quarta-feira, 18 de março de 2026

"A maior preocupação dos pais não é que lugar o filho vai chegar..." José Azevedo pede sanções mais duras, depois da onda de atropelamentos a ciclistas”


Por: Miguel Marques

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O diretor-desportivo da Efapel Cycling alertou para o aumento preocupante de incidentes envolvendo ciclistas e veículos nas estradas, depois de Joaquim Silva ter sido ontem atropelado. José Azevedo considera que a situação começa a atingir níveis alarmantes e defende a aplicação de sanções mais duras para os condutores responsáveis por este tipo de acidentes.

"Num espaço de seis dias, tivemos cinco corredores envolvidos em situações de acidentes com veículos. Mas não somos só nós [...], isto é algo que tem vindo a ocorrer com alguma frequência nas estradas, ciclistas atropelados, e eu acho que isto se deve, essencialmente, a falta de respeito por parte dos condutores", afirmou José Azevedo, em declarações à agência Lusa, recolhidas pelo Jornal Record.

Uma das principais referências da equipa portuguesa, Joaquim Silva foi transportado para o Hospital de São João, onde realizou diversos exames médicos após o incidente.

"Não tem fraturas, felizmente, mas deixa sempre mazelas. Sei que tem várias feridas no corpo, e é sempre a parte psicológica também que é afetada", detalhou o diretor-desportivo.

O ciclista natural de Penafiel, de 33 anos, foi apenas o mais recente caso numa sequência de incidentes que têm afetado atletas de vários escalões da formação laranja. O episódio mais grave ocorreu no Prémio Cidade de Fafe, prova que marcou no sábado o arranque da temporada nacional de estrada para o escalão júnior.

Nesse dia, dois jovens corredores, Gonçalo Carvalho e David Luta, foram atropelados durante a corrida.

"Ia um grupo de 15, 20 miúdos e, ali uns 40 segundos atrás, vinham quatro miúdos que descolaram e vinham a tentar ainda encostar. Vinham em descida, a aproximar-se da meta, e houve um carro que, quando passaram os primeiros, arrancou. E os miúdos entraram na curva e bateram de frente", descreveu Azevedo.

Entre os mais afetados esteve David Luta, que sofreu uma fratura na órbita ocular, tal como João Lazarini, da Landeiro KTM ACR Roriz. Ambos já receberam alta hospitalar e encontram-se em casa.

Para o responsável da Efapel, os episódios recentes evidenciam um problema crescente nas estradas portuguesas.

"Começa a ser alarmante, começa a ser preocupante essa falta de respeito, de sensibilidade, de consciência. Começa a tornar isto bastante perigoso para quem anda de bicicleta, não é só para os nossos ciclistas da Efapel, nem só para quem é ciclista profissional ou pratica ciclismo, mas para as pessoas que gostam de andar de bicicleta", alertou.

Segundo Azevedo, a falta de respeito estende-se inclusive às indicações das autoridades. No domingo, a Guarda Nacional Republicana, através da sua Unidade Nacional de Trânsito, apelou publicamente ao cumprimento das regras de segurança durante as provas de ciclismo.

"É virem as motos da GNR dar indicações para o trânsito estar parado, e as pessoas não obedecerem. Em algumas provas que eu faço com os profissionais, [...] muitas vezes ainda vai a caravana a passar e alguns carros que deveriam estar parados já estão a arrancar em sentido contrário", relatou.

Horas antes, em declarações ao Sobrwatts, Azevedo partilhou a dura realidade de como os próprios familiares vivem em angústia até verem os filhos cortarem a linha de meta: "Eu começo a ficar muito preocupado (...), quando estamos na linha de meta, praticamente todos os pais dos miúdos, a maior preocupação dos pais não é que lugar o filho vai chegar, estão na ansiedade de ver o filho cortar a meta, porque sabem os perigos que correm".

