sexta-feira, 3 de abril de 2026

“Rodrigo Jesus vence o contrarrelógio, mas Jop Biggelaar continua na liderança da Volta ao Concelho de Loulé de Juniores”


Fotos: Diogo Costa / Câmara Municipal de Loulé

Rodrigo Jesus (Academia Efapel de Ciclismo) foi o mais rápido esta manhã, ao concluir o contrarrelógio individual da XXXI Volta ao Concelho de Loulé de Juniores com o melhor tempo. O atual Campeão Nacional Sub?19 na especialidade completou os 11,6 quilómetros do percurso em 12m59s, confirmando a melhor prestação do dia no exercício individual contra o cronómetro. Contudo, Jop Biggelaar (Hagens Berman | Jayco) conseguiu conservar a Camisola Amarela, mantendo a liderança da prova.

A XXXI Volta ao Concelho de Loulé prosseguiu na manhã desta sexta-feira com a segunda etapa, um contrarrelógio individual disputado nas ruas de Loulé, ao longo de 11,6 quilómetros. Tratou-se de um exercício de grande exigência física e técnica, onde cada segundo assumia importância decisiva nas contas da classificação geral.


Depois de uma primeira etapa marcada pela dureza do trajeto entre Alte e Loulé, os corredores enfrentaram um esforço individual num setor rápido, onde a gestão do ritmo e a leitura do percurso poderiam fazer diferenças importantes entre os principais candidatos à vitória da geral.

Depois de ontem vestir a Camisola Amarela no final da etapa inaugural, Jop Biggelaar partia para este crono como primeiro líder da classificação geral, com 32 segundos de vantagem sobre Rodrigo Garcia (Picusa Academy) e 34 sobre Tomás Chehebar (Team Polti | Visit Malta | Fundación Contador), tendo pela frente a missão de defender a margem conquistada na véspera.

À medida que os últimos homens da geral foram entrando em prova, aumentava também a expectativa em torno da definição da etapa e da eventual reconfiguração da classificação geral individual.


No final, a vitória da segunda etapa sorriu ao atual Campeão Nacional de contrarrelógio, Rodrigo Jesus, com Yoav Lewin (Picusa Academy) a terminar em segundo lugar, a 8 segundos, enquanto Dean Woolley (Hagens Berman | Jayco) fechou o pódio, a 9 segundos do vencedor.

Nas contas da geral, este contrarrelógio individual trouxe alterações nas primeiras posições, embora Jop Biggelaar tenha conseguido segurar a liderança, mas com apenas 8 segundos de vantagem sobre Rodrigo Garcia. Já Rodrigo Jesus ascendeu à terceira posição, a 10 segundos do líder, entrando na discussão pela vitória final.

Nas classificações secundárias, Jop Biggelaar continua líder dos pontos e da juventude e Tomás Chehebar conserva a liderança da montanha. Coletivamente, continua a comandar a Hagens Berman | Jayco.

A competição continua esta tarde de sexta-feira, com a terceira etapa, um setor que vai ligar Almancil ao Alto do Malhão, ao longo de 76,6 quilómetros. A tirada vespertina vai voltar a colocar à prova os principais candidatos à geral até à derradeira subida final.

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

“Ainda é cedo para dizer quando poderá voltar” - Lesão de Tom Pidcock, após queda na Catalunha, pode ser mais grave do que parecia”


Por: Miguel Marques

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O aparatoso despiste de Tom Pidcock numa ravina na Volta à Catalunha ganhou novo enquadramento nos dias seguintes, com a sua equipa a confirmar que continua sem horizonte claro para o regresso, já que a extensão total das lesões permanece incerta.

O britânico descreveu-se inicialmente como “muito sortudo” após falhar uma trajetória em descida, sair da estrada e desaparecer de vista, antes de conseguir regressar e concluir a etapa. Na altura, a preocupação imediata era apenas ter evitado ferimentos graves. Esse quadro, entretanto, mudou.

Embora Pidcock tenha conseguido continuar na 5ª etapa, exames posteriores revelaram danos no joelho direito, com a recuperação ainda numa fase inicial e necessidade de nova avaliação antes de conclusões firmes.

Em declarações ao Domestique, o manager da Pinarello Q36.5 Pro Cycling Team, Doug Ryder, sublinhou a incerteza do cenário. “Neste momento não há qualquer ideia ou entendimento claro de quando ele voltará à bicicleta ou à competição”, disse Ryder.

Para já, o foco não é a data de regresso, mas a redução da inflamação, que ainda impede a avaliação completa da lesão. “Estamos apenas a tentar drenar o joelho e baixar o inchaço e tudo isso, por isso temos de esperar”, explicou. “À medida que o inchaço diminuir, podemos começar a usar as TAC para perceber melhor os detalhes”.

De ‘escapou por pouco’ a recuperação incerta

O contraste com o imediato pós-queda é evidente. Pidcock conseguiu voltar a montar, trocar de bicicleta e chegar à meta apesar da gravidade da queda, que o deixou fora da estrada e fora de vista, recorrendo ao rádio para indicar à equipa onde estava.

