domingo, 13 de junho de 2021

“Campeonato do Mundo de Paraciclismo Dia 5”


Luís Costa nono classificado no encerramento do Mundial

 

Por: José Carlos Gomes

Luís Costa, nono classificado na prova de fundo de classe H5, foi o melhor elemento da Seleção Nacional no encerramento do Campeonato do Mundo de Paraciclismo, que hoje terminou no Circuito Estoril, Cascais.

O corredor português colocou em prática a tática idealizada: não ir ao choque com os adversários mais fortes da classe, procurando seguir num segundo grupo que lhe permitisse tentar ultrapassar alguns concorrentes que descolassem da frente da corrida.

A prova de 67,2 quilómetros foi animada, inicialmente, por uma fuga do italiano Diego Colombari e do holandês Johan Reekers. Os dois acabaram por não conseguir resistir à perseguição movida pelos quatro mais fortes do pelotão, os holandeses Mitch Valize e Tim de Vries, o francês Loic Vergnaud e o irlandês Gary O’Reilly.


A medalha de ouro foi discutida por este quarteto, com Valize e Vergnaud a destacarem-se dos demais para um emocionante sprint, no qual se impôs o representante dos Países Baixos, que repetiu no Mundial o que conseguira no Europeu da semana passada, a dobradinha contrarrelógio e prova de fundo. Na luta pelo bronze levou a melhor Tim de Vries, que se despediu do estatuto de campeão do mundo.

Mais atrás, o grupo de Luís Costa acabou por não conseguir chegar aos fugitivos iniciais. O português terminaria na nona posição, a 5m12s. “Sei que ainda não estou em condições de arriscar ir ao choque. Vi-me num grupo com mais dois atletas e, como não estávamos a perder muito para a frente, colaborámos para tentar apanhar alguns dos outros atletas. Fico satisfeito, porque estou a evoluir bem e sinto-me muito motivado para o período que me separa de Tóquio”, afirmou Luís Costa.

Hoje estiveram em ação mais quatro portugueses. Rúben Garcia e João Pinto competiram na classe H4, ocupando a 25.ª e a 26.ª posições, respetivamente. Ficaram ambos a uma volta do vencedor, o francês Riadh Tarsim, mais rápido num sprint a cinco, que também levou ao pódio o alemão Vico Merklein, segundo, e o espanhol Luis Miguel García-Marquina, terceiro.


Em H4 também correram dois representantes da Seleção Nacional. Flávio Pacheco foi o 11.º classificado e Carlos Neves terminou na 14.ª posição. Foram ambos dobrados pelo vencedor, o holandês Jetze Plat, que revalidou o título mundial de fundo, juntando esta vitória à do contrarrelógio, na sexta-feira. O pódio completou-se com o austríaco Thomas Fruhwirth e com o suíço Fabien Recher.

"Foi o meu primeiro Campeonato do Mundo. Fiz uma boa prova dentro das condições físicas que tenho. Vivo no Luxemburgo, onde a primavera foi muito fria e chuvosa. Em maio só pude treinar na rua três vezes, de resto foi sempre em rolos. Mas não foi por isso que não ganhei", brinca Carlos Neves, que se iniciou no paraciclismo há três anos. "O 'bichinho' ficou logo cá dentro e agora quero continuar e evoluir", confessa.

No último dia de competição foram atribuídos 14 títulos mundiais. A nação mais vitoriosa neste domingo foi a Itália, com quatro camisolas arco-íris. Seguiram-se os Países Baixos com três. São também estes os países que encabeçam a lista de nações mais vitoriosas em Cascais. Itália somou 13 medalhas de ouro ao longo de toda a competição. Os Países Baixos ficaram-se pelos nove títulos. A terceira seleção com mais triunfos durante o Mundial foi a Grã-Bretanha, com seis subidas ao lugar mais alto do pódio.

Num Campeonato do Mundo em que participaram 39 países, 21 levam medalhas na bagagem. “Saio daqui tranquilo, porque cumprimos as expectativas. O único sabor amargo foi na corrida de fundo de classe C2, na qual um descuido tático do Telmo Pinão o impediu de estar na discussão dos primeiros lugares. No geral, foi uma experiência positiva para todos os corredores que aqui estiveram e que merecem os parabéns por estarem a competir entre os melhores do mundo”, resume o selecionador nacional, José Marques.

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

“Raquel Queirós décima classificada em Leognag”


A portuguesa Raquel Queirós foi a décima classificada na corrida de sub-23 da Taça do Mundo de Cross Country Olímpico (XCO), disputada na manhã deste domingo em Leogang, Áustria.

A campeã nacional iniciou a prova na posição 18, mas fez uma corrida em crescendo, conquistando paulatinamente posições, até integrar o lote das dez mais fortes.

Raquel Queirós conseguiu a décima posição, a 5m35s da austríaca Mona Mitterwallner, que venceu isolada, com grande superioridade sobre a concorrência. A húngara Kata Blanka Vaz foi a segunda classificada, a 1m01s, e a dinamarquesa Caroline Bohe completou os lugares de honra, a 1m26s da vencedora.

Em Leogang, mas na disciplina de DHI, estiveram também Nuno Reis (Miranda Factory Team), que ontem foi sexto na descida de juniores, e Gonçalo Bandeira, que não conseguiu apurar-se para a final de elite.