A mentalidade das pessoas também não é a correta e o diretor fez questão de o exemplificar no mesmo fórum: "Eu fui ver a prova (referindo-se à corrida de juniores) e num local que havia um cruzamento numa estrada nacional, estava-se a ver os miúdos nessa reta de 300/400 metros, mais grupos a vir e as pessoas a arrancar. Arrancar a ver que vinham mais corredores em sentido contrário, havia pessoas a dizer 'Pare que estão a vir aí miúdos', mas não paravam, inclusive um respondeu 'Eu moro ali à frente'".

Tirou uma conclusão mais impactante, referindo que, atualmente, há uma grande falta de respeito para com as autoridades "As pessoas parece que já não respeitam a polícia. Mesmo que se diga 'Epá até nem gosto de ciclismo, estou aqui a apanhar uma seca de 10 minutos', mas a estrada é para todos", recordou.

Na opinião do antigo ciclista profissional, as campanhas de sensibilização já não são suficientes para travar este tipo de comportamentos numa sociedade cada vez mais apressada e distraída, muitas vezes devido ao uso do telemóvel.

"E quando há este tipo de acidente, que se consegue ver a falta de respeito à autoridade, ou um ciclista é atropelado e é notória a falta de cuidado por parte do condutor, eu acho que aqui as penas têm que ser pesadas. Não é como é agora; pagam 500 euros de multa e o resto é o seguro que trata", destacou.

José Azevedo defende mesmo medidas mais severas, como a retirada da carta de condução por períodos prolongados e a aplicação de coimas mais elevadas, uma posição semelhante à tomada pela Efapel num comunicado divulgado ontem.

A seu ver, apenas sanções mais duras poderão levar os condutores a refletir sobre o risco das suas ações e a respeitar verdadeiramente quem partilha a estrada sobre duas rodas.

 

ATUALIZAÇÃO

 

O próprio Joaquim Silva, o mais recente visado num incidente deste tipo, veio reagir esta tarde, nas redes sociais: "Bom dia. Antes de mais, obrigado a todos que ontem enviaram mensagem de apoio e preocupação.

Infelizmente vivemos e lidamos todos os dias com muitos sustos no trânsito, com muita incompreensão, com muita irresponsabilidade e com muita agressividade.

Por vezes o sentido de superioridade do condutor perante o ciclista é tão grande que se esquecem que é uma vida humana que vai em cima da bicicleta. Um pai, um filho, um marido, alguém com família, gente que se preocupa e que se encontra à espera deles em casa.Ninguém é mais que ninguém, quer vá de carro, quer vá de motociclo, trotinete, a pé, a treinar de bicicleta ou simplesmente a desfrutar da mesma. Ninguém tem mais direito de ocupar a estrada do que o outro...

O planeta é de todos embora muitos o queiram destruir.Ontem aconteceu me a mim, mas tem acontecido com cada vez mais frequência. Nós últimos 6/7 dias só na nossa equipa foram 5 atletas atropelados. Enquanto não houver mão pesada para os infractores nada vai mudar.Felizmente, não tenho nada fraturado, mas tenho a chapa e pintura toda feita num oito.... Resta recuperar e dentro de uns dias penso estar apto para voltar á estrada.

Obrigado a todos pelas mensagens de carinho e força.@efapelcycling

“Ciclismo caminha para rastreio obrigatório por GPS após novas preocupações de segurança, com a UCI a alertar para um “perigo fundamental”


Por: Miguel Marques

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O impulso do ciclismo rumo ao rastreio obrigatório por GPS deu um passo significativo, mas a sua força não surgiu isoladamente. Foi moldada por uma série de incidentes que expuseram uma vulnerabilidade persistente na modalidade. Quando um corredor sai da estrada, a deteção nem sempre é imediata.

Essa realidade ficou em evidência no Campeonato do Mundo de Estrada de 2024, em Zurique, onde Muriel Furrer caiu na prova de fundo de juniores femininas e foi depois encontrada inconsciente fora do percurso. Morreu no dia seguinte. Embora as investigações não tenham estabelecido de forma definitiva que um eventual atraso na sua localização tenha causado a morte, as circunstâncias levantaram questões urgentes sobre a rapidez com que os corredores podem ser encontrados após desaparecerem de vista.

