quarta-feira, 7 de outubro de 2026

“Choque com Moto da Polícia Revolta Tom Pidcock: “Isto Nunca Devia Acontecer”


Por: José Morais

A edição da Três Vales Varesinos ficou marcada por uma situação tão inesperada quanto preocupante, envolvendo a equipa Pinarello-Q36.5 e uma moto da polícia destacada para a segurança da corrida. O incidente levou Tom Pidcock a admitir que pensou seriamente em abandonar a prova, apesar de vir a terminar no segundo lugar da classificação final.

O britânico não escondeu a indignação após dois colegas de equipa terem sido atingidos por uma moto que seguia em sentido contrário ao do pelotão. O acidente aconteceu quando ainda faltavam várias voltas para o desfecho da corrida e acabou por gerar momentos de tensão dentro da formação.

Segundo relatou o corredor, a prioridade naquele instante deixou de ser o resultado desportivo. Ao ver os companheiros caírem no asfalto depois da colisão, a sua primeira reação foi ponderar, parar imediatamente. Apesar do susto, um dos ciclistas conseguiu regressar à competição, enquanto o outro acabou por abandonar devido às lesões sofridas.

O episódio passou despercebido às imagens da transmissão televisiva, mas rapidamente se tornou um dos temas mais comentados no final da jornada. Pidcock foi particularmente duro nas palavras, considerando inadmissível que uma situação daquela natureza aconteça numa prova do calendário internacional.

Ultrapassada a confusão, a Pinarello-Q36.5 reorganizou-se e manteve-se na luta pela vitória ao lado da UAE Team Emirates-XRG. Já na fase decisiva, Pidcock mostrou estar entre os mais fortes ao acompanhar os movimentos que partiram o grupo principal e acabaram por selecionar os candidatos ao triunfo.

A cerca de 16 quilómetros da meta, o britânico integrou a fuga que viria a discutir o sucesso, juntamente com Matteo Jorgenson e o jovem talento belga Jarno Widar. Os três trabalharam para aumentar a vantagem, embora nem sempre o entendimento tenha sido imediato.

Nos quilómetros finais, com o triunfo ainda em aberto, Widar surpreendeu os rivais com uma aceleração explosiva que deixou os adversários sem resposta. Pidcock ainda tentou reagir, mas reconheceu a superioridade do belga, elogiando a coragem e a potência demonstradas no ataque vencedor.

O segundo lugar permitiu ao britânico somar mais um resultado de relevo numa reta final de temporada extremamente consistente, depois de já ter subido ao pódio no Giro dell’Emilia. O desempenho reforça igualmente as ambições da Pinarello-Q36.5, equipa que continua a acumular pontos importantes para os seus objetivos futuros.

Antes de seguir para a Ásia, onde tem prevista a participação no Tour de Guangxi, Pidcock enfrentará um dos grandes desafios do calendário italiano: a Volta à Lombardia. Sem a presença de Tadej Pogačar, a corrida promete um desfecho mais imprevisível e uma luta aberta entre vários candidatos ao triunfo.

Confiante no nível que tem apresentado nas últimas semanas, o britânico acredita que reúne condições para discutir a vitória, embora reconheça que terminar entre os melhores continua a ser um resultado valioso numa das clássicas mais prestigiadas do ciclismo mundial.

“Fim da Equipa de Desenvolvimento da UAE Feminina Levanta Questões Sobre o Futuro do Projeto”


Por: José Morais

A estrutura feminina da UAE voltará a sofrer uma profunda reorganização no final da temporada, com o encerramento da sua equipa de desenvolvimento. A decisão marca uma mudança significativa na estratégia da organização e evidencia os desafios que continuam a existir no financiamento e crescimento do ciclismo feminino.

Após uma análise interna à totalidade do projeto, a direção optou por terminar a atividade da formação continental, criada para acompanhar e preparar jovens talentos para os escalões mais elevados da modalidade. Em vez de manter uma equipa de formação independente, a aposta passará por integrar diretamente as ciclistas promissoras na estrutura principal do World Tour.

