sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

“Pelotão de luxo na 52.ª Volta ao Algarve”


A 52.ª Volta ao Algarve, que decorre entre 18 e 22 de fevereiro, voltará a contar com um pelotão de luxo, que confirma o estatuto da prova como uma das mais prestigiadas do calendário Pro Series. Com 24 equipas confirmadas, o pelotão será liderado por 12 formações World Tour, que vão trazer até às estradas algarvias alguns dos melhores ciclistas do Mundo.

A lista de participantes provisória vem confirmar alguns dos nomes mais antecipados. Desde logo, o quarteto português da UAE Team Emirates- XRG. A melhor equipa do Mundo em 2025 apresenta-se no Algarve com João Almeida, um dos principais candidatos à vitória geral depois do segundo lugar de 2025, época em que brilhou, tendo também sido segundo na Vuelta. Estão também confirmados os gémeos Ivo e Rui Oliveira e o jovem António Morgado.

Um dos momentos mais aguardados será a estreia de Juan Ayuso. O espanhol irá estrear-se pela Lidl-Trek, naquele que será também o seu primeiro confronto com a antiga equipa. Terá a companhia de Derek Gee- West, quarto classificado do último Giro d’Italia e uma das principais contratações entre as equipas do World Tour.


A confirmação chega igualmente para Paul Seixas, uma das maiores promessas do ciclismo mundial, que irá competir pela primeira vez em Portugal, país onde tem raízes. A novidade na Decathlon CMA CGM Team prende-se com a confirmação de Matthew Riccitello, quinto classificado da última Vuelta que não corre no Algarve desde 2021.

A INEOS Grenadiers apresenta-se no Algarve em grande força. Além de Filippo Ganna, segundo classificado em 2023 e presença assídua desde então, a formação britânica irá contar com os dois principais reforços para a nova temporada: Oscar Onley e Kévin Vauquelin. Nota ainda para o regresso de Thymen Arensman depois de um ano em que festejou duas vitórias no Tour de France.

No caso da Red Bull-BORA-hansgrohe, Florian Lipowitz é o nome a destacar. O alemão de 25 anos vai estrear-se na prova algarvia depois de uma época em que foi terceiro no Tour de France. Terá a companhia de nomes como Daniel Martínez, que venceu a edição de 2023 e fez pódio sempre que esteve presente na Algarvia, Jan Tratnik, terceiro em 2024, ou Jordi Meeus, vencedor de uma etapa em 2025.

A lista conta ainda com estrelas como Richard Carapaz (EF Education - EasyPost) – o antigo vencedor do Giro d’Italia só competiu no Algarve em 2017 – e o bicampeão do Mundo Julian Alaphilippe (Tudor Pro Cycling Team). Paul Magnier (Soudal Quick-Step), segundo ciclista com mais vitórias em 2025 também vai estar presente, tal como os jovens Arnaud De Lie e Jarno Widar (Lotto-Intermarché).

Apesar de não constar na lista provisória de inscritos – os nomes podem e devem sofrer alterações até à partida -, há um último nome que merece destaque. A Alpecin-Premier Tech confirmou esta quarta-feira que Jasper Philipsen irá estar na partida da 52.ª Volta ao Algarve. Será o regresso de um dos melhores sprinters do Mundo à prova algarvia, onde só competiu em 2019.

 

Equipas Participantes

 

World Teams:

Alpecin-Premier Tech (Bélgica), Decathlon CMA CGM Team (França), EF Education-EasyPost (EUA), Ineos Grenadiers (Grã-Bretanha), Lidl-Trek (Alemanha), Lotto Intermarché (Bélgica), NSN Cycling Team (Suíça), Red Bull-Bora-hansgrohe (Alemanha), Soudal Quick-Step (Bélgica), Team Jayco AlUla (Austrália), Team Picnic PostNL (Países Baixos) e UAE Team Emirates XRG (Emirados Árabes Unidos)

 

Pro Teams:

Caja Rural-Seguros RGA (Espanha), Pinarello-Q36.5 Pro Cycling Team (Suíça) e Tudor Pro Cycling Team (Suíça)

Equipas Continentais: Anicolor/Campicarn (Portugal), Aviludo-Louletano- Loulé (Portugal), Credibom/LA Alumínios/Marcos Car (Portugal), Efapel Cycling (Portugal), Feira dos Sofás-Boavista (Portugal), Feirense Beeceler (Portugal), Gi Group Holding Simoldes-UDO (Portugal), Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua (Portugal) e Team Tavira (Portugal)

 

Etapas

18/02 | Vila Real de Santo António – Tavira | 183,5 km | 12h00-16h27 19/02 | Portimão – Alto da Fóia | 147,2 km | 12h45-16h25

20/02 | Vilamoura – Vilamoura (CRI) | 19,5 km | 13h05 (provisório) 21/02 | Albufeira – Lagos | 175,1 km | 11h00-15h20

22/02 | Faro – Alto do Malhão | 148,4 km | 12h05-15h42

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

“Depois do ataque de Yates, fiquei para trás” - Christian Scaroni vai ao limite no final dramático da Volta ao Omã para selar a vitória na geral”


Por: Leticia Martins

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

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Por um breve momento nas rampas mais íngremes de Green Mountain, a Volta ao Omã pareceu poder escapar a Christian Scaroni.

Quando Adam Yates desferiu a aceleração esperada na ascensão decisiva, Scaroni ficou do lado errado do movimento, ligeiramente distanciado e com a geral sob ameaça real. “Encontrei-me atrás e não consegui responder de imediato”, admitiu Scaroni depois, ao descrever o momento mais delicado da corrida.

