Por: Miguel Marques
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Com a expetativa a crescer
antes da 117ª edição da Milan-Sanremo, Eddy Merckx acredita que Tadej Pogacar
pode finalmente ter a oportunidade de vencer o Monumento que lhe tem escapado.
Mas o sete vezes vencedor da La Classicissima deixou também um aviso claro: se
Mathieu van der Poel sobreviver às subidas decisivas e chegar à meta ao lado do
campeão do mundo, o equilíbrio pode mudar rapidamente.
“Para o Pogacar pode ser o
momento certo, se atacar no momento certo”, disse Merckx em conversa com a
Gazzetta dello Sport.
Ainda assim, a lenda belga
apontou também ao nível do corredor que mais provavelmente lhe bloqueará o
caminho. “O Van der Poel que vimos no Tirreno-Adriatico, não só pelas duas
etapas que venceu, não será fácil de bater. Muito pelo contrário”, explica. “O
Tadej tem de o largar, porque depois de 300 quilómetros, se chegarem juntos à
Via Roma… o favorito será o Mathieu”.
O desafio
tático que Pogacar enfrenta em Sanremo
Esse dilema tem marcado as
tentativas recentes de Pogacar para vencer a Milan-Sanremo.
Ao contrário de muitos dos
Monumentos que já conquistou, a corrida para Sanremo raramente oferece terreno
que garanta uma seleção decisiva. Os momentos-chave surgem habitualmente na
Cipressa e no Poggio, onde Pogacar tem repetidamente tentado partir a corrida
nas últimas edições.
O ano passado foi o exemplo
mais claro dessa abordagem. Pogacar desferiu um ataque feroz na Cipressa e
forçou uma divisão decisiva, mas apenas Mathieu van der Poel e Filippo Ganna
conseguiram seguir com ele. Apesar de novas acelerações do esloveno no Poggio,
o trio chegou junto a Sanremo, onde Van der Poel foi o mais rápido no sprint na
Via Roma.
Merckx acredita que o Poggio
continua a ser a oportunidade mais provável para Pogacar finalmente fazer a
diferença. “No Poggio”, respondeu quando questionado sobre onde o esloveno deve
atacar. “Embora ele consiga largar toda a gente na Cipressa, no ano passado só
Van der Poel e Ganna conseguiram ficar com ele”.
Ainda assim, o sete vezes
vencedor destacou o risco associado ao estilo agressivo de correr de Pogacar.
“Ele é capaz de fazer ataques longos, mas em Sanremo a probabilidade de ser
alcançado de novo é maior”.
As condições meteorológicas
também podem ter influência. “Se houver vento forte de frente na Cipressa,
tornar-se-á muito difícil fazer a diferença. Mesmo para Tadej Pogacar”.
Merckx vê
em Pogacar uma determinação familiar
Embora Merckx evite
comparações diretas entre gerações, admitiu que a atitude competitiva de
Pogacar lhe recorda a sua própria abordagem.
“Houve dias em que venci com
grande vantagem sobre todos, como Liège em 1969 ou a etapa das Tre Cime di
Lavaredo no Giro de 1968”, explicou Merckx. “No Tadej, vejo a mesma
determinação. Mas fiquemos por aqui, porque não gosto de comparações, sobretudo
quando se comparam eras diferentes”.
Ainda assim, Merckx reconheceu
o domínio atual do esloveno na modalidade. “Que ele é o número um!” atirou ao
refletir sobre a quarta vitória de Pogacar na Strade Bianche no início deste
mês. “Mas é claro que em Sanremo, pelas características da corrida, a sua
tarefa será mais difícil”.
Ganna
continua também candidato
Embora os holofotes voltem a
incidir no duelo entre Pogacar e Van der Poel, Merckx apontou ainda outro
corredor que já mostrou poder discutir a vitória.
“Se ele foi segundo duas
vezes, significa que tem pernas para ganhar”, sublinhou Merckx sobre Filippo
Ganna, que foi por duas vezes vice-campeão na Milan-Sanremo. “Parece-me que, em
comparação com 2025, tentou adiar um pouco o momento do primeiro grande pico de
forma, já que também aponta ao Paris-Roubaix. No sábado veremos se essa escolha
compensou ou não”.
Cinquenta
anos desde o recorde de Merckx em Sanremo
A corrida deste ano tem também
um significado especial para o próprio Merckx. Assinala cinquenta anos desde a
sua sétima e última vitória na Milan-Sanremo, em 1976, um recorde que permanece
como uma das marcas mais notáveis da história do ciclismo.
O belga confirmou que voltará
a acompanhar tudo de perto. “Estarei em casa, na Bélgica, em frente à televisão
a ver”, prometeu. “Acho que nunca falhei uma”.
Se Pogacar poderá finalmente
acrescentar a Milan-Sanremo ao seu palmarés é uma das grandes questões à
entrada para a corrida deste ano. Mas, como deixou claro Merckx, se Van der
Poel ainda estiver ao seu lado quando a prova chegar à Via Roma, a vantagem poderá
voltar a sorrir ao neerlandês após quase 300 quilómetros de corrida.

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