 

Jovens corredoras terão caminho direto para a elite

 

Apesar do desaparecimento da equipa de desenvolvimento, a UAE garantiu que todas as atletas continuarão a receber apoio durante o período de transição. Os contratos atualmente em vigor serão cumpridos e cada corredora terá acompanhamento adaptado à sua fase de evolução desportiva.

A formação acredita que a proximidade com atletas experientes e a integração mais rápida no pelotão de elite poderão acelerar o crescimento das jovens ciclistas, criando novas oportunidades dentro da estrutura principal da equipa.

 

Projeto criado em 2023 chega ao fim

 

O encerramento assume particular relevância porque a equipa de desenvolvimento desempenhou um papel importante na progressão de várias corredoras nos últimos anos. Nomes como Paula Blasi, Linda Zanetti e Lara Gillespie passaram por este programa antes de alcançarem o mais alto nível do ciclismo feminino.

Atualmente, o conjunto é composto por onze atletas, mas apenas uma já tem garantida a continuação da carreira no escalão máximo. A neerlandesa Fee Knaven assinou contrato com a Human Powered Health e prepara-se para dar o salto para o profissionalismo.

 

Crescimento do ciclismo feminino continua condicionado pelos recursos

 

Embora a equipa feminina funcione de forma autónoma em relação à poderosa UAE Team Emirates, liderada por Tadej Pogačar, ambas dependem da mesma origem financeira. A decisão de eliminar a formação de desenvolvimento sugere uma maior concentração de recursos nos projetos considerados prioritários.

O ciclismo feminino continua a enfrentar limitações ligadas à exposição mediática, ao retorno comercial e à atração de patrocinadores, fatores que influenciam diretamente a capacidade das equipas para sustentar estruturas de formação a longo prazo.

Ao mesmo tempo, a equipa masculina mantém uma política focada na retenção das suas principais estrelas e na renovação dos seus maiores talentos, uma estratégia que absorve uma fatia importante do orçamento disponível.

O desaparecimento da equipa de desenvolvimento da UAE Feminina representa, assim, mais do que uma simples reestruturação interna. É também um sinal de que o crescimento do ciclismo feminino continua dependente de investimentos consistentes e de um equilíbrio financeiro que nem mesmo os projetos mais ambiciosos conseguem garantir para sempre.

“Primoz Roglic Vence Contra Todas as Adversidades e Conquista Ouro Europeu em Solo Esloveno”


Por: José Morais

Primoz Roglic voltou a demonstrar a sua enorme capacidade de superação ao sagrar-se Campeão Europeu de Contrarrelógio, numa exibição de grande nível realizada perante os adeptos eslovenos, em Šenčur. O ciclista da Eslovénia encerrou a temporada da melhor forma possível, somando mais um título de prestígio após um ano marcado por resultados de destaque, incluindo o segundo lugar na Volta a Espanha e uma forte prestação nos Campeonatos do Mundo.

 

Roglic Resiste à Pressão e Faz a Festa em Casa

 

Sem a presença do detentor do título, Remco Evenepoel, a luta pela camisola de campeão europeu apresentava-se mais aberta do que nunca. Perante milhares de adeptos ao longo dos 22,1 quilómetros do percurso, Roglic assumiu rapidamente o protagonismo da corrida.

Desde os primeiros registos intermédios, o esloveno mostrou-se superior à concorrência. Na passagem pela exigente subida de Možjanca, já liderava com uma vantagem confortável sobre o francês Bruno Armirail, enquanto nomes consagrados da especialidade, como Stefan Küng e Jakob Söderqvist, perdiam terreno de forma significativa.


À medida que os quilómetros avançavam, Armirail ainda conseguiu reduzir parcialmente a diferença, alimentando a expectativa quanto ao desfecho da corrida. Contudo, Roglic manteve-se firme, controlando o esforço e preservando preciosos segundos que acabariam por ser decisivos na meta.

