sexta-feira, 23 de outubro de 2026

“Afonso Eulálio assume liderança nacional, enquanto Tadej Pogacar continua a mandar no ciclismo mundial”


Por: José Morais

Tadej Pogacar encerrou mais uma temporada no topo da hierarquia internacional, mas as atenções portuguesas centram-se agora em Afonso Eulálio, que termina o ano como o ciclista nacional mais bem classificado no ranking mundial. A alteração reflete uma profunda mudança no panorama português, marcada pela forte descida de João Almeida e pela ascensão de uma nova geração de corredores.

Apesar de ter visto a sua época terminar mais cedo devido à queda sofrida na Volta a Espanha, Tadej Pogacar conservou o primeiro lugar da classificação mundial, posição que ocupa de forma consecutiva desde 2021. O esloveno continua a liderar com autoridade, embora a diferença para os perseguidores seja agora menor.

Na segunda posição surge Remco Evenepoel, enquanto os jovens Isaac del Toro e Paul Seixas confirmam o estatuto de estrelas emergentes do pelotão internacional ao integrarem o grupo dos quatro melhores do mundo. Entre as equipas, a UAE Emirates voltou a demonstrar a sua superioridade coletiva, colocando vários corredores nos lugares de destaque.

Do lado português, a maior novidade foi protagonizada por Afonso Eulálio. O corredor da Bahrain-Victorious alcançou pela primeira vez o estatuto de número um nacional ao concluir a temporada no 51.º lugar da tabela mundial, resultado que confirma a evolução consistente demonstrada ao longo do ano.


António Morgado também voltou a destacar-se, conseguindo permanecer entre os cem melhores do ranking e consolidando-se como uma das principais figuras do futuro do ciclismo português.

Em sentido inverso, João Almeida registou a quebra mais significativa entre os corredores lusos. Depois de terminar a época anterior entre os cinco melhores do mundo, caiu para a 212.ª posição, uma descida que teve forte impacto na classificação coletiva de Portugal.

A perda de milhares de pontos por parte do corredor da UAE Emirates refletiu-se diretamente no ranking das nações, onde Portugal sofreu uma queda acentuada, descendo do 12.º para o 20.º lugar mundial.

Enquanto Pogacar continua a dominar a cena internacional, a temporada fica igualmente marcada pelo aparecimento de novos talentos e pela redefinição das principais referências do ciclismo português, com Afonso Eulálio a encerrar o ano como a grande figura nacional da classificação mundial.

 

Top 10 do Ranking Mundial

 

1.º Tadej Pogacar (UAE Emirates) - 9.332 pontos

 2.º Remco Evenepoel (Red Bull-Bora) - 7.192 pontos

 3.º Isaac del Toro (UAE Emirates) - 5.606 pontos

 4.º Paul Seixas (Decathlon-CMA CGM) - 5.580 pontos

 5.º Tom Pidcock (Pinarello Q36.5) - 4.411 pontos

 6.º Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) - 4.161 pontos

 7.º Wout van Aert (Visma-Lease a Bike) - 3.759 pontos

 8.º Jasper Philipsen (Alpecin-Deceuninck) - 3.666 pontos

 9.º Felix Gall (Decathlon-CMA CGM) - 3.425 pontos

 10.º Mathieu van der Poel (Alpecin-Deceuninck) - 3.405 pontos

 

Melhores portugueses

 

51.º Afonso Eulálio (Bahrain-Victorious) - 1.366 pontos

 87.º António Morgado (UAE Emirates) - 1.003 pontos

 212.º João Almeida (UAE Emirates) - 469 pontos

 237.º Alexis Guérin (Anicolor-Tien 21) - 425 pontos

 258.º Ivo Oliveira (UAE Emirates) - 381 pontos

 297.º Tiago Antunes (Efapel) - 337 pontos

 375.º Iúri Leitão (Caja Rural-Seguros RGA) - 270 pontos

 505.º Artem Nych (Anicolor-Tien 21) - 177 pontos

 526.º Rui Oliveira (UAE Emirates) - 164 pontos

 593.º Pedro Silva (Feira Sofás-Boavista) - 141 pontos.