Mais recentemente, o tema voltou à tona no Tour de la Provence. Soren Kragh Andersen, da Lidl-Trek, caiu na etapa inaugural após atacar em descida, mas o pelotão assumiu inicialmente que tinha seguido em frente. No podcast Forhjulslir, o colega de equipa Mattias Norsgaard descreveu como demorou até a equipa perceber o que acontecera, dizendo que houve “uma hora e meia até sabermos que o Soren Kragh Andersen tinha caído”.

Dois incidentes, desfechos diferentes, mas a mesma preocupação de fundo.

 

UCI delineia caminho para o rastreio obrigatório

 

Neste contexto, a UCI fez avançar a discussão.

Segundo noticiado pela Domestique, o presidente da UCI, David Lappartient, escreveu a equipas, organizadores e representantes dos corredores para iniciar a próxima fase de implementação do rastreio por GPS, com a expectativa de que estes sistemas se tornem, a prazo, obrigatórios em todo o ciclismo profissional.

O organismo pediu aos intervenientes propostas que cubram aspetos técnicos e operacionais, com prazo até ao final de abril. Embora o processo seja apresentado como colaborativo, a direção é clara. Se não houver uma solução amplamente consensual, a UCI está preparada para definir o sistema e impor a sua adoção.

Crucialmente, a federação qualificou o risco de um corredor sair do percurso sem ser detetado como um “perigo fundamental” no atual ambiente de corrida.

Esta formulação reflete uma mudança de perspetiva. O que antes era debatido como um potencial aprimoramento surge agora como requisito central de segurança.

 

De um debate irresoluto a uma pressão crescente

 

O caminho até aqui não foi linear. As tentativas de introduzir sistemas de rastreio estagnaram no passado devido a divergências sobre implementação, governação de dados e controlo. Essa tensão tornou-se pública na Volta à Romandia Feminina, onde várias equipas foram desclassificadas na sequência de uma disputa sobre o uso de dispositivos de rastreio durante a corrida.

Em paralelo, partes da tecnologia já estão em utilização, fornecendo dados de localização em tempo real e alertas em eventos selecionados. A questão deixou de ser se os sistemas funcionam, para passar a ser como aplicá-los de forma consistente em todo o pelotão.

Incidentes recentes acrescentaram urgência a esta discussão.

Quando um corredor desaparece de vista numa descida ou sai da estrada fora do alcance da caravana, o tempo para identificar a situação e responder torna-se crítico. É esta lacuna que o rastreio por GPS pretende colmatar.

 

Uma solução ainda em definição

 

Apesar do tom mais assertivo da UCI, a implementação total ainda está distante.

A fase atual é de consulta, com múltiplos sistemas e abordagens em avaliação. Um quadro aberto, permitindo a diferentes fornecedores operar dentro de normas definidas, é uma possibilidade, mas subsistem dúvidas sobre como gerir e impor o sistema em todos os níveis competitivos.

O que é claro é que o debate evoluiu. A morte de Furrer em Zurique obrigou o ciclismo a encarar uma questão difícil. A Provença mostrou que o problema de base não desapareceu. Agora, a modalidade aproxima-se de uma solução.

Se essa solução será alcançada de forma colaborativa, ou imposta em última instância, definirá a próxima fase da evolução contínua da segurança no ciclismo.

“Resultados Milão - Turim 2026: Poderoso Tom Pidcock vence à frente de Johannessen e Roglic com ataque no quilómetro final”


Por: Miguel Marques

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Tom Pidcock disparou nos últimos metros para vencer a Milão - Turim 2026, escolhendo o momento perfeito nas rampas íngremes de Superga após um final implacavelmente agressivo.

O britânico atacou a cerca de 600 metros da meta, a partir de um grupo reduzido, abrindo de imediato um fosso que ninguém conseguiu fechar. Tobias Halland Johannessen foi o mais forte na perseguição e garantiu o segundo lugar, enquanto Primoz Roglic teve de contentar-se com o terceiro após assumir grande parte da seleção inicial.