No final, o corredor esloveno garantiu a vitória por apenas seis segundos sobre Armirail, numa batalha intensa até ao último metro. O francês Maxime Decomble completou o pódio, enquanto Ilan Van Wilder e Stefan Küng fecharam o lote dos cinco primeiros classificados.

 

Problema Técnico Não Impediu o Triunfo

 

O triunfo ganhou contornos ainda mais impressionantes devido a um contratempo inesperado. Logo nos quilómetros iniciais, Roglic ficou sem comunicação com a equipa após uma avaria no sistema de rádio.

Privado das habituais indicações sobre tempos intermédios, ritmo e posições dos adversários, o esloveno teve de gerir todo o esforço apenas com base na experiência e nas sensações físicas.

Apesar da limitação, manteve a concentração do início ao fim e produziu uma das melhores exibições da temporada. A capacidade de adaptação revelou-se determinante para transformar uma situação potencialmente complicada numa vitória memorável.

 

Um Título Com Significado Especial

 

Mais do que uma conquista continental, este sucesso teve um valor emocional acrescido para Roglic. Vencer perante o público do seu país representou um momento único numa carreira já repleta de triunfos de grande dimensão.

Depois de acrescentar o título europeu ao seu impressionante palmarés, o esloveno fez questão de partilhar a conquista com todos aqueles que contribuíram para a realização dos campeonatos no seu país, transformando a celebração individual numa homenagem coletiva.

Assim, entre aplausos e emoção, Primoz Roglic despediu-se da temporada com uma exibição de campeão, confirmando mais uma vez porque continua a ser uma das maiores referências do ciclismo mundial.

"W52-FC Porto Volta a Tribunal: Julgamento de Ariano Quintanilha e Inspetor da PJ Sofre Novo Adiamento”


Por: José Morais

O processo relacionado com a alegada falsificação de documentos no âmbito do caso de doping da antiga W52-FC Porto sofreu um novo compasso de espera. O Tribunal de Felgueiras decidiu adiar para 16 de outubro, às 10h00, o início do julgamento que tem como arguidos o ex-dirigente Adriano Quintanilha e um inspetor da Polícia Judiciária.

A alteração da data surge após um requerimento apresentado pela defesa do antigo líder da equipa de ciclismo, levando o tribunal singular da comarca do Porto a reagendar a primeira sessão, que estava prevista para decorrer esta quarta-feira.

No centro da investigação encontra-se um alegado Código de Conduta produzido com informações e datas que, segundo a acusação, não corresponderiam à realidade. O documento terá sido concebido para demonstrar que nem Adriano Quintanilha nem a Associação Calvário Várzea, entidade que esteve na origem da estrutura desportiva da W52-FC Porto, tinham conhecimento das práticas de dopagem que vieram a ser descobertas na Operação Prova Limpa.

O Ministério Público acusa os dois arguidos e a associação da prática do crime de falsificação de documento. Além dessa imputação, Quintanilha enfrenta ainda uma acusação por coação, enquanto o elemento da Polícia Judiciária responde também por favorecimento pessoal. A decisão de levar os envolvidos a julgamento foi confirmada pelo Tribunal de Instrução Criminal de Penafiel, que validou integralmente a acusação apresentada pelo Ministério Público.

Segundo a investigação, os factos remontam aos dias posteriores às buscas desencadeadas em abril de 2022 no âmbito da Operação Prova Limpa. Confrontado com as possíveis consequências judiciais e disciplinares do caso, o antigo dirigente terá recorrido ao apoio de um inspetor da PJ, com quem mantinha uma relação de proximidade assente na ligação ao ciclismo e ao FC Porto.

A acusação sustenta que ambos terão articulado a criação de um documento retrodatado para janeiro de 2022. A intenção seria criar uma salvaguarda formal que afastasse qualquer suspeita de conhecimento ou envolvimento da direção e da associação nas práticas ilícitas investigadas.