Fonte: Record on-line

“Telmo Pinão e o futuro: «Deixa-me ir a Tóquio, depois logo se vê»”


Paraciclista português em entrevista a Record

 

Por: Pedro Filipe Pinto

 

Record - De que forma encarou o facto de ter ficado sem uma perna?

 

Telmo Pinão – Foi um processo muito doloroso. Quem me conhece, diz que eu encarei esta adversidade como muita gente não conseguiria. Eu não nego que isso seja verdade, mas, porra, também tive os meus momentos. Fui abaixo muitas vezes, pensei ‘o que vai ser de mim?’. Tinha 22 anos, claro que houve dúvidas. Mas ao longo do tempo fui-me automotivando e deixei que me levassem, o que é muito importante. Lembro-me de estar muitas vezes em casa, muito em baixo, mas passava alguém e levava-me dali. Olha, houve um dia que o padeiro disse para ir com ele e passei a manhã a distribuir pão. Tens de ter essa capacidade de deixar que te levem. Conheço situações em que isso não acontece por terem vergonha de aparecer.

 

R - Vergonha?

 

TP – Sim, há o tabu de se mostrar a prótese. Nem imaginas o que é para uma pessoa amputada ir à piscina, por exemplo. Eu nunca tive isso, ando sempre de calções!

 

R - De que forma é que o desporto te ajudou?

 

TP – Na inclusão. Eu estava no karaté, competia, era o único com deficiência e sempre me respeitaram. Só pedia aos adversários para não me fazerem um varrimento (risos).

 

R - Em 2016 pôde então alimentar o bichinho dos Paralímpicos. Que memórias trouxe do Rio de Janeiro? Que histórias tem da Aldeia Olímpica?

 

TP – É pena este ano não existir essa proximidade. Os Jogos perdem aquela mística e essas histórias que pedes. Tive lá várias situações em que eu, mesmo aleijado, me pus a olhar par os outros a pensar na vida. Uma vez estava na tenda das refeições e vejo uma pessoa de outra modalidade a chegar numa cadeira elétrica. Só tinha um pé, não tinha uma perna e os dois braços. Chegou, colocaram-lhe a comida à frente e perguntei a quem estava comigo ‘mas como é que ele vai comer?’ Nem imaginas! Ele usou o pé… e comeu mais rápido do que eu com as duas mãos.

 

R - Deve ser uma experiência muito forte...

 

TP – Vives ali muita coisa, falas com muita gente, vês coisas incríveis. Nunca me vou esquecer de um rapaz indiano só com uma perna a fazer um metro e tal em salto em altura e, pouco depois, estar ali connosco a comer na tal tenda. Eu pensei ‘como é que era possível ele ter feito aquilo?’ Ele dava-me aqui pelo ombro. Há coisas incríveis de que não me vou esquecer. Até para mim, que estou neste Mundo das pessoas com deficiência há quase 20 anos, é motivador passar por uma experiência daquelas.

 

R - Já pensa no futuro pós-Tóquio?

 

TP – Olha, eu gosto muito disto, é uma droga como te disse, não queremos largar! No final dos Europeus disse para mim que já chegava, que já estou velho, mas depois olhei para aquela medalha e depois da massagem já só pensava na próxima prova. Mas há um ponto em que o corpo te vai dizer para parar. Vamos ver o que ele me vai dizendo. Não prometo nada. Deixa ver se vou a estes Jogos. Deixa-me ir a Tóquio, depois logo se vê.

 

R - E o que é o que o corpo lhe tem dito nos últimos tempos?

 

TP – Tenho a noção que posso continuar mais um pouco, o problema não está aí. O problema é que o meu corpo começa a ceder. Estamos a falar de pedalar só com uma perna, fazer 40 quilómetros por hora de média… Para fazer isto, para estar ao nível dos melhores do Mundo, tenho partes do corpo que estão a sofrer muito, principalmente a região lombar. O que fazemos é um esforço assimétrico. Com a prótese acho que ia até aos 40 e tal anos, só com uma perna vai ser mais complicado.

 

R - Mas foi com uma perna que subiu a Serra da Estrela. Como foi essa primeira vez?

 

TP – Marcou-me muito. Porque, lá está, foi a primeira vez que a subi na íntegra só com uma perna, sem parar, e, como sabes, desde a Covilhã até à Torre. Mexeu comigo, não me esqueço. Fiz um vídeo quando cheguei lá acima. Fiquei maravilhado com aquilo que fiz, com aquele andamento. Gabo-me dessa subida, entre aspas, por isso, foi uma superação. Já subi mais vezes, mas o sentimento já não foi o mesmo, essa ficou marcada porque foi a primeira depois de mudar para esta classe. Cheguei lá acima e senti-me o melhor do Mundo. Cheio de ego, cheio de motivação e confiança, porque eu fiquei a pensar: ‘se eu faço isto, venha o que vier agora’.

 

R - As suas redes sociais têm várias fotos em que está a dar palestras...

 

TP – Sim, faço e gosto muito. Fi-las sempre sem levar dinheiro. Se me pagassem o gasóleo e uma buchazita, ficava feito. Seja para crianças, para adultos, para empresas… Tu nunca sabes o dia de amanhã e quando é que o azar vai bater à tua porta ou à de um familiar teu. Fico muito feliz de saber que, um dia, se infelizmente acontecer a alguma destas pessoas com quem falei, eles vão lembrar-se de me terem ouvido, de que eu estive lá com eles.

Fonte: Record on-line

Ficha Técnica

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