Por: José Morais
Um estudo apresentado pela
União Internacional de Ciclismo (UCI) revelou diferenças preocupantes entre os
acidentes registados nos pelotões masculino e feminino. Os dados indicam que as
ciclistas não só estão envolvidas em quedas com maior impacto coletivo, como
também sofrem lesões mais graves e um número significativamente superior de
fraturas.
A investigação, conduzida sob
a coordenação do diretor médico da UCI, Xavier Bigard, analisou dezenas de
provas internacionais disputadas ao longo da temporada. O objetivo passou por
compreender melhor os fatores que originam os acidentes em competição, identificar
padrões de lesão e recolher informação que permita reforçar a segurança no
ciclismo profissional.
Entre os resultados mais
marcantes está a constatação de que as atletas apresentam uma vulnerabilidade
acrescida a determinadas lesões traumáticas. As fraturas surgem com uma
frequência 2,5 vezes superior à verificada nos homens, enquanto os traumatismos
cranianos e as concussões registam igualmente valores bastante mais elevados.
Para explicar esta tendência,
os especialistas apontam para a possibilidade de existirem fatores fisiológicos
associados à saúde óssea feminina. Segundo Xavier Bigard, uma das hipóteses
mais consistentes relaciona-se com alterações hormonais e com situações de
baixa disponibilidade energética, fatores que podem comprometer a densidade e a
resistência dos ossos ao longo do tempo.
O responsável destacou ainda
uma característica particular da modalidade: ao contrário de outras práticas
desportivas, o ciclismo não promove impactos repetidos sobre o esqueleto,
estímulos considerados importantes para o fortalecimento da estrutura óssea.
Esta condição poderá contribuir para uma maior fragilidade em caso de queda,
especialmente em atletas sujeitas a desequilíbrios hormonais ou nutricionais.
Os números recolhidos pelo
estudo reforçam a preocupação. Sempre que ocorre uma queda numa corrida
feminina, o número médio de atletas envolvidas é substancialmente superior ao
registado nas competições masculinas. Além disso, as corredoras necessitam com
maior frequência de assistência médica especializada ou de intervenção
cirúrgica após os acidentes.
A análise revela ainda que as
lesões cutâneas graves, as concussões e os traumatismos na cabeça apresentam
incidências muito acima das observadas no pelotão masculino. Estes indicadores
levaram a UCI a defender a continuação da investigação científica nesta área,
procurando compreender melhor as causas do fenómeno e implementar medidas que
reduzam os riscos para as atletas.
Os resultados representam um
importante sinal de alerta para equipas, federações e profissionais de saúde,
reforçando a necessidade de aprofundar o acompanhamento médico, nutricional e
hormonal das ciclistas de alta competição, numa modalidade onde a prevenção
poderá desempenhar um papel determinante na redução da gravidade das lesões.

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