“Recordemos, que saudades de ver as estradas assim…”


Por: José Morais

Hoje fui ao baú das recordações, e o que encontrei, duas fotos com 14 anos, foram tiradas em 2012, no 5º Mega Passeio Lisboa/Santarém, para o festival bike, que infelizmente ficou pelo caminho, tanto o passeio como o festival.

Uma, de um pelotão de cicloturistas onde juntou mais de 1300 participantes nesse ano, a foto feita no ano anterior em 2011, que nesse ano juntou quase 1600 cicloturistas, o que se pode ver pela extensão do pelotão, algo impensável atualmente de conseguir juntar hoje.

A outra, eu no final do passeio a trabalhar na preparação de mais uma reportagem, na altura em que ainda acreditava, num passeio de minha autoria que apresentei a quem de direito, e num projeto onde trabalhei ao longo de muitos anos, que me desmotivou, que me desiludiu, e atualmente deixa muito a desejar.

Mas recordar é viver, e o respeito por quem participou e apoiou, merece ser relembrado.

Recordemos…

“UAE domina, Uno-X surpreende e equipa de Carapaz fecha a Época fora do top 18”


Por: José Morais

A temporada chegou ao fim e o ranking final da União Ciclista Internacional (UCI) confirmou tendências esperadas, mas também deixou várias histórias marcantes para análise. Entre subidas, quedas e lutas pelos lugares mais cobiçados da classificação, uma das maiores surpresas foi a posição da NSN Cycling Team, futura equipa de Richard Carapaz, que terminou apenas no 19.º lugar.

No topo da hierarquia mundial, a UAE Team Emirates-XRG voltou a afirmar-se como a grande potência do ciclismo internacional. A formação dos Emirados encerrou o ano com mais de 30 mil pontos, construindo uma vantagem superior a 5.500 pontos sobre a Red Bull-BORA-hansgrohe, segunda classificada. A Team Visma | Lease a Bike completou o pódio, enquanto a Decathlon AG2R La Mondiale garantiu a quarta posição.

 

Uno-X entra na elite do top 10

 

Entre os principais destaques da classificação final está a ascensão da Uno-X Mobility. A equipa nórdica conseguiu terminar na nona posição, ultrapassando a Soudal Quick-Step e confirmando a evolução consistente demonstrada ao longo da época.

Mais abaixo na tabela, a luta pelos lugares intermédios manteve-se intensa até aos últimos eventos do calendário. A Lotto Intermarché fechou o ano no 16.º lugar, à frente da Tudor Pro Cycling Team, enquanto a Cofidis assegurou a 18.ª posição e empurrou a NSN para fora do grupo dos dezoito primeiros classificados.

Apesar desta descida, a situação da equipa que contará com Richard Carapaz não terá consequências imediatas em termos de licença WorldTour, uma vez que o actual ciclo de licenciamento continua garantido.

 

Cofidis garante o último lugar entre os dezoito melhores

 

A batalha pelos lugares finais do top 18 foi uma das mais equilibradas da classificação. A Cofidis conseguiu manter-se dentro da zona mais competitiva do ranking, terminando com uma ligeira vantagem sobre a NSN.

As diferenças pontuais entre várias equipas nesta zona da tabela foram reduzidas durante grande parte da temporada, originando constantes alterações de posição ao longo das últimas semanas de competição.

 

Euskaltel cumpre objectivo, Picnic afunda-se

 

Outra disputa seguida com grande atenção foi a corrida pelos 30 primeiros lugares do ranking. Esta barreira assume especial importância, uma vez que influencia o acesso a convites para algumas das maiores provas do calendário internacional.

A Euskaltel-Euskadi conseguiu alcançar o objectivo ao terminar na 28.ª posição, garantindo presença dentro do grupo privilegiado. Em sentido contrário, a Bardiani CSF ficou fora do top 30 e viu escapar essa meta.

Ainda mais preocupante foi o desempenho da Picnic PostNL. A equipa neerlandesa, actualmente integrada na principal divisão do ciclismo mundial, concluiu a época apenas no 30.º lugar, um resultado que espelha uma temporada extremamente difícil e muito abaixo das expectativas.

