Por: José Morais
O Tour de França de 2027 foi
apresentado em Paris e promete marcar uma mudança de rumo na maior corrida do
ciclismo mundial. Com dois longos contrarrelógios individuais, um total de 71
quilómetros contra o tempo e menos chegadas em altitude do que nos últimos
anos, a nova edição aposta num equilíbrio diferente entre especialistas do
esforço individual e os grandes escaladores.
A corrida arrancará em
Edimburgo, a 2 de julho, e terminará nos Campos Elísios, em Paris, a 25 de
julho, depois de 3.479 quilómetros distribuídos por 21 etapas. O percurso
inclui três dias de descanso, sete oportunidades para velocistas e apenas três
chegadas em alto, um número significativamente inferior ao registado nas
edições mais recentes.
A grande novidade está nos
contrarrelógios. A organização recupera uma fórmula que há muito não tinha
tanto peso no desenho da prova. A sétima etapa apresentará um exercício
individual de 38 quilómetros entre Blois e Chambord, enquanto a décima sexta
jornada levará os corredores a percorrer 33 quilómetros contra o relógio nas
estradas de Toulouse. Somados, representam a maior quilometragem de
contrarrelógio desde 2012.
Para muitos observadores, esta
configuração poderá favorecer corredores como Remco Evenepoel, um dos maiores
especialistas da atualidade, e criar um desafio adicional para os puros
escaladores. Ainda assim, Tadej Pogačar surge novamente como o principal candidato
ao triunfo final e poderá entrar para a história caso conquiste a sua sexta
vitória na classificação geral.
A primeira semana será marcada
pela partida britânica. Após três etapas no Reino Unido, o pelotão viajará para
França depois do primeiro dia de descanso. Os velocistas deverão encontrar
várias oportunidades, mas jornadas como Cardiff, Cherbourg e Plumelec prometem
abrir espaço a ataques de clássicos e homens de fugas.
A luta pela geral começará
verdadeiramente a ganhar forma no contrarrelógio de Chambord e, pouco depois,
na chegada ao Grand Colombier, a primeira das três subidas que terminam no
topo. Antes disso, os corredores enfrentarão uma etapa longa e exigente até Le
Creusot, onde o terreno acidentado poderá provocar surpresas.
Nos Alpes, durante a segunda
semana, surgem os dias mais seletivos da corrida. As etapas com chegada a
Sallanches e Les Saisies acumulam milhares de metros de desnível e colocam os
favoritos perante os primeiros grandes testes de montanha. Apesar disso, a
organização optou por reduzir o protagonismo das grandes ascensões, apostando
em percursos mais abertos e menos previsíveis
A terceira semana será
decisiva. O contrarrelógio de Toulouse poderá provocar diferenças importantes
antes da entrada nos Pirenéus. A etapa-rainha chega logo a seguir, com final no
temível Col du Portet, após a passagem por montanhas lendárias como o Tourmalet
e o Soulor. Com mais de 5.400 metros de desnível acumulado, será provavelmente
o dia mais duro de todo o Tour.
A jornada seguinte até Laruns
manterá a tensão com novas dificuldades montanhosas, incluindo a subida ao
Marie Blanque. Depois disso, a classificação geral ficará praticamente definida
antes da tradicional chegada a Paris.
Pela terceira temporada
consecutiva, a subida de Montmartre integrará o circuito final na capital
francesa, acrescentando espetáculo às derradeiras voltas antes da consagração
do vencedor.
Com menos alta montanha, mais
quilómetros de contrarrelógio e várias etapas desenhadas para incentivar
ataques de longa distância, o Tour de França 2027 apresenta-se como uma das
edições mais distintas da última década, prometendo uma batalha táctica intensa
desde a Escócia até aos Campos Elísios.

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