Por: Miguel Marques
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A vitória de Paula Blasi na
Amstel Gold Race Feminina 2026 surpreendeu o pelotão internacional e a própria
vencedora. A ciclista da UAE Team ADQ assinou uma exibição de classe, selada
com um ataque a solo que deixou favoritas como Katarzyna Niewiadoma-Phinney e
Demi Vollering sem resposta.
Para lá do resultado, as suas
palavras após a corrida traduziram perplexidade, emoção e uma honestidade pouco
comum. Longe da euforia imediata, Blasi admitiu na meta que ainda não tinha
interiorizado o que conseguira: “Não, acho que vou precisar de algumas semanas
ou até meses para assimilar”, começou, depois de garantir o maior triunfo da
sua carreira. Uma confissão que espelha a dimensão de uma vitória tão
inesperada quanto brilhante.
O desfecho foi tão
imprevisível quanto a própria corrida. A ciclista descreveu a confusão dos
quilómetros finais: “Sinceramente, quando estava sozinha e cruzei a linha, nem
sabia quantos quilómetros faltavam. Pensei ‘espero que só faltem cinco’. De
repente disseram-me ‘não, tens de aguentar 21’”.
Blasi manteve-se firme apesar
das exigências de uma longa fuga a solo, sustentando o andamento apesar do
trabalho forte no pelotão, muitas vezes comandado pela FDJ - Suez e pela SD
Worx - ProTime. “Sabia que ia ser um dia duro na frente”.
De
descolada a líder da corrida
Um dos aspetos mais marcantes
da sua vitória é que, minutos antes do movimento decisivo, tinha perdido o
contacto com o grupo principal: “Na verdade, cinco minutos antes de atacar,
tinha ficado descolada. Voltei e disse ‘ok, vamos tentar ver se consigo ajudar
a equipa’”.
Essa mudança de mindset foi
crucial num dia implacável: “E, de repente, dei por mim na frente. Sim, porque
naquele momento a corrida estava mesmo muito dura. E como é que o fiz? Nem eu
sei”.
“O
pelotão é uma loucura”
Blasi sublinhou ainda a
dificuldade tática da prova, sobretudo num terreno que ainda lhe era novo:
“Desde o início trabalho para a equipa. Disse à equipa que estava a ter muitas
dificuldades em manter a posição porque é a minha primeira corrida aqui nas Ardenas”.
A espanhola descreveu com
clareza o caos no grupo: “Este pelotão é uma loucura. É bastante difícil ficar
na frente. E, na verdade, essa é a parte mais importante”. Perante isso,
encontrou na fuga uma solução quase improvisada: “A certa altura disse ‘vamos
para a frente, se conseguires ir melhor na fuga, porque assim não tens de lutar
pela posição’”.
Uma
vitória que nem estava nos planos
Talvez o detalhe mais
revelador tenha surgido quando recordou que a sua chamada foi de última hora:
“Para ser sincera, nem sei bem, porque nem era suposto estar aqui. Fui inscrita
na corrida só ontem porque tivemos algumas lesões e algumas ciclistas doentes”.
Com humildade, Blasi fechou
com uma reflexão franca: “Preciso de respirar fundo e aceitar o que acabou de
acontecer”.
















