sexta-feira, 16 de outubro de 2026

“Giro 2027 promete explodir a corrida: Mortirolo duplo, Gavia e quase 6.000 metros de desnível na etapa mais brutal da década”


Por: José Morais

À medida que se aproxima a apresentação oficial do Giro d'Italia 2027, continuam a surgir informações sobre um percurso desenhado para devolver à corrida italiana o seu carácter épico e seletivo. Sob a liderança de Luca Guercilena, a organização pretende oferecer um traçado mais duro, mais espetacular e capaz de atrair as maiores figuras do ciclismo mundial.

 

Uma jornada para fazer história

 

Entre os rumores mais fortes destaca-se aquela que poderá vir a ser a etapa-rainha da próxima edição. Marcada para a 16.ª etapa, a 25 de maio, a ligação entre Sondrio e Aprica promete transformar-se num dos dias mais exigentes alguma vez vistos na Corsa Rosa.

O percurso deverá rondar os 200 quilómetros e apresentar uma sucessão impressionante de dificuldades montanhosas. Logo nos primeiros quilómetros, os corredores enfrentarão a temida subida do Mortirolo pelo lado de Mazzo, uma ascensão lendária conhecida pelas suas rampas severas e pela capacidade de partir o pelotão.

Após a descida para Monno, a corrida seguirá em direção a Ponte di Legno, onde começará a escalada do Passo Gavia. O histórico gigante alpino deverá assumir o papel de Cima Coppi da edição de 2027, recuperando um dos cenários mais emblemáticos do Giro. A sua presença tem sido rara nos últimos anos devido ao risco de neve nas cotas mais elevadas durante o mês de maio.

Concluída a descida para Bormio e para o vale da Valtellina, os ciclistas não terão qualquer trégua. O Mortirolo surgirá novamente no percurso, numa segunda ascensão destinada a provocar diferenças significativas entre os candidatos à classificação geral.


Depois de nova descida até Monno, a corrida seguirá para Edolo antes da subida final para Aprica. Segundo a imprensa italiana, a chegada poderá estar localizada na exigente vertente de Santicolo, considerada a mais dura da zona e ideal para uma derradeira batalha entre os favoritos.

 

Perto dos 6.000 metros de desnível

 

Caso esta configuração seja confirmada, a etapa poderá aproximar-se ou mesmo ultrapassar os 6.000 metros de desnível acumulado, um número raramente alcançado na história do Giro d'Itália.

A confirmar-se, entrará diretamente para o restrito grupo das etapas mais difíceis alguma vez desenhadas para a corrida italiana, juntando-se a autênticas maratonas alpinas que marcaram épocas passadas e ficaram gravadas na memória dos adeptos.

 

Zoncolan e Madonna di Campiglio também entram em cena

 

As dificuldades não deverão terminar aí. As informações que circulam em Itália apontam ainda para uma penúltima etapa com chegada ao mítico Monte Zoncolan, considerada uma das subidas mais temidas do ciclismo mundial. O trajeto poderá incluir uma breve passagem por território austríaco antes do ataque final à montanha friulana.

Poucos dias antes, a etapa 18 deverá terminar em Madonna di Campiglio, outro dos palcos clássicos das grandes batalhas da alta montanha.

 

Dois contrarrelógios para equilibrar a corrida

 

Para criar um percurso mais completo e atrativo para todos os perfis de candidatos à vitória final, a organização deverá incluir dois contrarrelógios individuais.

Um deles terá chegada em altitude no Gran Sasso, enquanto o segundo deverá disputar-se na 15.ª etapa, utilizando parte do famoso Autódromo de Monza, numa jornada que poderá desempenhar um papel decisivo antes da última semana de competição.

O Giro d'Italia 2027 arrancará em Trieste, com uma incursão pela Eslovénia durante os primeiros dias de corrida. Já o habitual encerramento em Roma deverá voltar a oferecer uma oportunidade aos velocistas, com a meta instalada junto aos históricos Fóruns Imperiais.

Com Mortirolo, Gavia, Zoncolan e quase 6.000 metros de desnível numa única jornada, tudo aponta para que o Giro 2027 apresente um dos percursos mais duros e espetaculares das últimas décadas.

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