Por: José Morais
Remco Evenepoel escreveu mais
um capítulo memorável na sua carreira ao sagrar-se, este domingo, campeão
europeu de fundo, alcançando o único grande título por seleções nacionais que
ainda faltava no seu impressionante currículo.
Numa corrida marcada pela
emoção, pela incerteza e por vários contratempos, o belga demonstrou uma vez
mais porque é considerado uma das maiores figuras do ciclismo mundial. Depois
de uma queda e de um erro na derradeira curva, que parecia comprometer as suas
aspirações, Evenepoel encontrou forças para recuperar e ultrapassar o italiano
Giulio Ciccone sobre a linha de meta, decidindo o título num apertado sprint
final após 196,3 quilómetros entre Liubliana e Šenčur.
Aos 26 anos, o vice-campeão do
Tour de 2026 completa assim uma coleção de triunfos rara na história da
modalidade. Ao ouro europeu de fundo junta os títulos continentais de
contrarrelógio, os dois ouros olímpicos conquistados em Paris 2024, quatro
camisolas arco-íris consecutivas no exercício individual contra o relógio e o
título mundial de fundo alcançado em 2022.
Visivelmente emocionado, o
corredor belga não escondeu a satisfação pelo feito alcançado.
"Agora posso dizer que
conquistei todos os grandes campeonatos do ciclismo profissional. Chegou o
momento de desfrutar e celebrar."
A vitória surge poucos dias
depois de uma deceção nos Campeonatos do Mundo, onde ficou longe dos lugares
cimeiros. A resposta foi dada na estrada, numa exibição de carácter e
determinação. O ataque decisivo aconteceu a cerca de 37 quilómetros da meta, quando
Evenepoel acelerou na companhia de Ciccone. Pouco depois sofreu uma queda, mas
rapidamente voltou à bicicleta e reentrou na frente da corrida.
Os dois lideraram durante
grande parte da fase decisiva, embora tenha sido o belga quem assumiu a maioria
do trabalho. Já nos metros finais, um erro de trajetória abriu uma pequena
oportunidade ao italiano, mas Evenepoel voltou a mostrar toda a sua capacidade
de recuperação e lançou-se para uma derradeira arrancada que lhe garantiu a
camisola azul de campeão europeu.
Atrás da dupla da frente,
Christian Scaroni assegurou a medalha de bronze, terminando isolado a 59
segundos dos dois protagonistas da corrida.
Portugueses
Lutaram Até ao Limite
A Seleção Nacional procurou
ser protagonista numa prova extremamente exigente. O experiente Nelson Oliveira
foi o melhor português classificado, terminando na 27.ª posição, enquanto Tiago
Antunes assegurou igualmente um lugar entre os resistentes que conseguiram
chegar ao final.
Antunes integrou a principal
fuga do dia, numa tentativa ofensiva que também contou com corredores da
Eslovénia, Suécia, Chéquia, Países Baixos e Suíça. O grupo chegou a dispor de
uma vantagem interessante, mas acabou neutralizado quando a corrida entrou na
sua fase mais seletiva.
Os restantes elementos da
equipa portuguesa foram cedendo perante o forte ritmo imposto pelos favoritos,
evidenciando a dureza de um percurso desenhado para os especialistas das
grandes clássicas.
Já na fase final, as atenções
concentraram-se totalmente no duelo entre Evenepoel e Ciccone, uma batalha que
terminou com o belga a reforçar o seu estatuto de referência absoluta do
ciclismo internacional.
Juniores
Portuguesas Fora do Tempo Limite
Na prova feminina de juniores,
disputada igualmente nos Campeonatos da Europa da Eslovénia, as portuguesas
Marta Esteves e Bárbara Santos não conseguiram concluir dentro do tempo
regulamentar os 66,3 quilómetros da corrida.
A vitória sorriu à italiana
Azzurra Ballan, filha do antigo campeão do mundo Alessandro Ballan, que
confirmou o favoritismo e conquistou a medalha de ouro numa jornada de grande
exigência para o pelotão jovem europeu.

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