 

Agressividade inicial prepara o duelo em Superga

 

A corrida ficou definida muito antes do movimento decisivo, com uma fuga de seis elementos a controlar os primeiros quilómetros, antes de ser gradualmente anulada por um esforço combinado da Pinarello Q36.5 Pro Cycling Team, Red Bull - BORA - hansgrohe e UAE Team Emirates - XRG.

À aproximação da primeira passagem por Superga, o ritmo disparou. Roglic acelerou nas rampas mais duras, provocando uma seleção imediata e reduzindo o pelotão a um pequeno grupo de candidatos.

Mesmo antes da subida final, a corrida já se fragmentava. Pidcock e Cian Uijtdebroeks lançaram movimentos agressivos na fase de transição, procurando evitar um final controlado.

 

Ataque de Boichis e contra-ataques esticam a corrida

 

A ofensiva continuou com Adrien Boichis a atacar para se isolar, dando por momentos à Red Bull - BORA - Hansgrohe uma vantagem tática com Roglic e Pellizzari a resguardarem-se no grupo perseguidor. Atrás, a corrida manteve-se instável. Os contra-ataques sucederam-se, com Pidcock e Uijtdebroeks novamente entre os mais ativos na tentativa de fazer a ponte.

Boichis foi apanhado pouco antes da última ascensão, mas o dano estava feito. A corrida ficou reduzida a um pequeno núcleo de favoritos sob pressão constante.

 

Grupo de elite forma-se sob acelerações repetidas

 

Na subida final, as mudanças de ritmo foram afinando gradualmente o grupo dianteiro. Roglic continuou a testar os rivais com novas acelerações, enquanto a Movistar assumiu brevemente o controlo através dos gregários para estabilizar o andamento em favor de Uijtdebroeks.

Dentro dos últimos dois quilómetros, a corrida fragmentou-se novamente num grupo selecionado com Pidcock, Roglic, Johannessen e Uijtdebroeks, enquanto outros, como Giulio Pellizzari, perderam contacto perante a pressão contínua.

 

A decisão chega com o timing perfeito

 

Com o grupo reduzido e o ritmo já elevado, o movimento decisivo chegou tarde. Roglic aumentou a cadência dentro do último quilómetro e Uijtdebroeks respondeu com novo ataque, mas nenhuma das ações abriu espaço.

Foi Pidcock quem escolheu melhor o momento. Lançou o esforço a cerca de 600 metros da meta, ganhou imediatamente terreno na inclinação mais severa e não mais olhou para trás.

Johannessen limitou as perdas e assegurou o segundo posto, enquanto Roglic, depois de moldar grande parte da corrida, não teve resposta para a aceleração final e foi terceiro.

“Pogačar aponta à “Primavera”: obsessão declarada pela Milão-Sanremo”


Por: José Morais

O esloveno Tadej Pogačar volta a centrar atenções numa das poucas lacunas do seu já vasto palmarés: a clássica Milão-Sanremo. À sexta tentativa, o líder da UAE Team Emirates assume sem rodeios a ambição de conquistar finalmente a “Classicissima”, cuja edição deste ano se disputa já no próximo sábado.

Apesar de ser uma das provas mais prestigiadas do calendário, a corrida italiana tem resistido ao talento do campeão esloveno. Desde a estreia, em 2020, quando terminou no 12.º lugar, Pogačar tem mostrado evolução consistente: foi quinto em 2022, quarto em 2023 e subiu ao pódio nas duas últimas edições, com terceiros lugares consecutivos em 2024 e 2025. Resultados que confirmam a adaptação ao perfil da prova, mas que deixam ainda por cumprir o objetivo maior.

“Não é segredo que é uma corrida que quero muito ganhar. Sinto que se adapta às minhas características, embora haja muitos ciclistas capazes de vencer aqui”, afirmou o esloveno na antevisão oficial.

