Por: José Morais
De 18 a 22 de fevereiro de
2026, a 52.ª Volta ao Algarve em Bicicleta volta a colocar o sul de Portugal no
centro do ciclismo internacional. A prova, já integrada no UCI Pro Series,
promete cinco dias de intensa competição, com um percurso renovado pensado para
elevar a imprevisibilidade e a emoção desde o primeiro quilómetro.
Da origem
à consagração internacional
Criada em 1960, a Volta ao
Algarve teve as suas primeiras edições nos primórdios do ciclismo competitivo
português, com um percurso ainda embrionário e limitada projeção internacional.
Após um interregno entre 1962 e 1976, a prova voltou em 1977 e passou desde
então a disputar-se anualmente, crescendo em relevância até integrar, na década
de 2000, os Circuitos Continentais da UCI e mais tarde o UCI Pro Series,
atraindo grandes nomes do ciclismo mundial.
Ao longo dos anos, a corrida
algarvia serviu tanto como palco de estrelas emergentes desde Alberto Contador
e Remco Evenepoel até Jonas Vingegaard como de preparação para a temporada
principal do ciclismo europeu, em especial as Clássicas e Grandes Voltas.
As
novidades e alterações da edição 2026
A edição de 2026 apresenta
mudanças significativas no traçado do percurso e na dinâmica desportiva. A
prova começa pela primeira vez em Vila Real de Santo António, com 185,6 km a
Tavira e uma inovação tática: o “quilómetro de ouro”, que introduz sprints bonificados
ao longo de um curto intervalo para dinamizar desde cedo a luta pela
classificação geral.
A
organização também reforçou a seletividade da corrida
Duas etapas com chegadas em
altitude no Alto da Fóia e no emblemático Alto do Malhão prometem separar
seriamente os candidatos ao pódio.
Um contrarrelógio individual
urbano de 19,5 km em Vilamoura coloca os especialistas da disciplina em
destaque e pode ser decisivo para a classificação geral.
Além disso, a 4.ª etapa entre
Albufeira e Lagos combina velocidade com zonas expostas ao vento, testando o
controlo tático das equipas.
No total, a Volta terá 697,41
km de percurso e mais de 10 900 m de desnível acumulado, elevando o nível de
exigência face às edições anteriores.
Etapas e
características principais
Vila Real de Santo António –
Tavira (185,6 km): plano, com um final provável ao sprint e sprints bonificados
no “quilómetro de ouro”.
Portimão – Alto da Fóia (157,1
km): estreia de uma chegada montanhosa mais irregular e exigente, com categoria
elevada.
Vilamoura – Vilamoura (CRI)
(19,5 km): contrarrelógio decisivo para os candidatos à geral.
Albufeira – Lagos (182,1 km):
palco para sprinters e táticas de equipa, com possibilidade de cortes pelo
vento.
Faro – Alto do Malhão (153,1
km): última e definidora etapa com dupla ascensão à mítica subida.
As
dificuldades do vento às subidas explosivas
Os corredores enfrentarão um
mix clássico de desafios algarvios: vento lateral nas etapas costeiras, que
pode fragmentar o pelotão; subidas curtas e explosivas, como o Alto do Malhão,
cuja combinação de inclinação e repetição no circuito final é conhecida por
decidir classificações; e ainda o contrarrelógio técnico em ambiente urbano que
exige potência e concentração.
Equipas e
favoritos
A prova contará com um pelotão
de luxo, composto por 12 equipas World Tour, 3 Pro Teams e várias equipas
continentais portuguesas. Entre os nomes mais aguardados estão: UAE Team
Emirates-XRG, a melhor equipa de 2025, com presença assegurada e forte
liderança de João Almeida, que chega motivado após uma excelente temporada
anterior e já com história de pódio no Algarve.
Juan Ayuso (Lidl-Trek) surge
como um rival direto de Almeida, especialmente em terrenos mais exigentes de
montanha. Jovens como Paul Seixas (Decathlon CMA CGM) são vistos como talentos
em ascensão capazes de surpreender. Outros sprinters e clássicos de topo
reforçam a qualidade da lista de inscritos, com nomes bem posicionados nos
rankings mundiais.
A ausência de alguns
vencedores recentes, como Jonas Vingegaard, abre ainda mais o leque de
candidatos à luta pela geral e torna a corrida ainda mais imprevisível.
Resumindo
Com um percurso reinventado,
características táticas inovadoras e um pelotão de nível mundial, a Volta ao
Algarve 2026 promete ser uma das edições mais competitivas dos últimos anos um
sopro de ciclismo internacional numa região que ao longo de mais de seis
décadas tem crescido de prova regional a evento global de referência no início
da temporada ciclística europeia.

Sem comentários:
Enviar um comentário