Por: José Morais
O colombiano Nairo Quintana
colocou um ponto final numa das carreiras mais marcantes do ciclismo mundial e
garante que sai de consciência tranquila. O antigo vencedor do Giro d'Italia e
da Vuelta a España afirma que não trocaria os seus maiores triunfos por uma
vitória no Tour de France, apesar de a prova francesa ter sido o grande
objetivo da sua trajetória desportiva.
Em declarações após a
despedida do pelotão profissional, Quintana destacou que sempre entregou tudo o
que tinha para alcançar o tão desejado triunfo no Tour, mas recusa olhar para
trás com frustração.
“Dei o máximo em cada
oportunidade. O Tour era um sonho, mas sinto-me plenamente realizado com aquilo
que conquistei. Ganhar o Giro e a Vuelta são feitos extraordinários que
guardarei para sempre”, sublinhou o colombiano.
Ao recordar o percurso no
ciclismo de elite, o antigo corredor mostrou especial gratidão pelas equipas
que o acompanharam ao longo dos anos, com uma referência particular à Movistar
Team. Quintana elogiou o papel desempenhado pela estrutura espanhola e por
Eusebio Unzué, considerando que o seu sucesso ajudou também a projetar
internacionalmente o ciclismo colombiano.
Froome,
uma rivalidade histórica marcada pelo respeito
Entre as memórias mais
marcantes da carreira, Quintana destacou a intensa rivalidade com Chris Froome,
que marcou uma geração de adeptos das grandes voltas.
O colombiano reconheceu a
superioridade do britânico em vários momentos, sobretudo devido à força
coletiva da equipa Sky e às dificuldades que sempre encontrou nas etapas de
contrarrelógio.
“Froome era extremamente forte
e estava rodeado por um bloco muito poderoso. Tive de lutar com as armas que
possuía e procurar defender-me da melhor forma possível”, admitiu.
Apesar das batalhas travadas
nas estradas da Europa, Quintana salientou que o desporto permitiu construir
uma amizade que permanece até hoje, mostrando que a rivalidade competitiva
nunca impediu o respeito mútuo.
Pogacar?
“Nem no meu melhor nível conseguiria acompanhá-lo”
Sem rodeios, Quintana foi
ainda questionado sobre a possibilidade de competir de igual para igual com
Tadej Pogacar durante os melhores anos da sua carreira.
A
resposta foi clara e direta
Segundo o colombiano, o nível
exibido atualmente pelo esloveno está num patamar que ultrapassa aquilo que ele
próprio conseguiu atingir, mesmo quando se encontrava no auge da forma.
“Seria impossível. Nem no meu
melhor momento teria capacidade para acompanhar um corredor como Pogacar. O
nível que ele apresenta é impressionante e completamente diferente daquele que
existia na minha época”, reconheceu.
Hora de
virar a página
Aos 36 anos, Quintana
considera que chegou o momento ideal para encerrar a carreira profissional. A
decisão, planeada há algum tempo, permitirá dedicar mais atenção à família e
explorar novos projetos fora da competição.
Embora abandone as corridas, o
colombiano continua atento à evolução da Movistar e acredita que a equipa
espanhola possui bases sólidas para voltar a lutar pelos grandes resultados.
Para Quintana, jovens talentos
como Pablo Castrillo, Iván Romeo, Carlos Canal e Pelayo Sánchez representam uma
geração capaz de devolver protagonismo à formação telefónica nos próximos anos.
Com uma carreira recheada de
conquistas e momentos memoráveis, o escalador colombiano despede-se do ciclismo
convencido de que cumpriu a sua missão, deixando uma marca profunda na história
do desporto e inspirando futuras gerações de corredores.

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