A edição de 2025 ficou particularmente marcada como a mais próxima da vitória. Um ataque incisivo na subida da Cipressa, a cerca de 20 quilómetros da meta, parecia prometer a seleção decisiva. No entanto, a resposta de nomes como Mathieu van der Poel e Filippo Ganna travou as aspirações do esloveno, que acabaria por ceder na fase final perante a força dos rivais.

Para 2026, a estratégia poderá sofrer ajustes. O Pogačar, última dificuldade antes da meta, surge como ponto-chave. “Tenho feito muitos reconhecimentos do Pogačar. É uma subida que conheço bem e onde me sinto confortável”, explicou Pogačar, que reside no Mónaco e treina frequentemente naquela zona.

A confiança do esloveno sai reforçada após um início de temporada em grande nível, com destaque para a vitória na Strade Bianche, onde atacou a longa distância e confirmou o estatuto de corredor ofensivo e imprevisível.

 

Uma clássica de resistência e estratégia

 

Com quase 300 quilómetros, a Milão-Sanremo é a mais longa das clássicas do ciclismo mundial e tradicionalmente uma das mais imprevisíveis. Sprinters resistentes, puncheurs e até trepadores têm hipóteses reais, tornando a leitura tática decisiva. A Cipressa e o Pogačar continuam a ser os pontos onde se escrevem as diferenças, mas a vitória muitas vezes decide-se nos detalhes.

Para Pogačar, conquistar esta prova significaria não apenas fechar um capítulo em aberto, mas também reforçar a sua candidatura a um lugar entre os mais completos ciclistas da história recente. Até lá, a “Primavera” continua a ser um objetivo assumido e cada vez mais urgente.

“Resultados Nokere Koerse 2026: Jasper Philipsen nega a vitória ao heroico Alec Segaert; António Morgado no top 10”


Por: Miguel Marques

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Jasper Philipsen sprintou para a vitória na Nokere Koerse 2026, negando um corajoso esforço solitário tardio de Alec Segaert num final em subida, com o atacante a ser alcançado já nos metros decisivos.

O que parecia uma construção controlada para um sprint virou-se do avesso na fase final, com ataques sucessivos, quedas e hesitação tática a fraturarem o pelotão e a criarem condições para uma emboscada tardia. No entanto, a corrida regressou ao padrão habitual no último instante, com Philipsen a desferir um sprint poderoso e perfeitamente cronometrado para assinar o primeiro triunfo da época de 2026.

 

Fuga inicial e gestão controlada até ao final

 

O início seguiu o guião clássico da Nokere Koerse, com uma fuga de quatro corredores - Lionel Taminiaux, Jelle Harteel, Sean Christian e Jonah Killy - a construir uma vantagem estável sobre um pelotão maioritariamente controlado.

As equipas focadas no sprint, sobretudo a Alpecin-Premier Tech e a Red Bull - BORA - Hansgrohe, mantiveram a diferença sob controlo sem se comprometerem totalmente na perseguição, garantindo que a corrida permanecesse ao alcance antes das voltas decisivas em torno de Nokere.

Apesar do vento e dos vários setores de empedrado, o pelotão resistiu a fracionar-se na fase intermédia. As lutas de colocação intensificaram-se, mas nenhuma iniciativa foi decisiva. Vários corredores tiveram problemas, incluindo Hugo Hofstetter, que caiu mais do que uma vez, e Pascal Ackermann, que acabou por ficar para trás e saiu da luta antes do final.

 

Ataques aumentam, mas as equipas de sprint resistem

 

Ao entrar nos últimos 50 quilómetros, a intensidade subiu. Equipas sem um sprinter de referência tentaram abrir a corrida, com acelerações repetidas em setores como o Lange Ast e o Nokereberg.

Contudo, esses movimentos foram sistematicamente neutralizados. Corredores como Gianni Vermeersch tiveram um papel-chave a fechar ataques, enquanto as formações de sprint mantiveram presença forte na dianteira, impedindo que algum grupo consolidasse vantagem relevante.

