Por: José Morais
A poucos dias da apresentação
oficial do percurso, marcada para 3 de novembro, começam a surgir cada vez mais
detalhes sobre aquele que poderá ser um dos Giros d’Itália mais exigentes da
última década. As informações que circulam em Itália apontam para uma edição
marcada pelo regresso das grandes montanhas, pela aposta reforçada nos
contrarrelógios e por um traçado desenhado para desafiar os mais completos
candidatos à camisola rosa.
A partida está prevista para a
cidade de Trieste, a 8 de maio, numa jornada favorável aos homens rápidos.
Depois de várias edições com arranque fora de Itália, a organização deverá
apostar novamente em território nacional para dar início à corrida.
A primeira semana promete
equilíbrio entre oportunidades para os velocistas e desafios para os
especialistas da classificação geral. Entre os momentos mais aguardados poderá
estar um contrarrelógio com chegada em altitude ao Gran Sasso, num formato que
não se vê há vários anos na prova. Estão ainda previstas etapas acidentadas nos
Abruzos, desenhadas para provocar diferenças sem assumir ainda um papel
decisivo.
Após a passagem por Nápoles, a
corrida seguirá rumo ao norte do país. O percurso deverá incluir uma passagem
pelo circuito de Mugello, uma etapa movimentada na Emília-Romanha e uma chegada
em subida na Toscânia. Antes dessa meta, os corredores poderão enfrentar a
inédita ascensão de Zum Zeri, uma novidade que promete acrescentar espetáculo e
imprevisibilidade à corrida.
A segunda metade da prova
começará a ganhar contornos mais exigentes com uma chegada nos Piani di Bobbio,
antes de um novo contrarrelógio previsto para a zona de Monza. Esta etapa
poderá representar a última grande oportunidade para os especialistas contra o
relógio antes da entrada nas montanhas mais duras da competição.
Alpes e
Dolomitas regressam ao centro do espetáculo
Depois de uma edição anterior
relativamente pobre em grandes colossos alpinos, o Giro de 2027 deverá
recuperar toda a sua identidade montanhosa. As fugas, os ataques de longe e as
grandes diferenças na classificação geral poderão voltar a ser protagonistas.
A jornada mais temida surge
apontada para a terceira semana e poderá ultrapassar os 6.000 metros de
desnível acumulado. O percurso incluiria duas passagens pelo lendário
Mortirolo, intercaladas com a igualmente mítica subida do Gavia, um dos pontos
mais altos e emblemáticos do ciclismo mundial.
Se as condições meteorológicas
o permitirem, os corredores enfrentarão um autêntico teste de sobrevivência. A
segunda passagem pelo Mortirolo deverá acontecer pela vertente de Mazzo di
Valtellina, considerada a mais dura e seletiva da montanha, antes da chegada
final a Aprica.
Mas o
sofrimento não terminará aí
Os últimos dias de competição
prometem uma sucessão de etapas para escaladores puros. Primeiro, uma chegada
na região de Madonna di Campiglio. Depois, uma travessia exigente pelas
Dolomitas em direção à Áustria. Finalmente, como derradeiro exame antes da
consagração em Roma, surge o regresso de um dos monstros mais temidos do
ciclismo mundial: o Monte Zoncolan.
A subida pela vertente de
Ovaro, ausente do Giro desde 2018, poderá voltar a decidir o vencedor da
corrida. Com rampas brutais e percentagens que ultrapassam frequentemente os
dois dígitos, o Zoncolan mantém a reputação de ser uma das ascensões mais
impiedosas do calendário internacional.
Percurso
poderá favorecer corredores completos
Embora ainda não sejam
conhecidas as distâncias exatas dos contrarrelógios, várias fontes italianas
apontam para uma quilometragem significativa nesta disciplina. Essa opção
poderá refletir o desejo da organização de equilibrar a luta pela geral e
favorecer corredores versáteis, capazes de brilhar tanto nas montanhas como
contra o relógio.
Entre os nomes que surgem
associados a esse perfil destaca-se o belga Remco Evenepoel, cuja combinação de
potência, resistência e eficácia nos contrarrelógios encaixaria de forma quase
perfeita nas características deste possível Giro d’Itália 2027.
Se as informações agora
divulgadas se confirmarem, os adeptos poderão assistir a uma edição memorável,
marcada pelo regresso dos grandes cenários alpinos, pelo renascimento de
subidas históricas e por uma batalha sem tréguas entre os melhores ciclistas do
mundo.

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