domingo, 11 de outubro de 2026

“Paul Seixas não abranda: Depois de humilhar os rivais na Lombardia, foi pedalar de BTT menos de 24 horas depois”


Por: José Morais

Paul Seixas continua a desafiar tudo o que parecia possível no ciclismo moderno. Menos de um dia após conquistar uma histórica vitória na Il Lombardia e derrubar um dos registos de Tadej Pogačar na mítica subida de Civiglio, o jovem francês voltou a colocar um dorsal ao peito. Desta vez, trocou a bicicleta de estrada pelo mountain bike e alinhou no exigente Roc d’Azur, em Fréjus.

A maioria dos ciclistas teria escolhido descansar depois de mais de seis horas de esforço num Monumento. No entanto, Seixas mostrou mais uma vez a sua paixão pela competição ao regressar imediatamente à ação. A curta distância entre Como e a Costa Azul permitiu ao corredor da Decathlon CMA CGM marcar presença numa das mais emblemáticas provas de BTT de França, onde teve a companhia do compatriota Bruno Armirail.

Longe de qualquer pressão por resultados, o objetivo era simples: desfrutar da experiência. O francês chegou a integrar o grupo da frente durante os primeiros quilómetros, mas optou por reduzir o ritmo quando o percurso entrou nas secções mais técnicas. A partir daí, pedalou lado a lado com Armirail durante grande parte da corrida.

No final dos 55 quilómetros e após superar mais de 1.200 metros de desnível acumulado, Seixas concluiu a prova na 64.ª posição. A vitória pertenceu ao especialista Jordan Sarrou, que voltou a confirmar o seu domínio na competição, relegando o canadiano Cole Punchard para o segundo lugar após um emocionante sprint final. O norueguês Østen Brovold Midtsundstad completou o pódio.

Após a chegada, Seixas não escondeu a satisfação.

“Queria apenas divertir-me. Quando o percurso ficou demasiado técnico, percebi que alguns corredores estavam a lutar por posições importantes e preferi não interferir. Esperei pelo Bruno e desfrutámos da corrida juntos”, explicou.

O jovem francês admitiu ainda que a falta de prática em BTT se fez sentir, sobretudo nas descidas.

“Já não andava numa bicicleta de montanha há mais de um ano. Gostei bastante da experiência, mas também tive alguns sustos. Se voltar a participar, vou precisar de trabalhar mais essa vertente. Não fazia sentido correr riscos desnecessários e acabar lesionado.”

Apesar da aventura fora de estrada, as atenções continuam centradas no feito extraordinário alcançado na Lombardia. Na subida de Civiglio, decisiva para a corrida, Seixas demoliu referências históricas ao completar os 4,2 quilómetros a quase 20 km/h de média. O seu registo de 11 minutos e 54 segundos superou em 38 segundos a marca estabelecida por Tadej Pogačar em 2022, uma demonstração impressionante do seu potencial.

A vitória permitiu-lhe também entrar diretamente para os livros da modalidade. Com apenas 20 anos e 16 dias, tornou-se o mais jovem vencedor da história da Il Lombardia, ultrapassando um recorde que resistia há mais de um século. Além disso, passou a integrar um grupo extremamente restrito de jovens talentos que conseguiram triunfar num Monumento antes dos 21 anos.

O sucesso teve ainda um significado especial para o ciclismo francês, que voltou a celebrar uma vitória num Monumento pela primeira vez desde o triunfo de Julian Alaphilippe na Milão-Sanremo. Para a equipa Decathlon CMA CGM, representou igualmente o primeiro Monumento conquistado em toda a sua história.

Entre recordes, vitórias e exibições memoráveis, Paul Seixas continua a construir uma carreira que promete marcar uma geração. E se alguém pensava que vencer a Lombardia seria motivo para descansar, o francês respondeu da forma mais surpreendente possível: competindo novamente menos de 24 horas depois.

“Per Strand Hagenes salva a honra da Visma e conquista Paris-Tours com ataque demolidor nos quilómetros finais”


Por: José Morais

Num dia em que a Visma-Lease a Bike procurava esquecer a desilusão vivida na Il Lombardia, foi Per Strand Hagenes quem devolveu os motivos para celebrar. O jovem norueguês de 23 anos assinou uma exibição de raça e inteligência táctica ao atacar nos derradeiros dois quilómetros da 120.ª edição da Paris-Tours, isolando-se rumo a uma vitória memorável numa das clássicas mais emblemáticas do calendário.