Mesmo à medida que a corrida afinava e o desgaste se acumulava, o padrão de fundo manteve-se. Os ataques surgiam e esmoreciam, e a falta de cooperação entre corredores com objetivos distintos garantiu que o pelotão, embora reduzido, se mantivesse maioritariamente compacto.

 

Segaert dinamita a corrida com ataque solitário tardio

 

A corrida explodiu finalmente dentro dos últimos 15 quilómetros, quando Alec Segaert lançou um ataque solitário decisivo que alterou de imediato o equilíbrio.

Em posição baixa e aerodinâmica, o belga abriu rapidamente uma margem significativa, que chegou a roçar a meia minuto, beneficiando da hesitação do pelotão. A presença da Bahrain no grupo complicou ainda mais a perseguição, com colegas a quebrarem o ritmo e a dificultarem a organização de uma resposta eficaz por parte das equipas de sprint.

Atrás, a corrida tornou-se cada vez mais fragmentada. Pequenos grupos formavam-se e voltavam a juntar-se, mas a falta de coesão impediu a construção de uma perseguição estruturada. Os corredores olhavam uns para os outros à procura de quem assumisse, e segundos cruciais escoaram enquanto Segaert insistia sozinho.

 

Hesitação tardia sai cara ao pelotão perseguidor

 

À entrada dos quilómetros finais, a dinâmica manteve-se num fio. Segaert começou a dar sinais de fadiga, forçado a sair do selim no empedrado à medida que o esforço cobrava fatura, mas o grupo perseguidor continuava com dificuldades de organização.

Mais equipas acabaram por colocar homens na frente e a diferença começou a cair, mas o atraso em formar uma perseguição coerente revelou-se determinante na configuração do desfecho.

O final em subida acrescentou outra camada de complexidade. Para Segaert, oferecia a hipótese de resistir ao regresso do pelotão caso chegasse com velocidade suficiente ao último quilómetro. Para os sprinters, significava um esforço que favorecia quem conseguisse produzir potência após uma preparação longa e caótica.

 

Philipsen decide ao sprint após captura no limite

 

No fim, a captura surgiu no último momento possível.

Já dentro dos metros finais, a vantagem de Segaert desvaneceu-se quando o pelotão passou a alta velocidade, transformando a corrida de tentativa a solo em sprint reduzido no final ascendente. Para o anular, muito contribuiu o trabalho de Rui Oliveira, que deu o peito às balas e fechou o espaço para dar oportunidade a Molano de sprintar.

Philipsen reagiu de imediato. Bem colocado na hora certa, lançou o sprint com autoridade e destacou-se dos rivais, garantindo um triunfo convincente diante de Jordi Meeus e Juan Sebastian Molano. Uma queda tardia acrescentou desordem atrás, sem alterar o desfecho na frente. António Morgado foi o melhor português, em 10º lugar.

Para Segaert, foi um desfecho cruel após uma das melhores exibições do dia, alcançado à vista da meta depois de se comprometer totalmente com o ataque. Para Philipsen, foi uma vitória de afirmação: controlada, paciente e, no momento certo, decisiva.

“5º ciclista da Efapel ATROPELADO no espaço de uma semana. BASTA”


Por: Ivan Silva

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O último fim de semana voltou a mostrar, de forma brutal, que pedalar em Portugal continua a ser um risco real. Não estamos a falar de um azar isolado, nem de um incidente inevitável. Estamos a falar de falta de respeito, de falta de civismo e, acima de tudo, de uma perigosa indiferença perante a vida humana que vai em cima de uma bicicleta.

Numa prova organizada pela Associação de Ciclismo do Minho, um automóvel entrou em contramão no percurso e atropelou vários ciclistas, num episódio que podia ter terminado em tragédia. O acidente aconteceu durante a prova de abertura de juniores em Fafe, quando um carro invadiu a estrada desrespeitando as ordens policiais, atingindo vários atletas, entre eles David Luta e João Lazarini, que tiveram de receber assistência hospitalar após o impacto.

Não foi um caso isolado. Não foram dois. Não foram três.

