Por: José Morais
Paul Magnier voltou a mostrar
classe e resistência no Tour de Guangxi. Um dia depois de ter perdido a
camisola vermelha devido a um problema mecânico nos metros finais da etapa
anterior, o ciclista da Soudal-QuickStep respondeu da melhor forma: venceu ao
sprint em Tian’e, recuperou a liderança da prova e alcançou a sua segunda
vitória nesta edição da corrida chinesa.
Num percurso exigente entre
Bama e Tian’e, marcado por mais de 2.700 metros de desnível acumulado, poucos
acreditavam que os velocistas conseguiriam discutir a vitória. Ainda assim,
Magnier resistiu às dificuldades da montanha e voltou a erguer os braços na
meta, batendo Cees Bol (Decathlon CMA CGM), enquanto Max Kanter (XDS Astana)
completou o pódio.
O triunfo teve ainda um
significado histórico para o jovem francês. Com esta vitória, Magnier somou o
sétimo sucesso da sua carreira no Tour de Guangxi, tornando-se o corredor mais
vitorioso de sempre na história da competição.
A etapa foi animada desde os
quilómetros iniciais por uma fuga composta por Dries De Bondt, Robbe Ghys, Enzo
Paleni e Baptiste Veistroffer. O quarteto chegou a construir uma vantagem
interessante, num dia em que as inúmeras dificuldades montanhosas fragmentaram
o pelotão e colocaram vários velocistas em dificuldades.
A ofensiva intensificou-se
quando equipas interessadas na classificação geral aumentaram o ritmo nas zonas
de subida. Louis Barré e Kévin Vauquelin lançaram depois um ataque ambicioso,
procurando surpreender os favoritos e discutir a etapa longe do pelotão. Os
dois franceses alcançaram os fugitivos e chegaram a sonhar com a vitória,
beneficiando de uma margem de cerca de 40 segundos a 20 quilómetros da meta.
No entanto, o cenário mudou
rapidamente. O grupo principal reorganizou-se, vários sprinters conseguiram
regressar após os momentos mais duros da etapa e a perseguição tornou-se
implacável. Com o trabalho conjunto das formações Picnic PostNL,
Soudal-QuickStep e UAE Team Emirates, a fuga acabou neutralizada a 14
quilómetros da chegada.
Já na aproximação à meta, uma
queda numa das últimas curvas eliminou diversos candidatos da discussão pela
vitória e reduziu significativamente o grupo da frente. Apenas 24 corredores
chegaram juntos aos metros decisivos.
No sprint final, Magnier
lançou o esforço de longe e não deixou margem para resposta. Demonstrando
potência e sangue-frio, sustentou a velocidade durante cerca de 150 metros para
segurar os adversários e conquistar uma vitória crucial, tanto para a etapa
como para a classificação geral.
“Estou muito feliz, porque foi
uma jornada extremamente difícil. Fiquei para trás numa fase da etapa, mas
consegui regressar ao pelotão e manter o foco. A equipa voltou a fazer um
trabalho fantástico e pude concluir da melhor maneira”, afirmou o francês após
cruzar a meta.
Com este resultado, Magnier
recupera a liderança da classificação geral e segue para o fim de semana
decisivo com uma vantagem de dez segundos sobre Frits Biesterbos, vencedor da
segunda etapa.
Apesar da dureza prevista para
a etapa de sábado, tudo aponta para que a luta pelo triunfo final seja
resolvida apenas na chegada em alto de domingo, naquele que deverá ser o
momento decisivo da edição de 2026 do Tour de Guangxi.

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