Por: Miguel Marques
Em parceria com: https://ciclismoatual.com
Pode visualizar este artigo
em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/ha-dez-anos-era-70-por-cento-trabalho-e-30-por-cento-diversao-agora-e-100-por-cento-trabalho-damiano-caruso-deixa-um-veredito-sem-rodeios-sobre-o-ciclismo-atual
À medida que se aproxima do
capítulo final de uma carreira que se prolonga há quase duas décadas no pelotão
profissional, Damiano Caruso acredita que a natureza do ciclismo mudou
profundamente.
O veterano italiano, que se
vai retirar no final da época, falou durante o Paris-Nice sobre a transformação
que presenciou ao longo dos seus anos na modalidade. As corridas tornaram-se
mais rápidas, a preparação mais precisa e as margens para vencer mais pequenas
do que nunca.
Mas, para Caruso, a maior
mudança é o quanto o ciclismo passou a ocupar a vida de um corredor. “Há dez
anos era 70 por cento trabalho e 30 por cento diversão. Agora é 100 por cento
trabalho. É só trabalho. Já não encontro qualquer elemento lúdico nisso”, disse
Caruso em declarações citadas pela TV2.
Ao longo da sua carreira, o
ciclismo entrou a fundo na era dos planos de treino estruturados, estágios em
altitude e monitorização constante do rendimento. Os ganhos em velocidade e
consistência no pelotão são evidentes, mas as exigências sobre os corredores
cresceram na mesma medida.
Caruso admite que manter o
mesmo nível de motivação neste ambiente torna-se mais difícil com o tempo. “Se
ainda o quiseres fazer e ainda tirares prazer do teu trabalho, podes continuar.
Fica cada vez mais difícil ano após ano, mas não sei se é possível evitar o
burnout a certa altura. É difícil responder”.
Uma nova
geração sob a mesma pressão
Enquanto Caruso recua no tempo
para perceber como o desporto evoluiu, os mais jovens que entram no WorldTour
já navegam essas mesmas expectativas.
Entre eles está Oscar
Chamberlain, da Decathlon CMA CGM Team, que fez 21 anos no início do ano e
começa a construir a carreira ao mais alto nível. “É, sem dúvida, uma
realidade, e é algo que se vê no WorldTour. Os ciclistas que chegam são cada
vez mais novos e, acho, as carreiras acabam cada vez mais cedo”, analisou
Chamberlain.
O australiano considera
crucial gerir essas pressões para garantir a longevidade dos jovens
profissionais que entram no pelotão. “É importante que os mais novos tenham
calma e não se precipitem, porque ainda somos jovens e temos muito tempo”.
Em conjunto, as reflexões de
um dos corredores mais experientes do pelotão e de um dos mais jovens
evidenciam como o panorama do ciclismo profissional continua a evoluir, e como
atletas de diferentes gerações estão a aprender a adaptar-se às exigências do
desporto moderno.

Sem comentários:
Enviar um comentário