sábado, 15 de agosto de 2026

“Guillermo Thomas Silva destrona Van Eetvelt na subida brutal de Storheia e assume comando da Arctic Race Norway”


Por: José Morais

Guillermo Thomas Silva escreveu mais um capítulo marcante da sua temporada ao conquistar, com autoridade, a etapa rainha da Arctic Race Norway. O uruguaio resistiu ao ataque explosivo de Lennert Van Eetvelt nos metros finais da subida de Storheia e virou a classificação geral, assumindo a liderança da corrida a um dia do fim.

 

A batalha decisiva na subida de Storheia

 

A etapa começou com uma fuga controlada, formada por Eirik Vang Aas, Thomas Eriksen, Aksel Laforce, Axel Kallberg e Morthen Wang Baksaas. Apesar de ativos nas primeiras montanhas, nunca tiveram espaço real para ameaçar os favoritos.

Com as equipas da geral a controlar cada movimento, Kallberg foi o último resistente, alcançado pouco antes da subida final, quando o pelotão já se reorganizava para o confronto decisivo.

Na aproximação a Storheia, a TotalEnergies acelerou o ritmo, seguida pela Picnic PostNL, que endureceu a corrida com Bert Bolle. O grupo dos candidatos manteve-se compacto até aos últimos dois quilómetros, quando a inclinação começou a separar os mais fortes dos que já lutavam para sobreviver.

 

O ataque de Van Eetvelt e a resposta fulminante de Silva

 

Fabio Christen tentou surpreender com um ataque a 1500 metros da meta, mas o ritmo imposto logo depois por Sebastian Berwick anulou a tentativa. A breve desaceleração permitiu reagrupamento o suficiente para Van Eetvelt lançar o movimento que parecia definitivo a 400 metros do topo.

O belga abriu espaço, deixou Silva momentaneamente em dificuldade e isolou-se. Mas o uruguaio, num gesto de enorme sangue-frio, estabilizou o esforço, viu Pinarello e Dhondt perderem contacto e lançou o contra-ataque perfeito: ultrapassou Van Eetvelt com potência e precisão, sem permitir resposta.

 

Silva assume a liderança antes da etapa final

 

A vitória valeu-lhe não só o triunfo na etapa rainha, mas também a camisola de líder. Silva começou o dia a oito segundos de Giovanni Lonardi, enquanto Van Eetvelt estava a 14. Com os bônus 10 segundos para o vencedor e 6 para o segundo o uruguaio saltou para o topo da geral com 10 segundos de vantagem sobre o belga.

Alessandro Pinarello terminou em terceiro, a nove segundos, e Robbe Dhondt fechou o top 4.

A etapa final também termina em alto e promete mais fogo na montanha.

“Jonas Vingegaard encerra 2026 e só volta às competições em 2027: decisão abala o pelotão”


Por: José Morais

Jonas Vingegaard vai mesmo colocar um ponto final na sua temporada e por um período bem mais longo do que muitos imaginavam. A Visma–Lease a Bike prepara-se para anunciar, no início da próxima semana, que o dinamarquês não voltará a competir antes de 2027. A informação, avançada por meios como La Gazzetta dello Sport e HLN, confirma aquilo que já se suspeitava desde a queda violenta na 15.ª etapa do Tour de França, a 19 de julho, que lhe deixou uma fratura na clavícula direita e o obrigou a abandonar.

 

Recuperação lenta e fim antecipado da época

 

A decisão não surpreende quem acompanha o calendário dos grandes escaladores. Após o Tour, as oportunidades relevantes são escassas e Vingegaard, apesar de ter considerado a hipótese de representar a Dinamarca no Mundial de Estrada em Montreal, acabou por reconhecer que o desgaste físico e mental da temporada pesou mais do que a ambição.

Durante o Tour da Dinamarca, no final de julho, o ciclista admitiu que tudo dependia da evolução da clavícula:

“Depende de como a clavícula reage, como cicatriza e como me recupero.”

Apesar de já conseguir movimentar o braço, o dinamarquês não quis repetir o erro do europeu, onde competiu sem preparação adequada e acabou por abandonar a mais de 100 km da meta.

O ex-profissional Michael Rasmussen foi direto: para ele, a seleção dinamarquesa teria mais a ganhar sem Vingegaard no Mundial, considerando o pouco tempo disponível para recuperar forma e preparar um percurso tão exigente.

 

Fim de temporada e balanço competitivo

 

A ausência prolongada também afasta Vingegaard de provas como Il Lombardia, onde não compete desde 2022. Corridas de um dia nunca foram o seu território, e a preparação específica exigida não encaixa no momento atual.

Ainda assim, o dinamarquês fecha 2026 com números sólidos: 51 dias de competição, alinhado com rivais diretos como Pogacar, e um conjunto de vitórias de peso Paris-Nice, Volta à Catalunha e um Giro d’Itália dominado com cinco triunfos em etapas.

 

O que esperar de 2027?

 

Com contrato até 2028, Vingegaard já deixou pistas sobre o que precisa melhorar. A preparação para o Tour deste ano não o deixou satisfeito:

“Talvez não tenhamos interpretado bem o Tour. Melhorámos nas subidas longas, mas talvez fosse preciso ser mais explosivo e analisar a rota com mais cuidado.”

A pausa prolongada abre espaço para uma reconstrução completa: mais explosividade, mais foco nas etapas decisivas e, sobretudo, uma abordagem estratégica renovada para voltar ao pódio das Grandes Voltas.

“Tragédia na estrada leva NSN a abandonar a Volta a Portugal”


Por: José Morais

A NSN Development Team decidiu retirar-se imediatamente da Volta a Portugal após a morte do jovem britânico Finlay Tarling, de 19 anos, vítima de uma colisão com um veículo ligeiro durante a oitava etapa da prova.

A formação suíça, ligada à NSN Cycling Team e anteriormente conhecida como Israel Cycling Academy, confirmou a decisão através de um comunicado divulgado nas redes sociais. A equipa explicou que a saída da corrida portuguesa é uma medida de respeito e luto, mas sublinhou que, “com total apoio dos pais de Finlay Tarling”, a estrutura principal continuará a competir no Tour da República Tcheca e na Corrida Ártica da Noruega.

No comunicado, a equipa destacou que seguirá a temporada “carregando Finlay Tarling, no coração”, correndo em homenagem ao jovem ciclista e ao amor que ele tinha pelo desporto. A NSN agradeceu ainda o apoio recebido da comunidade do ciclismo e de fãs de todo o mundo, num momento que descreve como “profundamente devastador”.

Finlay Tarling perdeu a vida esta sexta‑feira, após o choque com um veículo durante a etapa. O acidente provocou comoção no pelotão e reacendeu debates sobre segurança nas estradas durante competições.

Ficha Técnica

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