Depois de elaborado, o documento terá sido apresentado ao então diretor desportivo, Nuno Ribeiro, bem como aos corredores da equipa, para recolha de assinaturas. O Ministério Público alega que os ciclistas foram informados de que a assinatura serviria para proteger a continuidade da equipa e dos respetivos contratos, havendo mesmo referência a um atleta que terá subscrito o documento sob pressão relacionada com o pagamento do seu salário.

O caso surge como mais um capítulo judicial da Operação Prova Limpa. No processo principal de doping, Adriano Quintanilha e Nuno Ribeiro tinham sido condenados a penas efetivas de prisão de quatro anos e nove meses. Contudo, o Tribunal da Relação do Porto anulou posteriormente essa decisão, ordenando a repetição do julgamento e a reformulação do acórdão, por considerar que foram utilizadas provas consideradas ilegais durante a audiência.

“Nelson Oliveira e Tiago Antunes entre os 20 primeiros no contrarrelógio do Europeu”


A Seleção Nacional encerrou esta quarta-feira a participação no Campeonato da Europa de Estrada, na Eslovénia, com Nelson Oliveira, 15.º, e Tiago Antunes, 20.º, entre os 20 melhores no contrarrelógio individual da elite masculina.

O esloveno Primož Roglič sagrou-se Campeão da Europa depois de ter sido o mais rápido no percurso de 22 quilómetros, com um registo de 28m16s. Nelson Oliveira concluiu a prova na 15.ª posição, a 1m07s do vencedor, enquanto Tiago Antunes terminou em 20.º, a 1m27s.

“Fazemos um balanço positivo deste contrarrelógio, num percurso exigente e perante adversários de grande qualidade. O Nelson Oliveira terminou num sólido 15.º lugar e o Tiago Antunes, depois de uma entrada muito forte, fechou na 20.ª posição. Foram duas prestações consistentes, que valorizamos, e que refletem bem o compromisso com que ambos representaram Portugal”, destaca Valter Sousa, Selecionador Nacional.

Também durante a tarde, Beatriz Roxo disputou o contrarrelógio individual da elite feminina, tendo terminado na 23.ª posição, a 7m59s. A suíça Marlen Reusser, atual Campeã do Mundo, celebrou também a conquista do título europeu com um tempo de 31m30s.


“A Beatriz teve uma melhoria técnica muito significativa que não se refletiu totalmente no resultado. O percurso não era especialmente adequado às suas características, mas a evolução demonstrada deixa-nos muito satisfeitos. As nossas atletas não têm muitas oportunidades para competir em contrarrelógios deste nível e esta é uma competência que se desenvolve sobretudo através da experiência”, refere Daniela Pereira, Selecionadora Nacional Feminina.

Na prova de sub-23 femininas, Raquel Dias foi 24.ª classificada, a 6m55s da vencedora, e Emília Baía terminou na 26.ª posição, a 8m30s. A neerlandesa Nienke Vinke foi a mais rápida ao fim de 32m36s e conquistou o título europeu.

“A Raquel e a Emília encararam este contrarrelógio sobretudo como uma oportunidade de ganhar experiência numa disciplina em que têm poucas ocasiões para competir, ainda para mais num esforço com esta distância. Foi uma experiência importante para a sua evolução e o balanço é positivo”, analisa Daniela Pereira.

A representação portuguesa ficou completa com os juniores masculinos, durante a manhã. Gonçalo Costa terminou na 21.ª posição, a 1m38s do vencedor, e Afonso Falcão foi 43.º, a 3m49s. O campeão do mundo da disciplina, o jovem espanhol Benjamín Noval, conquistou também o título europeu com um registo de 29m46s.

“Os rapazes deram o seu melhor e fizeram aquilo que podiam. Foi pena um pequeno percalço sofrido pelo Gonçalo Costa durante a prova, porque acabou a menos de um segundo de voltar a pontuar para o ranking da Taça das Nações. Ainda assim, todos estão de parabéns pela grande entrega que demonstraram ao longo deste Campeonato da Europa”, realça Ricardo Senos, Selecionador Nacional de Juniores.

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

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