Por: José Morais
Dois meses depois do acidente
que abalou a sua participação na Vuelta, Tadej Pogacar revelou que os danos
físicos provocados pela queda foram bastante mais graves do que se imaginava
inicialmente. O ciclista esloveno admitiu que, para além da clavícula partida e
da concussão cerebral, sofreu ainda outras lesões na coluna vertebral que
apenas vieram a ser identificadas numa fase posterior da recuperação.
Após regressar à Eslovénia e
realizar exames mais aprofundados, os médicos detetaram duas novas fraturas nas
vértebras T1 e T2, que se juntaram à já conhecida lesão na vértebra C7. A
descoberta levou o campeão a encarar o episódio com uma nova perspetiva.
Perante a gravidade do diagnóstico, reconheceu sentir-se agradecido por ter
escapado a consequências ainda mais severas.
O corredor da UAE Emirates XRG
sublinhou que as lesões vertebrais acabam muitas vezes por passar despercebidas
perante fraturas mais visíveis, mas alertou para o risco que representam.
Segundo explicou, os danos na coluna são especialmente delicados e obrigam a
cuidados rigorosos, tornando inevitável uma reflexão sobre o quão perto esteve
de enfrentar um cenário muito mais preocupante.
Apesar do impacto das
notícias, o estado atual é bastante mais positivo. Pogacar garantiu que já não
sente dores significativas e que recuperou grande parte da sua normalidade
diária. Ainda assim, mantém algumas precauções para evitar esforços excessivos
e reduzir o risco de novas quedas durante esta fase de regresso gradual à
atividade.
Mas os desafios não se
limitaram ao plano físico. O esloveno confessou ter atravessado um período
emocional extremamente difícil nas semanas que se seguiram ao acidente. Os
efeitos da concussão provocaram tonturas persistentes, perda de energia e uma
sensação de apatia que afetou profundamente o seu bem-estar psicológico.
Durante esse período, admitiu
ter vivido dias de enorme desânimo, descrevendo uma luta constante para
encontrar motivação. A recuperação tornou-se um verdadeiro teste mental,
marcado por oscilações de humor e por momentos em que a vontade de ultrapassar limites
dava lugar a uma completa falta de forças.
A mudança começou a surgir com
o regresso progressivo ao treino indoor e às sessões regulares de fisioterapia.
À medida que recuperava a mobilidade e a confiança, também a estabilidade
emocional foi regressando. Hoje, já de volta aos treinos na estrada, Pogacar
encara o futuro com maior serenidade e concentra-se em recuperar totalmente
para voltar a competir ao mais alto nível.

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