Por: José Morais
Wout van Aert (Visma | Lease a
Bike) conquistou esta sexta-feira a sua primeira vitória na Vuelta a Espanha
2025, ao vencer a 13.ª etapa, disputada ao longo de 192,8 quilómetros entre
Almuñécar e Loja. O belga foi o mais forte no derradeiro duelo frente a
Valentin Paret-Peintre (Soudal Quick-Step), culminando uma exibição coletiva
irrepreensível da formação neerlandesa, onde Matthew Brennan desempenhou um
papel decisivo na neutralização de todos os ataques. Na classificação geral,
Enric Mas manteve a liderança sem sobressaltos.
A jornada começou de forma agitada, com várias tentativas de fuga a fracassarem nos primeiros quilómetros. Pelo meio, destacou-se a desistência de Gregor Mühlberger, um dos mais importantes companheiros de equipa de Felix Gall, após uma queda que o obrigou a abandonar a corrida ainda antes das principais dificuldades montanhosas do dia.
A corrida incendiou-se na
primeira passagem pelo Alto de la Venta, onde se formou uma enorme frente de
corrida composta por cerca de quarenta corredores. O movimento expôs algumas
debilidades no controlo do pelotão e permitiu a presença de nomes importantes,
incluindo Mattias Skjelmose, sétimo da geral, que era o ciclista mais bem
classificado entre os fugitivos.
No grupo da frente
encontravam-se ainda corredores de peso como Van Aert, Buitrago, Vermaerke,
Brennan, Bisiaux, Laurance, Berthet, Martin, Kron, Leknessund, Albanese,
Rodríguez e Craps, entre outros. A vantagem foi crescendo à medida que a etapa
avançava, permitindo aos fugitivos consolidar uma margem confortável sobre o
pelotão.
A meio do percurso, já na ascensão ao Alto del Legionario, a diferença para o grupo principal rondava os quatro minutos, enquanto os perseguidores seguiam a cerca de um minuto dos líderes. A EF Education-EasyPost juntou-se então ao trabalho de perseguição, contribuindo para estabilizar a corrida.
As movimentações voltaram a
intensificar-se na subida ao Puerto de Granada, a derradeira dificuldade
montanhosa da etapa. Vermaerke endureceu o ritmo e provocou uma seleção natural
no grupo da frente. Leknessund ainda tentou a sorte com uma investida solitária,
mas não conseguiu ganhar terreno suficiente e acabaria por ser novamente
alcançado.
Já na fase final, a corrida
transformou-se num verdadeiro duelo de estratégia. Enquanto Van Aert procurava
o momento ideal para atacar, Matthew Brennan assumia a missão de anular todas
as ofensivas dos adversários. O jovem britânico respondeu a sucessivos ataques
e contra-ataques, impedindo que qualquer rival ganhasse vantagem e permitindo
ao seu líder guardar energias para o golpe decisivo.
A jogada vencedora surgiu a
apenas 3,5 quilómetros da meta. Consciente de que não podia correr riscos numa
chegada mais numerosa, Van Aert lançou um ataque seco que apanhou os restantes
fugitivos desprevenidos. Apenas Valentin Paret-Peintre conseguiu acompanhar a
aceleração do belga, formando-se assim uma dupla destinada a discutir a
vitória.
O francês ainda tentou
surpreender nos metros finais, mas Van Aert revelou-se mais forte no sprint e
ergueu finalmente os braços nesta edição da Vuelta. Para completar um dia
perfeito para a Visma, Matthew Brennan venceu o sprint do grupo perseguidor e garantiu
o terceiro lugar da etapa, selando uma exibição coletiva de enorme autoridade.
Na luta pela geral, não houve
alterações significativas. Apesar de integrar a fuga do dia, Mattias Skjelmose
acabou por perder parte da vantagem conquistada e não conseguiu melhorar a sua
posição na classificação, mantendo-se inalterada a hierarquia entre os
principais candidatos à vitória final.








