quarta-feira, 7 de outubro de 2026

"W52-FC Porto Volta a Tribunal: Julgamento de Ariano Quintanilha e Inspetor da PJ Sofre Novo Adiamento”


Por: José Morais

O processo relacionado com a alegada falsificação de documentos no âmbito do caso de doping da antiga W52-FC Porto sofreu um novo compasso de espera. O Tribunal de Felgueiras decidiu adiar para 16 de outubro, às 10h00, o início do julgamento que tem como arguidos o ex-dirigente Adriano Quintanilha e um inspetor da Polícia Judiciária.

A alteração da data surge após um requerimento apresentado pela defesa do antigo líder da equipa de ciclismo, levando o tribunal singular da comarca do Porto a reagendar a primeira sessão, que estava prevista para decorrer esta quarta-feira.

No centro da investigação encontra-se um alegado Código de Conduta produzido com informações e datas que, segundo a acusação, não corresponderiam à realidade. O documento terá sido concebido para demonstrar que nem Adriano Quintanilha nem a Associação Calvário Várzea, entidade que esteve na origem da estrutura desportiva da W52-FC Porto, tinham conhecimento das práticas de dopagem que vieram a ser descobertas na Operação Prova Limpa.

O Ministério Público acusa os dois arguidos e a associação da prática do crime de falsificação de documento. Além dessa imputação, Quintanilha enfrenta ainda uma acusação por coação, enquanto o elemento da Polícia Judiciária responde também por favorecimento pessoal. A decisão de levar os envolvidos a julgamento foi confirmada pelo Tribunal de Instrução Criminal de Penafiel, que validou integralmente a acusação apresentada pelo Ministério Público.

Segundo a investigação, os factos remontam aos dias posteriores às buscas desencadeadas em abril de 2022 no âmbito da Operação Prova Limpa. Confrontado com as possíveis consequências judiciais e disciplinares do caso, o antigo dirigente terá recorrido ao apoio de um inspetor da PJ, com quem mantinha uma relação de proximidade assente na ligação ao ciclismo e ao FC Porto.

A acusação sustenta que ambos terão articulado a criação de um documento retrodatado para janeiro de 2022. A intenção seria criar uma salvaguarda formal que afastasse qualquer suspeita de conhecimento ou envolvimento da direção e da associação nas práticas ilícitas investigadas.

Depois de elaborado, o documento terá sido apresentado ao então diretor desportivo, Nuno Ribeiro, bem como aos corredores da equipa, para recolha de assinaturas. O Ministério Público alega que os ciclistas foram informados de que a assinatura serviria para proteger a continuidade da equipa e dos respetivos contratos, havendo mesmo referência a um atleta que terá subscrito o documento sob pressão relacionada com o pagamento do seu salário.

O caso surge como mais um capítulo judicial da Operação Prova Limpa. No processo principal de doping, Adriano Quintanilha e Nuno Ribeiro tinham sido condenados a penas efetivas de prisão de quatro anos e nove meses. Contudo, o Tribunal da Relação do Porto anulou posteriormente essa decisão, ordenando a repetição do julgamento e a reformulação do acórdão, por considerar que foram utilizadas provas consideradas ilegais durante a audiência.

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