 

Top 10 Final do Ranking UCI de Equipas

 

1 UAE Team Emirates-XRG – 30.982 pontos

2 Red Bull-BORA-hansgrohe – 25.465 pontos

3 Team Visma | Lease a Bike – 23.129 pontos

4 Decathlon AG2R La Mondiale – 20.663 pontos

5 Lidl-Trek – 19.362 pontos

6 XDS Astana Team – 16.417 pontos

7 Bahrain Victorious – 14.044 pontos

8 INEOS Grenadiers – 12.864 pontos

9 Uno-X Mobility – 12.726 pontos

10 Soudal Quick-Step – 12.458 pontos

11      Alpecin – Premier Tech         WT    11.621,72

12      Equipe de Ciclismo Pinarello Q36.5 Pro PRT  10.863,50

13      Equipe Movistar  WT    10.778,10

14      Equipe Jayco AlUla      WT    10.724,54

15      Educação EF – EasyPost     WT    10.710,27

16      Lotto Intermarché         WT    10.478,33

17      Equipe Tudor Pro Cycling     PRT  10.462,37

18      Cofidis        PRT  9.740,36

19      Equipe de Ciclismo NSN       WT    9.714,33

20      Groupama – FDJ United       WT    9.343,92

21      TotaisEnergias    PRT  7.366,99

22      Unibet Rose Rockets   PRT  7.219,00

23      Caja Rural – RGA Insurance PRT  4.893,58

24      Burgos Burpellet BH    PRT  4.240,91

25      Equipe Polti VisitMalta PRT  3.958,15

26      Técnico de Soluções NIPPO Rali  PRT  3.412,35

27      Equipe Kern Pharma   PRT  3.090,30

28      Euskaltel – Euskadi     PRT  2.912,26

29      Forte de Telecomunicações do MBH Bank CSB       PRT          2.879,00

30      Piquenique da Equipe Pós-NL       WT    2.822,00

31      Bardiani CSF 7 Sabre  PRT  2.694,15

32      Li Ning Star         CT     2.508,33

33      Roojai Insurance Winspace  CT     1.820,33

34      Red Bull – BORA – Novatos do Hansgrohe     CT     1.704,70

35      Equipe de Desenvolvimento XDS Astana        CT     1.511,38

36      Ciclismo Moderno Profissional de Aventura     PRT  1.495,00

37      Equipe de Ciclismo de Terengganu         CT     1.342,00

38      Equipe Madar Pro Cycling    CT     1.304,66

39      Equipe Visma | Arrende um Desenvolvimento de Bicicletas          CT     1.299,00

40      ATT Investments CT     1.250,00

41      Lidl – Trek Future Racing      CT     1.226,09

42      Equipe de Ciclismo Energus CT     1.217,36

43      China Anta – Equipe de Ciclismo Mentech      CT     1.131,34

44      Equipe United Shipping         CT     1.122,00

45      Equipe UKYO      CT     1.093,00

46      Equipe Devo Soudal Quick-Step   CT     1.081,88

47      Equipe Flandres – Baloise    PRT  1.064,97

48      Van Rysel Roubaix       CT     931,00

49      Equipe Medellín – EPM         CT     924,00

50      Lotto – Groupe Wanty  CT     922,00

51      Equipe de Desenvolvimento de CGM da Decathlon CMA CT          907,00

52      Academia Profissional de Ciclismo CIC CT     871,00

53      UAE Team Emirates Gen Z  CT     846,00

54      Equipe Brennan  CT     832,00

55      Equipe de Desenvolvimento Vitoriosa do Bahrein    CT          815,00

56      BEAT CC p/b Sax         CT     791,00

57      Anicolor / Campicarn   CT     753,00

58      Kasper crypto4me        CT     733,00

59      Equipe Amani      CT     720,66

60      Tarteletto – Isorex        CT     710,00

61      Equipe Chengdu com Rotor de Topo      CT     702,00

62      Melhor PC Equador     CT     654,00

63      Equipe ColoQuick        CT     625,00

64      CCACHE x BODYWRAP      CT     612,00

65      Loja de Conveniências – Essegibi – F.lli Curia          CT          603,00

66      Equipe Tudor Pro Ciclismo Sub-23         CT     591,67

67      Localize Meoo / Swift Pro Cycling CT     589,00

68      GW Erco SportFitness CT     588,00

69      Equipe de Ciclismo 7 Saber Uzbequistão        CT     556,00

70      Nu Colômbia       CT     538,00

71      Konya Büyükşehir Belediye Spor  CT     529,00

72      Netcompany INEOS Racing Academy    CT     524,00

73      Efapel Cycling     CT     521,00

74      Metec – Toalha de mesa SOLARWATT p/b     CT     514,00

75      Equipe de Desenvolvimento da NSN      CT     486,00

