Por: José Morais
A União Ciclista Internacional
(UCI) confirmou uma alteração significativa ao sistema de pontuação que entrará
em vigor na época de 2027. A partir desse ciclo, os resultados alcançados por
ciclistas em disciplinas como ciclocrosse, BTT, pista e gravel passarão a
contribuir para o ranking das equipas de estrada, numa medida que pretende
valorizar os atletas mais versáteis e incentivar a participação em várias
vertentes do ciclismo.
A nova regulamentação
permitirá que especialistas multidisciplinares, como Tom Pidcock, Wout van
Aert, Marianne Vos, Filippo Ganna ou Puck Pieterse, acrescentem pontos às
respetivas equipas de estrada através dos desempenhos obtidos fora do pelotão
tradicional. A decisão surge numa altura em que muitos corredores têm sido
levados a abandonar outras disciplinas para se concentrarem exclusivamente na
estrada.
Na prática, serão
contabilizados os pontos conquistados em Campeonatos do Mundo e provas da Taça
do Mundo das diferentes modalidades, bem como nas classificações finais dessas
competições. No entanto, a UCI introduziu um mecanismo para impedir contratações
meramente estratégicas de atletas especializados noutras disciplinas. Para que
os pontos sejam válidos, o corredor terá de figurar entre os 20 ciclistas mais
pontuados da equipa ao longo da época.
Além das competições
organizadas diretamente pela UCI, os resultados alcançados em eventos
multidesportivos regionais, como os Jogos Pan-Americanos, os Jogos Asiáticos ou
os Jogos da Commonwealth, também poderão gerar pontos. Em contrapartida, provas
independentes e circuitos privados, fora da tutela da federação internacional,
ficarão excluídos do novo sistema.
Equipas
Profissionais Encontram Uma Nova Fonte de Pontos
A alteração poderá desempenhar
um papel decisivo para formações que ambicionam subir no ranking mundial. Um
exemplo claro é o de Tom Pidcock: caso conquiste novamente o título mundial de
BTT em 2027, somará 300 pontos para a sua equipa, um valor superior ao
atribuído por um sétimo lugar num Campeonato do Mundo de Estrada.
Os campeões mundiais de elite
nas disciplinas de pista, BTT cross-country, ciclocrosse e gravel receberão
precisamente 300 pontos. Já os vencedores das provas da Taça do Mundo
arrecadarão 200 pontos, mantendo-se uma distribuição progressiva para as restantes
posições classificativas. Em modalidades com calendários extensos, como o
ciclocrosse, onde a Taça do Mundo integra várias rondas ao longo da temporada,
os ganhos acumulados poderão revelar-se extremamente relevantes.
Importa destacar que estes
pontos apenas terão impacto no ranking coletivo das equipas. As classificações
individuais dos atletas permanecerão inalteradas, evitando distorções entre
disciplinas com realidades competitivas muito diferentes.
Quem Pode
Beneficiar Mais da Nova Regra?
Algumas estruturas partem já
com vantagem neste novo cenário. Equipas que contam com corredores ativos em
várias disciplinas terão maiores oportunidades de reforçar os seus totais
pontuais durante a época.
A Cofidis poderá beneficiar da
presença do especialista de pista Benjamin Thomas. Já a Alpecin poderá
capitalizar o forte envolvimento dos seus atletas no ciclocrosse, com nomes
como Mathieu van der Poel, Tibor Del Grosso ou Emiel Verstrynge a surgirem como
potenciais reforços para a contabilidade da equipa durante o inverno.
Também a UAE Team Emirates
poderá retirar proveito dos resultados de Florian Vermeersch no gravel e das
prestações dos irmãos Oliveira na pista, enquanto a INEOS poderá continuar a
somar através da versatilidade de Filippo Ganna.
Ainda assim, o verdadeiro
impacto deverá sentir-se sobretudo entre as equipas de dimensão média ou mais
modesta. Formações como a Caja Rural ou outras equipas Pro Team poderão
encontrar nestas disciplinas uma oportunidade preciosa para ganhar terreno na luta
pelos lugares mais valiosos do ranking internacional.
A comparação é elucidativa: um
título mundial numa destas modalidades valerá 300 pontos, superando inclusive
os 210 pontos atribuídos a uma vitória de etapa no Tour de France. Em
contraste, vencer uma etapa de uma corrida por etapas da categoria 2.Pro rende
apenas 25 pontos, demonstrando a importância estratégica que os resultados fora
da estrada poderão assumir a partir de 2027.
Com entrada em vigor marcada
para o arranque da temporada de 2027, a medida promete alterar a forma como as
equipas planeiam os seus plantéis e abrir uma nova era para os especialistas
multidisciplinares, que passarão a ter um peso ainda maior na batalha pelos
rankings internacionais.