Apesar da forte perseguição lançada pelos adversários nos metros finais, Hagenes manteve a vantagem até à meta, garantindo um triunfo de prestígio para a equipa neerlandesa. Jasper Stuyven foi o mais forte entre os perseguidores, terminando na segunda posição, enquanto Christophe Laporte, colega de equipa do vencedor, completou o pódio.

 

Fuga numerosa animou grande parte da corrida

 

A prova, disputada ao longo de 216 quilómetros, ficou marcada por uma longa fuga composta por doze corredores que assumiram o protagonismo desde as primeiras fases da corrida. O grupo conseguiu construir uma vantagem confortável e liderou durante grande parte da jornada.

Contudo, o trabalho organizado de equipas como INEOS Grenadiers, Decathlon AG2R La Mondiale e Tudor Pro Cycling começou gradualmente a reduzir a diferença. À medida que a corrida se aproximava dos exigentes sectores de gravilha, o grupo da frente perdeu elementos e acabou reduzido a apenas cinco resistentes.

 

Cascalho, furos e quedas decidiram a corrida

 

A entrada nos sectores não pavimentados transformou completamente a corrida. O ritmo elevado provocou sucessivas quebras no pelotão, enquanto vários favoritos enfrentaram problemas mecânicos e quedas.

Um dos momentos decisivos aconteceu a 57 quilómetros da meta, quando Tim Merlier sofreu um furo que comprometeu definitivamente as suas ambições. Pouco depois, uma queda colectiva eliminou vários nomes importantes, entre eles Arnaud De Lie, Dorian Godon, Anthony Turgis e Mathias Vacek.

Com o pelotão fragmentado e sob forte pressão, as equipas mais poderosas assumiram o comando das operações. Os derradeiros sobreviventes da fuga acabaram alcançados a cerca de 20 quilómetros do final, numa fase em que a corrida entrava definitivamente em terreno de ataques e contra-ataques.

 

Ataques sucessivos antes do golpe final

 

A ofensiva de Pierre Gautherat trouxe nova animação à corrida, obrigando a Visma a assumir a perseguição. Hagenes tentou a ligação ao francês e conseguiu integrar um grupo avançado, mas o entendimento entre os elementos revelou-se insuficiente para manter a vantagem.

Pouco depois, vários corredores voltaram a juntar-se na frente da corrida, formando um grupo restrito de candidatos ao triunfo. A decisão ficou adiada para os quilómetros finais, onde a tensão aumentou a cada metro.

 

O ataque que valeu ouro

 

Já dentro dos últimos três quilómetros, a falta de entendimento entre os homens da frente abriu a porta ao golpe decisivo. Aproveitando uma aceleração de Toms Skujiņš, Hagenes lançou um ataque explosivo e encontrou imediatamente espaço para se distanciar.

A reacção dos adversários demorou alguns segundos e revelou-se fatal. Stuyven ainda tentou a recuperação em solitário, mas o norueguês manteve-se firme e cruzou a linha de meta isolado, levantando os braços para celebrar uma das mais importantes vitórias da sua carreira.

O triunfo representa a quinta vitória profissional de Per Strand Hagenes e a segunda da temporada, confirmando o excelente momento de forma do corredor da Visma-Lease a Bike e oferecendo à equipa um final de fim de semana muito mais feliz após a frustração vivida na Lombardia.

“José Borges assume liderança da taça de Portugal de enduro em Proença-a-Nova”


Fotos: Licínio Florêncio / FPC

A quinta e penúltima Taça de Portugal de Enduro presented by Shimano disputou-se este domingo, em Proença-a-Nova, proporcionando mais uma jornada de competição intensa e importante para as contas da Classificação Geral. Na Elite masculina, José Borges (AD Galomar / FACCO) conquistou a vitória, após ser o mais rápido nas especiais cronometradas, assumindo igualmente a liderança da Taça, quando falta apenas uma prova para o final da temporada.

O Campeão Nacional de Enduro concluiu a competição em 15m15s690, superando Jimmy Silva (Clube Caniço Riders - SOMEQ), segundo classificado, por apenas 3,02 segundos. Joaquim Meneses (Bicisintra / GásMucifal) fechou o pódio, a 24,64 segundos do vencedor.