76      Equipe de Desenvolvimento Picnic PostNL     CT     476,00

77      Equipe de Ciclismo Spor Toto        CT     460,00

78      Clube Swatt         CT     445,00

79      Hrinkow Advarics          CT     423,00

80      Equipe Siscredito         CT     418,00

81      Aarco          CT     407,00

82      Equipe de Ciclismo Esportivo Sortudo    CT     404,17

83      Equipe de Corrida Kinan       CT     397,66

84      Equipe Esportiva Huansheng – Vonoa – Taishan     CT          394,00

85      L39ION de Los Angeles        CT     390,00

86      Equipe de Ciclismo Elite Foundationations      CT     384,00

87      Hagens Berman Jayco          CT     378,00

88      Equipe Lotto Kern-Haus Outlet Montabaur      CT     366,00

89      Groupama-FDJ United CT    CT     363,00

90      Equipe de Ciclismo Tirol KTM        CT     357,00

91      Equipe de Ciclismo China Meitan  CT     348,00

92      REMBE | Rad-Net        CT     333,01

93      Equipe de Ciclismo EEW-VDK       CT     332,00

94      Equipe de Ciclismo da Ucrânia      CT     327,67

95      St Michel – Preferência Home – Auber93        CT     327,00

96      FENIX – SCOM – Equipe de Ciclismo de Hengxiang        CT          321,17

97      Equipe de Corrida Aisan       CT     318,33

98      Feira dos Sofas – Boavista   CT     314,00

99      Equipe Vorarlberg        CT     314,00

100   Plus Performance – ZEO Sport      CT     313,00

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

“Paris-Roubaix no horizonte? Remco Evenepoel sonha com o inferno do norte e Red Bull dá luz verde para 2027”


Por: José Morais

A possibilidade de ver Remco Evenepoel alinhar pela primeira vez na lendária Paris-Roubaix em 2027 começa a ganhar contornos cada vez mais reais. Depois de descobrir o sabor das grandes clássicas de pavé esta temporada, o campeão olímpico belga parece determinado a explorar novos desafios, contando com o total apoio da estrutura da Red Bull-Bora-hansgrohe.

A abertura da equipa foi assumida por Ralph Denk, responsável máximo da formação alemã, que considera que o talento de Evenepoel pode adaptar-se perfeitamente às exigências de uma das provas mais duras e emblemáticas do ciclismo mundial. Para o dirigente, a chave está apenas na vontade do corredor e na preparação adequada para uma corrida que exige características muito particulares.

Segundo Denk, a equipa não vê razões para receios relacionados com quedas, lesões ou possíveis impactos nos objetivos principais da temporada. Pelo contrário, acredita que uma abordagem cuidada poderá permitir ao belga lutar por um resultado de destaque num cenário historicamente reservado aos maiores especialistas do empedrado.

O fascínio de Evenepoel pelas clássicas do norte intensificou-se depois da sua estreia na Volta a Flandres, onde protagonizou uma exibição de elevado nível. Numa corrida dominada por Tadej Pogacar e Mathieu van der Poel, o belga cruzou a meta na terceira posição, confirmando que também pode ser competitivo nos terrenos mais exigentes da Bélgica.

Essa experiência deixou uma marca profunda. Mais do que o resultado, ficou a sensação de que poderia ter estado ainda mais perto dos dois maiores nomes da modalidade. A incapacidade de responder ao ataque decisivo nos momentos finais aumentou a sua motivação para regressar às clássicas de pavé com ambições renovadas.

Uma eventual participação na Paris-Roubaix obrigará, contudo, a uma reformulação do seu calendário competitivo. O próprio Evenepoel já admitiu que a época da sua chegada à Red Bull-Bora-hansgrohe foi construída de forma diferente, muito influenciada pela necessidade de afirmar rapidamente o seu valor dentro da nova equipa.

Para os próximos anos, a estratégia deverá passar por períodos de preparação mais específicos e direcionados para os grandes objetivos. O belga reconhece que o sucesso nas provas mais importantes depende de blocos de treino cuidadosamente planeados, uma abordagem que pretende aprofundar no futuro.

