quarta-feira, 28 de outubro de 2026

“Giro d’Itália 2027 promete revolucionar a corrida: Zoncolan regressa, Mortirolo em dose dupla e Gavia volta a assustar o pelotão”


Por: José Morais

A poucos dias da apresentação oficial do percurso, marcada para 3 de novembro, começam a surgir cada vez mais detalhes sobre aquele que poderá ser um dos Giros d’Itália mais exigentes da última década. As informações que circulam em Itália apontam para uma edição marcada pelo regresso das grandes montanhas, pela aposta reforçada nos contrarrelógios e por um traçado desenhado para desafiar os mais completos candidatos à camisola rosa.

A partida está prevista para a cidade de Trieste, a 8 de maio, numa jornada favorável aos homens rápidos. Depois de várias edições com arranque fora de Itália, a organização deverá apostar novamente em território nacional para dar início à corrida.

A primeira semana promete equilíbrio entre oportunidades para os velocistas e desafios para os especialistas da classificação geral. Entre os momentos mais aguardados poderá estar um contrarrelógio com chegada em altitude ao Gran Sasso, num formato que não se vê há vários anos na prova. Estão ainda previstas etapas acidentadas nos Abruzos, desenhadas para provocar diferenças sem assumir ainda um papel decisivo.

Após a passagem por Nápoles, a corrida seguirá rumo ao norte do país. O percurso deverá incluir uma passagem pelo circuito de Mugello, uma etapa movimentada na Emília-Romanha e uma chegada em subida na Toscânia. Antes dessa meta, os corredores poderão enfrentar a inédita ascensão de Zum Zeri, uma novidade que promete acrescentar espetáculo e imprevisibilidade à corrida.

A segunda metade da prova começará a ganhar contornos mais exigentes com uma chegada nos Piani di Bobbio, antes de um novo contrarrelógio previsto para a zona de Monza. Esta etapa poderá representar a última grande oportunidade para os especialistas contra o relógio antes da entrada nas montanhas mais duras da competição.

 

Alpes e Dolomitas regressam ao centro do espetáculo

 

Depois de uma edição anterior relativamente pobre em grandes colossos alpinos, o Giro de 2027 deverá recuperar toda a sua identidade montanhosa. As fugas, os ataques de longe e as grandes diferenças na classificação geral poderão voltar a ser protagonistas.

A jornada mais temida surge apontada para a terceira semana e poderá ultrapassar os 6.000 metros de desnível acumulado. O percurso incluiria duas passagens pelo lendário Mortirolo, intercaladas com a igualmente mítica subida do Gavia, um dos pontos mais altos e emblemáticos do ciclismo mundial.

Se as condições meteorológicas o permitirem, os corredores enfrentarão um autêntico teste de sobrevivência. A segunda passagem pelo Mortirolo deverá acontecer pela vertente de Mazzo di Valtellina, considerada a mais dura e seletiva da montanha, antes da chegada final a Aprica.

 

Mas o sofrimento não terminará aí

 

Os últimos dias de competição prometem uma sucessão de etapas para escaladores puros. Primeiro, uma chegada na região de Madonna di Campiglio. Depois, uma travessia exigente pelas Dolomitas em direção à Áustria. Finalmente, como derradeiro exame antes da consagração em Roma, surge o regresso de um dos monstros mais temidos do ciclismo mundial: o Monte Zoncolan.

A subida pela vertente de Ovaro, ausente do Giro desde 2018, poderá voltar a decidir o vencedor da corrida. Com rampas brutais e percentagens que ultrapassam frequentemente os dois dígitos, o Zoncolan mantém a reputação de ser uma das ascensões mais impiedosas do calendário internacional.

 

Percurso poderá favorecer corredores completos

 

Embora ainda não sejam conhecidas as distâncias exatas dos contrarrelógios, várias fontes italianas apontam para uma quilometragem significativa nesta disciplina. Essa opção poderá refletir o desejo da organização de equilibrar a luta pela geral e favorecer corredores versáteis, capazes de brilhar tanto nas montanhas como contra o relógio.

Entre os nomes que surgem associados a esse perfil destaca-se o belga Remco Evenepoel, cuja combinação de potência, resistência e eficácia nos contrarrelógios encaixaria de forma quase perfeita nas características deste possível Giro d’Itália 2027.

Se as informações agora divulgadas se confirmarem, os adeptos poderão assistir a uma edição memorável, marcada pelo regresso dos grandes cenários alpinos, pelo renascimento de subidas históricas e por uma batalha sem tréguas entre os melhores ciclistas do mundo.

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