Nas bicicletas de assistência elétrica, Rodrigo Cerdeira (JR87racing Team-ADC Alfarazes-Guarda) foi o mais forte na categoria E-Elite masculina, batendo o colega de equipa Afonso Pinto e Cláudio Silva (BTT Enduro Terras de Bouro). Quanto à E-Elite feminina, Ana Leite (AXPO Team Vila do Conde) voltou a confirmar o seu domínio, somando mais uma vitória esta temporada.


Nos restantes escalões, Matias Camacho (Clube Caniço Riders - SOMEQ) venceu entre os Sub-23 masculinos, enquanto Joaquim Meneses (Bicisintra / GásMucifal) foi o mais rápido nos Sub-19 masculinos. Em Sub-17, Francisco Correia (Clube Caniço Riders - SOMEQ) voltou a triunfar na competição masculina e Matilde Sanches (Escola BTT Raposas de Alenquer) venceu entre as femininas. Já Simão Sousa foi o vencedor em Sub-15 masculinos.

Nas categorias de Masters, os vencedores foram Ivo Faustino (AD Galomar / FACCO), em Master 30 e o colega de equipa, Pedro Ferreira, em Master 35. Márcio Ferreira (Bicisintra / GásMucifal) venceu em Master 40, Nuno Lopes (A.D.A.R. / OFIMOTO) em Master 45, David Guerra (RÓÓDINHAS / Master Vantagem) em Master 50, e João Gonçalves (Mirachoro Hotels-Centro Ciclismo de Portimão-La Gioconda) em Master 55.

A AD Galomar / FACCO foi a equipa mais pontuada da jornada beirã, à frente do Clube Caniço Riders - SOMEQ e da Bicisintra / GásMucifal, reforçando assim a liderança da classificação coletiva da Taça de Portugal de Enduro.


A uma prova do final da competição, as contas dos títulos permanecem em aberto em algumas categorias. Na Elite masculina, José Borges passou para a liderança da Classificação Geral, com 800 pontos, dispondo agora de uma vantagem de 30 pontos sobre Jimmy Silva. Entre as femininas, Ana Luz (Bicisintra / GásMucifal) mantém o primeiro lugar da Geral, após mais uma prova em que voltou a não haver participação na categoria Elite feminina, tal como aconteceu na quarta ronda, em São Brás de Alportel.

Nas E-Bikes, Rodrigo Cerdeira assumiu a liderança da categoria E-Elite masculina, somando agora 515 pontos, apenas mais cinco do que o colega de equipa, Afonso Pinto. Já Ana Leite continua firme no comando da E-Elite feminina, liderando confortavelmente a classificação, com o máximo de 1000 pontos conquistados.

Por outro lado, continuam a destacar-se alguns exemplos notáveis de regularidade ao longo da época. Pedro Ferreira (Master 35) e Ana Leite (E-Elite feminina) mantêm o pleno de vitórias, enquanto Francisco Correia continua destacado no topo da classificação de Sub-17 masculinos, aproximando-se também da conquista da Taça.

A Taça de Portugal de Enduro presented by Shimano termina nos dias 31 de outubro e 1 de novembro, na ilha de Santa Maria, nos Açores, onde serão conhecidos os vencedores finais da edição de 2026.

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

“Triatlo Nacional de Clubes: Torres Novas vence em São Jacinto”


O Clube de Natação de Torres Novas venceu a penúltima etapa do Campeonato Nacional de Clubes de Triatlo, disputada em São Jacinto, tanto no sector masculino como feminino.

Entre os homens, a equipa torrejana fechou com os quatro triatletas nos quatro primeiros lugares. Ricardo Batista foi o mais rápido, terminando a distância olímpica (1,5km/ 40km/ 10km) em 01:45:24, com menos dois segundo do que o irmão, João Nuno Batista. O pódio ficou completo com Gustavo do Canto.

Em termos colectivos, o Sporting Clube de Portugal terminou a prova de São Jacinto na segunda poisção, enquanto o Outsystems Olímpico de Oeiras fechou o pódio.

Classificação idêntica aconteceu no sector feminino, com Bethany Cock a vencer, seguida por Inês Rico e Cassilda Carvalho, todas do CN Torres Novas.

