sexta-feira, 15 de julho de 2022

“«Davam-me 40 mil euros por mês se me dopasse com EPO e pressionavam-me com mulheres»”


Bassons recorda os seus tempos de ciclista e diz que hoje em dia a pressão psicológica sobre os corredores é "monstruosa"

 

Por: Record 

Foto: Favebook/Christophe Bassons

O antigo ciclista francês Christophe Bassons, que viu a sua carreira terminar em 2001 depois de falar abertamente sobre doping na Volta a França, voltou a abordar o uso de substâncias proibidas no ciclismo.

Agora com 48 anos, Bassons - que no pelotão internacional foi contemporâneo de Lance Armstrong, entre outros ciclistas - diz que "toda a gente continua a viver uma grande mentira". "Hoje em dia o apoio médico é muito mais extenso e quase me assusta mais do que o doping", contou em declarações ao site 'sueddeutsche.de'.

"Entre uma pequena dose terapêutica de EPO ou 20 ou 30 barras energéticas por dia para correr um Tour, pense por um momento qual destes é mais perigoso. O ciclismo ganharia uma enorme credibilidade se os corredores dissessem exatamente o que põem nos seus corpos, a que horas e a cada dia", frisou Bassons, acrescentando que nos dias de hoje a pressão psicológica sobre os ciclistas "é monstruosa".

Bassons, que fez carreira nos anos 90, tendo representado a Force Sud, a Festina, a Française des Jeux e a Jean Delatour, contou como o doping influenciava até as negociações dos contratos com as equipas. Recorda que chegaram a oferecer-lhe dois contratos: um se se mantivesse limpo e outro se aceitasse dopar-se, com um salário 10 vezes maior.

"Estive muitos anos sem falar com ninguém do pelotão, nem sequer com aqueles que foram meus companheiros. Chegaram a oferecer-me 40 mil euros se me dopasse com EPO, 10 vezes mais do que ganhava, mas não conseguiram convencer-me".

As pressões, explica, aconteciam de várias formas, até com prostitutas. "Levavam-me mulheres ao hotel para que traísse a minha mulher. Tentaram levar-me a fazer coisas proibidas, mas nunca me rendi. Quiseram acusar-me, mas não conseguiram", explica o antigo ciclista, afiançando que pouco mudou entretanto na modalidade.

Bassons era ciclista da Festina quando em 1998 'rebentou' o escândalo na Volta a França sobre o uso generalizado de doping no seio da equipa. O jornal 'France Soir' publicou os depoimentos feitos à polícia e dois corredores, Armin Meier e Christophe Moreau, disseram às autoridades que Bassons era o único ciclista da equipa que não se dopava.

Jean-Luc Gatellier, médico da Festina, disse ao 'L'Équipe': "É verdade, ele recusou-se a 'carregar o canhão' [usar doping] nos últimos anos. Christophe Bassons não pertence à família dos batoteiros e corruptos."

Fonte: Record on-line

“Warren Barguil é a sexta baixa por covid-19 na 109.ª edição do Tour”


"Os nossos outros sete corredores testaram negativo", garante a Arkéa Samsic

 

Por: Lusa

Foto: Lusa/EPA

O francês Warren Barguil (Arkéa Samsic) tornou-se esta sexta-feira o sexto ciclista a abandonar a Volta a França por estar com covid-19, dois dias após ter sido eleito o mais combativo da etapa que acabou no Col du Granon.

"Warren Barguil não vai alinhar esta manhã na 13.ª etapa da Volta a Fraca devido a um teste positivo à covid-19. Os nossos outros sete corredores testaram todos negativos. Obrigada por tudo, Wawa", lê-se na conta oficial do Twitter da equipa francesa.

O trepador francês esteve em destaque há dois dias, na 11.ª etapa da 109.ª edição da Grande Boucle, ao atacar os seus companheiros de fuga a mais de 50 quilómetros da meta, em plena subida ao Galibier, para só ser alcançado a 4.000 metros do cume do Col do Granon, onde a tirada terminou com a vitória do desde então camisola amarela Jonas Vingegaard (Jumbo-Visma).

Eleito "combativo do dia" na quarta-feira, depois de terminar a etapa na 10.ª posição, o vencedor da camisola da montanha no Tour'2017 e duas vezes 10.º classificado da prova (2017 e 2019) caiu na quinta-feira, durante a descida da Croix-de-Fer, ficando ferido na anca e no ombro direito.

Barguil era 24.º da geral, a mais de 42 minutos de Vingegaard, e o segundo corredor mais bem classificado da Arkéa Samsic, depois do colombiano Nairo Quintana, que é sexto, a 03.58 do camisola amarela.

