Por: José Morais
A Strade Bianche, uma das
provas mais emblemáticas do ciclismo mundial moderno, prepara-se para a sua 20ª
edição no dia 7 de março de 2026, com novidades no percurso e expectativas
elevadas entre os favoritos do pelotão mundial.
Organizada pela RCS Sport e
integrada no UCI WorldTour, a clássica que começa e termina em Siena (região da
Toscana, Itália) viu hoje em Milão a apresentação oficial dos percursos das
edições masculina e feminina.
Percurso
Reformulado
Para
2026, os organizadores anunciaram alterações significativas no traçado:
A prova masculina terá 201 km,
com 14 setores de estradas de terra totalizando cerca de 64,1 km, menos do que
nas últimas edições em que os sectores de terra somavam cerca de 80 km.
A Strade Bianche Women também
sofreu ajuste, com 131 km de percurso e redução de dois sectores de terra, mas
mantendo um desafio físico intenso sobre o terreno ondulado da região.
O ícone da prova a chegada na
Piazza del Campo, em Siena, após a íngreme subida da Via Santa Caterina
permanece intacto, garantindo o drama final que tem caracterizado as edições
anteriores.
Estas modificações foram
pensadas numa tentativa de equilibrar ainda mais a competição, mantendo o
carácter único da corrida sem torná-la excessivamente dura ou previsível, algo
que nos últimos anos foi facilitado pelo domínio de alguns líderes.
Estrelas
e Favoritos
Entre os nomes mais aguardados
está Tadej Pogacar (UAE Emirates‑XRG),
atual campeão em título e um dos grandes protagonistas recentes da prova. O
esloveno estreia oficialmente a temporada nesta clássica e buscará um quarto
triunfo histórico, que o colocaria ainda mais no panteão da prova — após
vitórias em edições anteriores.
Outros nomes que se antecipam
no pelotão incluem ciclistas experientes em clássicas e especialistas em
percursos exigentes, reforçando a ideia de uma disputa aberta desde os
primeiros quilómetros até à chegada em Siena.
Mulheres
em Destaque
A prova feminina, parte do UCI
Women’s World Tour, também terá grande visibilidade, com muitas das melhores
corredoras do pelotão mundial à partida. A redução de sectores de terra não
diminuirá a intensidade do duelo, especialmente nas subidas técnicas que
tradicionalmente selam as classificações no final da corrida.
A
Comunidade e a Gran Fondo
O fim de semana dedicado à
Strade Bianche não se limita às provas profissionais. No dia 8 de março, tem
lugar a Gran Fondo Strade Bianche Estra, um evento amador extremamente popular
com recorde de inscritos, que percorre parte dos mesmos estradões de terra e
culmina na mesma Piazza del Campo.
Em síntese, a Strade Bianche
2026 confirma-se como um dos primeiros grandes encontros da temporada de
clássicas, combinando tradição, desafio físico e uma revolução calculada do
percurso que promete manter os fãs e os ciclistas colados à estrada desde a largada
até à linha de chegada.
Quem
Realmente Pode Quebrar o Tradicional Domínio?
A Strade Bianche sempre foi a
clássica que mistura charme e brutalidade: estradas de terra, subidas curtas,
mas traiçoeiras, e a chegada icônica na Piazza del Campo em Siena. Em 2026, com
o percurso ligeiramente mais curto e alguns setores de terra eliminados, a
corrida promete ser mais tática do que nunca, embora continue sendo um teste de
resistência pura.
Corrida
Masculina: Pogacar é Imbatível… ou Não?
Não dá para ignorar Tadej
Pogacar. O esloveno domina praticamente todas as edições recentes e, com a
estreia na temporada nesta clássica, chega mais fresco que a concorrência. Mas
é justamente a redução de setores de terra que abre espaço para surpresas:
corredores explosivos, especialistas em curtas subidas, podem tirar proveito de
uma estratégia ousada.
Se antes a corrida parecia um
palco para Pogacar brilhar sozinho, agora a vitória pode estar mais aberta.
Será que veremos um ataque decisivo a 20 km da chegada ou a velha corrida de
seleções ainda vai predominar? Entre os favoritos, nomes como Remco Evenepoel e
alguns clássicos italianos de terra prometem não deixar o pelotão respirar.
Mulheres:
Uma Disputa Que Merece Mais Holofotes
A prova feminina mantém a
essência dura e dramática da Strade Bianche. A redução de setores de terra não
diminui a intensidade, mas força as corredoras a fazer escolhas estratégicas
mais inteligentes. Aqui, a imprevisibilidade é a estrela: a vencedora não será
necessariamente a mais forte fisicamente, mas sim a mais esperta, agressiva e
calculista nos momentos certos.
O
Percurso: Menos Terra, Mais Estratégia
Retirar alguns setores de
terra talvez torne a corrida mais “politicamente correta”, mas também diminui
aquela sensação de caos que sempre encantou o público. A chegada na Piazza del
Campo continua sendo o cartão-postal que separa os ciclistas que apenas
completam a prova daqueles que realmente entram para a história.
Conclusão:
Uma Clássica Que Continua Imperdível
A Strade Bianche 2026 tem tudo
para ser um jogo de xadrez sobre rodas, onde força e estratégia se encontram.
Pode ser a última chance para alguém desafiar o reinado de Pogacar? Ou veremos
mais uma edição dominada por um gigante do pelotão? De qualquer forma, Siena
estará pronta para receber um espetáculo que mistura tradição, drama e… poeira
de terra.
No final, como sempre, a
Strade Bianche não é apenas sobre quem vence, mas sobre quem se arrisca, quem
ousa e quem conta a própria história entre as pedras da Toscana.