O Campeonato Nacional de Clubes termina no próximo dia 25 de Outubro, em Sesimbra, com o CN Torres Novas na liderança em ambos os sectores.

Fonte: Federação Triatlo Portugal

“Ivo Oliveira brilha no Japão, conquista Kyushu e assume comando da corrida”


Por: José Morais

Ivo Oliveira voltou a fazer história em terras japonesas ao celebrar a sua primeira vitória da temporada, triunfando este domingo na segunda etapa do Tour de Kyushu e assumindo a liderança da classificação geral da competição.

O corredor da UAE Emirates foi o mais forte na reta final dos 127,8 quilómetros que ligaram Bungoono a Minamiaso, impondo-se num sprint disputado ao australiano William Heffernan e ao neozelandês Luke Mudgway. Os três ciclistas cortaram a meta com o mesmo tempo, mas o português revelou maior explosão nos metros decisivos para erguer os braços pela primeira vez em 2026.

O triunfo representa um momento particularmente importante para o atleta de Vila Nova de Gaia, que soma agora a oitava vitória da carreira como profissional e reforça a confiança numa fase decisiva da época. Antigo campeão nacional de fundo e de contrarrelógio, Oliveira confirmou a sua excelente forma num percurso exigente e marcado por forte competitividade internacional.

Além da vitória na etapa, o português conquistou também a camisola de líder da prova japonesa. À entrada para a derradeira jornada, dispõe de sete segundos de vantagem sobre Luke Mudgway e de nove segundos sobre William Heffernan, colocando-se numa posição privilegiada para lutar pela conquista final do Tour de Kyushu.

A competição termina na segunda-feira com uma etapa de 123,6 quilómetros em Miyazaki, onde Oliveira tentará defender a liderança e transformar a brilhante exibição deste fim de semana num triunfo absoluto.

 

Vitória surge na antecâmara dos Mundiais

 

O sucesso alcançado no Japão surge numa altura ideal para o ciclista português, que se prepara para representar Portugal nos Campeonatos do Mundo de Pista. A competição mundial decorrerá entre 14 e 18 de outubro, no Velódromo de Xangai, na China, constituindo um dos grandes objetivos internacionais da reta final da temporada.

Com a moral reforçada por este triunfo e a liderança da corrida japonesa no bolso, Ivo Oliveira chega aos compromissos mundiais com sinais claros de confiança e ambição renovada.

“Triatlo: estafeta conquista bronze em Roma e já tem os olhos em LA”


Portugal conquistou este domingo a medalha de bronze na estafeta mista da Taça do Mundo de triatlo de Roma, em Itália, dando mais um importante passo rumo à presença nos Jogos Olímpicos de LA 2028.

A equipa portuguesa, constituída por Maria Tomé, João Nuno Batista, Mariana Vargem e Miguel Tiago Silva, completou as quatro etapas em 1:18.34 horas, terminando a 1.11 minutos da Grã-Bretanha, vencedora da prova em 1:17.23. A Itália, a competir perante o seu público, assegurou a medalha de prata, com 1:18.20.

Com este resultado, Portugal passa a somar um terceiro, um quinto e um sexto lugar no ranking de qualificação olímpica, o que lhe permite assumir a segunda época de qualificação com alguma margem.

A estafeta portuguesa começou com Maria Tomé, seguindo-se João Nuno Batista e Mariana Vargem, antes de Miguel Tiago Silva assumir a quarta e última etapa.

Cada triatleta cumpriu 300 metros de natação, sete quilómetros de ciclismo e 1,7 quilómetros de corrida, num formato curto e intenso em que as diferenças entre as principais seleções se mantiveram reduzidas durante grande parte da competição.

A Grã-Bretanha, representada por Olivia Mathias, Connor Bentley, Kate Waugh e pelo campeão olímpico Alex Yee, construiu a vitória sobretudo durante a terceira etapa, quando Waugh conseguiu abrir uma vantagem importante no segmento de ciclismo. Alex Yee recebeu depois a estafeta com margem suficiente para confirmar o triunfo britânico.

Esta é a segunda vez que Portugal consegue subir ao pódio na prova de estafetas mistas, depois de 2024 ter alcançado a prata em Napier.

Fonte: Federação Triatlo Portugal

Ficha Técnica

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