar à prova a capacidade de reação da seleção espanhola perante uma série de ausências inesperadas.

“Euskaltel Euskadi lança ofensiva total para garantir lugar na Vuelta 2027 e aposta até nas corridas da Argélia para somar pontos”


Por: José Morais

A corrida pelos convites às grandes voltas de 2027 está longe dos holofotes, mas tornou-se uma prioridade absoluta para a Euskaltel Euskadi. A formação basca vive semanas decisivas e procura desesperadamente reforçar a sua pontuação no ranking mundial, numa tentativa de evitar ficar fora do grupo das 30 melhores equipas, condição essencial para continuar elegível para os convites das três Grandes Voltas.

Atualmente instalada no 32.º lugar da classificação internacional, a equipa espanhola enfrenta uma desvantagem de 298 pontos em relação à Picnic PostNL, que ocupa a última posição de acesso ao restrito grupo das 30 formações mais bem classificadas. Pelo meio surge ainda a chinesa Li Ning Star, uma das revelações da temporada, embora sem ambições diretas relacionadas com as Grandes Voltas.

O cenário é particularmente insólito. Apesar de poder terminar fora do top 30, a Picnic PostNL mantém o estatuto WorldTour durante o atual ciclo e continuará a ter presença garantida nas principais competições do calendário internacional. Já a Li Ning Star, por possuir uma licença continental, não reúne condições para disputar provas como o Tour, o Giro ou a Vuelta. Assim, a verdadeira pressão recai exclusivamente sobre a Euskaltel, que vê o futuro da sua presença nas maiores corridas do mundo depender de cada ponto conquistado.

 

Outubro decisivo na luta pela sobrevivência

 

Perante esta situação, a estrutura basca preparou uma autêntica maratona competitiva para as últimas semanas da temporada. O plano passa por marcar presença em várias clássicas francesas e belgas, além de competir também na Ásia, procurando maximizar todas as oportunidades disponíveis para aumentar o seu pecúlio.

Contudo, o passo mais surpreendente da estratégia leva a equipa ao norte de África. A Euskaltel decidiu incluir no calendário várias provas na Argélia, competições de categoria inferior, mas que podem revelar-se determinantes nesta reta final.

Embora estas corridas distribuam menos pontos do que os grandes eventos europeus, o nível competitivo tende a ser mais acessível, aumentando significativamente as probabilidades de bons resultados. Cada vitória, cada lugar no pódio e cada classificação de destaque podem representar um avanço importante numa perseguição que começa a assumir contornos dramáticos.

 

Missão difícil, mas ainda ao alcance

 

A chegada de Mikel Landa para a próxima temporada reforça a ambição do projeto basco, mas antes disso a equipa precisa de assegurar que continua em posição de receber um convite para a Vuelta a España de 2027.

Com poucas provas por disputar e a margem de erro praticamente inexistente, a Euskaltel entra no mês mais importante do seu ano. Entre França, Bélgica, Hong Kong e Argélia, a formação laranja joga as últimas cartadas de uma batalha silenciosa que poderá decidir o seu futuro nas maiores corridas do ciclismo mundial.

A questão permanece em aberto: conseguirá a Euskaltel completar a recuperação e conquistar o lugar que lhe permita sonhar com a Vuelta 2027? O relógio corre contra os bascos, mas a luta está longe de terminada.

Ficha Técnica

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