Por: José Morais
A polémica mais falada da
Volta a Portugal 2026 está relacionada com a 7.ª etapa, marcada para 13 de
agosto, que liga Vieira do Minho às Termas do Gerês e atravessa zonas do Parque
Nacional da Peneda-Gerês.
O que
aconteceu?
A organização apresentou um
percurso com uma passagem inédita pelo Gerês, incluindo a Mata da Albergaria e
uma subida final em Germil, parcialmente em calçada.
A associação ambiental ZERO
criticou o trajeto e pediu esclarecimentos públicos, alegando que a prova
atravessa áreas com estatuto de proteção elevado, incluindo zonas de proteção
parcial e total do parque nacional.
A ZERO questiona se foram
cumpridos todos os procedimentos necessários e se existe parecer favorável das
entidades responsáveis pela conservação da natureza.
Não foi divulgada documentação
que comprove autorizações ou avaliações de impacto ambiental;
E o ICNF?
O Instituto da Conservação da
Natureza e das Florestas (ICNF) confirmou que recebeu um pedido de parecer
sobre o percurso e que esse pedido está em análise. Ou seja, até ao momento das
notícias mais recentes, o ICNF não tinha anunciado publicamente uma decisão
final sobre o assunto.
Porque é
que o percurso é controverso?
Os críticos argumentam que:
A Mata da Albergaria é uma
área de elevado valor ecológico e classificada como Reserva Biogenética.
Um evento desportivo desta
dimensão pode aumentar o tráfego, a presença de público e a pressão sobre
habitats sensíveis.
É necessário garantir que a
realização da etapa é compatível com as regras do plano de ordenamento do
parque.
E o que
diz a organização?
A organização da Volta
apresentou esta etapa como uma das grandes novidades da edição de 2026,
destacando a passagem pelo Gerês e a subida inédita a Germil como elementos que
tornam a corrida mais espetacular e internacional. A prova decorrerá de 5 a 16 de
agosto de 2026, entre Lisboa e Porto.
Resumindo: a polémica não é um
caso de doping ou de resultados desportivos; trata-se sobretudo de uma
controvérsia ambiental sobre a adequação da passagem da Volta a Portugal por
zonas sensíveis do Parque Nacional da Peneda-Gerês e sobre os pareceres e autorizações
necessários para essa etapa.
Neste momento não há
evidências de que a organização da Volta a Portugal tenha garantido previamente
todas as autorizações necessárias, e sim, existe um risco real de a etapa ter
de ser alterada ou mesmo cancelada caso o ICNF não aprove o percurso.
Então, o que pode acontecer se
o ICNF não autorizar?
1) Alteração do percurso
É o cenário mais provável.
A organização teria de:
retirar a passagem pela Mata
da Albergaria;
redesenhar a etapa para zonas
permitidas;
ajustar logística, segurança,
horários e transmissão televisiva.
Isto já aconteceu noutras
provas internacionais quando trechos em áreas protegidas não foram autorizados.
2) Cancelamento da etapa tal
como foi apresentada
Se não houver alternativa
viável dentro do parque, a etapa pode:
ser substituída por outro
percurso;
ser encurtada;
ou ser totalmente redesenhada
fora do PNPG.
3) Autorização condicionada
O ICNF pode aprovar com
restrições, como:
limitar o número de veículos
de apoio;
restringir público em certas
zonas;
impor horários específicos;
exigir medidas de mitigação
ambiental.
Este tipo de autorização é
comum em eventos que atravessam áreas sensíveis.
Fica a pergunta, a organização
não garantiu previamente que o percurso era permitido, e fez a apresentação do
mesmo sem ter uma resposta?
Fica a espectativa para ver o
que vai acontecer.