Por: José Morais
À medida que se aproxima a
apresentação oficial do Giro d'Italia 2027, continuam a surgir informações
sobre um percurso desenhado para devolver à corrida italiana o seu carácter
épico e seletivo. Sob a liderança de Luca Guercilena, a organização pretende
oferecer um traçado mais duro, mais espetacular e capaz de atrair as maiores
figuras do ciclismo mundial.
Uma
jornada para fazer história
Entre os rumores mais fortes
destaca-se aquela que poderá vir a ser a etapa-rainha da próxima edição.
Marcada para a 16.ª etapa, a 25 de maio, a ligação entre Sondrio e Aprica
promete transformar-se num dos dias mais exigentes alguma vez vistos na Corsa Rosa.
O percurso deverá rondar os
200 quilómetros e apresentar uma sucessão impressionante de dificuldades
montanhosas. Logo nos primeiros quilómetros, os corredores enfrentarão a temida
subida do Mortirolo pelo lado de Mazzo, uma ascensão lendária conhecida pelas
suas rampas severas e pela capacidade de partir o pelotão.
Após a descida para Monno, a
corrida seguirá em direção a Ponte di Legno, onde começará a escalada do Passo
Gavia. O histórico gigante alpino deverá assumir o papel de Cima Coppi da
edição de 2027, recuperando um dos cenários mais emblemáticos do Giro. A sua
presença tem sido rara nos últimos anos devido ao risco de neve nas cotas mais
elevadas durante o mês de maio.
Concluída a descida para Bormio e para o vale da Valtellina, os ciclistas não terão qualquer trégua. O Mortirolo surgirá novamente no percurso, numa segunda ascensão destinada a provocar diferenças significativas entre os candidatos à classificação geral.
Depois de nova descida até
Monno, a corrida seguirá para Edolo antes da subida final para Aprica. Segundo
a imprensa italiana, a chegada poderá estar localizada na exigente vertente de
Santicolo, considerada a mais dura da zona e ideal para uma derradeira batalha
entre os favoritos.
Perto dos
6.000 metros de desnível
Caso esta configuração seja
confirmada, a etapa poderá aproximar-se ou mesmo ultrapassar os 6.000 metros de
desnível acumulado, um número raramente alcançado na história do Giro d'Itália.
A confirmar-se, entrará
diretamente para o restrito grupo das etapas mais difíceis alguma vez
desenhadas para a corrida italiana, juntando-se a autênticas maratonas alpinas
que marcaram épocas passadas e ficaram gravadas na memória dos adeptos.
Zoncolan
e Madonna di Campiglio também entram em cena
As dificuldades não deverão
terminar aí. As informações que circulam em Itália apontam ainda para uma
penúltima etapa com chegada ao mítico Monte Zoncolan, considerada uma das
subidas mais temidas do ciclismo mundial. O trajeto poderá incluir uma breve passagem
por território austríaco antes do ataque final à montanha friulana.
Poucos dias antes, a etapa 18
deverá terminar em Madonna di Campiglio, outro dos palcos clássicos das grandes
batalhas da alta montanha.
Dois
contrarrelógios para equilibrar a corrida
Para criar um percurso mais
completo e atrativo para todos os perfis de candidatos à vitória final, a
organização deverá incluir dois contrarrelógios individuais.
Um deles terá chegada em
altitude no Gran Sasso, enquanto o segundo deverá disputar-se na 15.ª etapa,
utilizando parte do famoso Autódromo de Monza, numa jornada que poderá
desempenhar um papel decisivo antes da última semana de competição.
O Giro d'Italia 2027 arrancará
em Trieste, com uma incursão pela Eslovénia durante os primeiros dias de
corrida. Já o habitual encerramento em Roma deverá voltar a oferecer uma
oportunidade aos velocistas, com a meta instalada junto aos históricos Fóruns
Imperiais.
Com Mortirolo, Gavia, Zoncolan
e quase 6.000 metros de desnível numa única jornada, tudo aponta para que o
Giro 2027 apresente um dos percursos mais duros e espetaculares das últimas
décadas.


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