Foram dias seguidos de notícias sobre quedas, atropelamentos e acidentes envolvendo ciclistas, em treino, em competição ou simplesmente na estrada. Num único fim de semana, vários jovens ficaram feridos em provas oficiais, depois de um condutor ignorar sinais, ordens e a própria segurança de quem estava a competir.

 

Até quando?

 

E a pergunta impõe-se, cada vez com mais força: até quando?

A realidade é dura. Sensibilizar já não chega. Durante anos falou-se de respeito pelo ciclista, de convivência na estrada, de partilha do espaço público. Campanhas, apelos, ações de formação, alertas nas redes sociais, reportagens na comunicação social. Mesmo assim, continua a acontecer.

Todos os dias há ciclistas que saem de casa sem saber se voltam. Todos os dias há famílias à espera. Todos os dias há condutores que esquecem que a estrada é de todos.

Quem vai numa bicicleta não é um obstáculo. Não é um incómodo. Não é um alvo.

É um filho. É um pai. É um irmão. É um amigo.

É alguém que tem uma vida, uma família e um futuro.

 

Grito de revolta

 

O texto publicado hoje pela Efapel Cycling nas redes sociais resume de forma crua aquilo que muitos sentem no ciclismo português:

Não foi um caso isolado. Não foram dois. Não foram três. Foram dias seguidos. Na quinta-feira, começou com o Francisco Cardoso. No sábado, dois dos juniores David Luta e Gonçalo Carvalho. No domingo, Luís Soares. Hoje… mais um. O Joaquim Silva foi atropelado.

Já falámos. Já denunciámos. Já sensibilizámos. Alcançámos centenas de milhares de pessoas. E mesmo assim… continua a acontecer.

A verdade é dura: sensibilizar já não chega. É preciso agir. É preciso responsabilizar. É preciso mudar.

Todos os dias há ciclistas a sair de casa sem saber se voltam. Todos os dias há famílias à espera. Todos os dias há condutores que esquecem que a estrada é de todos.

Quantos mais têm de cair? Quantos mais têm de sofrer? Vamos esperar pelo quê… pela primeira morte?

Criem medidas reais. Façam cumprir a lei. Punam quem não respeita. Multas. Perda de carta. Consequências.

Porque sem consequências, isto não muda.

Isto não é um alerta. É um grito. Basta.

E é mesmo um grito.

 

Falta de civismo e respeito pela vida humana

 

Porque quando um carro entra em contramão numa corrida, quando ignora uma estrada cortada, quando passa a centímetros de quem pedala, isso não é apenas imprudência. É negligência grave. É colocar vidas em risco de forma consciente.

Há que dizer as coisas como elas são.

Quem conduz sem respeito pela vida de quem vai de bicicleta pode transformar-se num assassino de quatro rodas. E quem põe vidas em perigo tem de ser responsabilizado.

Não chega pedir cuidado. Não chega pedir respeito. Não chega pedir compreensão.

É preciso leis mais duras. É preciso fiscalização real. É preciso punições que façam pensar duas vezes antes de acelerar contra um ciclista.

Perda de carta. Multas pesadas. Processos criminais quando há negligência grave.

Porque cada vez que um ciclista cai por culpa de um carro, não cai só um atleta. Cai uma família inteira.

E isto tem mesmo de mudar. Antes que seja tarde demais.

“Resultados Nokere Koerse Feminina 2026: Lotte Kopecky impõe-se com sprint autoritário e abre o contador da temporada”


Por: Miguel Marques

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Lotte Kopecky sprintou para uma vitória categórica na Nokere Koerse Feminina 2026, escolhendo o momento certo na rampa até à meta após um final caótico e tático.

A corrida parecia encaminhada para um sprint de pelotão reduzido depois de uma série de ataques tardios falhar em provocar a seleção decisiva. A própria Kopecky foi protagonista nessa fase, acelerando no empedrado da Lange Ast para destacar um grupo seleto com Charlotte Kool, Fleur Moors e Shari Bossuyt.

