segunda-feira, 19 de outubro de 2026

“Abalo na Movistar: vitória na Vuelta não evita saída de quatro figuras de peso”


Por: José Morais

A conquista de Enric Mas na Volta a Espanha trouxe motivos para celebrar dentro da Movistar, mas o triunfo não foi suficiente para travar uma profunda remodelação nos bastidores da formação espanhola. A equipa prepara-se para uma das maiores reestruturações dos últimos anos, com a saída de quatro elementos influentes da sua estrutura diretiva e técnica.

 

Mudanças profundas após uma época aquém das expectativas

 

Apesar do êxito alcançado na Vuelta, a temporada da Movistar ficou marcada por resultados irregulares e por um rendimento global distante das ambições da equipa. Com apenas 14 vitórias ao longo do ano e uma posição delicada nos rankings da UCI durante largos períodos da época, a direção decidiu avançar com uma renovação interna de grande dimensão.

A reorganização torna-se ainda mais significativa por surgir pouco tempo depois da implementação do atual modelo de gestão, apresentado há pouco mais de um ano. A estrutura criada para reforçar o desempenho desportivo e técnico da equipa terá agora de ser novamente reformulada.

 

Quatro saídas confirmadas na estrutura da equipa

 

Entre as mudanças já definidas está a saída do australiano Matthew White, que tinha chegado proveniente da Jayco-AlUla para assumir funções de responsabilidade na área desportiva. Também deixará a equipa o britânico Max Sciandri, um dos nomes mais experientes do grupo técnico e presença regular na estrutura da Movistar desde 2019.

Outra baixa importante é a de Xabier Muriel, responsável pela coordenação dos treinadores e peça central no departamento de desempenho. A sua partida representa mais uma alteração numa área que tem vivido sucessivas mudanças nos últimos anos.

A lista fica completa com Leonardo Piepoli, que não continuará ligado à equipa após uma passagem relativamente curta pela estrutura telefónica.

 

Instabilidade preocupa o futuro

 

A frequência das alterações levanta dúvidas sobre a estabilidade interna da formação espanhola. Vários departamentos sofreram mudanças consecutivas nos últimos anos, dificultando a consolidação de uma estratégia técnica a longo prazo.

Embora a direção procure uma nova dinâmica para recuperar competitividade ao mais alto nível, a constante renovação de quadros pode representar um desafio adicional num pelotão cada vez mais exigente e profissionalizado.

 

Reforços a caminho e nova imagem para 2027

 

Paralelamente às mudanças na estrutura técnica, a Movistar prepara também uma renovação do plantel. Jovens talentos provenientes de equipas de desenvolvimento e formações continentais deverão integrar o grupo principal, numa clara aposta na renovação geracional.

As novidades não se ficarão pelo plano desportivo. Depois de quatro temporadas de parceria com a Gobik, a equipa espanhola poderá apresentar uma nova imagem em 2027. Nos bastidores do ciclismo, cresce a expectativa de que a marca basca Etxeondo venha a assumir o fornecimento do equipamento oficial, marcando mais uma etapa na transformação que está a ser preparada.

A vitória na Vuelta trouxe prestígio e visibilidade, mas não evitou uma decisão clara da direção: a Movistar quer abrir um novo ciclo e está disposta a mexer profundamente na sua estrutura para o conseguir.

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