sábado, 10 de outubro de 2026

“Paul Seixas conquista a Lombardia e entra para a história: Jovem francês derruba favoritos e faz cair um recorde centenário”


Por: José Morais

Paul Seixas continua a escrever uma das histórias mais impressionantes do ciclismo mundial. O francês da Decathlon CMA CGM conquistou este sábado a Il Lombardia, aos apenas 20 anos, tornando-se o mais jovem vencedor da história da clássica italiana e assinando o primeiro Monumento da sua carreira numa exibição de enorme autoridade.

Num percurso marcado por ataques constantes e pela seleção natural das montanhas lombardas, Seixas lançou a ofensiva decisiva a pouco mais de 18 quilómetros da meta. Com uma aceleração progressiva, mas devastadora, deixou para trás todos os adversários e seguiu isolado rumo a uma vitória memorável.

Atrás dele, Enric Mas (Movistar) ainda tentou reduzir a diferença nos quilómetros finais. O espanhol conseguiu destacar-se de Giulio Ciccone (Lidl-Trek) na perseguição, mas nunca foi capaz de ameaçar o jovem francês, que cruzou a meta sozinho com 49 segundos de vantagem. Ciccone fechou o pódio na terceira posição.

Entre os grandes derrotados do dia estiveram Remco Evenepoel e Isaac Del Toro. O belga da Red Bull perdeu contacto com os principais candidatos durante as dificuldades montanhosas e acabou por terminar em quarto lugar, vencendo o sprint do grupo perseguidor. Já Del Toro, condicionado por problemas físicos num joelho, viu as suas ambições desaparecerem cedo e cedeu mais de cinco minutos na classificação final.

 

Corrida começou sob o sinal do protesto

 

Antes mesmo do arranque, a jornada ficou marcada por uma demonstração de solidariedade do pelotão. Os ciclistas decidiram atrasar a partida durante cinco minutos como forma de protesto contra falhas nas condições de segurança do ciclismo profissional, numa homenagem à memória de Finlay Tarling.

Depois do arranque real, vários ataques animaram os primeiros quilómetros até que se consolidou uma fuga numerosa de quinze corredores. Com representantes de muitas das principais equipas, os escapados chegaram a dispor de quase três minutos de vantagem, enquanto UAE Team Emirates, Red Bull e Decathlon mantinham a situação sob controlo no pelotão.

À medida que a corrida se aproximava das montanhas decisivas, Ben O'Connor assumiu o protagonismo entre os fugitivos, endurecendo a prova e fragmentando o grupo da frente. No entanto, o destino da corrida já estava a ser preparado entre os favoritos.

 

UAE endurece, Seixas sentencia

 

As primeiras movimentações sérias entre os candidatos surgiram a cerca de 60 quilómetros da chegada, quando vários nomes tentaram antecipar a batalha final. Ainda assim, tudo acabaria por se decidir na subida para Civiglio.

A UAE Team Emirates assumiu o comando do pelotão com Adam Yates a impor um ritmo esmagador. Foi então que Paul Seixas lançou o movimento que mudaria por completo a corrida. Primeiro deixou dificuldades a Evenepoel, pouco depois fez ceder Del Toro e, por fim, soltou também Tom Pidcock e Giulio Ciccone.

Sem explosões violentas, mas com uma potência constante e implacável, o francês abriu segundos preciosos em cada curva e consolidou rapidamente uma vantagem impossível de recuperar.

Quando entrou na derradeira subida de San Fermo della Battaglia, a corrida estava praticamente decidida. Seixas aumentou ainda mais a diferença e pedalou sozinho para um dos triunfos mais marcantes da temporada.

 

Um feito para a eternidade

 

A vitória tem um significado histórico especial. Depois de cinco triunfos consecutivos de Tadej Pogačar, a Lombardia volta a conhecer um vencedor diferente. Mais do que isso, Seixas tornou-se o mais jovem vencedor da história da clássica das folhas caídas, superando um recorde que resistia desde 1905.

O talento francês torna-se igualmente o mais jovem vencedor de qualquer Monumento do ciclismo desde 1944, confirmando o enorme potencial que muitos já lhe apontavam.

Este triunfo fecha uma temporada extraordinária para Seixas, que já havia brilhado com vitórias na Flèche Wallonne, na Itzulia Basque Country e na Faun-Ardèche Classic, além de vários pódios em algumas das mais prestigiadas corridas do calendário internacional.

Aos 20 anos, Paul Seixas deixou de ser apenas uma promessa. Em Como, diante dos olhos do mundo, transformou-se definitivamente numa das novas referências do ciclismo mundial.

“Lombardia pára em sinal de alerta Remco Evenepoel liderou protesto: Pelotão exige mais segurança após tragédia de Finlay Tarling”


Por: José Morais

A Volta à Lombardia teve este sábado um início invulgar, com os ciclistas a atrasarem deliberadamente a partida da corrida numa ação simbólica destinada a alertar para os crescentes problemas de segurança no ciclismo profissional. O gesto surgiu na sequência de vários incidentes graves registados nas estradas, entre eles a morte do jovem britânico Finlay Tarling durante a Volta a Portugal.

A decisão do pelotão pretendeu chamar a atenção para uma realidade que continua a preocupar atletas e equipas: a presença indevida de veículos em percurso de competição, uma situação que tem provocado acidentes, lesões graves e, em alguns casos, perdas humanas.

Em nome dos corredores, Remco Evenepoel explicou os motivos da manifestação, sublinhando que o ciclismo já pagou um preço demasiado elevado. O campeão europeu recordou a morte de Finlay Tarling, irmão do também ciclista Josh Tarling, e defendeu que chegou o momento de exigir mudanças concretas para proteger quem compete nas estradas.

O belga deixou ainda uma mensagem clara dirigida aos organizadores das provas internacionais, apelando a um reforço das medidas de segurança. Segundo Evenepoel, os atletas devem poder competir sem o receio constante de encontrarem carros ou motas em zonas reservadas à corrida.

Concluído o protesto, o pelotão retomou o programa previsto e arrancou para a disputa da Volta à Lombardia, a clássica italiana conhecida como a “corrida das folhas caídas” e considerada o mais longo dos cinco Monumentos do ciclismo mundial.

 

Família de Tarling agradece gesto dos corredores

 

A iniciativa mereceu o reconhecimento da família de Finlay Tarling. Nas redes sociais, o pai do jovem ciclista, Michael Tarling, manifestou profunda gratidão pelo apoio demonstrado pelos profissionais presentes na Lombardia.

Visivelmente emocionado, destacou a solidariedade do pelotão e afirmou sentir orgulho pelo facto de os colegas do filho terem utilizado uma das maiores corridas do calendário para exigir melhores condições de segurança.

Michael Tarling defendeu ainda que o desporto necessita urgentemente de mudanças estruturais, lembrando a dor vivida pela família após a notícia recebida a 14 de agosto. O britânico expressou a esperança de que a União Ciclista Internacional escute o apelo dos corredores e implemente medidas capazes de evitar que outras famílias enfrentem tragédias semelhantes no futuro.

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