Por: José Morais
A participação da seleção da
Eritreia no Campeonato do Mundo de ciclismo ficou marcada por uma sucessão de
contrariedades, dentro e fora da estrada. Depois de ver dois dos seus
corredores impedidos de competir devido a problemas na obtenção de vistos, a equipa
africana acabou ainda por ser alvo de sanções impostas pela União Ciclista
Internacional (UCI) por incumprimento das regras relativas ao equipamento
oficial.
Dificuldades
burocráticas reduziram equipa eritreia
A formação liderada por Biniam
Girmay apresentou-se à partida com apenas três corredores, depois de Amanuel
Ghebreigzabhier e Natnael Tesfatsion terem falhado a presença na prova por não
conseguirem obter os vistos necessários para viajar. A ausência de dois dos
nomes mais importantes da seleção representou um duro golpe nas ambições da
Eritreia.
Antes da corrida, o próprio
Girmay lamentou a situação, sublinhando que a equipa ficou privada de dois
atletas fundamentais devido aos entraves administrativos.
Apesar das limitações, Girmay,
Henok Mulubrhan e Merhawi Kudus alinharam na competição e chegaram mesmo a
integrar os primeiros movimentos ofensivos da corrida. No entanto, nenhum dos
três conseguiu concluir a prova.
UCI
aplica multas por irregularidades no vestuário
Como se os problemas
desportivos não fossem suficientes, a Eritreia viu-se novamente no centro das
atenções após a corrida. O júri da UCI considerou que dois dos ciclistas
utilizaram equipamento que não respeitava os regulamentos da federação
internacional, que exigem uniformidade visual entre todos os elementos da mesma
seleção.
Henok Mulubrhan e Biniam
Girmay foram sancionados com multas de 500 francos suíços cada, enquanto o
selecionador nacional, Samson Ghebrügyesus, recebeu uma penalização de 1.000
francos suíços.
A infração incidiu sobre
diferenças visíveis entre os equipamentos utilizados pelos corredores. Merhawi
Kudus foi o único a competir com o conjunto totalmente conforme às exigências
regulamentares. Já Girmay apresentava alterações no desenho frontal da camisola
e não exibia a insígnia oficial da UCI, enquanto Mulubrhan utilizava calções de
cor distinta da prevista para o uniforme nacional.
Recursos
limitados expõem dificuldades da seleção
As limitações financeiras da
equipa tornaram-se visíveis ao longo do evento. Tanto Girmay como Mulubrhan
foram observados com peças de vestuário pertencentes às suas equipas
profissionais, numa imagem que evidenciou as dificuldades logísticas
enfrentadas pela federação eritreia.
A severidade das multas gerou
alguma discussão no meio velocipédico, sobretudo porque o valor aplicado ao
responsável da seleção foi idêntico ao atribuído noutros casos considerados
mais graves durante o campeonato.
Outras
penalizações registadas no Campeonato do Mundo
A Eritreia não foi a única
delegação a sair da competição com sanções disciplinares. O campeão olímpico e
mundial Remco Evenepoel recebeu uma multa de 500 francos suíços e uma
penalização de 25 pontos UCI por descartar resíduos fora das zonas autorizadas.
Também Patrick Müller,
responsável pela seleção suíça, foi multado em 500 francos suíços após um
corredor da equipa ter infringido as regras relativas ao descarte de lixo em
corrida.
Já o guatemalteco Manuel Rodas
enfrentou uma das punições mais pesadas do evento, ao receber uma multa de
1.000 francos suíços, uma penalização de 25 pontos UCI e ainda um cartão
amarelo por utilizar uma posição considerada irregular na bicicleta.
Entre obstáculos burocráticos,
limitações materiais e sanções regulamentares, o Campeonato do Mundo
transformou-se numa prova particularmente difícil para a Eritreia, que viu os
seus contratempos acumularem-se desde os dias que antecederam a partida até ao
rescaldo da competição.

Sem comentários:
Enviar um comentário