sábado, 22 de dezembro de 2018

“Bicicleta Tandem, Sincronia a Dois”

Por: Carlos Menezes

Foto: Cannondale / Divulgação

Uma Bicicleta Tandem é um veículo parecido com uma bicicleta mas que é operado por mais de uma pessoa. Originalmente eram construídos soldando os quadros de duas bicicletas. Atualmente melhoraram-se todos os componentes e são construídos tandens tanto de estrada como de montanha.

Como uma Tandem tem que suportar mais peso do que uma bicicleta normal, os seus componentes são mais robustos, quando bem montada, permite alcançar maiores velocidades em descidas e subidas, em curtas e longas distâncias. Em trilhos fechados, torna-se complicada a direção agressiva, necessária nas montanhas.

Objeto de curiosidade de muitos. Por onde ela passa, todos ficam de olho. Muitos dizem que não passa de duas bicicletas que foram emendadas. Mas se observarmos mais a fundo ficará fácil perceber que existe muita engenharia por trás da construção de uma bicicletas dessas.

As grandes marcas internacionais apresentam modelos com componentes de ponta. A maioria das bicicletas do Brasil são fabricadas por seus próprios usuários. Algumas marcas chegam a se arriscar em modelos básicos. Atualmente, uma boa opção nacional é a brasileira Gillot (www.gillot.com.br), que fabrica excelentes bicicletas tandem customizadas. Para quem está de fora, pedalar uma tandem pode parecer algo engraçado, diferente ou chamativo, mas para quem já controlou uma bicicleta assim sabe que a sensação é muito boa e exige extrema sintonia entre os usuários.

O jogo de corpo e a sincronia nas pedaladas precisam estar afiados. A confiança de quem vai atrás do piloto deve ser completa, afinal, todo o comando de freio e direção não estão sob seu controle. Em contrapartida, para o piloto, saber dessa responsabilidade se transforma em um peso a mais durante a pedalada. Mas o importante é que juntos podem percorrer longas distâncias somando seus esforços. Casais ao pedalar juntos podem reforçar seus laços.

Nosso primeiro contato com um tandem foi por meio de uma bicicleta de aluguel no complexo turístico do Barreiro, na cidade de Araxá-MG. Desde então, sempre ficou a vontade de ter nosso próprio tandem e iniciamos uma pesquisa por esse modelo de bicicletas. Descobrimos que no Brasil existe poucas opções no mercado, mas quando olhamos os sites “internacionais” das grandes marcas, constatamos que esse modelo é muito comum lá fora.

A bicicleta sociável

Mediante essa dificuldade, chegamos a confecionar nossa própria tandem, de uma maneira artesanal e caseira. Retirando o lado “lúdico” da construção do próprio quadro e da montagem da própria bicicleta, não recomendo fazer isso, pois, por mais redondo que fique o resultado, o projeto de engenharia é comprometido.

Essa mesma bicicleta foi sorteada durante um Passeio Ciclístico, e depois de alguns meses o ganhador nos confessou que nunca havia conseguido aprender a andar de bicicleta e que o tandem que havia ganhado no sorteio possibilitou que ele perdesse o medo de pedalar.

Surge aí, então, uma outra utilidade para esse tipo de bicicleta. Pessoas que por qualquer motivo não conseguem aprender a pedalar, podem ter a experiência com o auxílio de um piloto. Outro espeto que estimula o uso do tandem são projetos sociais com deficientes visuais, que permitem que eles desfrutem do prazer de pedalar, sentir o vento no rosto associado a uma incrível sensação de liberdade.

Mas a maior utilidade de um tandem veio recentemente. Com a gravidez da esposa, veio o receio dela cair e comprometer a gestação. Então compramos um tandem para ser utilizada durante a gravidez. Após o nascimento, apenas incluímos uma cadeirinha para que o filho pudesse pedalar connosco. Esse pedal em família é algo inexplicável. Por mais que eu discorra sobre o prazer de compartilhar o pedal com toda família, qualquer palavra seria incapaz de traduzir esse prazer. Atualmente, já preparamos a segunda cadeirinha para exercitarmos a família toda sobre as duas rodas.

Então, se você ainda não teve a oportunidade, fica a minha sugestão: experimente um tandem!

Fonte: Revista Bicicleta.com