Por: José Morais
A edição da Três Vales
Varesinos ficou marcada por uma situação tão inesperada quanto preocupante,
envolvendo a equipa Pinarello-Q36.5 e uma moto da polícia destacada para a
segurança da corrida. O incidente levou Tom Pidcock a admitir que pensou
seriamente em abandonar a prova, apesar de vir a terminar no segundo lugar da
classificação final.
O britânico não escondeu a
indignação após dois colegas de equipa terem sido atingidos por uma moto que
seguia em sentido contrário ao do pelotão. O acidente aconteceu quando ainda
faltavam várias voltas para o desfecho da corrida e acabou por gerar momentos
de tensão dentro da formação.
Segundo relatou o corredor, a
prioridade naquele instante deixou de ser o resultado desportivo. Ao ver os
companheiros caírem no asfalto depois da colisão, a sua primeira reação foi
ponderar, parar imediatamente. Apesar do susto, um dos ciclistas conseguiu
regressar à competição, enquanto o outro acabou por abandonar devido às lesões
sofridas.
O episódio passou despercebido
às imagens da transmissão televisiva, mas rapidamente se tornou um dos temas
mais comentados no final da jornada. Pidcock foi particularmente duro nas
palavras, considerando inadmissível que uma situação daquela natureza aconteça
numa prova do calendário internacional.
Ultrapassada a confusão, a
Pinarello-Q36.5 reorganizou-se e manteve-se na luta pela vitória ao lado da UAE
Team Emirates-XRG. Já na fase decisiva, Pidcock mostrou estar entre os mais
fortes ao acompanhar os movimentos que partiram o grupo principal e acabaram
por selecionar os candidatos ao triunfo.
A cerca de 16 quilómetros da
meta, o britânico integrou a fuga que viria a discutir o sucesso, juntamente
com Matteo Jorgenson e o jovem talento belga Jarno Widar. Os três trabalharam
para aumentar a vantagem, embora nem sempre o entendimento tenha sido imediato.
Nos quilómetros finais, com o
triunfo ainda em aberto, Widar surpreendeu os rivais com uma aceleração
explosiva que deixou os adversários sem resposta. Pidcock ainda tentou reagir,
mas reconheceu a superioridade do belga, elogiando a coragem e a potência
demonstradas no ataque vencedor.
O segundo lugar permitiu ao
britânico somar mais um resultado de relevo numa reta final de temporada
extremamente consistente, depois de já ter subido ao pódio no Giro dell’Emilia.
O desempenho reforça igualmente as ambições da Pinarello-Q36.5, equipa que
continua a acumular pontos importantes para os seus objetivos futuros.
Antes de seguir para a Ásia,
onde tem prevista a participação no Tour de Guangxi, Pidcock enfrentará um dos
grandes desafios do calendário italiano: a Volta à Lombardia. Sem a presença de
Tadej Pogačar, a corrida promete um desfecho mais imprevisível e uma luta
aberta entre vários candidatos ao triunfo.
Confiante no nível que tem
apresentado nas últimas semanas, o britânico acredita que reúne condições para
discutir a vitória, embora reconheça que terminar entre os melhores continua a
ser um resultado valioso numa das clássicas mais prestigiadas do ciclismo
mundial.

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