quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

“Volta ao Algarve 2026: Uma edição renovada para desafiar os melhores do pelotão mundial”

Por: José Morais

De 18 a 22 de fevereiro de
2026, a 52.ª Volta ao Algarve em Bicicleta volta a colocar o sul de Portugal no centro do ciclismo internacional. A prova, já integrada no UCI Pro Series, promete cinco dias de intensa competição, com um percurso renovado pensado para elevar a imprevisibilidade e a emoção desde o primeiro quilómetro.

 

Da origem à consagração internacional

 

Criada em 1960, a Volta ao Algarve teve as suas primeiras edições nos primórdios do ciclismo competitivo português, com um percurso ainda embrionário e limitada projeção internacional. Após um interregno entre 1962 e 1976, a prova voltou em 1977 e passou desde então a disputar-se anualmente, crescendo em relevância até integrar, na década de 2000, os Circuitos Continentais da UCI e mais tarde o UCI Pro Series, atraindo grandes nomes do ciclismo mundial.

Ao longo dos anos, a corrida algarvia serviu tanto como palco de estrelas emergentes desde Alberto Contador e Remco Evenepoel até Jonas Vingegaard como de preparação para a temporada principal do ciclismo europeu, em especial as Clássicas e Grandes Voltas.

 

As novidades e alterações da edição 2026

 

A edição de 2026 apresenta mudanças significativas no traçado do percurso e na dinâmica desportiva. A prova começa pela primeira vez em Vila Real de Santo António, com 185,6 km a Tavira e uma inovação tática: o “quilómetro de ouro”, que introduz sprints bonificados ao longo de um curto intervalo para dinamizar desde cedo a luta pela classificação geral.

 

A organização também reforçou a seletividade da corrida

 

Duas etapas com chegadas em altitude no Alto da Fóia e no emblemático Alto do Malhão prometem separar seriamente os candidatos ao pódio.

Um contrarrelógio individual urbano de 19,5 km em Vilamoura coloca os especialistas da disciplina em destaque e pode ser decisivo para a classificação geral.

Além disso, a 4.ª etapa entre Albufeira e Lagos combina velocidade com zonas expostas ao vento, testando o controlo tático das equipas.

No total, a Volta terá 697,41 km de percurso e mais de 10 900 m de desnível acumulado, elevando o nível de exigência face às edições anteriores.

 

Etapas e características principais

 

Vila Real de Santo António – Tavira (185,6 km): plano, com um final provável ao sprint e sprints bonificados no “quilómetro de ouro”.

Portimão – Alto da Fóia (157,1 km): estreia de uma chegada montanhosa mais irregular e exigente, com categoria elevada.

Vilamoura – Vilamoura (CRI) (19,5 km): contrarrelógio decisivo para os candidatos à geral.

Albufeira – Lagos (182,1 km): palco para sprinters e táticas de equipa, com possibilidade de cortes pelo vento.

Faro – Alto do Malhão (153,1 km): última e definidora etapa com dupla ascensão à mítica subida.

 

As dificuldades do vento às subidas explosivas

 

Os corredores enfrentarão um mix clássico de desafios algarvios: vento lateral nas etapas costeiras, que pode fragmentar o pelotão; subidas curtas e explosivas, como o Alto do Malhão, cuja combinação de inclinação e repetição no circuito final é conhecida por decidir classificações; e ainda o contrarrelógio técnico em ambiente urbano que exige potência e concentração.

 

Equipas e favoritos

 

A prova contará com um pelotão de luxo, composto por 12 equipas World Tour, 3 Pro Teams e várias equipas continentais portuguesas. Entre os nomes mais aguardados estão: UAE Team Emirates-XRG, a melhor equipa de 2025, com presença assegurada e forte liderança de João Almeida, que chega motivado após uma excelente temporada anterior e já com história de pódio no Algarve.

Juan Ayuso (Lidl-Trek) surge como um rival direto de Almeida, especialmente em terrenos mais exigentes de montanha. Jovens como Paul Seixas (Decathlon CMA CGM) são vistos como talentos em ascensão capazes de surpreender. Outros sprinters e clássicos de topo reforçam a qualidade da lista de inscritos, com nomes bem posicionados nos rankings mundiais.

A ausência de alguns vencedores recentes, como Jonas Vingegaard, abre ainda mais o leque de candidatos à luta pela geral e torna a corrida ainda mais imprevisível.

 

Resumindo

 

Com um percurso reinventado, características táticas inovadoras e um pelotão de nível mundial, a Volta ao Algarve 2026 promete ser uma das edições mais competitivas dos últimos anos um sopro de ciclismo internacional numa região que ao longo de mais de seis décadas tem crescido de prova regional a evento global de referência no início da temporada ciclística europeia.

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