quarta-feira, 30 de setembro de 2026

“Mundial marcado por contratempos: Eritreia punida pela UCI após dificuldades com vistos e equipamento”


Por: José Morais

A participação da seleção da Eritreia no Campeonato do Mundo de ciclismo ficou marcada por uma sucessão de contrariedades, dentro e fora da estrada. Depois de ver dois dos seus corredores impedidos de competir devido a problemas na obtenção de vistos, a equipa africana acabou ainda por ser alvo de sanções impostas pela União Ciclista Internacional (UCI) por incumprimento das regras relativas ao equipamento oficial.

 

Dificuldades burocráticas reduziram equipa eritreia

 

A formação liderada por Biniam Girmay apresentou-se à partida com apenas três corredores, depois de Amanuel Ghebreigzabhier e Natnael Tesfatsion terem falhado a presença na prova por não conseguirem obter os vistos necessários para viajar. A ausência de dois dos nomes mais importantes da seleção representou um duro golpe nas ambições da Eritreia.

Antes da corrida, o próprio Girmay lamentou a situação, sublinhando que a equipa ficou privada de dois atletas fundamentais devido aos entraves administrativos.

Apesar das limitações, Girmay, Henok Mulubrhan e Merhawi Kudus alinharam na competição e chegaram mesmo a integrar os primeiros movimentos ofensivos da corrida. No entanto, nenhum dos três conseguiu concluir a prova.

 

UCI aplica multas por irregularidades no vestuário

 

Como se os problemas desportivos não fossem suficientes, a Eritreia viu-se novamente no centro das atenções após a corrida. O júri da UCI considerou que dois dos ciclistas utilizaram equipamento que não respeitava os regulamentos da federação internacional, que exigem uniformidade visual entre todos os elementos da mesma seleção.

Henok Mulubrhan e Biniam Girmay foram sancionados com multas de 500 francos suíços cada, enquanto o selecionador nacional, Samson Ghebrügyesus, recebeu uma penalização de 1.000 francos suíços.

A infração incidiu sobre diferenças visíveis entre os equipamentos utilizados pelos corredores. Merhawi Kudus foi o único a competir com o conjunto totalmente conforme às exigências regulamentares. Já Girmay apresentava alterações no desenho frontal da camisola e não exibia a insígnia oficial da UCI, enquanto Mulubrhan utilizava calções de cor distinta da prevista para o uniforme nacional.

 

Recursos limitados expõem dificuldades da seleção

 

As limitações financeiras da equipa tornaram-se visíveis ao longo do evento. Tanto Girmay como Mulubrhan foram observados com peças de vestuário pertencentes às suas equipas profissionais, numa imagem que evidenciou as dificuldades logísticas enfrentadas pela federação eritreia.

A severidade das multas gerou alguma discussão no meio velocipédico, sobretudo porque o valor aplicado ao responsável da seleção foi idêntico ao atribuído noutros casos considerados mais graves durante o campeonato.

 

Outras penalizações registadas no Campeonato do Mundo

 

A Eritreia não foi a única delegação a sair da competição com sanções disciplinares. O campeão olímpico e mundial Remco Evenepoel recebeu uma multa de 500 francos suíços e uma penalização de 25 pontos UCI por descartar resíduos fora das zonas autorizadas.

Também Patrick Müller, responsável pela seleção suíça, foi multado em 500 francos suíços após um corredor da equipa ter infringido as regras relativas ao descarte de lixo em corrida.

Já o guatemalteco Manuel Rodas enfrentou uma das punições mais pesadas do evento, ao receber uma multa de 1.000 francos suíços, uma penalização de 25 pontos UCI e ainda um cartão amarelo por utilizar uma posição considerada irregular na bicicleta.

Entre obstáculos burocráticos, limitações materiais e sanções regulamentares, o Campeonato do Mundo transformou-se numa prova particularmente difícil para a Eritreia, que viu os seus contratempos acumularem-se desde os dias que antecederam a partida até ao rescaldo da competição.

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