Com a confiança da equipa assegurada e a curiosidade do corredor a aumentar, a porta para o Inferno do Norte está oficialmente aberta. Falta apenas saber se, em 2027, Remco Evenepoel transformará a ambição em realidade e se estará pronto para enfrentar os míticos setores de empedrado que fizeram da Paris-Roubaix uma das corridas mais temidas e prestigiadas da história do ciclismo.

“Vulcão decide a glória: Puy de Dôme promete um final épico no Tour de França feminino de 2027”


Por: José Morais

O Tour de França Feminino de 2027 prepara-se para oferecer uma das edições mais exigentes e espetaculares da sua história. Entre 30 de julho e 7 de agosto, o pelotão percorrerá Inglaterra e França numa viagem de nove etapas que culminará numa subida lendária ao Puy de Dôme, cenário escolhido para decidir a vencedora da camisola amarela.

A organização revelou um percurso desenhado para manter a incerteza até ao último dia. A competição arrancará em Leeds, atravessará algumas das regiões mais emblemáticas do norte de Inglaterra e introduzirá uma novidade absoluta: o primeiro contrarrelógio coletivo realizado na história da prova feminina.

A diretora da corrida, Marion Rousse, apresentou um traçado que combina inovação, espetáculo e montanha, apostando numa construção progressiva da luta pela classificação geral. O objetivo é claro: criar uma corrida aberta desde o primeiro quilómetro e reservar a decisão definitiva para a derradeira subida rumo ao topo do vulcão de Auvergne.

 

Inglaterra abre as hostilidades

 

A aventura começará em território britânico com duas etapas que prometem muito mais dificuldades do que aparentam à primeira vista. As estradas onduladas de Yorkshire e das regiões vizinhas deverão provocar cortes, ataques e diferenças entre as principais candidatas ao triunfo final.

A jornada inaugural ligará Leeds a Manchester, enquanto a segunda etapa unirá Manchester a Sheffield. Os constantes sobe-e-desce poderão transformar cada quilómetro numa armadilha, obrigando as equipas favoritas a manter uma vigilância permanente.

O terceiro dia levará a corrida para o coração de Londres, onde será disputado um contrarrelógio por equipas. Este exercício coletivo introduzirá uma componente estratégica inédita, premiando a coesão dos blocos e a capacidade das formações mais fortes em trabalhar como uma única unidade. Numa modalidade frequentemente dominada pelas escaladoras, o desempenho das equipas poderá assumir um papel decisivo na classificação geral.

 

França prepara o terreno para os ataques

 

Depois da travessia do Canal da Mancha, o pelotão encontrará etapas propícias a movimentações ofensivas. As chegadas em Calais e Magnanville oferecem terrenos favoráveis às corredoras explosivas e às aventureiras que procuram surpreender as equipas das velocistas.

Bourges surge como a oportunidade mais favorável para uma chegada ao sprint, mas também marcará o fim da relativa tranquilidade. A partir daí, a corrida entrará na sua fase decisiva.

 

O Maciço Central será o grande juiz

 

Os três últimos dias concentram as principais dificuldades montanhosas da edição. A primeira batalha acontecerá em La Loge des Gardes, subida capaz de provocar diferenças importantes entre as melhores escaladoras.

No dia seguinte, a estrada até Clermont-Ferrand exigirá resistência e regularidade. Com várias ascensões distribuídas ao longo da etapa, o desgaste acumulado poderá ser tão determinante quanto os ataques lançados nas rampas finais.

Mas o verdadeiro momento da verdade ficará reservado para o encerramento da corrida. O Puy de Dôme regressará ao centro das atenções como palco da etapa final. Sem oportunidades de recuperação e sem margem para corrigir erros, as candidatas à vitória terão de enfrentar uma das montanhas mais emblemáticas do ciclismo francês para conquistar o amarelo.

A campeã neerlandesa Demi Vollering surge, desde já, como uma das principais favoritas a brilhar neste terreno, embora o percurso apresente obstáculos suficientes para manter a disputa totalmente em aberto até ao último metro.

 

Os fãs também entram em ação

 

As celebrações não terminarão com a chegada das profissionais. No dia 8 de agosto, milhares de ciclistas amadores terão a oportunidade de viver a experiência do Tour através da terceira edição da L'Étape du Tour de France Femmes avec Zwift.

