Por: José Morais
Julian Alaphilippe decidiu pôr
fim, de forma imediata, à sua carreira no ciclismo profissional. O Tour de
France de 2026, onde alinhou pela oitava vez, tornou‑se o derradeiro palco de um
dos corredores mais marcantes da última década. A notícia, avançada por
L’Équipe e Wielerflits, confirma aquilo que o francês já deixara transparecer
na etapa rainha: a chama estava a apagar‑se.
O adeus
anunciado nas montanhas
Na mítica etapa 20, exausto e
emocionalmente esgotado, Alaphilippe admitiu que já não via futuro na alta
competição. O francês de 34 anos confessou que o prazer de correr desaparecera
e que o ciclismo moderno já não o representava.
“Só quero segurar o meu filho
nos braços”, disse, num desabafo que soou a despedida. “Talvez tenha sido a
minha última corrida. Aproveitei tudo o que pude.”
A temporada já mostrava sinais
de declínio: duas tentativas de fuga no Tour sem sucesso, dificuldades
evidentes nas subidas e apenas um resultado relevante o quinto lugar no GP
Gippingen. Provas que outrora dominava, como a Amstel Gold Race ou a Flèche Wallonne,
tornaram‑se impossíveis de concluir.
Contrato
até 2027, carreira até 2026
Apesar de ter renovado com a
Tudor até 2027, Alaphilippe optou por não cumprir o último ano de contrato.
Fontes próximas garantem que não voltará a competir em 2026, e a equipa suíça
mantém silêncio absoluto. A sua presença nas clássicas canadenses, anunciada
recentemente, foi cancelada.
Um
palmarés que marcou uma era
O francês deixa o pelotão com
um legado que poucos conseguem igualar:
Bicampeão mundial (2020 e
2021)
Milão–Sanremo 2019
Flèche
Wallonne (2018, 2019, 2021)
Strade
Bianche 2019
Clássica
de San Sebastián 2019
GP Québec 2025
Seis vitórias no Tour de
France, onde vestiu a amarela durante grande parte da edição de 2019
Alaphilippe foi, durante anos,
sinónimo de espetáculo: ataques explosivos, descidas arriscadas, vitórias
emocionantes e uma personalidade que conquistou adeptos em todo o mundo.
Fim de
carreira, início de outra vida
O francês sai sem drama, mas
com sinceridade. Sai porque já não sente o ciclismo como antes. Sai porque a
vida fora da bicicleta o chama. Sai porque, às vezes, o maior ato de coragem é
saber parar.


