Por: José Morais
O esloveno Tadej Pogačar volta
a centrar atenções numa das poucas lacunas do seu já vasto palmarés: a clássica
Milão-Sanremo. À sexta tentativa, o líder da UAE Team Emirates assume sem
rodeios a ambição de conquistar finalmente a “Classicissima”, cuja edição deste
ano se disputa já no próximo sábado.
Apesar de ser uma das provas
mais prestigiadas do calendário, a corrida italiana tem resistido ao talento do
campeão esloveno. Desde a estreia, em 2020, quando terminou no 12.º lugar,
Pogačar tem mostrado evolução consistente: foi quinto em 2022, quarto em 2023 e
subiu ao pódio nas duas últimas edições, com terceiros lugares consecutivos em
2024 e 2025. Resultados que confirmam a adaptação ao perfil da prova, mas que
deixam ainda por cumprir o objetivo maior.
“Não é segredo que é uma
corrida que quero muito ganhar. Sinto que se adapta às minhas características,
embora haja muitos ciclistas capazes de vencer aqui”, afirmou o esloveno na
antevisão oficial.
A edição de 2025 ficou
particularmente marcada como a mais próxima da vitória. Um ataque incisivo na
subida da Cipressa, a cerca de 20 quilómetros da meta, parecia prometer a
seleção decisiva. No entanto, a resposta de nomes como Mathieu van der Poel e Filippo
Ganna travou as aspirações do esloveno, que acabaria por ceder na fase final
perante a força dos rivais.
Para 2026, a estratégia poderá
sofrer ajustes. O Pogačar, última dificuldade antes da meta, surge como
ponto-chave. “Tenho feito muitos reconhecimentos do Pogačar. É uma subida que
conheço bem e onde me sinto confortável”, explicou Pogačar, que reside no
Mónaco e treina frequentemente naquela zona.
A confiança do esloveno sai
reforçada após um início de temporada em grande nível, com destaque para a
vitória na Strade Bianche, onde atacou a longa distância e confirmou o estatuto
de corredor ofensivo e imprevisível.
Uma
clássica de resistência e estratégia
Com quase 300 quilómetros, a
Milão-Sanremo é a mais longa das clássicas do ciclismo mundial e
tradicionalmente uma das mais imprevisíveis. Sprinters resistentes, puncheurs e
até trepadores têm hipóteses reais, tornando a leitura tática decisiva. A
Cipressa e o Pogačar continuam a ser os pontos onde se escrevem as diferenças,
mas a vitória muitas vezes decide-se nos detalhes.
Para Pogačar, conquistar esta
prova significaria não apenas fechar um capítulo em aberto, mas também reforçar
a sua candidatura a um lugar entre os mais completos ciclistas da história
recente. Até lá, a “Primavera” continua a ser um objetivo assumido e cada vez
mais urgente.

Sem comentários:
Enviar um comentário