O percurso percorrerá algumas das mais impressionantes paisagens vulcânicas da região de Auvergne, incluindo várias subidas emblemáticas que marcarão a corrida das profissionais.

 

Castelli regressa ao amarelo

 

A apresentação da edição de 2027 trouxe ainda uma novidade fora da estrada. A marca italiana Castelli será responsável pelas camisolas distintivas da prova, regressando assim ao universo do Tour após uma ligação histórica ao ciclismo que marcou o final da década de 1980 e o início dos anos 1990.

O acordo prolongar-se-á durante seis anos e abrangerá dezenas de eventos organizados pela ASO. Contudo, em 2027, todas as atenções estarão concentradas na mais desejada de todas as camisolas. E o seu destino parece já ter sido traçado: o topo majestoso do Puy de Dôme, onde um vulcão poderá escolher a próxima rainha do ciclismo mundial.

“Mil atletas de 34 países colocam Ourique no centro do gravel mundial”


Por: José Morais

O concelho de Ourique prepara-se para receber um dos mais importantes eventos internacionais de ciclismo fora de estrada, com a realização da segunda edição do UCI Alentejo Gravel. A prova, marcada para domingo, reunirá cerca de mil participantes oriundos de 34 países e atribuirá vagas de qualificação para o Campeonato do Mundo de Gravel de 2027, agendado para França.

A competição, promovida pela Cabreira Solutions em parceria com o Município de Ourique, a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo e o Turismo de Portugal, tem vindo a afirmar-se como uma referência no calendário internacional da modalidade. O gravel, disciplina que combina elementos do ciclismo de estrada e do BTT, desenrola-se sobretudo em estradas de terra batida, caminhos rurais e percursos de gravilha.

Mais do que uma simples corrida, a iniciativa é encarada pelos organizadores como uma poderosa montra para o território alentejano. A presença de centenas de atletas, equipas e acompanhantes transforma o evento numa oportunidade para divulgar as paisagens, a gastronomia e o património da região junto de visitantes nacionais e estrangeiros.

A expectativa é de que a prova gere um impacto económico significativo em diversos setores locais, desde a hotelaria à restauração, passando pelo comércio e pelos serviços. Os responsáveis consideram que este tipo de acontecimentos desportivos representa uma ferramenta estratégica para atrair visitantes e reforçar a notoriedade do Alentejo como destino de turismo ativo.

Os promotores destacam ainda as características únicas da região para a prática do gravel. As extensas redes de caminhos rurais, a baixa densidade de tráfego e a diversidade das paisagens tornam o concelho de Ourique num palco privilegiado para receber competições desta natureza.

 

Dois Percursos em Busca da Qualificação Mundial

 

A edição deste ano apresenta dois trajetos distintos. O percurso curto terá uma extensão de 86,2 quilómetros, enquanto a distância principal soma 120,6 quilómetros. Ambos os traçados foram desenhados para desafiar os atletas através dos vastos caminhos alentejanos.

A partida está marcada para as 09h00, na Praça Padre António Pereira, no centro de Ourique. A cerimónia protocolar de entrega de prémios deverá acontecer pelas 13h30.

Paralelamente à competição principal, a organização preparou atividades destinadas a envolver a comunidade e os familiares dos participantes. Na manhã de domingo realiza-se uma caminhada para acompanhantes, promovendo a descoberta da região num ambiente descontraído.

No sábado, véspera da corrida, o programa inclui ainda o Gravel Kids, iniciativa dirigida a crianças entre os três e os 12 anos. O objetivo passa por incentivar a prática desportiva desde cedo, estimular o espírito de equipa e promover hábitos de vida saudáveis através do contacto com o ciclismo.

Com projeção internacional, milhares de visitantes esperados e o Mundial de 2027 como meta, o UCI Alentejo Gravel promete transformar Ourique numa das capitais mundiais da modalidade durante um fim de semana inteiramente dedicado ao ciclismo e à promoção do território.

“Tour 2027 sob escrutínio: Christian Prudhomme levanta interrogações sobre o regresso de Tadej Pogacar ao mais alto nível”


Por: José Morais

A apresentação do percurso do Tour de France 2027 gerou um intenso debate no mundo do ciclismo. Enquanto alguns elogiam o regresso de uma forte componente de contrarrelógio, outros questionam a escassez de etapas de alta montanha. No centro da discussão está também a grande incógnita da próxima temporada: conseguirá Tadej Pogacar regressar ao nível dominador que o tornou a principal figura do pelotão internacional?

