Por: Miguel Marques
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A 6ª etapa da Volta a Itália
oferece nova oportunidade aos sprinters para lutarem pela vitória, enquanto o
pelotão segue rumo a norte. Com final plano em Nápoles, espera-se um sprint
espetacular. Contudo, há previsão de chuva e, com a meta em paralelos, multiplicam-se
as preocupações e as críticas à organização.
A queda na 2ª etapa afetou
dezenas de corredores e deixou todas as equipas em alerta máximo. No quinto
dia, os ciclistas correram por vezes debaixo de um autêntico dilúvio,
aumentando o receio de quedas que podem condicionar a corrida para todos.
Assim, esta quinta-feira o
pelotão estará pouco confortável com um final que deverá apresentar paralelos
molhados, uma ameaça para os homens da geral, mas sobretudo para os sprinters,
obrigados a abordar a zona a alta velocidade para discutirem o resultado.
O traçado da sexta etapa foi
alterado recentemente, com a remoção de uma colina tardia, pelo que se espera
um sprint massivo puro. A chegada não será junto ao mar, como já aconteceu;
desta vez será na Piazza del Piebiscito, um dos pontos centrais de Nápoles. Mas
o problema desta escolha é evidente para muitos.
Segurança
e finais espetaculares raramente combinam
“Estão a procurar sarilhos. Já
terminámos aqui [em Nápoles] antes e, normalmente, seguia-se em frente. Era
sempre um final muito bom para os sprinters”, sublinhou o diretor desportivo da
Team Visma | Lease a Bike, Marc Reef, ao In de Leiderstrui. “Agora, primeiro
apanhamos paralelos miúdos e depois terminamos em lajes de pedra grandes”.
Está longe de ser um sprint
convencional, ainda que a ligeira subida até à meta possa reduzir velocidades e
riscos. Mas, dentro do último quilómetro, haverá uma curva de 90 graus e outra
de 180 graus, ambas em terreno plano, obrigando os sprinters a arriscar para
disputar uma vitória prestigiante.
Embora a meteorologia não
possa ser controlada, Reef considera que a mudança do local de chegada era
desnecessária. “Para mim, não é preciso estarem sempre à procura disto. Também
teriam um grande sprint de outra forma”.
Com a segurança a ser tema
central no ciclismo nos últimos anos, é difícil ignorar o final técnico em
Nápoles, onde o equilíbrio entre segurança e um cenário fotogénico é ténue.
“Acho que querem imagens bonitas da chegada naquela praça. Para mim, não é necessário.
Temos é de passar a quinta-feira em segurança, sem correr riscos. Depois
olhamos em frente”, concluiu.