O francês de 30 anos junta-se na lista de baixas por covid-19 aos compatriotas Geoffrey Bouchard (AG2R Citroën) e Guillaume Martin (Cofidis), ao norueguês Vegard Stake Laengen e ao neozelandês George Bennett, ambos da UAE Emirates, e ao australiano Luke Durbridge (BikeExchange-Jayco).

A 13.ª etapa da 109.ª Volta a França ligou hoje Bourg-d'Oisans a Saint-Étienne, no total de 192,6 quilómetros.

Fonte: Record on-line

“Portugueses com exibições positivas no primeiro dia do campeonato da europa de pista”


O Campeonato da Europa de Pista de juniores e sub-23 arrancou no velódromo de Sangalhos, com os portugueses em prova a deixarem satisfeito o selecionador nacional. A maioria eram estreantes a este nível, com um dos destaques a ir para um dos ciclistas com experiência, campeão da europa de scratch na categoria de sub-23 em 2021. Rodrigo Caixas melhorou bastante noutra disciplina, a perseguição individual.

O corredor sub-23 foi o primeiro da Seleção a ir para a pista e fez o sétimo melhor tempo na qualificação da perseguição individual, ao completar os quatro mil metros em 4'19"261 minutos. Nos Europeus de 2021, o português tinha feito 4'27"220, tendo sido 12º, ou seja, uma evolução muito positiva do jovem ciclista.

"O Rodrigo melhorou a sua melhor marca na perseguição individual, já baixando do patamar dos 4'20 que é bastante bom em termos de processo evolutivo", destacou Gabriel Mendes.

A prova foi ganha pelo alemão Tobias Buck-Gramcko, com o compatriota Nicolas Heinrich a ser segundo e o italiano Manlio Moro a fechar o pódio.

Marta Carvalho fez a sua estreia em Campeonatos da Europa de Pista, com um 13º lugar. A júnior portuguesa participou na corrida de scratch e tentou manter-se sempre muito bem posicionada no grupo. Grande parte da prova foi feita a um ritmo relativamente calmo, com a aceleração a ficar para a parte final, principalmente na última volta. A campeã europeia foi a belga Lani Wittevrongel, com a polaca Maja Tracka e a israelita Ori Bash a completarem o pódio.

Também na categoria mais jovem, João Martins alcançou um bom resultado no scratch ao ficar no top 10 (nono lugar), uma corrida ganha pelo francês Rafael Delhomme, com o italiano Lorenzo Annibali e o britânico Jed Smithson a conquistarem as restantes medalhas.

Na categoria de sub-23 foi Beatriz Roxo que esteve em ação na prova de eliminação, marcada por uma queda. Numa prova sempre espetacular e muito renhida, em que a colocação é chave e nada fácil de manter, a portuguesa terminou na 12ª posição.

Na discussão pelas medalhas, a belga Shari Bossuyt foi muito superior no sprint pela de ouro, batendo a britânica Sophie Lewis, que não teve capacidade para contrariar a força da adversária. A francesa Kristina Nenadovic ficou com o bronze.

Francisco Marques participou na prova masculina, esforçando-se para manter-se longe da cauda do grupo, no qual muito se lutou pelo posicionamento. Fechou na 15ª posição, com Davide Boscaro (Itália) a sagrar-se campeão, batendo o alemão Tim Torn Teutenberg e o polaco Filip Prokopyszyn.

O selecionador nacional ficou satisfeito com a exibição dos atletas neste primeiro dia de Europeus juniores e sub-23: "Dentro do que é o nosso plano de trabalho e objetivos, tendo em conta que a maioria dos atletas se estão a estrear em termos de competições internacionais, Campeonatos da Europa, eu penso que eles tiveram uma boa resposta. É evidente que os mais novos têm menos experiência, não têm experiência competitiva a este nível, mas tentaram no fundo demonstrar aquilo que são as suas capacidades. Acho que isso esteve presente nas provas que fizeram. Deram o seu contributo com bastante empenho, tentando dignificar a camisola da Seleção".

Referiu ainda: "As corridas que fizemos hoje foram difíceis. Nomeadamente as provas de eliminação são sempre com um certo grau de complexidade. Qualquer detalhe somos eliminados. Eles deram o seu melhor e procurámos trabalhar para aquilo que tem vindo a ser o nosso processo de trabalho com vista ao desenvolvimento e formação que é um dos nossos objetivos principais".

Nos outros títulos em disputa, Vittoria Guazzini (Itália) foi a mais forte na perseguição individual feminina sub-23, a Alemanha venceu a velocidade por equipas juniores, repetindo o feito na prova masculina.

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

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