Christian Prudhomme, diretor da Volta a França, reconheceu que o grave acidente sofrido pelo esloveno na Vuelta deixou várias questões em aberto. Embora tenha salientado o enorme talento do ciclista da UAE Team Emirates, admitiu que uma recuperação física não elimina automaticamente as marcas psicológicas que um incidente desta dimensão pode deixar.

Segundo Prudhomme, a grande dúvida não passa apenas pela condição física de Pogacar, mas pela sua abordagem à competição após a queda. O responsável recordou a capacidade excecional do campeão esloveno nas descidas técnicas e na forma agressiva como costuma correr, questionando se manterá a mesma ousadia quando regressar ao pelotão.

 

Um percurso diferente do habitual

 

A edição de 2027 apresentará um perfil distinto das últimas temporadas. O traçado inclui 71 quilómetros de contrarrelógio individual, distribuídos por duas etapas, sete jornadas claramente favoráveis aos velocistas e apenas três chegadas em alto.

Esta configuração poderá beneficiar especialistas contra o relógio, como Remco Evenepoel, mas muitos analistas continuam a considerar Pogacar um dos principais favoritos, graças à sua versatilidade e superioridade demonstrada na montanha ao longo dos últimos anos.

Apesar das críticas ao desenho da prova, Prudhomme rejeitou qualquer ideia de que o percurso tenha sido concebido para limitar a influência de Pogacar ou de Jonas Vingegaard. Segundo o diretor francês, o objetivo passa por criar uma corrida aberta, capaz de premiar diferentes características e proporcionar espetáculo desde a primeira semana.

 

A sombra de Eddy Merckx

 

Durante a apresentação, surgiu inevitavelmente a comparação com Eddy Merckx. O belga sofreu uma queda devastadora em 1969, na pista de Blois, e anos mais tarde confessou que nunca voltou a sentir-se exatamente o mesmo nas grandes montanhas.

Prudhomme utilizou esse exemplo para ilustrar a incerteza que acompanha qualquer regresso após um acidente grave. No entanto, fez questão de sublinhar que, mesmo marcado física e mentalmente, Merckx continuou a conquistar vitórias históricas, incluindo mais quatro títulos do Tour de France.

No caso de Pogacar, não existem indicações de sequelas permanentes. Ainda assim, a verdadeira resposta só surgirá quando enfrentar novamente as exigências da competição ao mais alto nível.

 

Paul Seixas alimenta o sonho francês

 

Outro dos temas em destaque foi a crescente expectativa em torno de Paul Seixas. O jovem francês impressionou ao longo de 2026 e consolidou-se como uma das maiores promessas do ciclismo mundial.

Prudhomme mostrou-se particularmente entusiasmado com a evolução do corredor, considerando que as suas exibições nas clássicas e o desempenho no Tour demonstram que já não é apenas uma promessa para o futuro. Para o dirigente francês, Seixas é agora um candidato credível aos maiores objetivos da modalidade.

A possibilidade de um duelo entre Pogacar, Evenepoel, Vingegaard e Seixas representa precisamente o cenário que os organizadores desejam para a próxima edição da prova.

 

Mais contrarrelógio para provocar ataques

 

A decisão de aumentar significativamente a quilometragem em contrarrelógio foi uma das mais debatidas. Prudhomme defendeu a medida, argumentando que os corredores menos fortes nesta disciplina serão obrigados a assumir riscos e atacar mais nas etapas montanhosas.

Na sua visão, este equilíbrio entre especialidades poderá manter a luta pela camisola amarela em aberto durante mais tempo e evitar que a classificação geral fique decidida demasiado cedo.

Com um percurso pensado para fomentar a ofensiva e várias estrelas a disputar a liderança, o Tour de France 2027 promete começar rodeado de expectativas. Porém, nenhuma questão desperta tanta curiosidade como o estado de Tadej Pogacar. O campeão esloveno continua a ser a grande referência do ciclismo mundial, mas, pela primeira vez em muitos anos, pairam dúvidas sobre a forma como regressará após o momento mais delicado da sua carreira.

