quarta-feira, 30 de setembro de 2026

“UCI revoluciona pontuação e abre novas portas às equipas: Vitórias fora da estrada também vão contar”


Por: José Morais

A União Ciclista Internacional (UCI) confirmou uma alteração significativa ao sistema de pontuação que entrará em vigor na época de 2027. A partir desse ciclo, os resultados alcançados por ciclistas em disciplinas como ciclocrosse, BTT, pista e gravel passarão a contribuir para o ranking das equipas de estrada, numa medida que pretende valorizar os atletas mais versáteis e incentivar a participação em várias vertentes do ciclismo.

A nova regulamentação permitirá que especialistas multidisciplinares, como Tom Pidcock, Wout van Aert, Marianne Vos, Filippo Ganna ou Puck Pieterse, acrescentem pontos às respetivas equipas de estrada através dos desempenhos obtidos fora do pelotão tradicional. A decisão surge numa altura em que muitos corredores têm sido levados a abandonar outras disciplinas para se concentrarem exclusivamente na estrada.

Na prática, serão contabilizados os pontos conquistados em Campeonatos do Mundo e provas da Taça do Mundo das diferentes modalidades, bem como nas classificações finais dessas competições. No entanto, a UCI introduziu um mecanismo para impedir contratações meramente estratégicas de atletas especializados noutras disciplinas. Para que os pontos sejam válidos, o corredor terá de figurar entre os 20 ciclistas mais pontuados da equipa ao longo da época.

Além das competições organizadas diretamente pela UCI, os resultados alcançados em eventos multidesportivos regionais, como os Jogos Pan-Americanos, os Jogos Asiáticos ou os Jogos da Commonwealth, também poderão gerar pontos. Em contrapartida, provas independentes e circuitos privados, fora da tutela da federação internacional, ficarão excluídos do novo sistema.

 

Equipas Profissionais Encontram Uma Nova Fonte de Pontos

 

A alteração poderá desempenhar um papel decisivo para formações que ambicionam subir no ranking mundial. Um exemplo claro é o de Tom Pidcock: caso conquiste novamente o título mundial de BTT em 2027, somará 300 pontos para a sua equipa, um valor superior ao atribuído por um sétimo lugar num Campeonato do Mundo de Estrada.

Os campeões mundiais de elite nas disciplinas de pista, BTT cross-country, ciclocrosse e gravel receberão precisamente 300 pontos. Já os vencedores das provas da Taça do Mundo arrecadarão 200 pontos, mantendo-se uma distribuição progressiva para as restantes posições classificativas. Em modalidades com calendários extensos, como o ciclocrosse, onde a Taça do Mundo integra várias rondas ao longo da temporada, os ganhos acumulados poderão revelar-se extremamente relevantes.

Importa destacar que estes pontos apenas terão impacto no ranking coletivo das equipas. As classificações individuais dos atletas permanecerão inalteradas, evitando distorções entre disciplinas com realidades competitivas muito diferentes.

 

Quem Pode Beneficiar Mais da Nova Regra?

 

Algumas estruturas partem já com vantagem neste novo cenário. Equipas que contam com corredores ativos em várias disciplinas terão maiores oportunidades de reforçar os seus totais pontuais durante a época.

A Cofidis poderá beneficiar da presença do especialista de pista Benjamin Thomas. Já a Alpecin poderá capitalizar o forte envolvimento dos seus atletas no ciclocrosse, com nomes como Mathieu van der Poel, Tibor Del Grosso ou Emiel Verstrynge a surgirem como potenciais reforços para a contabilidade da equipa durante o inverno.

Também a UAE Team Emirates poderá retirar proveito dos resultados de Florian Vermeersch no gravel e das prestações dos irmãos Oliveira na pista, enquanto a INEOS poderá continuar a somar através da versatilidade de Filippo Ganna.

Ainda assim, o verdadeiro impacto deverá sentir-se sobretudo entre as equipas de dimensão média ou mais modesta. Formações como a Caja Rural ou outras equipas Pro Team poderão encontrar nestas disciplinas uma oportunidade preciosa para ganhar terreno na luta pelos lugares mais valiosos do ranking internacional.

A comparação é elucidativa: um título mundial numa destas modalidades valerá 300 pontos, superando inclusive os 210 pontos atribuídos a uma vitória de etapa no Tour de France. Em contraste, vencer uma etapa de uma corrida por etapas da categoria 2.Pro rende apenas 25 pontos, demonstrando a importância estratégica que os resultados fora da estrada poderão assumir a partir de 2027.

Com entrada em vigor marcada para o arranque da temporada de 2027, a medida promete alterar a forma como as equipas planeiam os seus plantéis e abrir uma nova era para os especialistas multidisciplinares, que passarão a ter um peso ainda maior na batalha pelos rankings internacionais.

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