terça-feira, 17 de março de 2026

“Em Tadej vejo a mesma determinação” - Eddy Merckx reconhece-se em Pogacar, mas avisa que Van der Poel ainda pode impedir o sonho na Milan-Sanremo”


Por: Miguel Marques

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Com a expetativa a crescer antes da 117ª edição da Milan-Sanremo, Eddy Merckx acredita que Tadej Pogacar pode finalmente ter a oportunidade de vencer o Monumento que lhe tem escapado. Mas o sete vezes vencedor da La Classicissima deixou também um aviso claro: se Mathieu van der Poel sobreviver às subidas decisivas e chegar à meta ao lado do campeão do mundo, o equilíbrio pode mudar rapidamente.

“Para o Pogacar pode ser o momento certo, se atacar no momento certo”, disse Merckx em conversa com a Gazzetta dello Sport.

Ainda assim, a lenda belga apontou também ao nível do corredor que mais provavelmente lhe bloqueará o caminho. “O Van der Poel que vimos no Tirreno-Adriatico, não só pelas duas etapas que venceu, não será fácil de bater. Muito pelo contrário”, explica. “O Tadej tem de o largar, porque depois de 300 quilómetros, se chegarem juntos à Via Roma… o favorito será o Mathieu”.

 

O desafio tático que Pogacar enfrenta em Sanremo

 

Esse dilema tem marcado as tentativas recentes de Pogacar para vencer a Milan-Sanremo.

Ao contrário de muitos dos Monumentos que já conquistou, a corrida para Sanremo raramente oferece terreno que garanta uma seleção decisiva. Os momentos-chave surgem habitualmente na Cipressa e no Poggio, onde Pogacar tem repetidamente tentado partir a corrida nas últimas edições.

O ano passado foi o exemplo mais claro dessa abordagem. Pogacar desferiu um ataque feroz na Cipressa e forçou uma divisão decisiva, mas apenas Mathieu van der Poel e Filippo Ganna conseguiram seguir com ele. Apesar de novas acelerações do esloveno no Poggio, o trio chegou junto a Sanremo, onde Van der Poel foi o mais rápido no sprint na Via Roma.

Merckx acredita que o Poggio continua a ser a oportunidade mais provável para Pogacar finalmente fazer a diferença. “No Poggio”, respondeu quando questionado sobre onde o esloveno deve atacar. “Embora ele consiga largar toda a gente na Cipressa, no ano passado só Van der Poel e Ganna conseguiram ficar com ele”.

Ainda assim, o sete vezes vencedor destacou o risco associado ao estilo agressivo de correr de Pogacar. “Ele é capaz de fazer ataques longos, mas em Sanremo a probabilidade de ser alcançado de novo é maior”.

As condições meteorológicas também podem ter influência. “Se houver vento forte de frente na Cipressa, tornar-se-á muito difícil fazer a diferença. Mesmo para Tadej Pogacar”.

 

Merckx vê em Pogacar uma determinação familiar

 

Embora Merckx evite comparações diretas entre gerações, admitiu que a atitude competitiva de Pogacar lhe recorda a sua própria abordagem.

“Houve dias em que venci com grande vantagem sobre todos, como Liège em 1969 ou a etapa das Tre Cime di Lavaredo no Giro de 1968”, explicou Merckx. “No Tadej, vejo a mesma determinação. Mas fiquemos por aqui, porque não gosto de comparações, sobretudo quando se comparam eras diferentes”.

Ainda assim, Merckx reconheceu o domínio atual do esloveno na modalidade. “Que ele é o número um!” atirou ao refletir sobre a quarta vitória de Pogacar na Strade Bianche no início deste mês. “Mas é claro que em Sanremo, pelas características da corrida, a sua tarefa será mais difícil”.

 

Ganna continua também candidato

 

Embora os holofotes voltem a incidir no duelo entre Pogacar e Van der Poel, Merckx apontou ainda outro corredor que já mostrou poder discutir a vitória.

“Se ele foi segundo duas vezes, significa que tem pernas para ganhar”, sublinhou Merckx sobre Filippo Ganna, que foi por duas vezes vice-campeão na Milan-Sanremo. “Parece-me que, em comparação com 2025, tentou adiar um pouco o momento do primeiro grande pico de forma, já que também aponta ao Paris-Roubaix. No sábado veremos se essa escolha compensou ou não”.

 

Cinquenta anos desde o recorde de Merckx em Sanremo

 

A corrida deste ano tem também um significado especial para o próprio Merckx. Assinala cinquenta anos desde a sua sétima e última vitória na Milan-Sanremo, em 1976, um recorde que permanece como uma das marcas mais notáveis da história do ciclismo.

O belga confirmou que voltará a acompanhar tudo de perto. “Estarei em casa, na Bélgica, em frente à televisão a ver”, prometeu. “Acho que nunca falhei uma”.

Se Pogacar poderá finalmente acrescentar a Milan-Sanremo ao seu palmarés é uma das grandes questões à entrada para a corrida deste ano. Mas, como deixou claro Merckx, se Van der Poel ainda estiver ao seu lado quando a prova chegar à Via Roma, a vantagem poderá voltar a sorrir ao neerlandês após quase 300 quilómetros de corrida.

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