 

O momento decisivo na Green Mountain

 

O que se seguiu, porém, definiu a semana do italiano. O companheiro Cristian Rodriguez guiou Scaroni de volta à discussão, fechando o espaço após o ataque de Yates e restaurando o controlo da Astana exatamente quando a meta em alto já se avistava. A partir daí, Scaroni recompôs-se, mediu o esforço e esperou.

No último quilómetro, com a inclinação ainda a morder e os rivais comprometidos, Scaroni escolheu o momento na perfeição. Deixou Yates abrir o sprint, seguiu com paciência e lançou a sua aceleração a 150 metros da meta. A resposta foi decisiva. Scaroni destacou-se para vencer a etapa e, com ela, conquistar a geral da Volta ao Omã.

“O plano era muito simples: chegar à última subida sem problemas e depois ver como estavam as pernas”, explicou Scaroni. “No último quilómetro, tentei dosear o esforço o melhor possível, esperei que o Adam Yates arrancasse o sprint, segui-o e depois lancei o meu próprio sprint.”

 

Controlo e execução coletiva da Astana

 

A vitória coroou uma exibição dominadora no dia final da XDS Astana Team, que ocupou os dois primeiros lugares da geral, com Rodríguez a terminar segundo na etapa e na classificação geral. Scaroni garantiu também a classificação por pontos, enquanto a equipa venceu a classificação coletiva, fechando uma semana completa em Omã.

“Quero agradecer a toda a equipa pelo apoio fenomenal ao longo da semana e, em especial, hoje”, disse Scaroni. “O Diego Ulissi esteve comigo todo o dia, a proteger-me do vento e a ajudar no posicionamento, e o Cristián deu-me um apoio enorme no único momento difícil da subida.”

 

Confiança recuperada no momento certo

 

Para Scaroni, o significado foi além do resultado. Depois de um período a recuperar forma e confiança, corresponder sob pressão numa das chegadas em alto mais seletivas da época teve um peso particular.

“Sinceramente, estou muito feliz com o que alcançámos”, afirmou. “Alegra-me voltar a sentir-me forte, a recuperar a forma e a confiança. Estar na frente na etapa decisiva de uma corrida de tão alto nível é importante para mim.”

O que pareceu, por instantes, uma vulnerabilidade tornou-se o trecho definidor da Volta ao Omã de Scaroni. Testado pelo ataque de Yates, estabilizado pela equipa e resolvido no sprint final, o italiano transformou um momento de perigo numa vitória categórica, selada não apenas pela força, mas pela compostura quando mais importava.

“Calendário velocipédico ganha nova vida em 2026 com regresso histórico e prova inédita”


Por: José Morais

Depois de vários anos marcados pela previsibilidade, o calendário do ciclismo português apresenta finalmente sinais claros de renovação em 2026. Mais do que simples ajustes de datas, a próxima temporada traz consigo um regresso simbólico e o nascimento de uma nova corrida, mexendo com a dinâmica habitual do pelotão nacional.

A grande novidade passa pelo regresso do Grande Prémio Jornal de Notícias às suas datas históricas, em junho, mês que coincide com a fundação do emblemático diário nortenho. A prova, no entanto, surge com um formato mais compacto, reduzida a cinco dias de competição, entre 10 e 14 de junho.

Em contrapartida, surge uma nova corrida no panorama nacional: o GP Internacional TSF–JN, que herda as datas tradicionalmente ocupadas pelo GP Jornal de Notícias, decorrendo entre 2 e 6 de setembro. Esta nova prova promete reforçar o calendário no final da época e prolongar o interesse competitivo após a Volta a Portugal, algo há muito reclamado por equipas e corredores.

As alterações dentro do mesmo grupo editorial acabam por empurrar o Grande Prémio Douro Internacional para o final de agosto (28 a 30), já depois da Volta, numa fase em que o desgaste acumulado poderá influenciar o espetáculo desportivo.

A Volta a Portugal, grande referência do ciclismo nacional, mantém-se fiel ao calendário tradicional, disputando-se entre 5 e 16 de agosto, seguida dos clássicos circuitos urbanos que continuam a animar o pós-Volta.

Curiosamente, o calendário encerra mais cedo do que o habitual, com as 12 Voltas à Gafa, a 13 de setembro, deixando um longo interregno competitivo de cerca de cinco meses até ao arranque da época seguinte. Uma pausa que volta a levantar o debate sobre a necessidade de maior continuidade competitiva no ciclismo português.

A temporada arranca a 14 de fevereiro, com a Clássica da Figueira, uma das duas provas portuguesas integradas no escalão Pro Series, juntamente com a Volta ao Algarve (18 a 22 de fevereiro). Ambas voltam a atrair equipas e figuras do World Tour, proporcionando um raro confronto direto entre o pelotão nacional e a elite mundial logo no início do ano.

Ao longo dos cerca de 70 dias de competição, o calendário preserva os seus pilares históricos, como a Volta ao Alentejo (25 a 29 de março) e o GP Internacional de Torres Vedras – Troféu Joaquim Agostinho (9 a 12 de julho), tradicional termómetro da forma dos corredores antes da Volta.

Os Campeonatos Nacionais, ponto alto para os ciclistas portugueses, estão agendados para 26 a 28 de junho, prometendo novamente batalhas intensas pelas camisolas nacionais.

Com estas mudanças, 2026 apresenta-se como um ano-charneira para o ciclismo nacional: respeita a tradição, mas abre espaço à inovação. Resta agora saber se este novo desenho será suficiente para revitalizar o interesse do público e oferecer melhores condições competitivas às equipas portuguesas.

Ficha Técnica

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