Por: José Morais
A conquista de Enric Mas na
Volta a Espanha trouxe motivos para celebrar dentro da Movistar, mas o triunfo
não foi suficiente para travar uma profunda remodelação nos bastidores da
formação espanhola. A equipa prepara-se para uma das maiores reestruturações
dos últimos anos, com a saída de quatro elementos influentes da sua estrutura
diretiva e técnica.
Mudanças
profundas após uma época aquém das expectativas
Apesar do êxito alcançado na
Vuelta, a temporada da Movistar ficou marcada por resultados irregulares e por
um rendimento global distante das ambições da equipa. Com apenas 14 vitórias ao
longo do ano e uma posição delicada nos rankings da UCI durante largos períodos
da época, a direção decidiu avançar com uma renovação interna de grande
dimensão.
A reorganização torna-se ainda
mais significativa por surgir pouco tempo depois da implementação do atual
modelo de gestão, apresentado há pouco mais de um ano. A estrutura criada para
reforçar o desempenho desportivo e técnico da equipa terá agora de ser
novamente reformulada.
Quatro
saídas confirmadas na estrutura da equipa
Entre as mudanças já definidas
está a saída do australiano Matthew White, que tinha chegado proveniente da
Jayco-AlUla para assumir funções de responsabilidade na área desportiva. Também
deixará a equipa o britânico Max Sciandri, um dos nomes mais experientes do
grupo técnico e presença regular na estrutura da Movistar desde 2019.
Outra baixa importante é a de
Xabier Muriel, responsável pela coordenação dos treinadores e peça central no
departamento de desempenho. A sua partida representa mais uma alteração numa
área que tem vivido sucessivas mudanças nos últimos anos.
A lista fica completa com
Leonardo Piepoli, que não continuará ligado à equipa após uma passagem
relativamente curta pela estrutura telefónica.
Instabilidade
preocupa o futuro
A frequência das alterações
levanta dúvidas sobre a estabilidade interna da formação espanhola. Vários
departamentos sofreram mudanças consecutivas nos últimos anos, dificultando a
consolidação de uma estratégia técnica a longo prazo.
Embora a direção procure uma
nova dinâmica para recuperar competitividade ao mais alto nível, a constante
renovação de quadros pode representar um desafio adicional num pelotão cada vez
mais exigente e profissionalizado.
Reforços
a caminho e nova imagem para 2027
Paralelamente às mudanças na
estrutura técnica, a Movistar prepara também uma renovação do plantel. Jovens
talentos provenientes de equipas de desenvolvimento e formações continentais
deverão integrar o grupo principal, numa clara aposta na renovação geracional.
As novidades não se ficarão
pelo plano desportivo. Depois de quatro temporadas de parceria com a Gobik, a
equipa espanhola poderá apresentar uma nova imagem em 2027. Nos bastidores do
ciclismo, cresce a expectativa de que a marca basca Etxeondo venha a assumir o
fornecimento do equipamento oficial, marcando mais uma etapa na transformação
que está a ser preparada.
A vitória na Vuelta trouxe
prestígio e visibilidade, mas não evitou uma decisão clara da direção: a
Movistar quer abrir um novo ciclo e está disposta a mexer profundamente na sua
estrutura para o conseguir.

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