Por: José Morais
Jonas Vingegaard vai mesmo
colocar um ponto final na sua temporada e por um período bem mais longo do que
muitos imaginavam. A Visma–Lease a Bike prepara-se para anunciar, no início da
próxima semana, que o dinamarquês não voltará a competir antes de 2027. A
informação, avançada por meios como La Gazzetta dello Sport e HLN, confirma
aquilo que já se suspeitava desde a queda violenta na 15.ª etapa do Tour de
França, a 19 de julho, que lhe deixou uma fratura na clavícula direita e o
obrigou a abandonar.
Recuperação
lenta e fim antecipado da época
A decisão não surpreende quem
acompanha o calendário dos grandes escaladores. Após o Tour, as oportunidades
relevantes são escassas e Vingegaard, apesar de ter considerado a hipótese de
representar a Dinamarca no Mundial de Estrada em Montreal, acabou por
reconhecer que o desgaste físico e mental da temporada pesou mais do que a
ambição.
Durante o Tour da Dinamarca,
no final de julho, o ciclista admitiu que tudo dependia da evolução da
clavícula:
“Depende de como a clavícula
reage, como cicatriza e como me recupero.”
Apesar de já conseguir
movimentar o braço, o dinamarquês não quis repetir o erro do europeu, onde
competiu sem preparação adequada e acabou por abandonar a mais de 100 km da
meta.
O ex-profissional Michael
Rasmussen foi direto: para ele, a seleção dinamarquesa teria mais a ganhar sem
Vingegaard no Mundial, considerando o pouco tempo disponível para recuperar
forma e preparar um percurso tão exigente.
Fim de
temporada e balanço competitivo
A ausência prolongada também
afasta Vingegaard de provas como Il Lombardia, onde não compete desde 2022.
Corridas de um dia nunca foram o seu território, e a preparação específica
exigida não encaixa no momento atual.
Ainda assim, o dinamarquês
fecha 2026 com números sólidos: 51 dias de competição, alinhado com rivais
diretos como Pogacar, e um conjunto de vitórias de peso Paris-Nice, Volta à
Catalunha e um Giro d’Itália dominado com cinco triunfos em etapas.
O que
esperar de 2027?
Com contrato até 2028,
Vingegaard já deixou pistas sobre o que precisa melhorar. A preparação para o
Tour deste ano não o deixou satisfeito:
“Talvez não tenhamos
interpretado bem o Tour. Melhorámos nas subidas longas, mas talvez fosse
preciso ser mais explosivo e analisar a rota com mais cuidado.”
A pausa prolongada abre espaço
para uma reconstrução completa: mais explosividade, mais foco nas etapas
decisivas e, sobretudo, uma abordagem estratégica renovada para voltar ao pódio
das Grandes Voltas.

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