Por: Carlos Silva
Em parceria com: https://ciclismoatual.com
A União Ciclista Internacional
(UCI) anunciou esta manhã uma alteração significativa no número de equipas
participantes nas Grandes Voltas — Volta a Itália, Volta a França e Volta a
Espanha — que passará a ser de 23 formações, em vez das habituais 22. A medida
representa uma mudança importante na política de wildcards e no equilíbrio
entre equipas World Tour e Pro Teams.
"O Comité de Direção da
UCI aprovou o pedido apresentado pelo PCC para aumentar o número de equipas que
participam nas Grandes Voltas masculinas para 23 a partir deste ano",
lê-se no comunicado oficial.
Até aqui, o modelo previa a
participação automática das 18 World Teams, acompanhadas pelas duas melhores
UCI Pro Teams da época anterior — com convite obrigatório — e duas equipas
adicionais escolhidas livremente pelos organizadores. Agora, os organizadores
passam a poder atribuir três wildcards por sua escolha, o que abre a porta a
uma maior diversidade no pelotão.
Mais
espaço para as Pro Teams
Embora as duas equipas Pro Team
mais bem classificadas possam recusar o convite, esse cenário raramente se
verifica. Assim, com mais um lugar disponível, espera-se que as corridas fiquem
mais abertas e animadas, e que o processo de escolha de wildcards se torne mais
alargado, dado o número crescente de formações de qualidade no segundo escalão
do ciclismo profissional.
No caso da Volta a Itália
2025, por exemplo, para além da habitual presença da Israel – Premier Tech e da
VF Group - Bardiani CSF - Faizanè, tudo indica que a Team Polti – VisitMalta,
bem como Tudor Pro Cycling Team e Q36.5 Pro Cycling Team, também estarão
presentes - uma realidade que até agora implicaria uma escolha difícil entre
estas últimas. A nova regra permite que todas marquem presença na Corsa Rosa,
potenciando ainda mais o espetáculo.
Uma
decisão estratégica
A UCI justifica a decisão com
a necessidade de apoiar o crescimento sustentável das UCI Pro Teams:
"Os argumentos
apresentados para aceitar esta proposta baseavam-se principalmente na
necessidade de apoiar as equipas da segunda divisão, permitindo simultaneamente
aos organizadores reforçar o alinhamento da sua corrida e dar aos ciclistas das
equipas adicionais a oportunidade de competir numa Grande Volta."
Embora se espere alguma reação
— sobretudo por parte de quem questiona o desequilíbrio orçamental entre
WorldTeams e ProTeams - a medida é, em princípio, bem recebida por quem defende
corridas mais imprevisíveis e abertas, com equipas mais pequenas a desafiarem
as estruturas dominantes.
O que
pode mudar?
Com 23 equipas no alinhamento,
cada etapa terá mais corredores, o que poderá gerar maior intensidade, mas
também mais risco em momentos técnicos, como sprints e zonas de vento. Em
contrapartida, há maior espaço para fugas bem-sucedidas, ciclistas em busca de
visibilidade e narrativas inesperadas.
No plano desportivo, esta
decisão também pode trazer nomes de peso ao Giro, como Tom Pidcock, Julian
Alaphilippe ou Marc Hirschi, cujas equipas poderiam ter ficado de fora com o
modelo anterior.
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