Contudo, a hesitação dentro desse movimento revelou-se crucial. Com Kool, a mais rápida presente, relutante em assumir totalmente o esforço, a vantagem esfumou-se rapidamente à medida que um grupo maior regressava de trás, reunindo a corrida antes dos quilómetros finais.

Esse reagrupamento preparou uma aproximação tensa, onde a colocação foi tudo, com várias equipas a disputar o controlo da dianteira em estradas estreitas e setores de empedrado. Sem uma equipa capaz de impor domínio por muito tempo, o final transformou-se num teste de timing e potência, mais do que de organização pura de sprint.

 

Equipas de sprint retomam o controlo após perturbações finais

 

Um ataque tardio a solo de Ilse Pluimers ameaçou por instantes baralhar o desfecho esperado, abrindo uma pequena margem já dentro dos quilómetros finais. Mas, com a meta a aproximar-se, a Fenix-Premier Tech assumiu por completo a perseguição em apoio de Kool, anulando a iniciativa e preparando um final ao sprint.

Quedas no pelotão e um furo de Shari Bossuyt adicionaram tensão nos quilómetros derradeiros, mas acabaram por pouco influenciar o regresso a um cenário de sprint.

No último quilómetro, várias formações tentaram organizar os seus lançamentos, com Fenix-Premier Tech, SD Worx e UAE na dianteira enquanto a estrada começava a inclinar para a meta.

Kopecky, momentaneamente isolada face à superioridade numérica à volta, manteve a posição antes de lançar o sprint a cerca de 100 metros da linha. A aceleração foi decisiva, com a belga a abrir rapidamente um espaço inalcançável para as rivais.

Charlotte Kool foi segunda, enquanto Lara Gillespie completou o pódio após um sprint muito disputado atrás.

“Seleção Nacional na abertura da Taça do Mundo de Paraciclismo”


A Seleção Nacional de Paraciclismo inicia esta semana a temporada internacional com a participação na primeira etapa da Taça do Mundo de Paraciclismo, que se realiza em Chiang Mai, na Tailândia. Nesta competição, Portugal estará representado exclusivamente pelo atleta Flávio Pacheco, naquela que será a primeira prova internacional da época e o arranque da luta por pontos importantes no ranking das nações, decisivo para a qualificação para os Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028.

A participação portuguesa tem início na sexta-feira, dia 20, com a prova de contrarrelógio individual, marcada para as 6h00 da manhã (hora de Portugal continental). A corrida será disputada ao longo de duas voltas, num total de 16,7 quilómetros, num percurso exigente que colocará à prova a capacidade de gestão de esforço do atleta.

A competição prossegue no domingo, dia 22, com a prova em linha, com início às 9h00 (hora de Portugal). A corrida será realizada no mesmo percurso do contrarrelógio, num formato em circuito de seis voltas, totalizando 58,4 quilómetros, prevendo-se uma prova seletiva e de grande desgaste físico.

Antes da deslocação à Tailândia, Flávio Pacheco realizou um estágio de preparação na Academia de Ciclismo de Anadia ao serviço da Seleção Nacional, afinando a sua condição para este primeiro grande desafio internacional da temporada.

O Selecionador Nacional, Telmo Pinão, acredita que o percurso poderá favorecer o atleta português. “É um traçado com alguma altimetria e exigente, algo onde o Flávio normalmente se defende bem. Acreditamos que poderá adaptar-se às características da prova e lutar por um bom resultado”, referiu.

Para além da vertente competitiva, esta etapa assume também um papel estratégico na campanha de qualificação paralímpica, sendo os pontos conquistados ao longo da temporada determinantes para o posicionamento de Portugal no ranking das nações, que definirá a atribuição das primeiras vagas para Los Angeles 2028.

A participação da Seleção Nacional de Paraciclismo continua a contar com o importante apoio da Verallia e da Automaran, parceiros que têm desempenhado um papel fundamental no desenvolvimento e sustentação deste projeto desportivo.

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

Ficha Técnica

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