Fotos: Beatriz Silva / FPC (Arquivo - Estágio pré-Mundial)
Ao terceiro dia de competição,
a segunda medalha para Portugal. O estreante Miguel Salgueiro conquistou esta
sexta-feira a medalha de bronze na prova masculina da corrida por pontos do
Campeonato do Mundo de Pista, em Xangai, na China.
Na estreia em Campeonatos do Mundo de Pista ao serviço da Seleção Nacional, Miguel Salgueiro fez uma corrida de grande nível desde a partida. O português só não pontuou em cinco dos 16 sprints disputados ao longo das 160 voltas ao velódromo, num total de 40 quilómetros. No final, o português somou 27 pontos e garantiu a medalha de bronze, tendo terminado a apenas um ponto da medalha de prata, conquistada pelo francês Benjamin Thomas. O britânico Mark Stewart sagrou-se Campeão do Mundo, com 35 pontos.
A medalha de Miguel Salgueiro,
a segunda de Portugal no Campeonato do Mundo de Pista de Xangai depois do
bronze de Maria Martins no scratch, chega oito meses depois de uma queda
sofrida na prova de eliminação do Campeonato da Europa de Pista, em Konya. Da
queda resultaram fraturas em quatro costelas e duas vértebras e uma contusão no
pulmão direito, que obrigaram o português a passar dois dias nos cuidados
intensivos. Oito meses volvidos, conquistou a primeira medalha de sempre de
Portugal na corrida por pontos em Campeonatos do Mundo.
“É um momento inesquecível. É
o meu primeiro Campeonato do Mundo e não podia estar mais contente. Vinha para
este Mundial com o objetivo de dar o meu melhor e tentar pontuar o máximo
possível, mas claro que não estava à espera de fazer pódio na minha estreia.
Obrigado a todos os portugueses pelo apoio!”, refere Miguel Salgueiro.
“O Miguel Salgueiro fez uma corrida espetacular. Foi a primeira vez que disputou uma prova desta natureza em contexto de Campeonato do Mundo e sabíamos, antecipadamente, que seria uma corrida extremamente difícil e exigente, não só pela qualidade dos adversários, mas também pelas condições do velódromo, com temperaturas e níveis de humidade muito elevados, que obrigavam a uma gestão muito cuidada do esforço. Montámos uma estratégia que nos permitisse pontuar de forma regular e equilibrada e isso fez com que, a partir de metade da corrida, estivéssemos nos lugares cimeiros e na discussão das medalhas”, começa por explicar Gabriel Mendes.
“O Miguel esteve extremamente
bem, pontuou várias vezes e venceu vários sprints, algo que acabou por ser
essencial. A atitude competitiva que demonstrou até ao final foi muito
importante para sairmos daqui com uma medalha de bronze, que premeia todo o trabalho
desenvolvido. É um pódio extremamente importante e um justo reconhecimento do
empenho que o Miguel e toda a equipa têm demonstrado ao longo de todo o
processo deste Campeonato do Mundo”, conclui o Selecionador Nacional.
Maria
Martins
O dia português começou com o
omnium feminino, mas o arranque de Maria Martins foi azarado, tendo estado
envolvida numa queda coletiva durante a prova de scratch, que terminaria na
20.ª posição. Seguiram-se a tempo race e a eliminação, nas quais foi quarta e
14.ª classificada, respetivamente. A portuguesa entrou na decisiva corrida por
pontos como 13.ª, mas conseguiu saltar para as dez primeiras, tendo terminado
na 10.ª posição, com 61 pontos. A britânica Anna Morris sagrou-se Campeã do
Mundo, com 125 pontos.
"Foi um omnium
extremamente difícil para nós. A Maria Martins foi apanhada por uma queda
coletiva logo na primeira corrida, o scratch, o que teve um impacto muito
significativo no plano que tínhamos delineado. Houve inclusivamente dúvidas
sobre a possibilidade de continuar em prova, mas, dentro do reduzido tempo de
recuperação disponível, fez um esforço enorme para regressar à
competição", analisa Gabriel Mendes.
"A Maria esteve a um
nível excecional. Apesar das muitas dificuldades com que se deparou, incluindo
as dores resultantes da queda, demonstrou uma enorme resiliência e foi
conseguindo subir na classificação ao longo do programa. Terminar no 10.º lugar,
tendo em conta todo o contexto, é um resultado muito positivo. Além disso, esta
era a primeira prova de qualificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles
2028, o que torna este desempenho ainda mais importante para nós", conclui
o Selecionador Nacional.
Na perseguição individual, Ivo
Oliveira foi o protagonista nacional, tendo terminado com o 7.º melhor tempo:
4:04.343. O italiano Jonathan Milan, que bateu o recorde do mundo na
qualificação com 3:58.850, sagrou-se Campeão do Mundo na final, com 4:00.769.
"O Ivo Oliveira alcançou
hoje a sua segunda melhor marca na perseguição individual, resultado que lhe
permitiu alcançar o sétimo lugar. É um resultado muito positivo, embora ainda
distante do objetivo de qualificação para as finais. O Ivo fez um trabalho
muito bom tendo em conta o contexto condicionado da preparação e o atraso no
programa, provocado pela queda ocorrida no omnium feminino, que teve
implicações no processo de aquecimento e na própria prestação. Como partimos na
primeira série imediatamente após o omnium feminino, não foi possível ajustar
esse processo da melhor forma. Apesar dessa adversidade, o Ivo teve um
desempenho muito bom e deu o melhor de si numa prova extremamente competitiva,
frente aos melhores especialistas do mundo. O facto de ter sido estabelecido um
novo recorde do mundo demonstra bem o nível da competição. Vamos continuar a
trabalhar em várias frentes para regressarmos mais fortes no futuro",
destaca o Selecionador Nacional.
A Seleção Nacional regressa à
competição durante a madrugada deste sábado, com Iúri Leitão a disputar o
programa de omnium. As provas serão transmitidas em direto na RTP2, na
Eurosport2 e na HBO Max.
Programa
da Seleção Nacional*
Sábado, 17 de outubro
05h27 | Omnium masculino
(Scratch) - Iúri Leitão
08h05 | Omnium masculino
(Tempo Race) - Iúri Leitão
12h01 | Omnium masculino
(Eliminação) - Iúri Leitão
13h23 | Omnium masculino
(Corrida por Pontos) - Iúri Leitão
Domingo, 18 de outubro
06h59 | Corrida por Pontos
feminina - Daniela Campos
07h45 | Eliminação masculina -
Diogo Narciso
09h03 | Madison masculino -
Iúri Leitão e Ivo Oliveira
*Horários de Portugal
Continental
Fonte: Federação Portuguesa
Ciclismo



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