Por: José Morais
Depois da Eslovénia acolher o
Campeonato da Europa de 2026 com um percurso claramente favorável às
características de Tadej Pogačar, tudo indica que a Dinamarca será a anfitriã
da edição de 2027. A mudança promete uma alteração radical no perfil da corrida,
transportando o protagonismo das montanhas para estradas muito mais acessíveis
a velocistas e especialistas em clássicas.
Embora a confirmação oficial
por parte da UCI ainda esteja pendente, a imprensa dinamarquesa avança que
Herning e Silkeborg deverão receber a competição continental. A escolha não
surpreende, tendo em conta a tradição ciclista da região e as suas características
geográficas, marcadas por um terreno essencialmente plano e sem grandes
dificuldades montanhosas.
Percurso
favorece Pedersen e outros homens rápidos
Se a candidatura for
oficialmente aprovada, o traçado deverá encaixar perfeitamente nas
características de Mads Pedersen, um dos maiores nomes do ciclismo dinamarquês
e presença habitual nos compromissos da seleção nacional.
Herning e Silkeborg já
receberam o Europeu em 2017, numa corrida decidida ao sprint e vencida pelo
norueguês Alexander Kristoff, à frente de Elia Viviani e Moreno Hofland. Esse
antecedente reforça a ideia de que o Europeu de 2027 poderá voltar a ser uma
oportunidade rara para os velocistas discutirem a camisola continental.
Outro elemento que desperta
curiosidade é a possibilidade de inclusão de setores de gravilha. O tradicional
GP Herning, realizado anualmente na região, costuma apresentar troços em
estrada não asfaltada, uma tendência cada vez mais popular no ciclismo moderno.
Apesar de não existirem indicações de que esses setores sejam utilizados no
Europeu, a hipótese permanece em aberto.
Um
contraste claro com os Mundiais
A possível escolha da
Dinamarca representa também uma aposta na diversidade dos percursos
internacionais. Nos últimos anos, os Campeonatos do Mundo têm privilegiado
frequentemente trajetos exigentes, favoráveis a trepadores e corredores
completos.
O Europeu de 2027 surge assim
como um contraponto interessante, oferecendo uma corrida mais adequada a
especialistas de clássicas e velocistas, equilibrando as oportunidades entre
diferentes perfis de corredores.
Presença
de Vingegaard continua a gerar expectativa
Neste contexto, Jonas
Vingegaard dificilmente surgirá como candidato natural ao título europeu, já
que o percurso previsto estará longe de explorar as qualidades que o tornaram
uma referência das grandes voltas.
Ainda assim, a realização da
prova em solo dinamarquês faz crescer a expectativa em torno da sua presença.
Mesmo que não alinhe à partida ou não lute pela vitória, seria difícil imaginar
a principal figura do ciclismo dinamarquês ausente de um evento tão importante
disputado em casa.
A situação cria uma curiosa
contradição: enquanto muitos adeptos continuam a pedir uma participação mais
ativa de Vingegaard nas competições da seleção nacional, o Europeu de 2027
poderá decorrer num cenário pouco compatível com as suas características. Em
contrapartida, corredores como Mads Pedersen surgem desde já como os grandes
beneficiados de um percurso que promete transformar a luta pela camisola
europeia numa verdadeira celebração dos especialistas das chegadas rápidas e
das clássicas do Norte da Europa.

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