quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

“Calendário velocipédico ganha nova vida em 2026 com regresso histórico e prova inédita”


Por: José Morais

Depois de vários anos marcados pela previsibilidade, o calendário do ciclismo português apresenta finalmente sinais claros de renovação em 2026. Mais do que simples ajustes de datas, a próxima temporada traz consigo um regresso simbólico e o nascimento de uma nova corrida, mexendo com a dinâmica habitual do pelotão nacional.

A grande novidade passa pelo regresso do Grande Prémio Jornal de Notícias às suas datas históricas, em junho, mês que coincide com a fundação do emblemático diário nortenho. A prova, no entanto, surge com um formato mais compacto, reduzida a cinco dias de competição, entre 10 e 14 de junho.

Em contrapartida, surge uma nova corrida no panorama nacional: o GP Internacional TSF–JN, que herda as datas tradicionalmente ocupadas pelo GP Jornal de Notícias, decorrendo entre 2 e 6 de setembro. Esta nova prova promete reforçar o calendário no final da época e prolongar o interesse competitivo após a Volta a Portugal, algo há muito reclamado por equipas e corredores.

As alterações dentro do mesmo grupo editorial acabam por empurrar o Grande Prémio Douro Internacional para o final de agosto (28 a 30), já depois da Volta, numa fase em que o desgaste acumulado poderá influenciar o espetáculo desportivo.

A Volta a Portugal, grande referência do ciclismo nacional, mantém-se fiel ao calendário tradicional, disputando-se entre 5 e 16 de agosto, seguida dos clássicos circuitos urbanos que continuam a animar o pós-Volta.

Curiosamente, o calendário encerra mais cedo do que o habitual, com as 12 Voltas à Gafa, a 13 de setembro, deixando um longo interregno competitivo de cerca de cinco meses até ao arranque da época seguinte. Uma pausa que volta a levantar o debate sobre a necessidade de maior continuidade competitiva no ciclismo português.

A temporada arranca a 14 de fevereiro, com a Clássica da Figueira, uma das duas provas portuguesas integradas no escalão Pro Series, juntamente com a Volta ao Algarve (18 a 22 de fevereiro). Ambas voltam a atrair equipas e figuras do World Tour, proporcionando um raro confronto direto entre o pelotão nacional e a elite mundial logo no início do ano.

Ao longo dos cerca de 70 dias de competição, o calendário preserva os seus pilares históricos, como a Volta ao Alentejo (25 a 29 de março) e o GP Internacional de Torres Vedras – Troféu Joaquim Agostinho (9 a 12 de julho), tradicional termómetro da forma dos corredores antes da Volta.

Os Campeonatos Nacionais, ponto alto para os ciclistas portugueses, estão agendados para 26 a 28 de junho, prometendo novamente batalhas intensas pelas camisolas nacionais.

Com estas mudanças, 2026 apresenta-se como um ano-charneira para o ciclismo nacional: respeita a tradição, mas abre espaço à inovação. Resta agora saber se este novo desenho será suficiente para revitalizar o interesse do público e oferecer melhores condições competitivas às equipas portuguesas.

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