Agora, porém, ganham relevo as implicações a médio prazo. “Houve algum trauma ali, mas tudo depende de como ele reage, por isso teremos de esperar para ver”, acrescentou Ryder. “Preferimos ser um pouco mais cautelosos”.

Essa cautela deixa o seu calendário imediato em aberto, com as Clássicas das Ardenas no horizonte, mas sem garantia de que estará apto. “É demasiado cedo para dizer”, afirmou Ryder. “Preparámo-nos para ambos os cenários, mas é demasiado cedo para dizer quando poderá voltar”.

Para lá do caso individual de Pidcock, a queda voltou a centrar atenções na segurança dos corredores. Depois de sair da estrada e cair numa ravina, ficou fora do campo de visão do comboio da corrida, com o carro da sua equipa a mais de um quilómetro de distância.

“O nosso carro estava 1,2 km mais à frente, o que é um indicador de que todos temos de fazer melhor, coletivamente”, disse Ryder, apontando para as discussões em curso sobre o eventual uso de rastreio por GPS.

Para já, a prioridade imediata continua a ser a recuperação, com a data de regresso de Pidcock ainda indefinida após uma queda que inicialmente pareceu um feliz escape, mas evoluiu para uma situação mais incerta.

“Isso dá-me muita liberdade ao entrar na Volta à Flandres”: Kopecky confiante e Vollering com fome para domingo”


Por: Miguel Marques

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A Volta à Flandres feminina de domingo perfila-se como uma das edições mais abertas dos últimos anos, com um pelotão profundo e talentoso pronto para lutar nas estradas flamengas. No centro de tudo, como tantas vezes, estão Lotte Kopecky e Demi Vollering, duas ciclistas que conhecem como poucas os pontos fortes uma da outra e que chegam em excelente forma.

 

Kopecky: finalmente liberta

 

A primavera não foi linear para Kopecky. A belga admitiu ter colocado enorme pressão sobre si nas primeiras semanas da época, e os resultados não surgiam com a facilidade desejada. Depois veio a Nokere Koerse, e depois a Milan-Sanremo, e de repente tudo mudou.

“No início estava a lutar, não sei bem porquê. Mas vencer a Nokere Koerse e Sanremo tirou-me muito da pressão que eu própria me coloquei, porque eu quero mesmo é ganhar corridas. Na minha cabeça dá-me muita liberdade para entrar na Volta à Flandres”, disse à Domestique.

Questionada diretamente sobre como a sua forma compara com a de há doze meses, a resposta foi inequívoca. “Estou exatamente no nível em que quero estar. Normalmente isso deve chegar para ganhar clássicas”, afirmou Kopecky. Rapidamente reconheceu também que o pelotão feminino nunca foi tão profundo, apontando a FDJ United-Suez, a UAE Team ADQ e a Visma–Lease a Bike como equipas que elevaram a fasquia, e enumerando uma lista de verdadeiras candidatas, incluindo Demi Vollering, Marianne Vos, Pauline Ferrand-Prevot, Katarzyna Niewiadoma e Lorena Wiebes.

Mas não tenciona deixar que isso mude a sua mentalidade. “Não preciso de me ver como a principal favorita. Conheço as minhas qualidades, conheço a minha forma, e isso basta. Não vai influenciar a minha corrida”.

No plano tático, Kopecky sabe que anos a enfrentar as mesmas rivais têm dois lados. “Sabemos, em certos momentos, como elas pensam. Mas também ao contrário, elas conhecem os meus pontos fortes, sabem como penso em corrida”.

A sua abordagem no dia passará pelo instinto. “Pode-se estar muito forte, mas se se gasta energia nos momentos errados, ela vai-se. Às vezes estamos muito entusiasmadas, queremos ir já, mas temos de nos manter calmas”.

E se sair sem a quarta vitória na Ronde? “Sim, ficaria desiludida. Treino para ganhar corridas. Percebo que ganhar duas clássicas na mesma época é muito difícil, e estou feliz por já ter vencido Sanremo. Mas, claro, ficaria desiludida”.

Vollering: finalmente a liderar a sua própria corrida

Demi Vollering falhou a Volta à Flandres em 2025, mas regressa no domingo e falou, após o segundo lugar na Dwars door Vlaanderen, sobre a forma como encara a corrida. “É sempre bom ter confirmação, sentir as pernas e ver as outras a sofrer”, disse após esse resultado, alcançado depois de várias semanas de treino sem competir.

O que torna esta edição particularmente interessante para Vollering é o contexto. Nas suas participações anteriores na Ronde, correu consistentemente ao serviço de colegas mais fortes, como Kopecky, Chantal van den Broek-Blaak e Anna van der Breggen. “No passado corri sempre para as minhas colegas na Volta à Flandres. Tive sempre companheiras muito fortes nessa corrida que podiam fazer um pouco melhor do que eu”, admitiu sem rodeios.

Isso já não se aplica. Vollering chega a domingo como líder indiscutível da sua equipa, e a curiosidade sobre o que pode fazer nesse papel é genuína, inclusive a sua. “Estou muito curiosa para ver como será no domingo. Encaro-o com grande confiança. Estou pronta”. Após cinco tentativas e ainda sem vitória, este pode ser o ano em que finalmente descobre a resposta.

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