Por: José Morais
A Volta a Portugal em
bicicleta está prestes a entrar numa nova era. A edição de 2026, a 87.ª da
história, promete um percurso que atravessará praticamente todo o território
nacional e contará, pela primeira vez em muitos anos, com uma estratégia clara
de internacionalização. A garantia é dada por Ezequiel Mosquera, novo diretor
da prova, que revelou também a possibilidade de a UAE Team Emirates atual
número 1 do ranking mundial marcar presença no pelotão entre 5 e 16 de agosto.
Mosquera, que falava à margem
do Gran Camiño, competição que também dirige, sublinhou que o objetivo passa
por devolver à Volta uma dimensão verdadeiramente nacional, sem abdicar dos
símbolos que moldaram a identidade da corrida.
“Queremos que qualquer
português olhe para o mapa e reconheça imediatamente a Volta a Portugal. Vamos
tocar todo o país, mantendo os clássicos, mas acrescentando novidades”,
afirmou.
Mudanças
graduais, mas com ambição internacional
A nova organização pretende
modernizar a prova sem romper com o legado construído ao longo de quase nove
décadas. Mosquera insiste que a evolução será feita “com respeito pela
história”, mas com a convicção de que a Volta tem potencial para muito mais.
“Não queremos chegar e mudar
tudo de um dia para o outro. Há elementos que funcionavam muito bem. Mas
queremos abrir portas a novas câmaras, novas localidades e lugares icónicos que
nunca tiveram a oportunidade de receber a corrida”, explicou.
Entre os pontos que deverão
manter-se no percurso estão dois dos momentos mais emblemáticos da
“Grandíssima”: a mítica subida à Torre e a chegada à Senhora da Graça. Ainda
assim, o diretor admite que poderão surgir alterações no formato ou na posição
destas etapas dentro do traçado final.
Portugal
como palco e vitrina
A grande aposta para 2026 será
a projeção internacional. A prova deverá ser transmitida pelo Eurosport, o que
permitirá alcançar milhões de espectadores em toda a Europa e reforçar o
estatuto da Volta como um dos eventos desportivos mais marcantes do verão
português.
“É um super evento e os
portugueses têm de acreditar nisso. Há corridas com orçamentos enormes que não
chegam ao nível da Volta. Faltava mostrar ao mundo a qualidade da produção da
RTP”, destacou Mosquera.
A EME Sports, empresa liderada
pelo antigo ciclista galego, quer transformar a Volta num produto mais
competitivo e atrativo para equipas estrangeiras, aproximando-a do modelo das
grandes provas internacionais. O objetivo é claro: deixar de ser vista apenas
como uma corrida nacional e passar a integrar o radar das principais formações
do World Tour.
UAE
Emirates pode ser a grande atração
A presença de equipas de topo
é um dos pilares dessa estratégia. Mosquera admite que a UAE Team Emirates casa
de estrelas como Tadej Pogačar está “provável” para integrar o pelotão,
juntamente com outras formações do escalão máximo.
Se tal se confirmar, será um
marco histórico: desde 2021, com a Movistar, que nenhuma equipa World Tour
participa na Volta. Em 2025, apenas uma Pro Team marcou presença, sendo o
restante pelotão composto por equipas continentais.
A chegada de uma equipa do
topo mundial poderá elevar o nível competitivo, atrair mais público e reforçar
a credibilidade internacional da prova.
Uma Volta
renovada, mas fiel às raízes
Com um percurso mais
abrangente, maior exposição mediática e a possível presença de equipas de
elite, a Volta a Portugal 2026 promete ser uma das edições mais marcantes dos
últimos anos. Mosquera resume a filosofia da nova direção numa frase:
“É preciso ser diferente,
criar expectativa e assumir riscos. Portugal tem território e identidade para
isso.”
A expectativa cresce e, pela
primeira vez em muito tempo, a Volta parece preparada para voltar a surpreender
o mundo.

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