“De Viana do Castelo para o mundo: Iúri Leitão inspira nova geração com prémio que levará o seu nome”


Por: José Morais

Foto: Câmara Municipal Viana Castelo

O reconhecimento de Iúri Leitão continua a crescer e a ultrapassar as fronteiras do ciclismo. Numa cerimónia de homenagem promovida pelo Município de Viana do Castelo, foi anunciada a criação de um novo galardão destinado a apoiar jovens talentos desportivos que ambicionam chegar à alta competição.

A distinção, que passará a chamar-se Prémio Iúri Leitão, foi divulgada pelo presidente da autarquia, Luís Nobre, durante a receção oficial ao ciclista vianense. A iniciativa pretende incentivar o desenvolvimento de atletas promissores e reforçar o apoio ao desporto de rendimento no concelho.

Natural de Santa Marta de Portuzelo, o corredor de 28 anos atravessa um dos momentos mais brilhantes da sua carreira. Após conquistar importantes títulos internacionais ao longo da época, assumiu também que o seu percurso olímpico está longe de terminar. O campeão revelou a ambição de participar ainda em mais duas edições dos Jogos Olímpicos, apontando Los Angeles 2028 como o próximo grande objetivo da sua carreira.

Os critérios e regulamentos para a atribuição do novo prémio deverão ser analisados e definidos na próxima reunião do Conselho Municipal de Desporto, agendada para a próxima semana.

 

Uma época de ouro para o ciclismo português

 

Os mais recentes resultados alcançados por Iúri Leitão reforçam o estatuto de referência do ciclismo português no panorama internacional. Dois anos depois de ter conquistado a medalha de ouro olímpica na disciplina de madison, ao lado de Rui Oliveira, nos Jogos de Paris 2024, o atleta voltou a destacar-se ao sagrar-se campeão mundial de omnium.

O fim de semana de sucesso ficou completo com mais um pódio nos Campeonatos do Mundo de pista. Em parceria com Ivo Oliveira, Iúri alcançou a medalha de prata na prova de madison, acrescentando mais um resultado de elevado prestígio ao seu currículo.

A participação nacional ficou ainda marcada por outras conquistas relevantes. Maria Martins garantiu a medalha de bronze em scratch, enquanto Miguel Salgueiro subiu igualmente ao terceiro lugar do pódio na corrida por pontos, confirmando o excelente momento vivido pelo ciclismo de pista português.

Com uma carreira em constante ascensão e uma ligação profunda à sua terra natal, Iúri Leitão vê agora o seu nome associado a um projeto que pretende abrir caminho às futuras gerações de campeões. Um reconhecimento que simboliza não apenas os títulos conquistados, mas também a inspiração que representa para os jovens atletas portugueses.

“Academia Triatlo + em Fátima, dias 28 e 29 de novembro”


A Academia Triatlo + está de volta, desta vez em Fátima, no Hotel Santa Maria, a 28 e 29 de novembro.

Este evento concentra num único fim de semana, e num único local, seis formações contínuas para treinadores (abertas também ao público em geral), um curso inicial de Árbitros e uma formação de Delegados Técnicos.

A Academia Triatlo +, na sua segunda edição nestes moldes, depois do ano passado se ter realizado em Mafra, pretende ser mais do que um conjunto de formações e cursos. Foi pensada também para ser um local de encontro e troca de experiências entre os vários agentes do Triatlo.

As ações de formação destinadas aos treinadores dão créditos para a revalidação do TPTD. O total de formações nesse fim de semana equivale a 2,5 UC’s, divididas por 6 sessões com diferentes temas.

As inscrições estão abertas. Nos links em baixo, têm acesso ao cartaz do evento, bem como ao formulário de inscrição, onde pode também consultar o programa de cada uma das sessões e informações sobre os formadores.

CARTAZ ACADEMIA TRIATLO + Fátima 2026: https://www.federacao-triatlo.pt/ftp2015/wp-content/uploads/2026/10/CARTAZ-ACADEMIA-TRIATLO-FATIMA-2026-1.jpg

Formulário de inscrição e todas as informações sobre as ações de formação: https://www.federacao-triatlo.pt/ftp2015/wp-content/uploads/2026/10/CARTAZ-ACADEMIA-TRIATLO-FATIMA-2026-1.jpg

Fonte: Federação Triatlo Potugal

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