Por: José Morais
Depois de vários anos marcados pela previsibilidade, o calendário do
ciclismo português apresenta finalmente sinais claros de renovação em 2026.
Mais do que simples ajustes de datas, a próxima temporada traz consigo um
regresso simbólico e o nascimento de uma nova corrida, mexendo com a dinâmica
habitual do pelotão nacional.
A grande novidade passa pelo regresso do Grande Prémio Jornal de
Notícias às suas datas históricas, em junho, mês que coincide com a fundação do
emblemático diário nortenho. A prova, no entanto, surge com um formato mais
compacto, reduzida a cinco dias de competição, entre 10 e 14 de junho.
Em contrapartida, surge uma nova corrida no panorama nacional: o GP
Internacional TSF–JN, que herda as datas tradicionalmente ocupadas pelo GP
Jornal de Notícias, decorrendo entre 2 e 6 de setembro. Esta nova prova promete
reforçar o calendário no final da época e prolongar o interesse competitivo
após a Volta a Portugal, algo há muito reclamado por equipas e corredores.
As alterações dentro do mesmo grupo editorial acabam por empurrar o
Grande Prémio Douro Internacional para o final de agosto (28 a 30), já depois
da Volta, numa fase em que o desgaste acumulado poderá influenciar o espetáculo
desportivo.
A Volta a Portugal, grande referência do ciclismo nacional, mantém-se
fiel ao calendário tradicional, disputando-se entre 5 e 16 de agosto, seguida
dos clássicos circuitos urbanos que continuam a animar o pós-Volta.
Curiosamente, o calendário encerra mais cedo do que o habitual, com as
12 Voltas à Gafa, a 13 de setembro, deixando um longo interregno competitivo de
cerca de cinco meses até ao arranque da época seguinte. Uma pausa que volta a
levantar o debate sobre a necessidade de maior continuidade competitiva no
ciclismo português.
A temporada arranca a 14 de fevereiro, com a Clássica da Figueira, uma
das duas provas portuguesas integradas no escalão Pro Series, juntamente com a
Volta ao Algarve (18 a 22 de fevereiro). Ambas voltam a atrair equipas e
figuras do World Tour, proporcionando um raro confronto direto entre o pelotão
nacional e a elite mundial logo no início do ano.
Ao longo dos cerca de 70 dias de competição, o calendário preserva os
seus pilares históricos, como a Volta ao Alentejo (25 a 29 de março) e o GP
Internacional de Torres Vedras – Troféu Joaquim Agostinho (9 a 12 de julho),
tradicional termómetro da forma dos corredores antes da Volta.
Os Campeonatos Nacionais, ponto alto para os ciclistas portugueses,
estão agendados para 26 a 28 de junho, prometendo novamente batalhas intensas
pelas camisolas nacionais.
Com estas mudanças, 2026 apresenta-se como um ano-charneira para o
ciclismo nacional: respeita a tradição, mas abre espaço à inovação. Resta agora
saber se este novo desenho será suficiente para revitalizar o interesse do
público e oferecer melhores condições competitivas às equipas portuguesas.

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